Cidades

AFASTADO

Divoncir é o segundo desembargador "derrubado" pelo mesmo juiz

Juiz que denunciou Divoncir é o mesmo responsável pela "demissão" da desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, em fevereiro de 2021

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O desembargador Divoncir Schreiner Maran, afastado de suas funções na manhã desta quinta-feira (8) por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pode ser o segundo "derrubado" pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos, da 1ª Vara Criminal de Três Lagoas.

Responsável pela denúncia contra o desembargador, feita ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o juiz é o mesmo que foi responsável pela "demissão" da desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, em fevereiro de 2021.

No caso de Tânia, o magistrado denunciou ao CNJ o fato de Tânia ter ido pessoalmente ao presídio em Três Lagoas liberar o filho, Breno Solon Borges Fernandes, que estava preso após ter sido flagrado traficando maconha e munições.

Conforme a denúncia levado pelo juiz, ela usou do cargo para beneficiar ilegalmente o filho e, por isso, foi punida com a aposentadoria compulsória.

Já no caso de Divoncir, a denúncia também foi feita pelo juiz Rodrini Pedrini Marcos ao Conselho Nacional de Justiça, há três anos.

O juiz estranhou o fato do desembargador soltar o traficante Gerson Palermo, 65 anos, condenado a 126 anos de prisão, durante plantão judicial no feriado de 21 de abril de 2020.

Divoncir Maran concedeu prisão domiciliar ao traficante sob alegação de que ele corria o risco de contrar Covid-19, na época em que a pandemia estava começando.

Na denúncia, o juiz de Três Lagoas insinua que o pedido de liminar foi feito exatamente naquele dia porque os advogados de Palermo sabiam que Divoncir Maran estava de plantão. 

Segundo ele, o que prova essa alegação é o fato de que outros três plantonistas já haviam trabalhado depois que o juiz de primeira instância negou o pedido de relaxamento da prisão e, mesmo assim o recurso não fora impetrado. 

No dia seguinte, em 21 de abril, a liminar concedida por Maran foi revogada pelo desembargador Jonas Hass Silva Júnior, que entendeu que Palermo não se enquadrava nas normas legais para a prisão domiciliar.

No entanto, o traficante não chegou a ser novamente preso, pois assim que foi liberado pela decisão de Divoncir, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, não sendo encontrado até hoje.

Com a denúncia, o CNJ decidiu, em 5 de setembro do ano passado, instaurar Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso. O desembargador irá se aposentar no dia 7 de abril deste ano, pois completa a idade limite, 75 anos, no dia 6 de abril e, desta forma, pode escapar ileso da investigação, devido ao arquivamento do processo.

O Correio do Estado procurou o juiz Rodrigo Pedrini Marcos, para saber se ele gostaria de comentar o caso, mas não conseguiu contato até a publicação desta reportagem.

A aposentadoria compulsória, ou demissão, de magistrados é fato raro no Judiciário de Mato Grosso do Sul, com apenas dois casos até então.

Além de Tânia Borges, outro juiz demitido em Mato Grosso do Sul foi Aldo Ferreira da Silva Júnior, em julho de 2022, por decisão do próprio Tribunal de Justiça.

Ele estava afastado do cargo havia cerca de quatro anos por suspeita de envolvimento em um esquema de cobrança de propina para liberação de precatórios, que são créditos concedidos para quem venceu ações na Justiça contra o poder público e que não cabem mais recurso. 

Operação Tiradentes

Na manhã de hoje, Divoncir foi alvo de operação da Polícia Federal e Receita Federal e foi afastado de suas funções.

Conforme a Polícia Federal, a operação apura a “prática de corrupção passiva e lavagem de capitais por membro do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul”.

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça, em Campo Grande e em Bonito. Parte dos mandados de busca e apreensão tiveram como alvo filhos do magistrado. 

O STJ também determinou a proibição de acesso do desembargador às dependências do Tribunal de Justiça, em quaisquer de suas sedes, além da comunicação com funcionários e utilização de seus serviços, seja diretamente ou por interposta pessoa, sob pena de decretação da prisão preventiva.

O desembargador Divoncir Maran já presidiu o Tribunal Regional Eleitoral e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele está na magistratura desde 1981. Mas, mesmo que fosse demitido, teria direito ao salário de qualquer outro magistrado aposentado, da ordem de R$ 40 mil (além de alguns penduricalhos) já que juízes têm cargo vitalício no Brasil. 

Saúde

Santa Casa terá de reinserir na regulação pacientes ortopédicos

Decisão ocorreu durante audiência de conciliação realizada ontem e prevê que pessoas não atendidas retornem para a fila regulatória após 48 horas de espera

26/06/2026 08h00

Foto: Gerson Oliveira

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A Santa Casa de Campo Grande terá de reinserir na regulação pacientes ortopédicos que não tiverem a intervenção cirúrgica realizada em até dois dias.

A decisão veio depois de visita da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul ao hospital, que encontrou pessoas aguardando há meses a retirada de materiais de síntese, como hastes, pinos e fixadores externos implantados durante o tratamento.

Nesta semana, a Defensoria Pública ingressou com três ações civis públicas contra a Santa Casa. Duas delas tratavam das filas invisíveis, que são os casos de pacientes que aguardam por tempo indeterminado para passarem pelo procedimento cirúrgico, e outra tratava da demora da instituição para remover implantes ortopédicos pós-cirúrgicos.

Pessoas que precisarem de atendimento ortopédico deverão ser socorridas em até 48 horas no hospital - Foto: Gerson Oliveira 

Em nota divulgada logo após as ações serem oficializadas, a Defensoria afirmou que “pacientes aguardam há meses e, em alguns casos, há mais de dois anos pela conclusão do tratamento.

A lista inclui crianças de 4, 8 e 9 anos, adultos e uma idosa de 87 anos. Há casos de pessoas que esperam desde abril de 2024 pela retirada dos dispositivos”.

Para que as situações fossem resolvidas, o Poder Judiciário marcou uma audiência de conciliação com todas as partes envolvidas, que ocorreu na tarde de ontem, no Fórum de Campo Grande, e teve a presença de representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e do titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Marcelo Vilela.

Ao término da audiência, a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), disse que ficou decidido que pacientes de baixa e média complexidade ortopédica serão reinseridos na regulação depois de 48 horas sem realizar a cirurgia.

“Sim, [ficamos satisfeitos] porque foi estabelecido um prazo para que eles agilizem essas filas, para que eles organizem e prestem informações. Eles têm que dar informação de toda a demanda reprimida que têm. Para que não se crie essa fila, esses pacientes serão reinseridos na regulação, para que Estado e Município possam direcionar esses pacientes para outros locais que fazem o procedimento”, explicou.

Além disso, a Santa Casa terá de apresentar, dentro de 15 dias, a quantidade de pacientes que estão nessa situação.

Daqui a cerca de um mês, no dia 28 de julho, uma nova audiência será realizada para que seja analisado se a instituição hospitalar está cumprindo o que foi combinado no acordo de ontem.

JUSSARA

Uma história que poderia ser diferente se esta “nova política” já tivesse sido adotada pela Santa Casa é a de Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, que morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após o hospital não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente, como mostrou matéria do Correio do Estado.

No fim de 2024, Jussara teve o fêmur quebrado após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após analisar a situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma tala interna, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

Porém, depois de diversas tentativas de retorno, sem sucesso, e 16 dias depois de a família conseguir judicializar o caso na Defensoria Pública, Jussara morreu no dia 23 de outubro, quase 10 meses depois da cirurgia.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

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Investimento

Estado renova frota de todas as forças de segurança pública

Investimento de R$ 174 milhões renova frota das forças de segurança e inclui veículos especializados para policiamento, resgate e combate a incêndios

26/06/2026 08h00

Viaturas novas que serão entregues às forças de segurança pública

Viaturas novas que serão entregues às forças de segurança pública Foto: Gerson Oliveira

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O governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), prepara-se para entregar 522 viaturas novas para as forças de segurança estaduais.
No evento, programado para terça-feira, em Campo Grande, serão entregues viaturas e equipamentos para as

Polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e também para as Polícias Penal e Científica. 
Ao todo, o governo de Mato Grosso do Sul está investindo R$ 174 milhões apenas em viaturas, além de mais de R$ 2 milhões na renovação de parte do estoque de coletes balísticos e pistolas para as polícias. 

As viaturas que serão entregues pelo governo do Estado às forças de segurança são dos tipos mais variados: vários tipos de caminhões para os bombeiros, como de salvamento, caminhões bomba-tanque com versões otimizadas para resgate e combate de incêndios florestais, além de caminhões-baú, para transporte de animais, carretas e furgões. 

Para todas as forças há micro-ônibus, ônibus e veículos dos mais diversos, como automóveis de pequeno porte, modelos hatch e sedan, e também SUVs caracterizadas e descaracterizadas, além de viaturas URS (resgate e salvamento) e UTV (para pequenas funções). 

O governador Eduardo Riedel, que participará da cerimônia de entrega, ressaltou que o valor investido, de R$ 174 milhões, é recorde para o setor de segurança pública. 

“Temos uma política de investimento permanente em segurança pública. Vamos entregar mais de 500 viaturas para todas as polícias, para todo o Estado, um valor recorde para as forças de segurança, nas mais diversas especialidades”, afirmou. 

“Além dos investimentos em viaturas, armamento e equipamento e também na formação e valorização dos servidores – recentemente formamos mais 400 policiais civis –, temos uma ação coordenada de inteligência e integração para fazer frente, de forma firme e preparada, ao crime organizado”, destacou o governador Eduardo Riedel.

Os investimentos para a aquisição das viaturas têm várias origens, entre recursos próprios do governo e também verbas federais. Também há a participação de fundos para a área de segurança pública. 

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