Cidades

QUITANDO AS DÍVIDAS

Lista de devedores de impostos cresce com condomínios de luxo e magistrados

Entre empreendimentos imobiliários e associação de togados, Prefeitura dá 10 dias de prazo para regularização de débitos

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Se há menos de uma semana ex-prefeito e ex-deputado entravam para lista com quase 2 mil "caloteiros" do dito Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), agora, em suplemento publicado hoje (21) no Diário Oficial de Campo Grande, o Executivo Municipal adicionou vários outros nomes à lista, desde alguns condomínios de luxo locais até associação de magistrados. 

Através da Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento (Sefin) e da Procuradoria-Geral, o Diogrande trouxe 166 páginas em suplemento que contém quatro editais totais de notificação da dita dívida. 

Ainda que os valores unitários de cada notificação seja relativamente baixos, se comparado com as centenas de milhares de reais acumulados em alguns relacionados na lista anterior, alguns dos relacionados atualmente também despertam curiosidade 

Entre alguns parcelamentos, taxas e Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), boa parte dos tributos pendentes identificados correspondem ao "bom e velho" IPTU, pagamento esse que aparece sendo ignorado pelos mais diversos contribuintes. 

Dos devedores, os chamados empreendimentos imobiliários se destacam pelo volume de vezes que aparecem, como por exemplo: 

  • 81 vezes - ARAKAKI EMPREENDIMENTOS 
  • 108 vezes - CAIOBA LOTEAMENTOS 
  • 117 vezes - GOLD ARGELIA 
  • 161 vezes - FERZELI EMPREENDIMENTOS 
  • 452 vezes - HEDGE DGS

Quanto aos nomes mais conhecidos, a popular "Associação Terras do Golfe", por exemplo, aparece listada seis vezes, de impostos que datam há mais de uma década, em valores que beiram quase R$15, conforme as dívidas que vêm sendo inscritas a partir de 2021. 

Já a Associação Magistrados Mato Grosso Sul (Amamsul), conforme o Diogrande, têm quinze inscrições que foram feitas a partir de 2021, em valores totais que inicialmente somados chegam a R$17.729,55.

Logo abaixo você confere a versão do Diogrande, publicado nesta segunda-feira (21): 

Entenda

A Prefeitura de Campo Grande passou a divulgar, desde o último dia 18, uma notificação em ultimato, prevendo o prazo de 10 dias a partir da divulgação para uma possível regularização dos débitos inscritos em dívida ativa. 

Além da já falida Bigolin, que já apareceu na relação anterior como bem abordado pelo Correio do Estado, a lista chama atenção pelo "gabarito" dos contribuintes, tendo em vista que personalidades de renome são relacionadas. 

  • Alcides Bernal  
  • Edson Giroto
  • Ex-deputada federal Carla Charbel Stefanini
  • Empresário Jaime Valler e familiares
  • Condomínio de Luxo Damha 
  • Magali Picarelli, etc.

Importante explicar que, segundo o Guia Prático da Sefin, atualizado em outubro de 2024, há uma série de grupos que podem ser beneficiados pela isenção do chamado Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).  

Essa isenção é reservada, por exemplo, para militares brasileiros (os ditos "expedicionários"), portadores de diploma de medalha de campanha ou mesmo suas respectivas viúvas que conseguem comprovar a filiação, que é concedida através da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária. 

Para além desse, as casas que sejam a única propriedade do contribuinte, que a estimativa de preço não passe de 10 mil da unidade fiscal de referência, também fica isenta da cobrança de IPTU, o que vale também para: 

  • Aposentados e pensionistas
  • Idosos 65+ 
  • Contribuinte deficiente beneficiário de Pensão Especial aos portadores da Síndrome da Talidomida
  • Pessoa portadora de câncer
  • Recebedor do "Minha Casa, Minha Vida" (faixa social)
  • Imóveis reconhecidos como de interesse histórico, cultural ou ecológico, etc. 

Seja pela associação de magistrados, ou o próprio município se intimando em cobrança, há certas inconsistências nas divulgações e é preciso estar atento, sendo possível tirar dúvidas das 8h às 16h, na Central de Atendimento ao Cidadão, que fica na Rua Cândido Mariano, nº2.655, no centro de Campo Grande. 

Além disso, fica disponível o atendimento telefônico, pelo número 156, das 7h30 às 21h, sendo que há também a possibilidade de emissão de guia para pagamentos através do site www.campogrande.ms.gov.br, bem como solicitar o documento no telefone (67) 4042-1320, ou nos seguintes números de whatsapp: (67) 98471-0487 e (67) 98478-8873.
**(Colaborou Lucas Caxito)

 

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fiscalização

Ação já apreendeu quase 1 tonelada de remédios emagrecedores irregulares em Campo Grande

Ao todo, o valor estimado das mercadorias irregulares apreendidas ultrapassa os R$ 10 milhões

23/04/2026 18h30

Prejuízo em 2 meses ao comércio irregular foi de mais de R$ 10 milhões

Prejuízo em 2 meses ao comércio irregular foi de mais de R$ 10 milhões Divulgação/Governo de MS

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A ação Visa-Protege da Vigilância Sanitária Estadual em parceria com a Anvisa já apreendeu quase uma tonelada de ampolas e canetas emagrecedoras ilegais interceptadas no Centro de Distribuição e Triagem dos Correios, em Campo Grande. 

A ação teve início no mês de fevereiro e atua de forma contínua todos os dias da semana. Ao todo, o valor estimado das cargas apreendidas é avaliado em mais de R$ 10 milhões, considerando os preços ao consumidor final. 

Segundo o governo do Estado, a maior parte das remessas tinha como destino final estados da região Nordeste, "o que evidencia a utilização da malha logística para distribuição em larga escala de produtos sem regularização sanitária". 

“A fiscalização permanente permite não apenas retirar esses produtos de circulação, mas também identificar padrões de envio e avançar na responsabilização dos envolvidos. É uma atuação baseada em rotina, inteligência e integração entre as instituições”, afirmou o fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo. 

Estratégias

A força-tarefa também revelou como as mercadorias eram ocultadas entre as cargas para entrar clandestinamente no Estado. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), parte das ampolas e canetas emagrecedoras era enviada escondida em alimentos e outros produtos. 

Além disso, os medicamentos não estavam armazenados corretamente, nem acondicionados de forma adequada, sem controle de temperatura e sem qualquer garantia de sua procedência.  Outras irregularidades eram a ausência de registro na Anvisa, rotulagem inconsistente e indícios de substâncias sem comprovação de segurança. 

Os materias apreendidos estão sob custódia da SES e devem ser incinerados adequadamente nas próximas semanas, conforme os protocolos sanitários. 

As informações sobre os remetentes e destinatários dos produtos foram encaminhadas às autoridades policiais para investigações mais aprofundadas. 

Outra operação

Recentemente, ainda no mês de abril, Campo Grande voltou a entrar na mira das operações da Polícia Federal (PF) contra a venda irregular dos produtos. No dia 13, foram expedidos e cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Campo Grande. 

Na apuração, foram encontrados uma série de medicamentos injetáveis e via oral, como o esteroide derivado da testosterona oxandrolona, em caixa com 100 comprimidos produzidos pela indústria paraguaia, além de várias unidades do chamado Durateston Plus Gold, esse injetável, ambos da Landerlan. A ação foi chamada de "Operação Emagrecimento Seguro III".  

Os dois medicamentos são proibidos pela Anvisa e desaconselhados pelo próprio Conselho Federal de Medicina. 

Uma semana antes, a PF e a Anvisa visitaram um condomínio de luxo na Avenida Afonso Pena, endereço bem próximo a Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira que beira o Parque das Nações Indígenas, reservado para o funcionamento de escritórios e clínicas em área nobre próxima ao Shopping Campo Grande.

 

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Corrupção no Judiciário

Vítima de venda de sentença em MS vai à Justiça contra o Imasul

Dono de fazenda no Pantanal, avaliada em R$ 15 milhões, e vítima de suposto golpe na aquisição da propriedade, quer que instituto cumpra decisão do STJ que anulou decisão "vendida" por desembargadores

23/04/2026 17h34

Imasul é alvo de ação na Justiça por desprezar decisão do STJ

Imasul é alvo de ação na Justiça por desprezar decisão do STJ Gerson Oliveira

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O pecuarista Ricardo Pereira Cavassa, proprietário da Fazenda Vai Quem Quer, no Pantanal, ingressou com mandado de segurança no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul para que o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) cumpra o teor da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou decisão judicial com indícios de corrupção apontados pela Polícia Federal, e registre em seu nome o Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade.

Atualmente, o CAR da Fazenda Vai Quem Quer está em nome do casal Lydio de Souza Rodrigues e Neiva Rodrigues Torres, beneficiários não apenas da decisão de 2024 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), com indícios de corrupção apontados no contexto da Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal, mas também acusados formalmente pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) de aplicar um golpe (estelionato) em Ricardo Pereira Cavassa no processo de aquisição da fazenda.

Desde novembro de 2025, o Imasul ainda não cumpriu a decisão do STJ que anulou o acórdão sob suspeita de corrupção de pelo menos três desembargadores decisão que retirou a posse da Fazenda Vai Quem Quer do pecuarista Ricardo Pereira Cavassa.

Por causa desse esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça, a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros da Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul indiciou, em março último, os desembargadores Alexandre Bastos, Sideni Soncini Pimentel e Vladimir Abreu, além do comprador da fazenda, Lydio de Souza Rodrigues, por corrupção.

Rapidez para uns, morosidade para outros

A decisão do STJ e todo esse conjunto probatório, contudo, ainda não chegaram ao Imasul com a mesma rapidez da decisão dos desembargadores sob suspeita de corrupção.

Em 2023, Cavassa havia sido reconhecido como responsável pelo CAR após sentença de primeira instância. No entanto, no mesmo ano, o Imasul reviu sua posição e restabeleceu o nome de Lydio de Souza Rodrigues, amparando-se em decisão do TJMS que agora é alvo de inquérito policial e já foi suspensa pelo STJ.

No mandado de segurança ajuizado por Ricardo Pereira Cavassa, a argumentação é de que o Imasul está agindo com omissão e abuso de poder ao hesitar em aplicar integralmente os efeitos da decisão superior.

A autarquia, segundo os advogados, reconhece que os imóveis estão vinculados documentalmente a Cavassa, mas mantém o cadastro em "status suspenso", o que impede o proprietário de emitir guias de transporte de gado e realizar operações fiscais. Para a defesa, trata-se de uma forma de "administração paralela do litígio", em desacordo com a autoridade judicial.

Os advogados de Cavassa ainda lembram que o Cadastro Ambiental Rural não é instrumento para resolver disputas fundiárias, mas apenas um registro declaratório de informações ambientais.

Ainda assim, o Imasul estaria utilizando o sistema para perpetuar os efeitos de um acórdão sem validade, criando insegurança jurídica e prejuízos concretos ao proprietário. "Não existe espaço para uma autarquia estadual escolher quais efeitos de uma decisão judicial superior irá cumprir", afirma o texto.

Nos pedidos, Cavassa requer liminar para que o Imasul regularize imediatamente o CAR em seu nome, suspenda qualquer eficácia administrativa derivada do acórdão do TJMS e se abstenha de alegar ausência de menção expressa ao órgão na decisão do STJ como justificativa para não cumpri-la. A ação também pede multa diária em caso de descumprimento.

Apesar de o processo ter sido ajuizado no dia 9 de abril, ainda não houve decisão. O juiz da 5ª Vara Cível de Campo Grande, Wilson Leite Corrêa, declinou da competência para julgamento e encaminhou o caso para a Vara da Fazenda Pública de Campo Grande.

Bastidores

O Correio do Estado apurou que, nos bastidores do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, magistrados temem decidir contra ou a favor nos processos ligados à Operação Ultima Ratio, que envolve sete desembargadores (entre aposentados e em atividade) e um juiz de primeira instância investigados por corrupção passiva.

Decisões favoráveis às vítimas do suposto esquema poderiam ser vistas de forma negativa por colegas dos investigados, enquanto também há receio de decisões contrárias, que poderiam reforçar a tese de existência de corrupção, como aponta a Polícia Federal.

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