Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Na cadeia, Jamilzinho briga para participar de licitação da loteria estadual

Edital publicado em fevereiro prevê a abertura das propostas na próxima segunda-feira, em certame digital do governo

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Em fevereiro, o governo de Mato Grosso do Sul publicou a licitação que escolherá a empresa que ficará responsável por gerir a loterial estadual. Porém, uma semana antes das ofertas serem abertas, o certame virou motivo de briga, com dois pedidos de impugnação, sendo um deles de Jamil Name Filho, o Jamilzinho, conhecido por comandar o jogo do bicho em Campo Grade e que foi condenado em processos da Operação Omertà.

Segundo o edital de licitação publicado no dia 25 de fevereiro, Mato Grosso do Sul deve conhecer o novo gestor da loteria estadual – após quase 20 anos de sua extinção – na segunda-feira, uma vez que a abertura das propostas está prevista para ocorrer de forma on-line, a partir das 8h30min, em concorrência comandada pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).

No entanto, nesta semana, dois pedidos de impugnação da licitação foram feitos ao pregoeiro responsável pela concorrência. Uma delas, a que mais chama atenção, é de Jamilzinho, o qual, mesmo preso desde 2019 após a Operação Omertà – deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) pelo e Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) –, quer comandar a loterial estadual.

No documento obtido pela reportagem, Jamilzinho, por meio de seu advogado, André Borges, pede que o certame seja impugnador por, segundo ele, direcionar a concorrência, entre outras alegações.

“No Pregão Eletrônico nº 9/2024, há evidentes indícios de direcionamento da licitação, com condições incomuns e injustificadas”, diz o documento, que lista uma série de razões pelas quais o empresário, condenado a penas que somam quase 70 anos, pede a anulação do edital.

Entre as razões apontas por Jamilzinho está a “remuneração baseada em porcentual da receita bruta da operação lotérica”. “[Esse item] favorece empresa que já tenha estrutura e experiência nesse setor, excluindo concorrentes menores ou novos no mercado, que não tenham capital para o investimento inicial”, cita.

“De tudo, conclui-se que o edital favorece fornecedor (1) que já tem uma solução pronta compatível com os requisitos específicos; (2) financeiramente forte, que pode operar sem pagamento inicial do Estado; e (3) que já tenha experiência nesse tipo de plataforma e modelo de negócio. 

Esses direcionamentos são ilegais e merecem acarretar a anulação da licitação, sendo isso o que se pede”, finaliza a argumentação de Jamilzinho.

A outra impugnação ingressada é referente a uma empresa de Dourados, que afirma, entre outras situações que “as irregularidades previstas no termo de referência não se encerram por aí, [...] pois cada operador lotérico deverá ter sistemas próprios que atendam a todas as especificações estabelecidas no edital de contratação, cabendo informar ao poder concedente todos os requisitos solicitados”.

“Esse modelo de controle, fará com que operadores (muitos deles internacionais) tenham que alterar seus sistemas para se adequar ao sistema contratado pela Lotesul, tornando o futuro contrato desinteressante e relegando a pequenos operadores que se submeterão a essas demandas”, afirma.

CONDENAÇÕES

Jamilzinho e seu pai, Jamil Name, comandaram por muitos anos o jogo do bicho em Campo Grande, atividade classificada como contravenção. Porém, foram presos em 2019 por, segundo investigação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) e da Polícia Civil, comandar um grupo de extermínio na Capital que teria matado “de picolezeiro a governador”.

Jamilzinho foi condenado por ser o mandante de duas execuções na Capital, a do jovem Matheus Xavier, que morreu por engano, e de Marcel Hernandes Colombo, conhecido como Playboy da Mansão. Além dessas, ele ainda teve a condenação sacramentada em outros três processos provenientes da Operação Omertá.

LOTERIA

Em 2021, o governo do Estado encaminhou para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) uma proposta para a recriação da loteria estadual, na época 15 anos depois que ela havia sido extinta.

Conforme o projeto de lei, a exploração do serviço de loteria será limitada ao território sul-mato-grossense e não poderá oferecer modalidades lotéricas diferentes das disponíveis em legislação federal.

A captação de apostas poderá ocorrer, conforme a lei, por meios físicos ou virtuais. Apesar de limitada ao território sul-mato-grossense, a modalidade virtual abre a possibilidade para a comercialização das apostas em outras unidades da Federação, pois o projeto de lei propõe apenas que o vendedor das apostas seja maior de 18 anos e que tenha residência no Estado.

SAIBA

Proibições para participar da licitação

Entre as vedações para participar do certame, segundo o edital, está “pessoa física ou jurídica que, nos cinco anos anteriores à divulgação do edital, tenha sido condenada judicialmente, com trânsito em julgado, por exploração de trabalho infantil, por submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo ou por contratação de adolescentes nos casos vedados pela legislação trabalhista”. O texto, porém, não cita homicídio.

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Trânsito

Três pontos de Campo Grande terão interdições a partir desta segunda

Bloqueios atingem ruas do Centro e do Bandeira e trecho de avenida na região norte; obra de esgoto segue até 26 de outubro

18/10/2026 16h49

Divulgação

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Motoristas devem redobrar a atenção em três pontos de Campo Grande a partir desta segunda-feira (19), devido a interdições para eventos e obras. Os bloqueios atingem a Rua dos Barbosas, no Centro, a Rua Lucélia, na região do Bandeira, e um trecho da Avenida Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo, onde os serviços devem continuar até 26 de outubro.

No Centro, a Rua dos Barbosas ficará interditada entre as ruas Doutor João Rosa Pires e Pimenta Bueno até as 13h, para a realização do Festival Okinawa. Como alternativa, os motoristas podem utilizar as duas vias que delimitam o trecho bloqueado.

Na região do Bandeira, a interdição será na Rua Lucélia, entre a Rua Fernando Corrêa da Costa e a Travessa Hemosul, das 7h30 às 17h. O bloqueio ocorre por causa da ação Ônibus da Saúde Cassems. A orientação é utilizar a Rua Fernando Corrêa da Costa e a Travessa Hemosul como rotas alternativas.

Já na Avenida Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo, na altura do número 815, haverá interdição parcial para uma obra de ligação à rede de esgoto de um condomínio. O serviço começa nesta segunda-feira e tem previsão de término em 26 de outubro. Durante a execução, uma faixa permanecerá liberada para a passagem de veículos.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) orienta os condutores a respeitar a sinalização provisória e, sempre que possível, planejar os trajetos com antecedência para evitar transtornos.

Alerta Hidrológico

Mesmo com chuva acima da média, seca no Rio Paraguai piora em um ano

Cemaden classifica estiagem como extrema em áreas de Ladário e Porto Murtinho; em outubro, nível do rio está abaixo do registrado em período próximo de 2025

18/10/2026 15h02

Foto: Neri Kaspary

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Mesmo com chuvas acima da média histórica, a seca hidrológica na bacia do Rio Paraguai se agravou em um ano e chegou à classificação extrema nas áreas que contribuem para as estações de Ladário e Porto Murtinho. O diagnóstico consta no monitoramento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), enquanto projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam nova redução do nível do rio em novembro. 

Em Ladário, o nível do Rio Paraguai estava em 1,27 metro na manhã de 14 de outubro de 2026, conforme o SGB. Em uma medição próxima, realizada em 9 de outubro de 2025, a régua registrava 1,38 metro. A diferença é de 11 centímetros a menos neste ano, embora as datas não sejam exatamente as mesmas.

A previsão mais recente do SGB indica que o nível em Ladário pode cair para 1,02 metro em 28 de outubro e chegar a 91 centímetros em 11 de novembro. Em Porto Murtinho, a medição era de 2,83 metros em 14 de outubro, com projeção de recuo para 2,57 metros em 11 de novembro. As estimativas são baseadas em modelos hidrológicos e podem mudar conforme as chuvas e a resposta dos rios. 

O contraste aparece nos dados de precipitação. Entre março e setembro de 2026, a bacia do Rio Paraguai acumulou um volume de chuva 23% acima da média histórica, segundo o SGB. No mesmo intervalo de 2025, o acumulado havia ficado 32% acima da média, de acordo com o boletim publicado pelo órgão em 1º de outubro daquele ano. 

A chuva, porém, não elimina imediatamente os efeitos de períodos prolongados de estiagem. O monitoramento do Cemaden considera tanto a precipitação quanto a vazão dos rios para avaliar a seca hidrológica. Em setembro de 2025, o órgão classificava como severa a condição nas áreas que contribuem para as estações de Ladário e Porto Murtinho. No boletim de setembro de 2026, a classificação passou a extrema, indicando agravamento do quadro nessas áreas. 

Níveis 

Apesar do cenário de seca hidrológica, o SGB informou que, em 14 de outubro, o nível do Rio Paraguai em Ladário permanecia dentro da faixa considerada normal para a época do ano. A ressalva é que os níveis estavam abaixo da mediana histórica em todo o trecho monitorado, de Barra do Bugres, em Mato Grosso, a Porto Murtinho, em MS. 

O comportamento também varia entre os afluentes. No boletim de outubro, o SGB aponta níveis dentro da normalidade no Rio Cuiabá e acima do esperado para o período nos rios Aquidauana e Miranda. Para os sete dias seguintes, a previsão indicava pouca chuva na bacia, com acumulado médio de 12 milímetros.

Regra para barcaças

Em outubro deste ano, a Marinha publicou uma nova regra para o calado de comboios de barcaças no Rio Paraguai. A norma vale por um ano, em caráter experimental, e estabelece limites de acordo com o nível da régua de Ladário. Em determinadas condições, o calado permitido pode chegar a 3,20 metros. A mudança não envolve dragagem nem aumento das dimensões máximas dos comboios, e a navegação continua condicionada à profundidade e às condições de segurança do rio.

 

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