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Giba Um

"Muitas vezes, as pessoas falam que eu devo falar grosso. Não vou falar grosso. Sou mulher",

uma mulher pode ser firme sem falar grosso. Quero respeito ao meu modo de ser",   de NÍSIA TRINDADE // ministra da Saúde, que está fazendo uma limpeza na Pasta.

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O pagamento de R$ 533 milhões em dividendos extraordinários anunciados pela Cemig há dias é só a ponta do iceberg. A estatal mineira poderá aumentar esse valor em distribuição de recursos adicionais antes da assembleia dos acionistas, marcada para abril. 

MAIS:   o  gordo dividendo seria uma espécie de “bolsa Zema”. Traduzindo: o acionista controlador, o governo de Minas Gerais, estaria raspando o tacho e aumentando repasses para o Tesouro do estado antes de uma federalização da companhia. 


 


Sem comemoração


A eterna ‘rainha dos baixinhos’ Xuxa Meneghel completou ontem 61 anos e revelou que não gosta de comemorar aniversários. “Eu não gosto de comemorar aniversário. Fiz nos meus 60 anos porque é uma coisa emblemática, um número forte. Eu prefiro e gostaria de comemorar, no máximo, com um bolinho vegano, minha filha Sasha, o Junno, a Doralice (sua cachorrinha) e algumas pessoas de que gosto. Não gosto de festa, não gosto de receber presente. Gosto de demonstração de carinho de quem eu gosto. É gostoso receber todos os dias, não numa data específica”. Também aconselhou as pessoas sempre se colocarem em primeiro lugar. E para chegar à idade dela com sua excelente forma dá uma dica “As futuras sessentonas deveriam alimentar o corpo e a alma com pensamentos bons, com coisas que elas acreditam. Existem certas coisas que parecem piegas falar, mas uma boa alimentação, ter bons pensamentos, ter fé, acreditar em Deus, você tentar dar o seu melhor, não tem como dar errado. E se alguma coisa der errado, continue dando o melhor de si para os outros. Não tem como não receber isso do universo de volta”.

“Cripto” vem do grego “escondido”


Banco Central e CVM batem cabeça sobre a regulação das criptomoedas e não saem do lugar. Não conseguem chegar a um conjunto de regras para a medida de ativos digitais no Brasil. E muito menos têm se mostrado capazes de fiscalizar a movimentação dessas moedas e rastrear os passos dos agentes que atuam no segmento. Há duas semanas, o BC divulgou sua lista de prioridades para a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional em 2024 e citou “Estudo sobre a necessidade de regulação nos processos de emissão/ escrituração e negociação de ativos tokenizados” e “Ajustar o arcabouço prudencial para incorporar o tratamento da exposição a ativos virtuais”. Quer dizer muito pouco, quase nada. O diretor de regulação da entidade, Otávio Damaso, diz que a regulação sai no primeiro semestre. Não dá datas, nem detalhes. O prefixo “cripto” vem do “Kruptos” – escondido, secreto.

Festival de crimes


No fim de 2022, Jair Bolsonaro sancionou o marco legal das criptomoedas, que entrou em vigor no ano passado. Sem as devidas regulações, não server para nada. O Banco Central informa que o tema já passou por “consulta pública”, agora passará por “análise” e não dá prazo algum. Enquanto isso, as criptomoedas viraram mistura de cassino e pseudomoeda. Plataformas operam sem preocupação com a fiscalização e punições de eventuais fraudes. Mais de 20 empresas estão sob investigação acusadas de montagem de pirâmides com criptoativos que teriam movimentado perto de R$ 100 bilhões. 


Grandes fortunas

A revista Forbes brasileira acaba de lançar uma lista dos Top Creators Brasil, ou seja, os maiores criadores de conteúdo do Brasil.  Na lista dos 10 maiores influenciadores brasileiros a publicação também destaca a fortuna deles. Entre eles Virgínia Fonseca, que foi alçada a apresentadora pelo SBT, que tem uma fortuna estimada em R$ 168 milhões; Bianca Andrade, também conhecida como Boca Rosa, que alavancou ainda mais sua fortuna depois de participar do Big Brother Brasil, com uma fortuna perto dos R$ 50 milhões; a atriz, cantora e apresentadora Maísa Silva, que ainda está esperando sua oportunidade na Globo, que teria cerca de R$ 30 milhões; e Larissa Manoela, apontada como uma das artistas mais completas da sua geração e que teve que recomeçar depois da briga com os pais, hoje sua fortuna está estimada entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. 


In –  Decoração: baú puff
Out – Decoração: baú de madeira


Novas viagens

Passada a visita do presidente Emmanuel Macron ao Brasil, o presidente Lula vai concentrar suas atenções de sua política externa no cenário regional. Suas próximas viagens serão para Colômbia e Chile, países governados por presidentes de esquerda com os quais Lula já teve algum atrito nesse terceiro mandato. Depois, deve ir a Bolívia. A primeira parada em 16 de abril será na Colômbia, para uma agenda de apenas dois dias. Deverá se reunir com o presidente Gustavo Petro e participar da Feira Internacional do Livro, que terá o Brasil como homenageado. Petro já criticou muito o presidente brasileiro por defender a Rússia no conflito contra a Ucrânia.

 

Fracasso

No final do ano passado, Lula dizia que o programa Desenrola era “genial” e “merecedor do Prêmio Nobel”. Contudo, os números obtidos transparecem baixa adesão ao programa, que muitos rotulam de “fracasso”. De acordo com o Censo Nacional do Desenrola, da estimativa inicial de 72 milhões de brasileiros endividados, somente 10 milhões efetivamente renegociaram suas dívidas. Desse contingente, 7 milhões se referiam a pessoas que tinham dívidas até R$ 100 e deixaram automaticamente de estar negativadas (ainda que as dívidas não tenham sido extintas). 


“Muitas vezes, as pessoas falam que eu devo falar grosso. Não vou falar grosso. Sou mulher, uma mulher pode ser firme sem falar grosso. Quero respeito ao meu modo de ser”,  
de NÍSIA TRINDADE // ministra da Saúde, que está fazendo uma limpeza na Pasta.

MUDANÇA

Taxa de emprego em alta, desemprego em baixa, PIB em ascensão, queda na insegurança alimentar, redução da carga de impostos, inflação declinando, superavit comercial recorde, reforma tributária aprovada, investimentos em economia verde e outros assuntos favoráveis ao governo – e nada de comunicação. Lula já reclamou na reunião ministerial, mas a ofensiva maior tem sido da primeira-dama Janja da Silva, que quer tirar o controle das redes sociais do maridão onde está e passar a uma pessoa de sua confiança. Mais: Paulo Pimenta poderá ser deslocado para outro cargo e Janja ganhará mais uma força na área. As declarações de Lula, fatalmente, não mudarão.

Outro conflito

Paulo Pimenta, ainda chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, não conta apenas com a artilharia de Janja nos bastidores do Planalto. Também Rui Costa, um dos menos queridos dos demais ministros, não gosta de Pimenta. O chefe da Secom conta com cerca de R$ 640 milhões previstos no Orçamento deste ano, mas vem pleiteando recursos adicionais para descarregar em publicidade nas redes sociais (onde a oposição pinta e borda). A maior resistência dentro do governo é de Rui Costa: acha que Paulo Pimenta está mais preocupado com sua imagem do que com a do governo. 

EMPODERAMENTO

Nos últimos tempos, a primeira-dama Janja da Silva, também está ligando para ministros cobrando resultados e dando sugestões (até para altos cargos no governo). Telefonou para Jorge Messias, chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), querendo explicações pelo apoio que deu à indicação (feita por Lula) do advogado Eduardo Martins para uma vaga no TRF-1. E também ligou para Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, querendo atualização sobre denúncias de supostos abusos sexuais de crianças e adolescentes na Ilha de Marajó.

Farra de viagens

O destino predileto dos servidores federais do governo de Lula é Paris. Segundo o Portal da Transparência, a capital da França lidera a lista de viagens paga pelos brasileiros, seguida das cidades de Washington, Lisboa, Buenos Aires, Nova York e Assunção. O total do levantamento não leva em conta os passeios de Lula, Janja e comitiva. As viagens presidenciais são a bordo do Airbus da FAB e o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de Estados e presidentes do Poder usam jatinhos. A Transparência registra mais de 2,1 mil viagens internacionais de servidores nos primeiros três meses de 2024.

TAMBÉM CRUCIFIXO

O ministro Flávio Dino tem mantido uma relação cordial com seus colegas de STF. Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes são os mais próximos (foram seus maiores apoiadores junto a Lula), mas ele também tem se aproximado de Cristiano Zanin. Recebe entidades jurídicas, associações e representantes associativos. Fotos institucionais sempre são feitas no interior de sua sala, ao lado de um grande crucifixo que está pendurado na estante de livros. É um presente de seu pai Salvio Dino, passou pelo Ministério da Justiça e o acompanha desde a época de governador do Maranhão. Segundo Lula, é “um comunista” – mesmo religioso.

MISTURA FINA

ALIADOS de Jair Bolsonaro avaliam como pouco provável que o ministro Alexandre de Moraes (STF) determine a prisão preventiva do ex-presidente depois da revelação que o ex-mandatário passou dois dias na embaixada da Hungria, em Brasília. Acreditam, contudo, que o magistrado pode optar por uma tornozeleira eletrônica como medida cautelar autônoma, sem necessidade de prisão domiciliar. Alexandre “sacudiu os ombros”, quando leu sobre a visita de Bolsonaro (com direito a dormir lá) à embaixada da Hungria. 

UM dos políticos mais bem qualificados do país, o prefeito de Recife, João Campos ainda não escolheu seu vice na campanha de reeleição. Até pessoalmente, o presidente Lula tem batalhado para indicar quem estará na chapa ao lado de Campos. Especialmente porque ele, que deverá ser reeleito com facilidade, poderá se candidatar ao governo de Pernambuco em 2026. Vence e o vice assume por mais dois anos, com direito à reeleição. 

O PL de Jair Bolsonaro tem 96 deputados e 12 senadores, e candidatos à sucessão na presidência do Senado e da Câmara só ganham seu apoio se aceitaram acordo para levar à votação matérias ideológicas e conservadoras de direita. De quebra, o ex-presidente quer incluir no compromisso proposta de anistia para ele, caso seja condenado. Congressistas mais veteranos acham que, na hora de prometer tudo bem; depois, dependendo do futuro de Bolsonaro, a promessa pode mudar. 

O EX-ministro José Dirceu está em campo nas articulações para a sucessão de Arthur Lira na presidência da Câmara. ele tem conversado com Marcos Pereira, presidente do Republicanos e Elmar Nascimento, do União-Brasil, ambos tidos como fortes candidatos ao cargo. Nascimento faz acenos ao Planalto e no governo, há resistência a seu nome pela proximidade com Arthur Lira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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