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Pecuária em MS: estratégias para o futuro

O fenômeno observado pode ser explicado pela presença de outras culturas agrícolas, como a soja e o eucalipto, que têm se mostrado mais atrativas para muitos produtores

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Os anos de 2020 e 2021 foram extremamente promissores para nós, produtores rurais em Mato Grosso do Sul. Alcançamos resultados excepcionais em nossa atividade, tanto para os criadores quanto para os invernistas, o que gerou um aumento significativo na retenção de animais e elevou nossos estoques.

No entanto, ao analisarmos os números gerais do Estado, percebemos uma diminuição no rebanho, o que nos levou a questionar o que teria acontecido.

O fenômeno observado pode ser explicado pela presença de outras culturas agrícolas, como a soja e o eucalipto, que têm se mostrado mais atrativas para muitos produtores. Essas culturas vêm ganhando espaço em Mato Grosso do Sul, levando muitos produtores a venderem seu rebanho ou direcioná-lo para a agricultura e a plantação de eucalipto em suas terras.

No entanto, este ano trouxe desafios para nós, produtores, com o aumento dos custos no segundo semestre de 2022, em função da alta do dólar. Esse aumento nos custos impactou diretamente nossos resultados positivos, levando as indústrias a aumentarem os preços dos insumos necessários para a atividade.

Com a grande quantidade de animais destinados ao abate em 2023, as indústrias acabaram testando preços mais baixos, o que afetou negativamente a rentabilidade da pecuária no Estado. Os altos custos de produção e os preços reduzidos pela oferta abundante de animais tornaram a pecuária menos atrativa para muitos produtores.

Outro fator que impactou nosso setor foi a ocorrência da gripe aviária no Brasil, com reflexos diretos no mercado de carne bovina. A demanda pela arroba de boi foi afetada, mesmo durante a safra, e a alta produção de grãos, como soja e milho, tornou-se uma opção mais barata para alimentar o gado, o que resultou em preços mais baixos para a arroba produzida.

Tais desafios têm levado a um aumento do abate, o que preocupa alguns especialistas do setor, que apontam para uma possível falta de bezerros em breve. Diante dessas incertezas, é fundamental que os produtores adotem uma abordagem cautelosa, com os pés no chão, e tomem decisões estratégicas para garantir a sustentabilidade de suas atividades. Investir na propriedade, como na recuperação de pastagens degradadas e na manutenção das cercas, é essencial para garantir o sucesso em longo prazo.

Aqueles que conseguirem se adaptar e investir agora terão a oportunidade de colher bons lucros em breve, quando a falta de bezerros no mercado poderá valorizar ainda mais nossos produtos. Portanto, é importante permanecer atento às mudanças do mercado e tomar decisões prudentes para assegurar o sucesso contínuo de nossa atividade pecuária em Mato Grosso do Sul.

Outra estratégia para o futuro próximo é a organização da classe pecuária por meio do associativismo, exemplificado pela atuação da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce MS, que desempenha um papel fundamental no fortalecimento e no desenvolvimento sustentável do setor.

Ao unir produtores rurais e pecuaristas em um propósito comum, essa forma de organização proporciona benefícios significativos para toda a cadeia produtiva. Por meio da troca de conhecimentos, experiências, tecnologias e grupo de compras, a associação promove a melhoria contínua dos padrões de produção, agregando valor aos produtos e elevando a competitividade regional e nacional, fazendo com que a pecuária alcance, de forma mais eficiente, o reconhecimento de todos os elos da cadeia.

editorial

MS sustenta platô alto de empregos

Economia aquecida traz desafios: melhorar a qualidade da educação, ampliar e qualificar os serviços públicos, fortalecer a sensação de segurança e fortalecer a infraestrutura

30/01/2026 07h30

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Mato Grosso do Sul encerrou o último ano com um dado que merece ser destacado para além das estatísticas frias: a geração de mais de 19 mil vagas de emprego com carteira assinada. O número, puxado principalmente pela construção civil, elevou o estoque de trabalhadores formais para perto de 690 mil vínculos ativos. Trata-se de um marco relevante para um estado que, historicamente, conviveu com ciclos econômicos mais instáveis e dependentes de poucos setores.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, confirmam o que já se percebe no cotidiano: Mato Grosso do Sul vive um bom momento econômico. Há canteiros de obras espalhados, projetos industriais saindo do papel e uma cadeia de serviços impulsionada por esse movimento. Emprego não surge do nada; ele é consequência direta de investimento, confiança e planejamento – e isso está acontecendo no Estado.

É claro que cada ano tem suas particularidades. Há meses de saldo positivo mais robusto, outros de acomodação e até de retração pontual. Isso é natural em qualquer economia. O que chama a atenção, porém, é a resiliência do mercado de trabalho sul-mato-grossense. Mesmo diante de oscilações nacionais, juros elevados ou incertezas externas, o Estado mantém um platô elevado de emprego formal. E isso não é casual: há bilhões de reais em investimentos já contratados para o médio e o longo prazo, especialmente nas áreas de infraestrutura, indústria e agroindústria.

Esse cenário aponta para um desafio que começa a se impor com clareza: a necessidade de mão de obra. Mato Grosso do Sul tem população relativamente pequena para atender à demanda que já está contratada, sobretudo em regiões estratégicas como o Vale da Celulose, no nordeste do Estado. A migração, que por décadas foi sinônimo de pressão social, passa a ser uma necessidade econômica. Atrair trabalhadores qualificados – e também aqueles dispostos a se qualificar – será fundamental para sustentar o ritmo de crescimento.

Quando há muitas vagas disponíveis, o problema deixa de ser o desemprego e passa a ser a capacidade do Estado de oferecer condições adequadas para quem vive e trabalha aqui. Economia aquecida traz novos desafios: melhorar a qualidade da educação, ampliar e qualificar os serviços públicos, fortalecer a sensação de segurança e acelerar investimentos em infraestrutura urbana e logística. Crescer é bom, mas crescer com qualidade é indispensável.

Os números macroeconômicos mostram que Mato Grosso do Sul está no caminho certo. O desafio agora é transformar esse bom momento em desenvolvimento duradouro, socialmente equilibrado e inclusivo. Se conseguir fazer isso, o Estado não apenas manterá os empregos gerados, como criará bases sólidas para muitos outros que ainda virão. Que assim continue.

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Por que episódios de crueldade revelam falhas profundas na forma como lidamos com a dor?

30/01/2026 07h15

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A morte do cão Orelha não chocou apenas pela perda de uma vida, mas pela brutalidade envolvida. Casos como esse expõem algo mais profundo do que um crime isolado: revelam o nível de desconexão moral e espiritual que ainda persiste na sociedade. A comoção gerada não se explica apenas pelo amor aos animais, mas pelo incômodo coletivo diante da crueldade gratuita.

A violência contra animais não é um fenômeno raro. O que torna alguns casos mais visíveis do que outros é a repercussão midiática, não a exceção do ato. Em diferentes partes do mundo, situações semelhantes ocorrem diariamente sem ganhar atenção. Isso levanta uma pergunta necessária: por que a indignação aparece em alguns momentos e se cala em tantos outros?

Do ponto de vista espiritual, os animais não são objetos nem seres descartáveis. São consciências em processo de aprendizado, assim como os seres humanos. A relação que muitos desenvolvem com eles revela uma conexão profunda, que vai além da posse ou do afeto superficial. Negar essa dimensão é reduzir a própria noção de vida.

Diante de episódios como esse, surgem pedidos de punição exemplar e até de vingança. Embora a justiça humana tenha seu papel – e deva agir dentro da lei –, ela não resolve o núcleo do problema. A violência não se corrige com mais violência. O ódio, quando alimentado, apenas reproduz o mesmo padrão que se condena.
Toda ação gera consequências. Escolhas moldam destinos, e atitudes marcadas pela crueldade produzem desdobramentos profundos, não apenas para as vítimas, mas também para quem as pratica. A consciência, cedo ou tarde, se torna o tribunal mais severo. É nela que surgem o arrependimento, a culpa ou a necessidade de reparação.

Casos como o do cão Orelha deveriam servir menos como combustível para a fúria coletiva e mais como convite à reflexão. O verdadeiro desafio não está apenas em punir, mas em compreender que humanidade e espiritualidade se revelam nas escolhas cotidianas. A pergunta que permanece é simples e incômoda: que tipo de consciência estamos alimentando com nossas atitudes?

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