Colunistas

Cláudio Humberto

"Você vai embora no final deste ano"

Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, manda recado para Lula

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Taxa das Blusinhas divide Lula, Alckmin e Câmara

O comando da Câmara dos Deputados prevê que tem mais uma derrota acachapante de Lula se avizinhando. Para estancar a sangria na popularidade, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência vê no fim da chamada “taxa das blusinhas” a boia de salvação para as eleições deste ano. O problema é que o assunto já começou a andar no Executivo, inclusive com estudos no Ministério da Fazenda, mas, até agora, ninguém procurou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB).

 

Filme queimado

A avaliação de membros da Secom é de que a taxação piorou a relação de Lula com dois grupos que adoram comprar online: jovens e mulheres.

 

Lobby

Ex-ministro da Indústria e Comércio, posto que pode voltar a assumir, o vice-presidente Geraldo Alckmin se posiciona contra o fim da taxação.

 

Serviço cartorial

A escanteada na Câmara não caiu bem entre deputados, que não querem funcionar como chanceladores da manobra eleitoral de Lula.

 

Munição eleitoral

Há, inclusive, planos para relembrar que quem trabalhou pela taxação foi a dobradinha Lula/Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda.

 

2024, ano em que Vorcaro arrebentou as contas

Os gastos milionários de Daniel Vorcaro com cartões de crédito atingiram o ápice em 2024, R$34 milhões, o dobro dos R$17,2 milhões em 2023, segundo a CPMI do INSS. A suspeita é que ele distribuiu cartões em seu nome para pessoas de “interesse” a título de propina. O ano de 2024 parece ter sido o que o Master passou a “investir” na sua aproximação do poder. Uma das suas maiores ousadias foi contratar, em fevereiro de 2024, a banca de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes.

 

Mantega integrado

Também em 2024, Vorcaro atendeu a “pedido do Planalto” para contratar a “consultoria” do ex-ministro Guido Mantega por R$1 milhão mensais.

 

Boleto milionário

Em 2025, com o início dos “ruídos”, os gastos com cartões reduziram bastante, para R$11,3 milhões, mas ainda assim impressionantes.

 

Quem gasta assim?

A CPMI apurou que Vorcaro torrou em cartões R$5,2 milhões em 2019, R$4,7 mi em 2020, R$17,8 mi em 2021 e R$13,8 milhões em 2022.

 

Tesourada

Entre promessas de Flávio Bolsonaro (PL), caso vença a corrida presidencial, o senador diz que vai reduzir o tamanho da Esplanada, inchada na gestão petista, para 27 ministérios.

 

China livre

A partir desta segunda-feira (11), chineses estão isentos de visto para turismo, negócios, trânsito, atividades culturais e esportivas no Brasil, desde que tenha permanência de até 30 dias. Vale até 31 de dezembro.

 

Transparência opaca

O Portal da Transparência parou de atualizar despesas do governo Lula (PT) com viagens em 27 de março. Até então, a administração petista havia torrado R$233,7 milhões com passagens e, especialmente, diárias.

 

Descompasso

Ainda nos EUA, o presidente Lula (PT) previu que o Senado analisaria semana passada, após aprovação na Câmara, o projeto de lei que cria a política nacional de minerais críticos, as “terras raras”. Não aconteceu.

 

Tá valendo

Defesas de apenados pelo 8 de janeiro já podem acionar o STF para revisar penas, agora que o PL da Dosimetria foi promulgado. Sem surpresa, o PT já anunciou que vai questionar a medida na Justiça.

 

Calendário

Termina nesta semana o prazo de cinco dias para que Sergio Moro (PL-PR) se defenda na ação penal por suposta calúnia contra Gilmar Mendes (STF). A determinação é da ministra Carmen Lúcia, colega de Gilmar.

 

Coincidência?

Enquanto Lula se encontrava com Donald Trump na Casa Branca, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciava novas sanções contra o “regime comunista” da ditadura de Cuba.

 

Prejuízo só aumenta

O Comando Central dos EUA (Centcom) calcula que os 70 navios-tanque impedidos de passar no Estreito de Ormuz pelas forças americanas em um dia carregavam cerca de US$13 bilhões em petróleo iraniano.

 

Pensando bem...

...anos atrás, mesada para parlamentar era mensalão.

 

PODER SEM PUDOR

Decoro desnudo

No Carnaval do Rio, em 1994, criaram um factoide para fazer o então presidente Itamar Franco passar por “garanhão”: fizeram a modelo Lílian Ramos posar a seu lado sem calcinha. As fotos causaram espanto. Em Montes Claros (MG), o vereador Benedito Said (PTB) criticou a atitude do presidente maluquete, mas foi repreendido pelo presidente da sessão, que considerou “falta de decoro” citar a palavra “calcinha” naquela sacrossanta casa. Retomando a palavra, o vereador Said ironizou: “Então, sr. presidente, retiremos as calcinhas e fiquemos com o decoro!”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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