Política

ABALO NA DIREITA

Abalo na direita causado por áudio de Flávio a Vorcaro anima PT no Estado

Fábio Trad disse que já sente mais receptividade nas ruas à sua pré-candidatura após revelações envolvendo Flávio Bolsonaro

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A queda do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas em uma disputa de segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), possível candidato à reeleição, em outubro, animou os pré-candidatos que lideram a chapa do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul.

Desde a divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro preso por suspeita da maior fraude financeira da história do Brasil, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o candidato do PL saiu do empate técnico e agora está de cinco a oito pontos atrás do presidente Lula nas pesquisas de intenções de voto.

“Nós ainda não tivemos acesso a pesquisas feitas especificamente em Mato Grosso do Sul, mas temos notado a adesão maior das pessoas nas caminhadas que já estamos fazendo pelo Estado”, disse o advogado, ex-deputado federal e pré-candidato a governador, Fábio Trad (PT).

O deputado federal e pré-candidato ao Senado pela chapa do PT nestas eleições, Vander Loubet, também endossa a fala de Fábio Trad. “A gente tem sido muito bem recebido, muita gente, de centro, e até algumas identificadas com a direita, tem nos prestigiado”, afirma.

Para o deputado federal, a divulgação dos áudios de Flávio Bolsonaro tira os aliados do filho de Jair Bolsonaro de uma zona de conforto, em que o caminho parecia já estar traçado.

Segundo ele, alguns políticos já estão saindo em defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto há aqueles que preferem esperar o desenrolar dos fatos.

“Conversão”

Ontem, Fábio Trad, Vander Loubet e a professora Gilda dos Santos, a Dona Gilda, pré-candidata a vice de Trad na chapa que o partido está montando para essas eleições, fizeram uma visita de cortesia ao Correio do Estado.

Depois de ter cumprido dois mandatos de deputado federal, um pelo MDB e outro pelo PSD, Fábio Trad filiou-se ao Partido dos Trabalhadores no ano passado, com a intenção de concorrer a algum cargo.

Até meados do segundo semestre de 2025, a possibilidade de se candidatar a governador já era a mais forte, mas ela ainda não era certa. Tentar a eleição para deputado federal também estava no radar.

“No início, eu pensava em ir para o PSB, mas eu tive uma excelente acolhida, e o arranjo político, tudo isso me fez optar por me filiar ao Partido dos Trabalhadores”, disse Fábio Trad.

Vander Loubet lembra que Fábio Trad, mesmo estando em partidos de centro na década passada, teve posicionamentos corajosos em favor das autoridades de esquerda, ao apoiar a ex-presidente Dilma Rousseff e, em plena Operação Lava Jato, quando o atual presidente Lula estava preso, foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) pugnar para que ele não fosse tratado de forma indigna, tendo cabelo raspado e colocado em cela comum.

“O Lula lembra-se do Fábio até hoje por este ato”, lembra Vander. 

Propostas

Fábio Trad disse que pretende fazer uma campanha propositiva com seus adversários, sobretudo com o governador Eduardo Riedel (PP), que lidera as pesquisas até agora. “A ideia é fazermos um debate no campo das ideias, das propostas, e nós dois [ele e Riedel] já conversamos sobre isso”, disse Fábio Trad.

Mulheres

Vice na chapa liderada por Fábio Trad, Dona Gilda acredita que ela e Soraya Thronicke (PSB), senadora candidata à reeleição, têm um componente importante nesta disputa, e um diferencial em relação às outras chapas: uma presença maior de mulheres disputando votos.

“As mulheres são 52% do eleitorado, e é importante lembrar que nós sempre tivemos um discurso e uma proposta para o público feminino”, lembra a professora Gilda.

“Quando o Zeca [do PT, marido dela] era governador, fomos nós que introduzimos a primeira coordenadoria de políticas públicas para mulheres. Foi este trabalho, de empoderamento da mulher, que também fez com que a primeira Casa da Mulher Brasileira fosse inaugurada pela Dilma, em Campo Grande, na década passada”, lembra.

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Mudança

Escala 6X1: Hugo Motta anuncia transição de um ano para a jornada de 40h

Presidente da Câmara afirma que redução da jornada, fim da escala 6x1 e manutenção de salários são inegociáveis

25/05/2026 15h45

Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta segunda-feira (25), em entrevista coletiva, que o relatório final da proposta de emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala de trabalho 6x1 terá um ano de transição para reduzir a jornada de 44h para 40h semanais.

“Após 60 dias da promulgação da PEC, colocaremos no texto a redução de duas horas imediatamente. Após 12 meses, mais duas horas. A transição se dará em um ano, não mais do que isso”, declarou. “Isso dá um tempo para que os setores possam se organizar.”

Hugo Motta declarou que a redução da jornada de trabalho é um dos três pontos que considera inegociáveis na PEC. Os outros dois seriam o fim da escala 6x1 e a proibição de redução salarial.

“Partimos do princípio de que esses três pontos são inegociáveis para a Câmara dos Deputados e para o governo. Temos ampla convergência nessas três situações que trazem para o trabalhador uma nova realidade.”

Microempreendedores

Segundo o presidente da Câmara, o texto está sendo ajustado para regras de servidores públicos, prestadores de serviço para entes públicos e microempreendedores individuais (MEIs).

“Hoje, esses empreendedores só podem empregar uma pessoa com carteira assinada. Queremos permitir que contratem mais pessoas, já que estamos reduzindo a jornada de trabalho”, ponderou. As mudanças para MEIs serão por projeto de lei.

Hugo Motta também afirmou que conversou hoje com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o reajuste do valor para microempreendedores individuais (MEIs). “O presidente Lula está sensível a esse apelo feito por nós; temos uma comissão tratando do assunto”, relatou.

O presidente da Câmara ainda observou que a proposta foi amplamente discutida para que fosse possível “construir o texto mais equilibrado possível”. “Desde o primeiro momento, procuramos trabalhar de forma alinhada com o governo, procurando ouvir a todos, não só os representantes dos trabalhadores, como também os representantes do setor produtivo”, comentou.

Ministros

Os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães; e do Trabalho, Luiz Marinho, também participaram da entrevista coletiva.

Guimarães afirmou que a PEC será uma das maiores conquistas para o mundo do trabalho. “Não é fácil concluir uma negociação quando envolve pontos polêmicos e chegarmos a um entendimento. Ninguém deixou de ser ouvido, do empresário ao trabalhador”, declarou.

Marinho lembrou que a jornada de 40 horas já tinha sido defendida desde a Assembleia Constituinte de 1988. “Esse foi o grito da classe trabalhadora, em especial da juventude e das mulheres”, disse.

O ministro do Trabalho espera que a medida também beneficie as empresas. “Vamos melhorar a produtividade da economia brasileira, preencher vagas abertas e reduzir o número de faltas”, declarou. “Não vai ter setor da economia que será prejudicado.”

Relator

O relator da PEC, deputado Leo Prates (PDT-BA), destacou as discussões sobre a proposta no programa Câmara pelo Brasil.

“Para fazer um dispositivo legal, temos que enxergar as diferenças e peculiaridades. A Constituição deve dar o teto e o piso. A partir daí, são os projetos de lei, e vamos remeter para as convenções coletivas.”

Leo Prates considera a atual mudança de maior impacto do que a própria Constituição, que reduziu a jornada de trabalho de 48 horas para as atuais 44 horas.

“Este é um momento histórico. O presidente Hugo Motta faz a maior reforma que alguém pode fazer, que é a reforma na qualidade de vida. É sobre as pessoas que estamos falando, sobre o futuro.”

Impacto local 

Em semana decisiva para a PEC da 6x1, dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostraram que em Mato Grosso do Sul mais de 239,5 mil trabalhadores seriam diretamente beneficiados com o fim da jornada de trabalho que opera com apenas um dia de descanso na semana.

Conforme os dados divulgados pelo MTE, o número de 239.545 trabalhadores corresponde ao total de pessoas no estado que atualmente atuam no modelo 6x1 e que com a alteração na lei passariam a trabalhar na escala 5x2, que é proposta. 

O Estado possui hoje 350.846 trabalhadores inseridos no regime 5x2, com carga horária de 40 horas semanais, o que equivale a 59,43% do total identificado de trabalhadores.  Do outro lado, são 40,7% de trabalhadores submetidos a escala 6x1.

*Com informações de Câmara dos Deputados 

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EXONERAÇÃO

João César Mattogrosso deixa o Detran para assumir vaga de Razuk

Exoneração do substituto do ex-deputado estadual foi publicada nesta segunda-feira (25), no Diário Oficial do Governo do Estado

25/05/2026 08h45

Arquivo

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O cargo de diretor executivo no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) está vago. Isto porque João César Matto Grosso teve sua exoneração oficializada no Diário Oficial do Governo do Estado, nesta segunda-feira (25). Ele deixa a autarquia para assumir a vaga de deputado estadual, no lugar de Neno Razuk, destituído da cadeira após a recontagem dos votos no Tribunal Regional Eleito (TRE-MS), na última quinta-feira (21).

Após a recontagem dos votos das eleições referentes ao ano de 2022, a composição parlamentar da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) foi alterada.  O ato considerou a decisão da Justiça Eleitoral, que julgou procedente ação movida pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE/MS) contra Loester Trutis e Raquelle Trutis (ambos do PL), por captação e gasto ilícito de recursos financeiros de campanha.

O resultado do recálculo foi a perda de uma cadeira pelo Partido Liberal (PL), vaga redistribuída ao Partido da Social da Democracia Brasileira (PSDB). Com isso, a Mesa Diretora da Alems publicou, na edição de sexta-feira (22) do Diário Oficial do Parlamento, o ato que declarou a abertura da vaga anteriormente ocupada por Neno Razuk (PL) e convocou João César Mattogrosso (PSDB) para tomar posse no cargo de deputado estadual.

O ato informa que João César Mattogrosso deve se apresentar para tomar posse e assumir o mandato em até 30 dias úteis. Como já foi deputado nesta legislatura na condição de suplente, ele fica dispensado da prestação de novo compromisso.

Recontagem dos votos

Na quinta-feira (21), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso do Sul realizou uma recontagem dos votos recebidos pelo "Casal Trutis", por fraude e captação ilícita de votos, o que acabou impactando no mandato do deputado do PL na Assembleia Legislativa. 

Nomes que cresceram na onda do bolsonarismo, Loester Carlos Gomes de Souza, o "Tio Trutis", e Raquelle Lisboa Alves Souza teriam recebido R$2,026 milhões para campanha eleitoral pelo Partido Liberal de 2022 e, em tese, embolsaram parte dos recursos, o que impactou agora no mandato do colega de sigla, Neno Razuk.

Neno Razuk cai agora da cadeira de deputado estadual em Mato Grosso do Sul pelo Partido Liberal para a vaga de 1° suplente, sendo que o sistema proporcional entrega esse posto parlamentar na Casa de Leis de MS à sigla da Social Democracia Brasileira. 

Em outras palavras, Neno Razuk, eleito pelo PL, deixa agora o posto de deputado para a entrada do primeiro suplente pelo PSDB, João César Mattogrosso, que inclusive não deve disputar as eleições neste ano, como bem acompanha o Correio do Estado. 

Neno Razuk também perde a imunidade parlamentar e corre o risco de acabar preso ou ser obrigado a usar tornozeleira. Mesmo assim, ele ainda pode disputar uma vaga à Câmara dos Deputados, uma vez que a condenação é de primeira instância.

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