Política

30 dias

Após sair da prisão, Claudinho Serra apresenta atestado médico de 30 dias na Câmara

Carlão disse que faltas serão abonadas e e que vereador acusado de corrupção está "realmente abalado"

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Na primeira sessão após ser solto da prisão com o uso de tornozeleira eletrônica, o vereador Claudinho Serra (PSBD) não compareceu à Câmara Municipal, pois apresentou atestado médico de 30 dias.

O presidente da Casa, vereador Carlão (PSB) informou que o atestado é devido ao vereador estar "abalado psicologicamente".

Carlão afirma que Claudinho estaria na mesma cela do policial militar reformado José Roberto de Souza, preso por matar a tiros um empresário durante audiência no Procon, e que morreu na prisão no dia 19 de abril. Isto, segundo o presidente da Câmara, teria contribuído para o abalo psicológico do vereador.

"Se ele não puder vir trabalhar durante o atestado, é porque ele realmente está abalado. A hora que ele entender que está bem, ele volta, online ou não", disse.

A partir do atestado, as faltas de Claudinho serão abonadas. Desta forma, também não será contado o prazo de faltas que poderiam acarretar na perda do mandato, que terminaria em três sessões, contando com a de hoje. Conforme o regimento, perde o mandato o parlamentar que faltar 10 sessões consecutivas.

Ainda segundo Carlão, os subsídios e as faltas que ocorreram antes do atestado, durante o período em que Claudinho ficou preso, foram descontadas. "Foi descontado quase tudo, quase R$ 4 mil", afirma.

Claudinho Serra é réu pelos crimes de peculato, corrupção passiva, organização criminosa, fraude ao caráter competitivo de licitação pública, fraude ao contrato decorrente da licitação e concurso material de crimes.

Possível cassação

Claudinho Serra foi preso no dia foi preso no dia 3 de abril durante a terceira fase da “Operação Tromper”, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgãos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apontado como líder da organização criminosa.

Após 23 dias preso, ele teve a liberdade provisória, com uso de tornozeleira e cumprimento de outras condições estabelecidas pelo desembargador José Ale Ahmad Neto.

Na segunda-feira (29), teve o pedido de cassação protocolado na Câmara por um empresário e eleitor de Campo Grande, mas, conforme reportagem do Correio do Estado, Carlão já sinalizou que a Casa irá "enterrar" o pedido.

“Olha, eu cumpro o regimento interno da Casa. Ele (Claudinho Serra) está sendo acusado de ato ilícito antes de ter sido diplomado como suplente de vereador. Eu não trabalho com suposições”, afirmou Carlão, explicando que, como o vereador é acusado de chefiar organização criminosa no período em que foi secretário municipal de Finanças, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia (Sefate), não teria cometido crime algum como parlamentar.

O presidente ainda repetiu para a reportagem que as acusações que estão sendo imputadas a Claudinho Serra são de antes dele assumir o mandato de vereador por Campo Grande.

No entanto, a Procuradoria Jurídica da Câmara de Campo Grande analisará o pedido de cassação de Claudinho Serra, que foi denunciado à Casa de Leis com base no Decreto nº 201/67, que dispõe sobre as responsabilidades dos parlamentares municipais da Capital, em um prazo de 20 dias para dar um parecer.

Tempos Modernos

Redes sociais ampliam influência em MS e reduzem peso da TV na hora de votar

Mudança de comportamento do eleitorado leva campanhas a priorizar estratégias digitais, em vez dos meios tradicionais

25/07/2026 08h30

Jovens e idosos recorrem cada vez mais às redes sociais para acompanhar o debate político

Jovens e idosos recorrem cada vez mais às redes sociais para acompanhar o debate político Foto: Arquivo

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As eleições deste ano consolidam uma mudança profunda na forma como os candidatos buscam conquistar o eleitor em Mato Grosso do Sul, embora o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio continue sendo um instrumento importante, especialmente para apresentar propostas ao eleitorado mais velho.

Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado avaliam que as redes sociais assumiram papel central na formação da opinião pública e na definição das estratégias de campanha.

O cenário é impulsionado pela popularização de plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp e Telegram, que permitem aos candidatos estabelecer comunicação direta com o eleitor, sem a intermediação dos meios tradicionais. 

A velocidade na circulação das informações, a possibilidade de segmentar públicos específicos e o baixo custo de produção de conteúdo transformaram o ambiente digital no principal campo de batalha das campanhas eleitorais.

Em Mato Grosso do Sul, essa realidade se reflete na atuação dos pré-candidatos ao governo, ao Senado e às vagas proporcionais, que intensificaram a produção diária de vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos voltados para interação com seguidores. 

Diferentemente da propaganda televisiva, que tem tempo limitado e calendário definido pela Justiça Eleitoral, as redes sociais funcionam de forma permanente, permitindo que os políticos mantenham contato constante com seus eleitores durante todo o ano.

A mudança também acompanha uma transformação no perfil do eleitor, pois os mais jovens, que representam parcela crescente do eleitorado, consomem informações predominantemente pelas plataformas digitais.

Mesmo entre pessoas acima dos 40 anos, aplicativos como WhatsApp e Facebook se tornaram importantes fontes de notícias e de debates políticos, reduzindo a exclusividade que a televisão exerceu durante décadas.

Apesar disso, especialistas alertam que o tempo de TV ainda mantém relevância estratégica. Nas eleições majoritárias, o horário eleitoral gratuito continua oferecendo maior alcance para candidatos menos conhecidos e proporciona um espaço controlado para apresentação de programas de governo. 

Além disso, a televisão ainda tem elevado grau de credibilidade com boa parte do eleitorado, sobretudo nas cidades do interior. Outro diferencial é que o conteúdo televisivo costuma alcançar eleitores que não acompanham política diariamente nas redes. 

Em municípios menores de Mato Grosso do Sul, onde a televisão aberta ainda registra elevada audiência, o horário eleitoral continua sendo considerado um instrumento importante para consolidar a imagem dos candidatos durante a campanha oficial.

Se, por um lado, as redes sociais ampliaram o alcance dos candidatos, por outro, também aumentaram os desafios para a Justiça Eleitoral.

A circulação de notícias falsas, vídeos manipulados, perfis falsos e conteúdos produzidos com inteligência artificial (IA) tornou o ambiente digital mais complexo de fiscalizar. 

Nas eleições deste ano, as regras passaram a exigir que materiais produzidos com IA sejam identificados de forma clara, enquanto o uso de deepfakes permanece proibido.

Outro aspecto que fortalece o ambiente digital é a atuação dos influenciadores, pois, embora possam manifestar apoio político de forma espontânea, a legislação impede que sejam remunerados para promover candidatos ou impulsionar conteúdos eleitorais, prática permitida apenas aos próprios candidatos, partidos e federações, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

ANÁLISE

Para o cientista político Daniel Miranda, professor e pesquisador do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), as redes sociais e o horário eleitoral gratuito não competem entre si, mas exercem funções complementares durante a disputa eleitoral. 

Conforme ele, a principal diferença está no tempo de exposição do eleitor a cada meio de comunicação.

“O horário eleitoral na TV e no rádio alcança as pessoas apenas durante o período oficial da campanha. Já as redes sociais estão presentes no cotidiano do eleitor 24 horas por dia, dependendo do tempo que cada pessoa permanece conectada”, explicou o professor.

Miranda avalia que, justamente por essa exposição contínua, o impacto de cada conteúdo publicado nas plataformas digitais tende a ser menor de forma isolada, mas ganha força pelo efeito acumulativo ao longo do tempo. 

Em contrapartida, de acordo com o professor, o horário eleitoral gratuito, apesar de concentrar menos tempo de exposição, costuma gerar maior impacto imediato por ser um conteúdo oficial, produzido especificamente para a campanha e exibido em um momento em que o eleitor está mais atento ao debate.

O certo é que a tendência é de que televisão e redes sociais atuem de forma complementar, mas com pesos diferentes.

Enquanto a TV continua sendo importante para conferir legitimidade e ampliar o conhecimento do eleitor sobre os candidatos, as plataformas digitais passaram a definir o ritmo do debate político, influenciar a pauta diária da campanha e mobilizar apoiadores em tempo real.

No Estado, onde cerca de 2 milhões de eleitores irão às urnas em outubro, a expectativa é de que as campanhas invistam simultaneamente nas duas frentes. 

A televisão deverá concentrar a apresentação institucional dos candidatos, enquanto as redes sociais continuarão sendo utilizadas para responder rapidamente aos adversários, divulgar agendas, engajar apoiadores e disputar a atenção de um eleitor cada vez mais conectado.

Na análise do sociólogo Ricardo Luiz Cruz, que também é professor da UFMS, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão não foi substituída pelas redes. 

“Na verdade, esses meios se complementam, pois todos recorrem aos mesmos imaginários coletivos sobre partidos, candidaturas e temas que dominam o debate eleitoral. Vivemos hoje sob o domínio da imagem, e a comunicação política é um reflexo dessa realidade, adaptando-se às diferentes plataformas para dialogar com o eleitor”, pontuou.

PESQUISAS

Na avaliação do diretor do Instituto de Pesquisas Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, o crescimento da presença de pré-candidatos nas redes sociais tem ampliado a visibilidade de nomes que disputarão as eleições deste ano em Mato Grosso do Sul, mas esse desempenho digital ainda não representa vantagem nas urnas. 

Conforme ele, embora diversos pré-candidatos apresentem elevado engajamento nas plataformas digitais, esse alcance não tem se convertido automaticamente em intenção de voto. Para o pesquisador, existe uma diferença importante entre popularidade nas redes e apoio do eleitorado.

“A exposição nas redes sociais aumenta o nível de conhecimento do candidato, mas isso não significa, por si só, que ele receberá votos. Muitas vezes, esse alcance fica restrito a um nicho específico ou a uma bolha de determinado grupo social”, afirmou.

Para Barbosa, as redes sociais exercem papel relevante ao fortalecer candidaturas e manter a comunicação direta com os eleitores, mas dificilmente são suficientes, isoladamente, para eleger um candidato no cenário sul-mato-grossense.

“As redes sociais dão sustentação ao voto. Somente com as redes sociais, em Mato Grosso do Sul, é difícil emplacar um candidato. Basta observar historicamente os candidatos que conseguiram se eleger”, disse.

O diretor do IPR observa que vários pré-candidatos têm investido intensamente em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e outras redes digitais, mas ressalta que a eficácia dessa estratégia somente poderá ser medida no resultado das urnas. “Tem alguns candidatos usando bastante as redes sociais, mas é preciso ver se essa estratégia vai dar certo. O voto precisa chegar à urna”, destacou.

Barbosa também chama atenção para a necessidade de analisar indicadores além do número de seguidores ou curtidas.

Conforme ele, métricas como alcance das publicações, compartilhamentos, volume de visualizações e, principalmente, o sentimento das interações são determinantes para avaliar o impacto da comunicação digital.

“Às vezes há muitos compartilhamentos, mas o sentimento é negativo, e isso acaba sendo prejudicial para a campanha. Todos esses fatores precisam ser considerados”, ponderou.

Para o pesquisador, a presença digital deixou de ser opcional nas campanhas eleitorais modernas. No entanto, ele ressalta que o sucesso eleitoral depende da combinação entre atuação nas redes, trabalho de campo, articulação política e capacidade de transformar visibilidade em votos.

“Na minha opinião, as redes sociais dão uma grande sustentação para o candidato, e ele não pode ficar de fora delas. Agora, acreditar que apenas as redes sociais vão levá-lo ao sucesso é uma visão simplista, porque a realidade é bem mais complexa”, concluiu.

rio de janeiro

Moraes revoga medidas cautelares contra pré-candidato preso com fuzil

Agora, o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil) pode participar da convenção que pode escolher seu nome para disputa ao Senado

25/07/2026 07h21

Márcio Canella havia sido preso em meio a investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro em postos

Márcio Canella havia sido preso em meio a investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro em postos

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a revogação de todas as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante no último dia 7 de julho durante uma operação da Polícia Federal. Com a decisão, o político deixa de usar tornozeleira eletrônica, recupera o passaporte e fica desobrigado das demais restrições fixadas após a prisão.

A decisão foi proferida nessa quinta-feira, 23, às vésperas das convenções partidárias que vão definir as candidaturas ao governo do Rio de Janeiro. Após a decisão do STF, Canella publicou uma mensagem nas redes sociais em que atribuiu a revogação das medidas à sua fé. Antes de ser preso, ele diz ser pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro

"A minha confiança está em Deus, que nunca falha e sempre cuida de nós. Ele me conhece, conhece meu coração, conhece o meu trabalho, sabe tudo o que eu fiz na vida pública para melhorar a vida das pessoas em defesa do cidadão de bem", escreveu.

O ex-prefeito foi alvo da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar recursos provenientes do crime organizado.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram um fuzil de uso restrito da Polícia Militar do Rio de Janeiro em um veículo utilizado por Canella. A arma, segundo a investigação, pertencia ao policial Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela segurança do ex-prefeito, que também acabou preso.

Além do armamento localizado no carro, a Polícia Federal apreendeu em imóveis ligados a Canella dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores, munições e relógios de alto valor.

As investigações são baseadas, entre outros elementos, em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta movimentações de aproximadamente R$ 7,6 bilhões pelo grupo investigado ao longo dos últimos seis anos.

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