Política

viagens suspeitas

Comissão de ética investiga ministros
por viagens a redutos eleitorais

Comissão de ética investiga ministros
por viagens a redutos eleitorais

FOLHAPRESS

27/11/2017 - 15h39
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A comissão de ética da Presidência da República determinou a abertura de procedimentos de investigação contra nove ministros do presidente Michel Temer para apurar as condutas deles em viagens oficiais pelo país.

A apuração foi instaurada baseada em reportagem publicada nesta segunda-feira (27) pela Folha de S.Paulo, segundo a qual os auxiliares presidenciais que devem ser candidatos em 2018 têm priorizado agendas em seus redutos eleitorais.

O órgão federal irá investigar se houve motivação eleitoral nas viagens oficiais dos ministros Leonardo Picciani (Esporte), Helder Barbalho (Integração Nacional), Gilberto Kassab (Comunicações), Ricardo Barros (Saúde), Mendonça Filho (Educação), Ronaldo Nogueira (Trabalho), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Sarney Filho (Meio Ambiente) e Marcos Pereira (Indústria).

Segundo o presidente da comissão de ética, Mauro Menezes, uma resolução do próprio órgão federal, de 2002, estabeleceu que ministros não devem se valer de viagens a serviço com outros propósitos, incluindo para colher dividendos eleitorais.

"Nós abrimos procedimento para que cada um desses ministros justifique não só a utilização da aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira), mas também se essas viagens efetivamente foram aproveitadas e se houve eventualmente desvios", disse.

PRECEDENTE

Menezes lembrou que o órgão federal impôs uma advertência publica, em março, a Ricardo Barros. Em 2016, como também revelou a Folha, o ministro fez promessas em eventos de candidatos a prefeito no Paraná e participou de campanha eleitoral em dias de agenda oficial.

"Os ministros que estiverem conformes com o que é determinado do código de ética, obterão um atestado de conformidade. Os ministros que tiverem eventualmente transgredidos, serão sancionados", disse.

Como punições, o código da alta administração federal prevê tanto uma simples advertência como recomendação de exoneração do servidor público ao presidente Michel Temer.

Na prática, a advertência tem como efeito uma espécie de registro de violação ética no currículo da autoridade, mas não impede o ministro de ocupar outros cargos na esfera pública.

Os nove ministros terão prazo de dez dias, após serem notificados, para apresentar esclarecimentos sobre as agendas oficiais.

Mundo

Peru comemora Dia da Independência com posse de Keiko Fujimori

No juramento, ela prometeu que defenderá a soberania nacional, a liberdade, a democracia e a independência dos poderes

28/07/2026 19h00

Connie France/AFP

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Keiko Fujimori assumiu nesta terça-feira, 28, o cargo de presidente do Peru, após prestar juramento em uma cerimônia no Congresso, com o desafio de enfrentar o aumento do crime organizado e uma grave instabilidade política.

No juramento, ela prometeu que defenderá a soberania nacional, a liberdade, a democracia e a independência dos poderes. Acrescentou que cumprirá e fará cumprir a Constituição, respeitará as leis e zelará pela integridade física e moral de todos os peruanos, "especialmente daqueles que foram historicamente marginalizados".

Em seguida, colocou uma faixa presidencial nas cores vermelho e branco, confeccionada com um tecido brilhante e fios banhados a ouro.

Fujimori foi recebida no Congresso com aplausos dos senadores e deputados de seu partido político, a Força Popular, e das delegações estrangeiras. Ela havia se deslocado em um veículo cercado por guarda-costas pelas poucas quadras que separam o Ministério das Relações Exteriores do Parlamento, no centro histórico de Lima.

Na tribuna do Congresso estavam suas duas filhas, de 18 e 17 anos, e dois de seus irmãos que não participam da política local Chamou a atenção a ausência de seu irmão mais novo, Kenji Fujimori, que foi um legislador popular que disputou com ela a liderança da Fuerza Popular em 2018 e acabou sendo expulso do partido.

A programação começou com a tradicional missa do Dia da Independência, celebrando os 205 anos da independência do país, e foi concluída no Congresso, onde ocorreu a transferência de poder e o primeiro pronunciamento da nova presidente.

Keiko prometeu endurecer combate ao crime organizado

Após tomar posse, Keiko apresentou ao Congresso as principais diretrizes do novo governo. Durante seu discurso, ela reforçou as promessas de endurecer o combate ao crime organizado, considerado o principal desafio da nova gestão, além de abordar medidas para recuperar a estabilidade política, impulsionar a economia e enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño no país. "Temos medo por nossas vidas ao sair de casa ou de que nossas casas sejam inundadas nos próximos meses", declarou.

A presidente eleita afirmou que as Forças Armadas deverão liderar as operações de segurança temporariamente em regiões do país com altos índices de violência e criminalidade, em coordenação com a Polícia Nacional.

"Faremos uso de todas as ferramentas que a Constituição permite ao governo", disse. Segundo ela, a situação em que recebe o Estado é tão catastrófica que fez com que o Peru tenha hoje uma das maiores desigualdades sociais.

Entre suas prioridades, ela destacou o fortalecimento da Polícia Nacional e um processo de modernização que incluirá sistemas de vídeo, inteligência artificial (IA) e centros de comando capazes de dar uma resposta rápida à criminalidade.

Fujimori afirmou ainda que "a luta não será apenas contra o criminoso comum: iremos atrás das máfias nacionais e internacionais que financiam a extorsão, os assassinatos por encomenda, o tráfico de drogas e a mineração ilegal".

"Nenhum integrante que se dedique à prática de crimes encontrará proteção em nosso governo", afirmou. Ela ainda afirmou que deverá promover uma reforma penitenciária, para que as prisões "voltem a ser centros de reclusão e não centros de operação do crime organizado".

Keiko afirmou também que agora se inicia uma contagem regressiva irreversível, na qual cada órgão terá de trabalhar intensamente, com metas e prestação de contas constantes.

Presidente recebeu representantes de delegações estrangeiras

Antes da sessão solene, Keiko recebeu representantes das delegações estrangeiras na sede do Ministério das Relações Exteriores, no Centro Histórico de Lima. A cerimônia de posse reuniu autoridades de diversos países, entre elas os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Equador, Daniel Noboa, do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi, além do rei espanhol Felipe VI. O Brasil é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Antes de seguir para o Congresso para a cerimônia de transmissão da faixa presidencial, o presidente interino, José María Balcázar, falou com a imprensa ao deixar a celebração religiosa. Na ocasião, desejou sucesso à sucessora e afirmou que entregava "um país com uma economia saudável, tudo em ordem".

Na véspera da posse, a presidente definiu os primeiros nomes do gabinete. O vice-presidente Luis Galarreta foi escolhido para comandar o Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de primeiro-ministro. Também foram anunciados o economista Elmer Cuba para o Ministério da Economia e o ex-jornalista e ex-candidato à Presidência Carlos Espá para o Ministério das Relações Exteriores. Os demais integrantes da equipe, formada por 19 ministérios, devem ser apresentados após a cerimônia.

Aos 51 anos, Keiko retorna o fujimorismo ao poder após vencer a eleição presidencial de junho por uma diferença inferior a 50 mil votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela assume um mandato até 2031 em um país que teve oito presidentes desde 2016 e enfrenta um período de intensa polarização política.

Posse ocorreu em meio a protestos de familiares

Um grupo de parlamentares da oposição retirou-se do plenário do Parlamento pouco antes de Keiko Fujimori iniciar seu discurso de posse, ao grito de "justiça para as vítimas", em referência às 50 pessoas assassinadas entre 2022 e 2023 nos protestos contra o governo da ex-presidente Dina Boluarte, aliada de Fujimori.

A saída dos membros da oposição, especialmente do Juntos pelo Peru, foi recebida com aplausos dos parlamentares conservadores da Força Popular, o partido de Fujimori, e de seus aliados. Fujimori observou o ocorrido em silêncio.

Familiares dos manifestantes mortos nos protestos de 2022 e 2023 e das pessoas assassinadas durante o governo do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) lavaram bandeiras vermelho e brancas do Peru e afirmaram que a presidente eleita não os representa.

"A justiça está longe de nós; hoje lavamos a bandeira em memória desses mártires que foram assassinados desde 12 de dezembro de 2022... mas também por aqueles irmãos que continuam esperando há 35 anos, por aqueles mortos que até hoje não foram encontrados", disse Milagros Samillán, irmã de Marco Samillán, um estudante de medicina assassinado em 2023 pelas forças de segurança enquanto prestava socorro a manifestantes feridos.

Ela acrescentou que "Keiko Fujimori não nos representa, não é nossa presidente; lavamos a bandeira que deveria estar limpa, mas continua manchada de sangue, injustiça, corrupção e impunidade".

O partido de Fujimori no Parlamento protegeu, com seus votos, a então presidente Dina Boluarte de sete pedidos de impeachment. Por fim, Boluarte foi destituída pelo Parlamento em outubro de 2025.

Embate Político

Zeca do PT chama Bolsonaro de "canalha" e provoca discussão em reunião em MS

Deputado fez críticas ao ex-presidente durante encontro em Ribas do Rio Pardo, provocando reação de participantes que afirmam ter havido um acordo para evitar debates políticos.

28/07/2026 18h28

Deputado estadual e pré-candidato à reeleição, Zeca do PT se envolveu em discussão durante reunião realizada nesta terça-feira (28), em Ribas do Rio Pardo.

Deputado estadual e pré-candidato à reeleição, Zeca do PT se envolveu em discussão durante reunião realizada nesta terça-feira (28), em Ribas do Rio Pardo. Foto: Wagner Guimarães/Alems

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Uma reunião realizada nesta terça-feira (28), em Ribas do Rio Pardo, foi marcada por um momento de tensão envolvendo o deputado estadual e pré-candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Zeca do PT (PT).

O parlamentar protagonizou uma discussão com participantes do encontro após fazer críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apesar de, segundo pessoas presentes, haver um acordo prévio para que o evento não abordasse questões político-partidárias.

Durante sua fala, o ex-governador de Mato Grosso do Sul comparou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à de Bolsonaro e chamou o ex-chefe do Executivo de "canalha".

"Pegue o governo daquele canalha que está preso e compare com o governo do presidente Lula. O canalha que está preso falava de boca cheia que não gosta de negro, e não gosta, de índio, de pobre, de reforma agrária e agricultura familiar", afirmou Zeca.

A declaração provocou reação imediata de dois participantes da reunião, que interromperam o discurso e contestaram as afirmações do deputado, chamando-o de "mentiroso". O clima ficou acalorado e houve troca de acusações entre os presentes.

Segundo um dos participantes, antes do início do encontro teria sido acertado que assuntos ligados à política não seriam debatidos, compromisso que, na avaliação dele, acabou sendo descumprido pelo parlamentar ao inserir críticas ao ex-presidente durante sua fala.

Em meio ao bate-boca, Zeca do PT rebateu as manifestações e pediu que um dos participantes deixasse o local, o que aumentou ainda mais a tensão no ambiente.

Após a discussão, um dos presentes voltou a criticar a postura do deputado e afirmou que ele chegou ao encontro garantindo que não trataria de política, mas mudou o tom ao iniciar o discurso.

"Ele falou que não ia falar de política e depois fez exatamente o contrário. Não tem honra", disse o participante.

O episódio foi gravado por pessoas que acompanhavam a reunião e as imagens passaram a circular nas redes sociais, ampliando a repercussão do caso.

Zeca minimiza episódio

Procurado pela reportagem do Correio do Estado após a repercussão do vídeo, o deputado estadual e pré-candidato Zeca do PT afirmou que o episódio não passou de um desentendimento pontual e negou que a reunião tenha sido interrompida em razão da discussão.

 "Nada, nada. Tudo normal, na verdade. Um cidadão lá, que é bolsonarista, não gostou de uma frase minha, saiu da reunião, só isso. A reunião continuou. Almocei lá no maior carinho dos assentados, todos muito próximos politicamente da gente, sem nenhum problema", afirmou.

Segundo o parlamentar, o cronograma de encontros foi mantido normalmente após o incidente.

 "Depois de lá já fizemos mais dois assentamentos. Estou chegando na cidade para fazer a última reunião", acrescentou.

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