Em meio às discussões sobre os desdobramentos do caso Banco Master no cenário nacional, lideranças do PT em Mato Grosso do Sul afirmaram nesta segunda-feira (18) que o episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro pode provocar reflexos políticos no Estado e influenciar diretamente a disputa eleitoral de 2026.
A declaração foi dada durante coletiva realizada na sede do partido, na Rua das Garças, em Campo Grande, com a presença do candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, do deputado federal e pré-candidato ao Senado Vander Loubet, da senadora e pré-candidata à reeleição Soraya Thronicke, do secretário nacional do PT Henrique Fontana, além de lideranças como Camila Jara, Luiza Ribeiro, Marcelo Bluma e Gilda.
Ao comentar o cenário eleitoral sul-mato-grossense, Vander afirmou que o desgaste da direita nacional pode impulsionar o crescimento de nomes mais identificados com o bolsonarismo raiz no Estado.
“Com esse episódio do Flávio Bolsonaro, aqui o Catan naturalmente vai crescer, porque tem um eleitorado mais raiz do PL”, declarou o parlamentar. Segundo ele, o grupo petista trabalha com a possibilidade de segundo turno em Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.
Durante a coletiva, Henrique Fontana afirmou que o caso Banco Master deve se transformar em um dos principais temas do debate político nacional nos próximos meses. Segundo ele, as investigações envolvendo o banco atingem diretamente figuras ligadas ao bolsonarismo.
“O caso Master vai ser ‘master’ para nós debatermos durante a campanha”, disse.
O dirigente petista citou investigações envolvendo aliados da direita e mencionou o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário investigado no escândalo financeiro.
“Desde então, a cada semana aparece um líder da direita brasileira envolvido com o Banco Master”, afirmou.
Já Soraya Thronicke relacionou o caso às discussões sobre apostas esportivas e criticou a condução do governo Bolsonaro em relação à regulamentação das bets.
“Bolsonaro passou quatro anos deixando correr solto, completamente solto”, declarou.
A senadora também afirmou que municípios sul-mato-grossenses sofreram impactos financeiros após aplicações em produtos ligados ao Banco Master.
Conforme mostrou reportagem publicada pelo Correio do Estado no último dia 15 de maio, fundos previdenciários municipais de Mato Grosso do Sul acumulam prejuízo estimado em R$ 15,7 milhões após aplicações em títulos ligados ao Banco Master. Segundo a apuração, os recursos foram direcionados principalmente por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) para Letras Financeiras e fundos estruturados vinculados à instituição financeira.
Entre os municípios afetados estão Fátima do Sul, São Gabriel do Oeste, Jateí, Angélica e Campo Grande, por meio do Instituto Municipal de Previdência (IMPCG). Ainda segundo a reportagem, as perdas ocorreram após auditorias e intervenções regulatórias revelarem supostas inconsistências contábeis e ativos com lastro inflado na estrutura financeira do banco.
Durante a coletiva, Henrique Fontana afirmou que o PT defende que as investigações ocorram dentro do devido processo legal.
“O Flávio vai ser investigado, vai poder apresentar a defesa dele”, completou.

