Política

ANO ELEITORAL

Esquerda entra sem direção clara nas eleições e pode pagar caro por isso

Indefinição de nomes, fragmentação interna e pesquisas desfavoráveis deixam campo progressista vulnerável em MS

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Faltando menos de um ano para as eleições, o campo da esquerda em Mato Grosso do Sul ainda não conseguiu consolidar uma estratégia clara nem apresentar nomes com competitividade real para o Senado e outras disputas majoritárias. Esse cenário abre espaço para que direita e centro-direita sigam dominando o panorama eleitoral no Estado.

A premissa vem de pesquisas recentes, que mostram que as indefinições estão claras e podem afetar o campo da esquerda.

Levantamentos de intenção de voto no Estado indicam um quadro fragmentado na disputa pelo Senado, que terá duas vagas em jogo.

A pesquisa Correio do Estado/IPR que foi realizada nas 12 maiores cidades do Mato Grosso do Sul, com 1.700 entrevistas realizadas entre os dias 1º e 6 de dezembro de 2025, tem margem de erro de 2,5 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%, e aponta o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) liderando dentro da margem de erro, com 17,76% das intenções de voto em cenários com vários nomes testados.

A ministra Simone Tebet aparece embolada com Capitão Contar e Nelsinho Trad, também dentro da margem de erro – um desempenho considerado modesto, sobretudo para quem ocupa um dos ministérios mais estratégicos do governo de Lula 3. Já Soraya Thronicke oscila em posições inferiores e, por ora, sua reeleição não indica risco imediato frente aos quatro primeiros colocados.

No recorte específico de Campo Grande, considerando apenas o primeiro voto para o Senado, o cenário é de Nelsinho Trad (PSD) com 23,36%, Capitão Contar com 18,76%, Reinaldo Azambuja com 17,88% e Simone Tebet com 15,04%.

O índice de 7,26% de indecisos reforça a percepção de que o primeiro voto tende a estar relativamente consolidado entre os eleitores.

Nesse levantamento, o petista Vander Loubet e outros nomes da esquerda não foram incluídos na amostra em razão de indefinições sobre suas possíveis candidaturas.

Contexto histórico reforça dificuldades

O resgate do desempenho eleitoral recente ajuda a explicar o cenário atual. Em 2022, na disputa ao Senado, o candidato do PT, Tiago Botelho, obteve cerca de 13% dos votos – bem atrás de Tereza Cristina (PP), eleita com mais de 60%.

Em 2018, candidaturas ligadas à esquerda também registraram votações relevantes apenas em termos proporcionais, sem alcançar competitividade diante de nomes como os de Nelsinho Trad ou Soraya Thronicke.

O histórico revela que, embora conquiste parcelas significativas do eleitorado, a esquerda enfrenta dificuldades para igualar – e menos ainda superar – candidaturas de centro e direita nas disputas majoritárias em Mato Grosso do Sul.

O problema atual: identidade, nomes e narrativa

Analistas ouvidos pelo Correio do Estado, que preferiram não se identificar, apontam três desafios principais: a indefinição dos nomes competitivos, a fragmentação interna e o enfraquecimento de narrativa. 

Sobre a indefinição dos nomes competitivos, Simone Tebet, apesar da projeção nacional e do cargo de ministra do Planejamento, ainda não confirmou se disputará o Senado, mantendo aliados e eleitores em incerteza.

A indefinição de Simone ainda está ligada à fragmentação interna. A ala mais à esquerda oscila entre indefinição de Simone no MDB, declarações de apoio ao governador Eduardo Riedel, e a movimentação de Vander Loubet, que se apresenta como pré-candidato e afirma estar pronto para disputar uma eleição majoritária.

Enquanto isso, nomes do PL, PP e centro-direita ocupam espaço, tentando oferecer ao eleitor experiência por ter ocupado cargos recentemente. 

Implicações para 2026

Para a esquerda, o desafio vai além de escolher nomes: será necessário construir uma estratégia unificada, oferecer palanque competitivo ao governo de Lula e formular uma narrativa capaz de dialogar com o eleitorado majoritário do Estado.

A indefinição em Mato Grosso do Sul também preocupa estrategistas do governo federal, porque o Estado poderá ter duas vagas ao Senado e pode influenciar o equilíbrio de forças na Casa – o que afeta votações sensíveis e o próprio relacionamento com o STF.

*Saiba

Pré-candidatos

Enquanto no campo da esquerda Simone Tebet (MDB) e Vander Loubet (PT) são os pré-candidatos ao Senado, à direita existem nomes como o de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL; Nelsinho Trad (PSD), e Gerson Claro e Jaime Verruck, do PP.

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Política

Bolsonaro deve ter alta nesta quinta e retornar à cela na PF

Ex-presidente está internado há uma semana e passou por cirurgias

31/12/2025 20h00

Ex-presidente Bolsonaro, em prisão domiciliar

Ex-presidente Bolsonaro, em prisão domiciliar Foto: Divulgação

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Médicos que acompanham o ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde a véspera de Natal para realização de procedimentos cirúrgicos, atualizaram seu estado de saúde e confirmaram alta para a manhã desta quinta-feira (1º), caso não haja nenhum novo problema de saúde. Com isso, o ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão no processo da trama golpista, poderá retornar à cela onde cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

"A princípio, a alta já está programada, salvo alguma intercorrência", assegurou o cardiologista Brasil Caiado, do Hospital DF Star, em entrevista a jornalistas, na tarde de quarta-feira (31). "Nós pretendemos chegar cedo [na quinta], fazer a avaliação de rotina e, se não houver nada de diferente, comunicar a superintendência da PF, aí já não depende mais de nós", acrescentou.

Jair Bolsonaro foi internado no hospital particular da capital federal no dia 24 de dezembro. Ele foi submetido, no dia seguinte, a uma cirurgia de hérnia inguinal.

O ex-presidente foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a deixar a Superintendência da Polícia Federal para a realização dos procedimentos.

Soluços e antidepressivos

No decorrer da semana, para tentar conter uma crise persistente de soluços que o acomete há meses, Bolsonaro também passou por ao menos três cirurgias de bloqueio do nervo frênico, responsável pelo controle do diafragma, músculo responsável pelo movimento de respiração.

"A gente notou que o bloqueio do diafragma dos dois lados diminuiu a intensidade dos soluços, mas não cessou a crise de soluços. Isso mostra que o estímulo não é do pescoço para baixo, mas é do pescoço para cima. É provavelmente um estímulo de origem no sistema nervoso central, que não adianta você fazer um bloqueio definitivo do nervo", explicou o cirurgião Claudio Birolini.

O tratamento, segundo o especialista, seguirá com medicação e outras terapias alternativas.

As crises de soluços, segundo os médicos, são os momentos que mais agravam o estado psicológico do ex-presidente. "A gente percebe uma piora considerável nos momentos de soluços prolongados. A diferença no estado emocional, físico, ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que ele passa com soluços. É o pior estágio. Ele já chegou aqui em um estado emocional mais deprimido, mas oscila muito”, avaliou Caiado.

O desconforto do ex-presidente também está sendo tratado com medicamentos antidepressivos, revelou a equipe médica. "O próprio presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo, então, foi introduzido e a gente espera que esse tratamento passe a fazer algum efeito em alguns dias", infirmou Birolini.

Autocuidado na prisão

A partir da alta, caberá ao próprio ex-presidente fazer o autocuidado na cela da PF, embora os médicos possam visitá-lo sempre que for preciso ou solicitado.

"Ele [Bolsonaro] está mais disciplinado, entendeu a importância de colaborar em relação à alimentação, a não deitar depois de comer, que é um ponto que gera muito refluxo, comendo de forma mais adequada, mais fracionada. Toda a nossa recomendação, ele está muito disciplinado e seguindo sempre", disse Brasil Caiado.

Na PF, a cela de Bolsonaro possui cerca de 12 metros quadrados (m²) e foi reformada recentemente. O espaço tem paredes brancas, uma cama de solteiro, armários, mesa de apoio, televisão, frigobar, ar condicionado e uma janela, além de banheiro privativo.

No último boletim médico, divulgado nesta quarta, logo após a coletiva dos médicos, o Hospital DF Star informou que o ex-presidente melhorou da crise de soluços e realizou uma endoscopia digestiva alta, exame que evidenciou a persistência de esofagite e gastrite.

Outro problema enfrentado por Bolsonaro é a apneia obstrutiva do sono. Para tratar disso, o ex-presidente passou a usar um aparelho médico chamado de CPAP, que fornece um fluxo constante de ar através de uma máscara para manter as vias aéreas abertas, impedindo paradas respiratórias e ronco.

"Já é a segunda noite que ele usa a máscara, o CEPAP, ele se adaptou bem, disse que dormiu melhor e está sim indicado o uso contínuo enquanto ele tiver na carceragem. Inclusive, ele vai sair daqui com o aparelho", informou Claudio Birolini.

POLÍTICA

Governo promete atuar para mitigar impacto de tarifas da China sobre carne bovina

A salvaguarda adotada pela China vale a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro, e tem duração prevista de três anos

31/12/2025 19h00

carne

carne Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em nota conjunta divulgada nesta quarta-feira, 31, os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agricultura e o das Relações Exteriores informaram que o governo brasileiro "tem agido de forma coordenada com o setor privado e seguirá atuando junto ao governo da China tanto em nível bilateral quanto no âmbito da OMC", para mitigar o impacto das medidas de restrição e tarifas impostas à carne bovina do Brasil e de outros países exportadores da proteína.

A nota diz que o governo "acompanha o tema com atenção" e pretende "defender os interesses legítimos dos trabalhadores e produtores do setor".

Segundo o texto, as medidas de salvaguarda "são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) utilizados principalmente para lidar com surtos de importação". "A medida não tem por objetivo combater práticas desleais de comércio e é aplicada às importações de todas as origens", esclarece.

As pastas ressaltam ainda que, ao longo dos últimos anos, o setor pecuário brasileiro "tem contribuído de maneira consistente e confiável para a segurança alimentar da China, com produtos sustentáveis e competitivos, submetidos a rigorosos controles sanitários".

A salvaguarda adotada pela China vale a partir desta quinta-feira, 1º de janeiro, e tem duração prevista de três anos. No caso do Brasil, cria uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas. As exportações que ultrapassarem esse volume pagarão sobretaxa de 55% - adicionada aos 12% já vigentes.

A China é o principal destino da exportação da carne bovina brasileira e a sobretaxa de 55% imposta pelo país aos volumes que excederem à cota de 1,106 milhão de toneladas a partir de 1º de janeiro de 2026 será difícil de ser compensada rapidamente, mesmo com o forte crescimento das vendas do produto para outros mercados asiáticos neste ano.

Indonésia, Vietnã, Cazaquistão, Macau, por exemplo, têm registrado taxas surpreendentes de crescimento, mas representam menos de 1% do total vendido pelo Brasil ao exterior.

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