Ex-deputada estadual de Mato Grosso do Sul (2005-2006) e ex-vereadora de Dourados (1989-2004), Bela Barros (PDT), se desculpou em suas redes sociais após dizer que demitiu um eleitor de Lula e vai demitir mais oito da empresa de sua família, após o resultado das eleições presidenciais de 2026.
Ela comentou em uma postagem do pastor Leandro Reis, da Igreja Deus Tem Mais, localizada no Rio de Janeiro (RJ), em que o religioso abordava supostas demissões de trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Hoje nós também demitimos um, mas vamos demitir uns oito em nome de Jesus. Temos sete restaurantes. Só passamos a comprar de empresários que não são do PT", comentou a ex-parlamentar no post do religioso.
O comentário viralizou negativamente nas redes sociais e revoltou petistas que reelegeram o atual presente do Brasil.

Nesta terça-feira (27), Bela se arrependeu do comentário que fez e se retratou nas redes sociais. Ela afirmou que se sente envergonhada e que ninguém foi ou será demitido das empresas de sua família.
“Eu estou aqui agora neste momento para me retratara, para pedir desculpas a vocês da fala infeliz que eu tive nessa noite. Eu quero dizer para vocês que é foi uma coisa que não foi minha, não foi do meu coração, não falei do fundo do meu coração, até porque não sou essa pessoa que hoje transpareceu. O meu coração ainda estava entristecido. Eu estava fazendo um comentário no post e pode ter saído essas palavras que não gostaria jamais de ter dito. Hoje eu me sinto muito envergonhada disso que eu fiz e eu preciso pedir desculpas para vocês que eu ofendi e também para os meus filhos que são os proprietários dos restaurantes e que nem sabiam disso que eu estava falando. Até me sinto assim muito envergonhada e peço perdão pelas palavras que eu disse. Ninguém foi demitido e ninguém vai ser demitido. Eu não tenho poder nenhum de contratação nas empresas porque as empresas são dos meus filhos. Foi uma coisa aleatória que eu disse. Então me desculpem. Essa é a minha retratação a vocês que foram ofendidos por mim e aos meus filhos que não tem nada a ver com essa história”, disse a ex-parlamentar, em vídeo publicado em seu Instagram.
As manifestações associam a discussão sobre demissões ao posicionamento político de trabalhadores e empresários, em meio à polarização que marcou a disputa presidencial de 2026.
ASSÉDIO ELEITORAL
Mato Grosso do Sul contabilizou 35 denúncias de assédio eleitoral em 2026, conforme balanço divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) nesta segunda-feira (26).
Até o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, eram 11 registros, o que representa um aumento de aproximadamente 218%. Em todo o país, foram contabilizadas 1.937 denúncias.
O MPT-MS alerta que ameaças de demissão, intimidações e represálias motivadas pela preferência política dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral, inclusive após as eleições.
A procuradora-chefe do órgão, Cândice Arosio, reforçou que as denúncias continuam sendo recebidas mesmo após o encerramento do processo eleitoral.
A legislação brasileira assegura a liberdade de convicção política, com isso, demissões discriminatórias podem resultar em responsabilização trabalhista.




