Política

FRENTE A FRENTE

Fábio diz que incentivos enriqueceram empresas, mas não os trabalhadores

O candidato a governador pelo PT vai exigir que empresas aumentem salários, qualificação e contratação de mão de obra local

Continue lendo...

O ex-deputado federal Fábio Trad (PT), candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, criticou o atual modelo de incentivos fiscais do Estado por considerar que o crescimento econômico proporcionado pela atração de grandes empresas não chegou na mesma proporção ao bolso dos trabalhadores. 

Em entrevista ao projeto Frente a Frente – Eleições 2026, ele defendeu a manutenção dos benefícios, mas com novas contrapartidas para as empresas que recebem dinheiro público na forma de renúncia tributária.

A tese defendida por Fábio Trad é que MS conseguiu atrair grandes investimentos e ampliar a sua produção, porém concentrou parte relevante dos ganhos econômicos nos grandes grupos empresariais. 

Para ele, a política precisa passar a levar em consideração não apenas quantos empregos são abertos, mas também quanto esses postos pagam, quantos são ocupados por trabalhadores sul-mato-grossenses e qual a contribuição das empresas para a qualificação profissional.

Na prática, Trad não propõe acabar com os incentivos fiscais. Seu programa de governo reconhece que o mecanismo teve papel na atração de investimentos para setores como celulose, proteína animal, agronegócio e logística. A mudança seria estabelecer novas exigências para que uma empresa tenha acesso ao benefício.

Entre as contrapartidas previstas estão geração de empregos formais, valorização e qualificação da mão de obra local, aumento do salário médio, agregação de valor à produção estadual e investimentos em regiões menos desenvolvidas. 

O diagnóstico do programa petista afirma que o modelo atual concentra incentivos em grandes grupos econômicos e setores já consolidados.

Para o petista, o número de vagas criadas não pode ser o único indicador usado para justificar bilhões de reais em benefícios. O candidato defende que o governo passe a avaliar também a qualidade dos empregos e a distribuição da riqueza produzida pelos grandes investimentos.

Ele disse que a preocupação com salários ganhou espaço na campanha depois de visitas de Fábio Trad a Três Lagoas, um dos principais polos industriais do Estado. 

Em encontros com trabalhadores dos setores de celulose, alimentação e construção pesada, representantes sindicais relataram dificuldades para ampliar a presença da mão de obra local nos postos mais qualificados e reivindicaram salários compatíveis com o crescimento econômico das empresas instaladas na região.

SAÚDE

Depois da política de incentivos, a saúde aparece como outro ponto de diferenciação apresentado por Fábio Trad. O candidato pretende retomar para Mato Grosso do Sul a administração dos hospitais regionais cuja gestão foi transferida a entidades privadas.

A proposta faz parte do programa de governo registrado na Justiça Eleitoral e prevê reforçar a presença estadual na administração hospitalar e ampliar a regionalização do atendimento.
Fábio Trad argumenta que os moradores do interior não podem depender de Campo Grande para conseguir parte significativa dos procedimentos de média e alta complexidade.

O plano inclui fortalecimento das unidades regionais existentes e ampliação da estrutura hospitalar no interior. A candidatura também apresentou a proposta de construir hospitais em municípios como Corumbá, Naviraí e Jardim.

Com a regionalização, Fábio Trad pretende reduzir a transferência de pacientes para Campo Grande e, consequentemente, diminuir a pressão sobre a estrutura da Pasta de Saúde da Capital.

EDUCAÇÃO

Na Educação, Fábio Trad voltou a defender a redução da diferença existente entre professores concursados e temporários da Rede Estadual de Ensino.

A proposta prevê um planejamento plurianual de concursos públicos para diminuir a dependência de profissionais convocados e um estudo sobre o impacto financeiro da equiparação salarial entre professores que exercem funções semelhantes.

O candidato afirmou que pretende criar, nos primeiros 100 dias de uma eventual administração, um grupo para calcular o impacto orçamentário da medida.

Ele também relaciona a Educação à estratégia econômica. Sua proposta é ampliar a formação técnica e profissionalizante em áreas ligadas aos novos investimentos no Estado, como tecnologia, automação, inteligência artificial, logística, bioeconomia e energias renováveis.

SEGURANÇA 

Na Segurança Pública, Fábio Trad defende reforçar a integração das forças policiais e ampliar a presença de MS nas regiões de fronteira com Paraguai e Bolívia.

O programa estabelece fortalecimento do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), investimentos em inteligência e tecnologia e maior integração entre Polícia Militar, Polícia Civil e demais órgãos envolvidos no combate às organizações criminosas.

Também estão previstas: recomposição dos quadros por meio de concursos, qualificação dos servidores e políticas voltadas à saúde mental dos profissionais da Segurança Pública.

DESENVOLVIMENTO

As propostas econômicas apresentadas por Trad convergem para o discurso de que Mato Grosso do Sul precisa avançar de uma etapa de crescimento baseada na atração dos grandes investimentos para outra em que os ganhos sejam distribuídos de maneira mais ampla.

O candidato defende agregar valor às matérias-primas produzidas no Estado, estimular pequenas e médias empresas, ampliar o crédito e incentivar a instalação de empreendimentos fora dos polos atualmente mais desenvolvidos.

É dentro dessa lógica que ele pretende reformular a política de incentivos fiscais: continuar usando a renúncia de impostos como instrumento para disputar investimentos, mas cobrar, em troca, resultados que possam ser percebidos diretamente pelos trabalhadores.

Fábio Trad sustenta ainda que o próximo passo deve ser fazer com que uma parcela maior da riqueza produzida pelos empreendimentos chegue a salários e serviços públicos. 

O Frente a Frente – Eleições 2026 reúne o Correio do Estado, Campo Grande News, A Crítica, JD1 Notícias, SBT MS e TV Guanandi em sabatinas com os candidatos a governador.

ex-ministra

'Tem de colocar um freio de arrumação urgente e imediato', defende Simone Tebet sobre STF

Ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo disse que crise institucional pode se estender à ecnomia se não for contida

16/09/2026 22h00

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet Valter Campanato/Agência Brasil

Continue Lendo...

Questionada sobre impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista ao portal Terra, Simone Tebet (PSB), ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo, afirmou a necessidade de uma reforma no Judiciário feita o quanto antes. "Tem de colocar um freio de arrumação urgente e imediato", declarou.

Para ela, o movimento para conter a crise atual é imprescindível, uma vez que a crise institucional pode se estender à economia, gerar desemprego e inflação e afugentar investimentos estrangeiros.

Entre as medidas para reformar o Judiciário, ela defende o fim dos penduricalhos, da vitaliciedade para membros do STF e que decisões monocráticas sejam, posteriormente, avaliadas pelo plenário da Corte.

A candidata também expressa o desejo de participar, caso eleita ao Senado Federal, da comissão que irá avaliar questões relacionadas ao Judiciário.

Ainda na entrevista, a candidata aproveitou para defender sua candidatura ao Senado pelo Estado de São Paulo. Tebet tem carreira política formada no estado do Mato Grosso e foi questionada por candidatos pela decisão de concorrer por outro estado.

Em sua resposta, fez referência a Tarcísio de Freitas (Republicanos), "carioca eleito, legítima e democraticamente, governador de São Paulo, sem nunca ter tido um imóvel, nem história aqui", define.

"Em polarização absurda, eu tive 9% dos votos da capital do Estado de São Paulo. Portanto, São Paulo já me abraçou. O resultado das urnas, bem-sucedido ou não, é quem vai dizer se eu mereço ou não representar o Estado de São Paulo. Agora, eu tenho propriedade aqui, estudei aqui, tenho filhas aqui, tenho história. Nasci na divisa, então conheço todo o noroeste paulista. Casei com alguém do Estado de São Paulo. Eu conheço a realidade social e econômica; conheço São Paulo", declarou. A candidata ainda caracterizou o Estado como "locomotiva do País"

Em outro momento da entrevista, defendeu a maior participação das mulheres na vida política do País e espera que ocupem mais cadeiras no STF nas próximas indicações. Entretanto, acredita que a maior representação depende de quem ganhar as próximas eleições.

"Se for o presidente Lula, sem dúvida nenhuma [terá indicação de uma mulher]. De preferência, espero eu, que seja uma mulher negra. Acho que nós nunca tivemos e precisamos dessa representatividade. Mas que a próxima seja uma mulher para começar a alcançar pelo menos 30%. Nós nunca tivemos duas mulheres ao mesmo tempo. Aliás, só tivemos duas mulheres."

Caixinha gorda

Rose, Geraldo e Camila são os 'mais ricos' na corrida para deputado federal em MS

Grande maioria da verba destinada aos três candidatos é oriunda do fundo eleitoral partidário

16/09/2026 17h30

Geraldo Resende, Camila Jara e Rose Modesto são os mais endinheirados na busca por uma vaga na Câmara Federal

Geraldo Resende, Camila Jara e Rose Modesto são os mais endinheirados na busca por uma vaga na Câmara Federal Fotos/ Reprodução

Continue Lendo...

Rose Modesto, Geraldo Resende e Camila Jara são os mais endinheirados entre todos os postulantes na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados por Mato Grosso do Sul. 

Confome o Divulgacand, portal de candidaturas da Justiça Eleitoral, a grande maioria da verba destinada aos três candidatos é oriunda do fundo eleitoral de seus respectivos partidos. 

Companheiros de legenda , Rose Modesto e Geraldo são os mais ricos. Com R$3,08 milhões disponível para utilizar em campanha, Rose lidera a lista. De acordo com a Justiça eleitoral, deste montante, R$2,90 milhões foram cedidos pelo União Brasil. Além deste valor, a ex-deputada recebeu cerca de R$ 10 mil em doações. 

De todo o montante recebido por ela, R$ 1,2 milhão foram gastos apenas com "atividade de militância e mobilização de rua". 

Na mesma linha, Geraldo Resende aparece como o segundo candidato que mais recebeu verba de campanha entre os candidatos a deputado federal, R$ 2.89 milhões, dinheiro integralmente cedido pelo partido, segundo a Justiça Eleitoral.

Em busca de seu sétimo mandato, Resende já gastou R$ 1,2 milhão com "despesas de pessoal", cerca de R$ 150 mil com adevisos e R$ 43 mil em aluguel de imóveis e carros. 

A petista Camila Jara fecha a lista dos três mais endinheirados. Em busca de seu segundo mandato consecutivo, ela recebeu R$ 2.82 milhões do fundo partidário, além de doar R$ 10 mil de seu próprio bolso para auxiliar na campanha.

Até aqui gastou R$ 1,4 milhão com "despesas de pessoal", além de R$ 229 mil com contratações de empresas terceirizadas e R$ 125 mil com serviços advocatícios. 

A lista dos mais endinheirados também é composta por políticos de reconhecimento em todo o estado e outros dois nomes do interior, destaque para Isa Marcondes (Republicanos), vereadora douradense conhecida como "Cavala". Novata na corrida por uma vaga no Congresso, ela conta com R$ 1,8 milhão para a campanha atual. 

Além dela, Dra Clediane (PP), ex-prefeita de Jardim, apadrinhada politicamente por Tereza Cristina aparece em 7° na lista. Cabe destacar que todos os candidatos podem gastar  R$ 3.176.572,53 até o próximo dia 4 de outubro, data do primeiro turno. 

Confira o top-10

  • Rose Modesto R$ 3.008.000,00
  • Geraldo Resende R$ 2.899.800,00
  • Camila Jara R$ 2.825.000,00
  • Dagoberto Nogueira R$ 2.730.000,00
  • Dr. Luiz Ovando R$ 2.611.500,00
  • Jaime Verruck R$ 1.923.741,88
  • Dra. Clediane R$ 1.850.000,00
  • Beto Pereira R$ 1.845.500,00
  • Isa Marcondes R$ 1.806.000,00
  • Mara Caseiro R$ 1.520.626,67

Para além dos abonados, 26 candidatos fazem campanha sem qualquer valor recebido, ao menos até esta quarta-feira (16).

Outros 71 candidatos disputam o pleito deste ano com até R$ 100 mil. Cabe destacar que quanto mais a caixinha cresce, o número de endinheirados reduz drasticamente, exceto na ponta da lista, onde se situam candidatos que já possuem vida/cargo público.  

Entre todos os 143 candidatos, apenas 16 conduzem suas respectivas campanhas com verba entre R$ 100 mil - R$ 200 mil. 

Valor arrecadado/ Candidaturas 

  • R$ 0 / 26 candidatos
  • R$ 500 - R$ 50 mil / 37 candidatos 
  • R$ 80 mil - R$ 100 mil / 8 candidaturas
  • Acima de R$ 1 milhão / 18 candidatos 

Lista dos demais milionários 

  • Marcos Pollon R$ 1.507.283,90
  • Rodolfo Nogueira R$ 1.505.626,27
  • Roberto Hashioka R$ 1.430.000,00
  • Keliana Fernandes R$ 1.100.000,00
  • Luana Ruiz R$ 1.088.928,66
  • Marquinhos Trad R$ 1.025.000,00
  • Giroto R$ 1.002.626,67
  • Tenente Portela R$ 1.000.626,67

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).