A projeção que o tema passaporte da vacina e que o resultado obtido pelo governo de Mato Grosso do Sul e, indiretamente, pelo secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, têm alcançado não somente no Estado, mas em nível nacional, têm incomodado muitos dos políticos locais, sobretudo os que se posicionam na centro-direita.
Ontem, apesar de a fala de Geraldo Resende durante audiência pública sobre o passaporte sanitário, realizada na Câmara Municipal de Campo Grande na segunda-feira, ter se tornado o maior viral nas redes sociais do Brasil entre a noite de segunda e a manhã de terça.
Na Assembleia Legislativa, a atitude do secretário foi condenada pela maioria dos deputados e, mesmo na governadoria, não foi endossada por seus colegas de primeiro escalão.
Nos corredores, políticos e autoridades que apoiaram durante toda a pandemia, trabalhado conduzido por Geraldo Resende durante a pandemia de Covid-19, consideram que ele passou do ponto ao chamar os seguidores do presidente Jair Bolsonaro que se posicionam contra o passaporte sanitário de “nazistas e fascistas”, durante a audiência pública.
Em discurso que inflamou a claque bolsonarista durante a audiência pública, Resende, que no passado já esteve em partidos de centro-esquerda, como o antigo PPS e o PSB, ainda disse que o lugar dos que condenavam o passaporte da vacina era a “lata de lixo da história”.
“Muitos daqueles que gritam liberdade, liberdade, liberdade são os mesmos que vão às ruas pedir intervenção militar”, argumentou Resende na tarde de segunda-feira.
Em poucas horas, Geraldo teve o vídeo compartilhado por grandes influenciadores das redes sociais, como os atores e humoristas do programa Porta dos Fundos, Gregório Duvivier e Antônio Tabet, além do jornalista George Marques.
Ontem, somente em um destes perfis do Twitter, as falas de Resende haviam tido mais de 734 mil visualizações, a maioria delas elogiosas ao secretário.
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MUDANÇA
No dia seguinte ao discurso de Geraldo Resende, porém, a recepção de sua fala não foi a mesma na cúpula do governo de Mato Grosso do Sul. “Qualquer política que tenha alguma decisão do governo das questões sanitárias passa pelo Prosseguir.
O que existe é uma manifestação pessoal do secretário Geraldo favorável, mas não tem projeto de Lei, não tem decisão do governo, até porque a nossa decisão é fazer a busca ativa em quem não tomou a vacina ainda.
Então nós vamos avançar nesse processo de busca ativa para quem não tomou nenhuma dose”, disse Azambuja, ao ser perguntado sobre se o governo de Mato Grosso do Sul vai aderir, de fato, ao passaporte da vacina.
Na segunda-feira, durante evento denominado Retomada Segura, na Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), foi anunciado que um projeto de lei estabelecendo a restrição de pessoas vacinadas ao menos com a primeira dose em eventos ou locais com mais de 100 pessoas seria enviada à Assembleia Legislativa.
O discurso de Azambuja, 24 horas após o anúncio em evento, porém, mostra a mudança de planos da cúpula do Programa Prosseguir, que, pelo menos por ora, rejeitou a medida amplamente defendida e anunciada por Geraldo Resende.
ASSEMBLEIA
Enquanto isso, na Assembleia Legislativa, apenas um projeto trata do tema passaporte da vacina, e ele é contra. Trata-se de iniciativa do bolsonarista Capitão Contar (PSL).
Nos bastidores, o Correio do Estado apurou que a campanha contra o passaporte da vacina nas redes de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em todo o Brasil fez com que os planos de instituí-lo no Estado, o que mais vacina no Brasil, fossem pausados.
Apesar da polêmica, ainda há 112 mil adultos que não tomaram a primeira dose da vacina no Estado, número que equivale à população de Corumbá, a terceira cidade mais populosa.
Na sessão de ontem, apenas os petistas Amarildo Cruz e Pedro Kemp defenderam Geraldo Resende. “Eles [a claque bolsonarista] não deixavam ele falar. O debate estava interditado”, disse Kemp.
Bolsonarista, Coronel David (sem partido) criticou Resende. “Uma fala desrespeitosa e odiosa”, reclamou. Zé Teixeira (DEM) exaltou o “bom trabalho” de Geraldo na gestão da pandemia, com Mato Grosso do Sul tendo os melhores índices de vacinação do Brasil, mas também condenou a fala dele que atacou os bolsonaristas que estavam na Câmara.
“O problema é que ele equiparou os que foram às ruas como fascistas. As pessoas são livres para escolher”, disse Teixeira.
Barbosinha, porém, defendeu Resende e faltou pouco para defender o passaporte da vacina.
“A pessoa tem a liberdade individual de não se vacinar, mas faça igual ao presidente [Jair Bolsonaro – sem partido – em Nova York], coma do lado de fora, pois para adentrar ao recinto com outras pessoas é preciso se vacinar, sim. Em uma piscina se exige o exame médico para usar”, comparou.

