Política

Tempos Modernos

Redes sociais ampliam influência em MS e reduzem peso da TV na hora de votar

Mudança de comportamento do eleitorado leva campanhas a priorizar estratégias digitais, em vez dos meios tradicionais

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As eleições deste ano consolidam uma mudança profunda na forma como os candidatos buscam conquistar o eleitor em Mato Grosso do Sul, embora o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio continue sendo um instrumento importante, especialmente para apresentar propostas ao eleitorado mais velho.

Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado avaliam que as redes sociais assumiram papel central na formação da opinião pública e na definição das estratégias de campanha.

O cenário é impulsionado pela popularização de plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp e Telegram, que permitem aos candidatos estabelecer comunicação direta com o eleitor, sem a intermediação dos meios tradicionais. 

A velocidade na circulação das informações, a possibilidade de segmentar públicos específicos e o baixo custo de produção de conteúdo transformaram o ambiente digital no principal campo de batalha das campanhas eleitorais.

Em Mato Grosso do Sul, essa realidade se reflete na atuação dos pré-candidatos ao governo, ao Senado e às vagas proporcionais, que intensificaram a produção diária de vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos voltados para interação com seguidores. 

Diferentemente da propaganda televisiva, que tem tempo limitado e calendário definido pela Justiça Eleitoral, as redes sociais funcionam de forma permanente, permitindo que os políticos mantenham contato constante com seus eleitores durante todo o ano.

A mudança também acompanha uma transformação no perfil do eleitor, pois os mais jovens, que representam parcela crescente do eleitorado, consomem informações predominantemente pelas plataformas digitais.

Mesmo entre pessoas acima dos 40 anos, aplicativos como WhatsApp e Facebook se tornaram importantes fontes de notícias e de debates políticos, reduzindo a exclusividade que a televisão exerceu durante décadas.

Apesar disso, especialistas alertam que o tempo de TV ainda mantém relevância estratégica. Nas eleições majoritárias, o horário eleitoral gratuito continua oferecendo maior alcance para candidatos menos conhecidos e proporciona um espaço controlado para apresentação de programas de governo. 

Além disso, a televisão ainda tem elevado grau de credibilidade com boa parte do eleitorado, sobretudo nas cidades do interior. Outro diferencial é que o conteúdo televisivo costuma alcançar eleitores que não acompanham política diariamente nas redes. 

Em municípios menores de Mato Grosso do Sul, onde a televisão aberta ainda registra elevada audiência, o horário eleitoral continua sendo considerado um instrumento importante para consolidar a imagem dos candidatos durante a campanha oficial.

Se, por um lado, as redes sociais ampliaram o alcance dos candidatos, por outro, também aumentaram os desafios para a Justiça Eleitoral.

A circulação de notícias falsas, vídeos manipulados, perfis falsos e conteúdos produzidos com inteligência artificial (IA) tornou o ambiente digital mais complexo de fiscalizar. 

Nas eleições deste ano, as regras passaram a exigir que materiais produzidos com IA sejam identificados de forma clara, enquanto o uso de deepfakes permanece proibido.

Outro aspecto que fortalece o ambiente digital é a atuação dos influenciadores, pois, embora possam manifestar apoio político de forma espontânea, a legislação impede que sejam remunerados para promover candidatos ou impulsionar conteúdos eleitorais, prática permitida apenas aos próprios candidatos, partidos e federações, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

ANÁLISE

Para o cientista político Daniel Miranda, professor e pesquisador do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), as redes sociais e o horário eleitoral gratuito não competem entre si, mas exercem funções complementares durante a disputa eleitoral. 

Conforme ele, a principal diferença está no tempo de exposição do eleitor a cada meio de comunicação.

“O horário eleitoral na TV e no rádio alcança as pessoas apenas durante o período oficial da campanha. Já as redes sociais estão presentes no cotidiano do eleitor 24 horas por dia, dependendo do tempo que cada pessoa permanece conectada”, explicou o professor.

Miranda avalia que, justamente por essa exposição contínua, o impacto de cada conteúdo publicado nas plataformas digitais tende a ser menor de forma isolada, mas ganha força pelo efeito acumulativo ao longo do tempo. 

Em contrapartida, de acordo com o professor, o horário eleitoral gratuito, apesar de concentrar menos tempo de exposição, costuma gerar maior impacto imediato por ser um conteúdo oficial, produzido especificamente para a campanha e exibido em um momento em que o eleitor está mais atento ao debate.

O certo é que a tendência é de que televisão e redes sociais atuem de forma complementar, mas com pesos diferentes.

Enquanto a TV continua sendo importante para conferir legitimidade e ampliar o conhecimento do eleitor sobre os candidatos, as plataformas digitais passaram a definir o ritmo do debate político, influenciar a pauta diária da campanha e mobilizar apoiadores em tempo real.

No Estado, onde cerca de 2 milhões de eleitores irão às urnas em outubro, a expectativa é de que as campanhas invistam simultaneamente nas duas frentes. 

A televisão deverá concentrar a apresentação institucional dos candidatos, enquanto as redes sociais continuarão sendo utilizadas para responder rapidamente aos adversários, divulgar agendas, engajar apoiadores e disputar a atenção de um eleitor cada vez mais conectado.

Na análise do sociólogo Ricardo Luiz Cruz, que também é professor da UFMS, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão não foi substituída pelas redes. 

“Na verdade, esses meios se complementam, pois todos recorrem aos mesmos imaginários coletivos sobre partidos, candidaturas e temas que dominam o debate eleitoral. Vivemos hoje sob o domínio da imagem, e a comunicação política é um reflexo dessa realidade, adaptando-se às diferentes plataformas para dialogar com o eleitor”, pontuou.

PESQUISAS

Na avaliação do diretor do Instituto de Pesquisas Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, o crescimento da presença de pré-candidatos nas redes sociais tem ampliado a visibilidade de nomes que disputarão as eleições deste ano em Mato Grosso do Sul, mas esse desempenho digital ainda não representa vantagem nas urnas. 

Conforme ele, embora diversos pré-candidatos apresentem elevado engajamento nas plataformas digitais, esse alcance não tem se convertido automaticamente em intenção de voto. Para o pesquisador, existe uma diferença importante entre popularidade nas redes e apoio do eleitorado.

“A exposição nas redes sociais aumenta o nível de conhecimento do candidato, mas isso não significa, por si só, que ele receberá votos. Muitas vezes, esse alcance fica restrito a um nicho específico ou a uma bolha de determinado grupo social”, afirmou.

Para Barbosa, as redes sociais exercem papel relevante ao fortalecer candidaturas e manter a comunicação direta com os eleitores, mas dificilmente são suficientes, isoladamente, para eleger um candidato no cenário sul-mato-grossense.

“As redes sociais dão sustentação ao voto. Somente com as redes sociais, em Mato Grosso do Sul, é difícil emplacar um candidato. Basta observar historicamente os candidatos que conseguiram se eleger”, disse.

O diretor do IPR observa que vários pré-candidatos têm investido intensamente em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e outras redes digitais, mas ressalta que a eficácia dessa estratégia somente poderá ser medida no resultado das urnas. “Tem alguns candidatos usando bastante as redes sociais, mas é preciso ver se essa estratégia vai dar certo. O voto precisa chegar à urna”, destacou.

Barbosa também chama atenção para a necessidade de analisar indicadores além do número de seguidores ou curtidas.

Conforme ele, métricas como alcance das publicações, compartilhamentos, volume de visualizações e, principalmente, o sentimento das interações são determinantes para avaliar o impacto da comunicação digital.

“Às vezes há muitos compartilhamentos, mas o sentimento é negativo, e isso acaba sendo prejudicial para a campanha. Todos esses fatores precisam ser considerados”, ponderou.

Para o pesquisador, a presença digital deixou de ser opcional nas campanhas eleitorais modernas. No entanto, ele ressalta que o sucesso eleitoral depende da combinação entre atuação nas redes, trabalho de campo, articulação política e capacidade de transformar visibilidade em votos.

“Na minha opinião, as redes sociais dão uma grande sustentação para o candidato, e ele não pode ficar de fora delas. Agora, acreditar que apenas as redes sociais vão levá-lo ao sucesso é uma visão simplista, porque a realidade é bem mais complexa”, concluiu.

Frente a frente

Riedel diz que, se reeleito, vai manter incentivos fiscais em MS

Volume de incentivos no Estado é de aproximadamente R$ 12 bilhões; benefício gera empregos, diz governador

16/09/2026 05h00

Eduardo Riedel abre a série de entrevistas

Eduardo Riedel abre a série de entrevistas Marcelo Victor

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Em sabatina promovida pelo *Frente a Frente* — pool de seis veículos de comunicação do estado do qual o Correio do Estado faz parte —, o governador de Mato Grosso do Sul e candidato à reeleição pelo Partido Progressista (PP), Eduardo Riedel, afirmou que manterá a política de incentivos fiscais caso siga no comando do Executivo. Atualmente, Mato Grosso do Sul mantém quase R$ 12 bilhões em incentivos fiscais, renúncia que é quase metade do orçamento anual para 2026, de R$ 27,1 bilhões. 

A declaração ocorreu em resposta ao jornalista Daniel Pedra, do Correio do Estado, durante o bloco dedicado à arrecadação e às finanças públicas no encontro com os candidatos ao governo sul-mato-grossense.

“Se eu continuar no governo, eu vou continuar a linha dos incentivos para atrair cada vez mais investimento, capital, novos negócios pro estado, porque ele é o motor da economia, o gerador de resultado positivo pro nosso crescimento”, declarou Riedel.

Atração de capital, geração de empregos e renda

Ao fundamentar a manutenção dos incentivos, o candidato apontou que a medida atua em duas frentes estratégicas. A primeira delas é a atração de investimentos privados para o estado, com reflexo direto na expansão do mercado de trabalho.

“Nesses 3 anos e meio, foram mais de 140.000 empregos. Esse é o primeiro lado do incentivo, o de atrair o capital para cá, pro Mato Grosso do Sul. A consequência direta disso é a geração de emprego, é o aumento de renda média”, afirmou o governador. 

Ele acrescentou que, fruto desse movimento, “o Mato Grosso do Sul conquistou a sexta maior renda média do país e está no seu nível de desemprego mais baixo da história”.

Impacto direto no bolso do consumidor

Durante a sabatina, Eduardo Riedel afirmou que a manutenção de incentivos fiscais está diretamente ligada à redução nos preços da e bens e serviços considerados essenciais para a população. 

“Agora tem um outro lado dos incentivos que muita gente não fala ou não quer falar que são diretamente a diminuição de preço de bens e serviços”, ressaltou. Como exemplos práticos, citou a desoneração de itens do dia a dia: “O gás, gás de cozinha e gás natural são incentivado, carne é incentivado, etanol combustível é incentivado [...] Bar e restaurante é incentivado, né? Diminui a conta pro cliente final [...] todos os itens da cesta básica são incentivados”.

Sobre o etanol — que possui alíquota de ICMS de 11%, ante uma tarifa de 17% para outros combustíveis —, o candidato frisou o caráter de escolha de gestão: “Pode ter uma outra linha de governo que queira tirar esses incentivos e o preço desses produtos irá subir naturalmente ao consumidor. É uma decisão de política pública”.

Arrecadação e novos empreendimentos

Questionado sobre a estimativa de quase R$ 12 bilhões anuais destinados a benefícios fiscais e se considerava correto mantê-los em um eventual segundo mandato, Riedel sustentou: “Eu acho correto”.

O candidato rebatia a tese de que a concessão de estímulos a novas empresas represente renúncia de receitas já existentes nos cofres públicos. “Incentivar algo que não teria não é abrir mão de receita, porque a receita não existe, correto? Você não tem a receita, não tem o investimento e ele não vem se não tiver um incentivo”, explicou.

Para Riedel, a chegada do investimento ativa a economia e gera arrecadação em outras frentes: “Ao dar o incentivo, eu continuo sem parte da receita, o incentivo não é total, ao mesmo tempo que eu gero uma série de outras receitas na ativação da economia, emprego, outras empresas que vêm participar daquele processo, fruto daquele investimento”.

Postura

Zanin: não dá para investigar Moraes sem julgar atos de Mendonça

Ministro defende sessão única para análise de denúncias

15/09/2026 23h00

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal Lula Marques/ Agência Brasil

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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que não é possível autorizar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem antes analisar a legalidade das medidas tomadas pelo relator do caso do Banco Master, o também ministro André Mendonça.

A manifestação ocorreu no contexto de uma questão de ordem levantada no início do julgamento, ainda durante a manhã, pelo ministro Gilmar Mendes, que pediu para incluir a análise pelo plenário das supostas irregularidades que teriam sido cometidas por Mendonça. Durante sua manifestação, ao dirigir-se a Edson Fachin, presidente da Corte, Zanin explicou que as duas questões estão totalmente correlacionadas.

"Vossa excelência, ao assumir a relatoria dessa petição, expressamente indica a possibilidade de haver aqui o reconhecimento da suspeição do eminente ministro André Mendonça. Ora, se existe essa possibilidade, hipoteticamente, e ela foi colocada por vossa excelência, me parece que julgar ou analisar o início, uma autorização de investigação, sem saber se a suspeição será reconhecida, seria uma inversão lógica dos atos processuais", afirmou Zanin.

O ministro ressaltou que o reconhecimento da suspeição poderá ter consequências jurídicas. "Esse é um dado, para mim, determinante também para acolher a questão de ordem", disse o ministro.

No início da sessão, Edson Fachin reafirmou sua posição favorável ao julgamento de Moraes e Mendonça em dias distintos. O STF mantém em andamento a sessão para decidir sobre os caminhos da investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O plenário analisa se o caso terá a inclusão das supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo antigo relator do caso, ministro Mendonça.  

Até o momento, a questão de ordem levantada por Gilmar Mendes conta com os votos favoráveis dos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. No voto proferido durante o julgamento, Dino afirmou que não há clareza quanto ao rito definido pelo presidente da Corte, para julgar hoje somente o caso envolvendo Moraes. 

O julgamento prossegue com os votos dos demais ministros.

Entenda

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. O ato desencadeou uma crise institucional sem precedentes no STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar isso ao presidente da Corte ou ao plenário. 

A PGR sugere que isso pode representa direcionamento por parte de Mendonça, entre outros argumentos. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. 

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Nelas, o ex-banqueiro aparenta ter uma relação de proximidade com o ministro. 

Em um trecho do que aparenta ser uma conversa, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. 

Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente. 

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), o ministro negou ter cometido qualquer tipo de irregularidade e classificou o relatório que contém supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a ele como inconstitucional e ilegal.

Reação

Em reação ao relatório da PF, Moraes divulgou, em 2 de setembro, o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos. 

O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”. 

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro. 

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