Política

Saúde

Michelle, Cleitinho e outros bolsonaristas contrariam a Anvisa e incentivam uso de Ypê

Foram identificados falhas graves no processo de produção de diversos produtos, com potencial risco de contaminação por microrganismos nocivos.

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL) e outros políticos bolsonaritas incentivam nas redes sociais o uso de detergentes Ypê, apesar de alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para evitar itens da marca.

Na última quinta-feira, 7, o órgão determinou o recolhimento de diversos produtos nos quais foram identificados falhas graves no processo de produção, com potencial risco de contaminação por microrganismos nocivos.

Os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) sugerem que a Anvisa estaria tentando "boicotar" a marca que, em 2022, fez doações para a campanha do ex-presidente. Em 2024, a Ypê chegou a ser condenada pela Justiça do Trabalho por fazer live a favor do político durante as eleições.

No último sábado, 9, Michelle divulgou a marca. Em seu Instagram, ela publicou uma foto de um detergente Ypê. "Que dia lindo", escreveu.

O senador Cleitinho também saiu em defesa da empresa. Ele publicou, no domingo, 10, um vídeo em suas redes sociais lavando louça com um detergente Ypê e afirmando ser uma "coincidência" a suspensão de produtos da marca que doou para a campanha de Bolsonaro.

No vídeo, o senador também sugere que o alerta da Anvisa seria uma ação do governo. "Agora eu quero chamar a atenção do governo", diz Cleitinho. "Vocês estão tão preocupados com a saúde do povo brasileiro. Eu quero ver também mandar suspender e acabar, de uma vez por todas, com o (jogo do) tigrinho. Quero ver vocês 'serem leão' como estão sendo agora com a Ypê e mandarem acabar, de uma vez por todas, com o tigrinho, que está acabando com a família brasileira", afirmou.

O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, aderiu à campanha e apareceu nas redes sociais lavando louça com um detergente da Ypê, sugerindo que seus apoiadores também usem o produto. "Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira", disse.

"Vamos aos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram. Marca a Ypê. Vamos mudar essa história, vamos mostrar nossa força", acrescentou.

Após a repercussão, usuários ganharam engajamento nas redes sociais publicando vídeos utilizando os detergentes da marca para lavar louça, tomar banho e até beber o produto.

Em outro vídeo publicado nesta segunda-feira, 11, o vice-prefeito aparece sentado em frente a um quadro de Bolsonaro, parabenizando as pessoas que se mobilizaram para defender a Ypê, que, segundo ele, seria alvo de "injustiça".

O empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan e apoiador da família Bolsonaro, também entrou na ofensiva. O bilionário publicou um vídeo nas redes sociais, na tarde desta segunda-feira, 11, defendendo a empresa e associando o caso a uma suposta "perseguição".

Na publicação, Hang aparece lavando louça com um detergente Ypê e cantando um jingle da marca. Na legenda, o empresário afirma que "as eleições estão chegando e a perseguição aumentou".

Mesmo com a campanha em defesa da marca, a própria Ypê decidiu interromper a produção na fábrica fiscalizada pela Anvisa. A empresa obteve uma liminar para suspender os efeitos da decisão que determinou a suspensão dos produtos, mas preferiu aproveitar o período para acelerar o cumprimento das medidas exigidas pelas autoridades sanitárias. Em nota, a empresa afirmou:

"A companhia esclarece que está colaborando integralmente com a Anvisa e conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência. A Ypê vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que seguem sendo apresentados às autoridades competentes, reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos, e se compromete a incorporar imediatamente eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a Anvisa desde dezembro de 2025", informou a empresa em nota.

A medida de suspensão engloba os produtos abaixo que, em seu rótulo, apresentem lote com numeração final 1:

  • Lava-louças Ypê Clear Care
  • Lava-louças com Enzimas Ativas Ypê
  • Lava-louças Ypê
  • Lava-louças Ypê Toque Suave
  • Lava-louças Concentrado Ypê Green
  • Lava-louças Ypê Clear
  • Lava-louças Ypê Green
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Green
  • Lava-roupas Líquido Ypê Express
  • Lava-roupas Líquido Ypê Power Act
  • Lava-roupas Líquido Ypê Premium
  • Lava-roupas Tixan Maciez
  • Lava-roupas Tixan Primavera
  • Lava-roupas Tixan Power Act
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de Uso Geral Atol
  • Desinfetante Perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê

Além disso, a determinação inclui o lote 25351.732782/2017-47 do Lava-louças Ypê Clear Care.

Diplomacia

Relações Rússia-Brasil se desenvolvem com sucesso, diz Putin em mensagem a Lula sobre 7/9

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais

07/09/2026 22h00

O presidente russo, Vladimir Putin

O presidente russo, Vladimir Putin Foto: Reprodução / Perfil Brasil

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em mensagem enviada nesta segunda-feira ao presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que as relações entre Rússia e Brasil "estão se desenvolvendo com sucesso no espírito da parceria estratégica". O texto, de felicitações pelo Dia da Independência no Brasil, foi publicado no perfil da embaixada da Rússia no País.

"Os nossos países cooperam ativamente nas mais diversas áreas, coordenam esforços no âmbito da ONU, do #BRICS, do G20 e de outras estruturas multilaterais", pontua o presidente russo.

Na mensagem, Putin chama Lula de "caro amigo" e observa que "nós, sem dúvida, continuaremos o trabalho junto construtivo para fortalecer ainda mais todo o conjunto de vínculos russo-brasileiros mutuamente benéficos. Isso atende plenamente aos interesses dos nossos povos amigos, está em consonância com a construção de uma nova ordem mundial - mais justa e multipolar".

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais, incluindo Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, e o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem teve atritos recentemente devido à imposição de tarifas pelos EUA a produtos importados do Brasil "Eu não tenho adversários", ressaltou Lula em entrevista à Rádio Progresso.

Justiça

Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

Prazo de 5 dias para manifestação vence na sexta-feira

07/09/2026 13h30

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.

A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas.

Antes de decidir, porém, ele deve aguardar até a próxima sexta-feira (11), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.

Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.

A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

No processo consta, por exemplo, um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado, sob o argumento de que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações contra um de seus ministros.

O próprio Gonet, entretanto, é citado no mesmo relatório da PF por possíveis ligações com Vorcaro.

Outro pedido feito a Fachin, desta vez por Alexandre de Moraes, é para que o próprio Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Para embasar seu pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações do caso Master, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de se tratar de conjecturas “sem valor probatório”.

O Regimento Interno do Supremo prevê que somente o plenário tem a competência para processar e julgar membros da própria Corte, mas não traz detalhes sobre os procedimentos a serem adotados. 

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