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Órfãos do feminicídio: Deputada Federal de MS apresenta projeto em Brasília que já é lei na Capital

Projeto visa amparar crianças que perderam, ao mesmo tempo, a mãe - vítima de feminicídio - e o pai, que foi preso pelo crime

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Deputada Federal de Mato Grosso do Sul (PT-MS), Camila Jara, apresentou, na quarta-feira (1º), o projeto de lei “Política Nacional de Proteção e Atenção aos Órfãos do Feminicídio” (PL 779/23), na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Este projeto já é lei municipal em Campo Grande. O plano foi proposto e aprovado por unanimidade em abril de 2022, na Câmara Municipal da Capital, pela mesma parlamentar, que até então era vereadora.

Agora, a deputada quer expandir o programa para todo o País. O projeto visa amparar crianças que perderam, ao mesmo tempo, a mãe - vítima de feminicídio - e o pai - preso por matar a mãe -.

O objetivo é garantir, assegurar e proteger os direitos das crianças e adolescentes descritos na Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O programa prevê:

  • Benefícios socioassistenciais alimentares, auxílio em razão ao desabrigo temporário e orientação em relação ao acesso a benefícios do INSS para as vítimas e seus responsáveis legais, com o objetivo assegurar a dignidade.
  • Acompanhamento terapêutico em Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para ajudar no enfrentamento do trauma da perda, da violência e do abandono e promover a saúde mental.
  • Capacitação e acompanhamento de pessoas que ofertarão lar provisório aos órfãos do feminicídio, que foram afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva.
  • Realização de estudos de casos pela rede local para vítimas de violência doméstica e familiar contra a mulher ou de feminicídio.

Deputada Federal, Camila Jara (PT-MS), afirmou que o femincídio é uma realidade que atinge não apenas Mato Grosso do Sul - seu estado de origem -, mas também todo o Brasil.

“Temos a consciência de que esse não é um problema isolado daquela localidade, é um problema que atinge todo o país e todas as crianças que vêm dessas famílias envolvidas neste triste crime precisam ter seus direitos garantidos. Precisamos de uma política pública que ampare e garanta oportunidade para elas, de forma que esse crime não seja determinante para seu futuro", defendeu.

“Essas mães foram assassinadas por pessoas muito próximas, pelo pai das crianças ou o padrasto. Isso desestrutura toda uma família e causa um dano e uma marca imensa na vida daquela criança ou daquele adolescente. Então como nós já falhamos com as mães dessas crianças, é nosso dever entender que a responsabilidade do estado auxiliar e estruturar pra que essas crianças consigam avançar”, complementou.

Estatística

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que cinco mulheres foram vítimas de feminicídio, entre 1º de janeiro e 6 de março de 2023, em Mato Grosso do Sul.

A última mulher assassinada foi a servidora pública municipal, Albynna Freitas, de 49 anos. Ela foi esfaqueada pelo ex-marido, Jair Paulino da Silva, de 52 anos, enquanto caminhava em direção ao trabalho.

O crime aconteceu no bairro Nova Lima, em 28 de fevereiro deste ano. Segundo testemunhas, fazia pouco tempo que o casal havia terminado, e Jair já estaria perseguindo a vítima há alguns dias, para tentar reatar o relacionamento.

Albynna Freitas foi socorrida em estado grave e encaminhada à Santa Casa de Campo Grande. Segundo o hospital, a vítima veio a óbito por volta das 13h30, após uma parada cardiorrespiratória.

A primeira vítima de feminicídio de 2023 foi Claudineia Brito da Silva, de 49 anos. Ela foi morta a facadas pelo marido, de 41 anos.

O suspeito alegou que discutiu com a vítima e ela deu um tapa em seu rosto. Ele revidou e desferiu golpes de faca no pescoço dela. O crime ocorreu em 13 de janeiro, no bairro São Francisco.

articulação

Câmara sela acordo para abertura imediata da CPI do Tapa-Buraco

Pedido teve a adesão de 29 vereadores e passará por análise jurídica antes da definição dos integrantes da comissão

17/10/2026 08h00

Ao centro, o presidente da Casa, Papy, faz o anúncio da criação da CPI, que recebeu o apoio de todos os 29 vereadores campo-grandenses

Ao centro, o presidente da Casa, Papy, faz o anúncio da criação da CPI, que recebeu o apoio de todos os 29 vereadores campo-grandenses Foto: Izaias Medeiros/CMCG

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A Câmara Municipal de Campo Grande decidiu, no fim da tarde desta sexta-feira, criar de imediato a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-Buraco para investigar falhas nos serviços de manutenção das ruas e avenidas da Capital. 

Ao centro, o presidente da Casa, Papy, faz o anúncio da criação da CPI, que recebeu o apoio de todos os 29 vereadores campo-grandensesFoto: Montagem

O anúncio foi feito pelo presidente da Casa de Leis, Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy, após uma reunião com 24 dos 29 vereadores presentes. Os cinco parlamentares que estavam ausentes informaram remotamente o apoio irrestrito à decisão, totalizando 29 assinaturas.

A proposta foi apresentada em agosto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e vinha sendo discutida pelos integrantes do Legislativo. Conforme Papy, a decisão de apoiar a investigação foi tomada coletivamente, depois de um debate sobre a crise na conservação das vias públicas e a falta de soluções para o problema.

“Coletivamente, a gente tomou uma decisão. Praticamente todos que estão presentes assinaram a CPI”, declarou o presidente, acrescentando que os vereadores ausentes também estavam se manifestando favoravelmente à iniciativa.

O requerimento será encaminhado à Procuradoria da Câmara, que avaliará os aspectos regimentais, legais e constitucionais do documento. Depois dessa análise, estão previstas a formalização e a publicação dos atos necessários, seguidas da definição da presidência, da relatoria e dos demais integrantes da comissão, respeitando a proporcionalidade dos partidos.

Papy afirmou que o pedido reúne 10 fatos que deverão ser investigados. O detalhamento, segundo ele, será divulgado após a conclusão da coleta de assinaturas. Já o requerimento original, datado do dia 13 de agosto, propõe um prazo inicial de 120 dias para os trabalhos.

Ao justificar a iniciativa, o presidente da Câmara criticou a condução do serviço pela prefeitura e apontou descaso e negligência na manutenção das vias. Para ele, embora a execução dos reparos seja responsabilidade do Executivo, os vereadores também precisam responder à população pelas condições da cidade.

“O parlamento não é culpado disso, mas ele é responsável também pelo resultado da cidade”, afirmou, reconhecendo que as chuvas dificultaram os serviços e atingiram outros municípios, mas disse que a população cobra alternativas para enfrentar a deterioração do asfalto. 

Na avaliação dele, a gestão deixou de utilizar mecanismos de planejamento, como a priorização de avenidas e pontos críticos, além de enfrentar problemas relacionados a recursos e equipes.

A CPI, conforme Papy, também deverá pressionar o Executivo a organizar uma atuação mais eficiente, com procedimentos capazes de melhorar a qualidade e a durabilidade dos reparos.

Entre os pontos apresentados no requerimento original está a redução da previsão orçamentária para o projeto de modernização e requalificação das vias urbanas. Segundo o documento, a dotação passou de mais de R$ 132 milhões, em 2025, para pouco mais de R$ 40 milhões, neste ano, uma queda de quase 70%.

O texto também questiona a ausência de resposta ao Requerimento nº 34/2026, aprovado pela Câmara para solicitar informações sobre a execução do tapa-buraco. Conforme a justificativa apresentada, o prazo terminou sem que o Executivo encaminhasse os esclarecimentos.

Outro dado utilizado para fundamentar a investigação é o volume de demandas recebidas pelos vereadores. Das 24.673 indicações encaminhadas à prefeitura no primeiro semestre deste ano, quase 9 mil tratavam de serviços de tapa-buraco, segundo o requerimento.

A proposta ainda cobra explicações sobre a permanência dos problemas nas ruas mesmo com a disponibilidade da usina de asfalto do Consórcio Central-MS, presidido pela prefeita Adriane Lopes. O documento informa que a estrutura tem capacidade de produzir 120 toneladas por hora de concreto betuminoso usinado a quente.

Também são citadas investigações sobre suspeitas de fraudes em contratos, incluindo manipulação de medições e pagamentos por serviços executados parcialmente ou não realizados.

Esses episódios aparecem no requerimento como justificativas para aprofundar a fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos.

Além da apuração, Papy anunciou que está encaminhando um projeto de lei para modificar a forma de contratação dos serviços. Segundo ele, a proposta terá como referência orientações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e buscará ampliar o foco dos contratos para a recuperação asfáltica.

O presidente ressaltou que a abertura da investigação deverá ser acompanhada de medidas para melhorar a manutenção das vias e recuperar a confiança dos moradores no poder público. “A população pode confiar na

Câmara que nós estamos trabalhando em favor da população, que não aguenta mais cair nos buracos, estragar o carro, ter acidentes”, declarou.

Para Luiza Ribeiro, os números demonstram a necessidade de aprofundar a fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos e a execução dos contratos de manutenção das ruas da Capital.

“A CPI do Tapa-Buraco é um instrumento legislativo necessário para esclarecer questões que ainda não estão transparentes na administração pública e permitir que a Câmara e a população compreendam o que está acontecendo com a execução desse serviço em Campo Grande”, afirmou.
 

Declaração

Camilo Santana defende redução da maioridade: Se pode votar, pode assumir responsabilidades

Segundo Camilo, o governo não quis votar a redução da maioridade penal proposta pela oposição

16/10/2026 22h00

Camilo Santana, ex-ministro da Educação

Camilo Santana, ex-ministro da Educação Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

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O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, senador Camilo Santana (PT-CE), defendeu a redução da maioridade penal em conversa com jornalistas nesta sexta-feira, 16. Nunca antes defendida pelo PT, agora o governo é favorável à criminalização de crimes hediondos cometidos por quem possui 16 e 17 anos.

"Nós defendemos que pode diminuir para 16 anos apenas para crimes que são crimes extremamente graves, como quem tira a vida de um cidadão e de uma cidadã brasileira. Se uma pessoa que tem 16 anos tem o direito de votar e escolher os seus representantes, ela também precisa assumir determinadas responsabilidades", declarou Camilo no quartel-general da campanha de Lula, em Brasília.

Segundo Camilo, o governo não quis votar a redução da maioridade penal proposta pela oposição ao governo porque eles buscavam atrapalhar a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto do PL era bem mais radical, propondo redução para 16 anos em todos os crimes e para 14 em caso de crimes hediondos.

A cartada do PL ocorreu um dia depois do governo Lula conseguir uma importante vitória com a aprovação da PEC que acabou com a escala de trabalho 6x1. O objetivo era desidratar o capital político do PT em um tema sensível para a esquerda.

Para se defender, o governo Lula decidiu abraçar a bandeira da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, que nunca foi pauta do PT. O próprio Camilo, que é senador, apresentou uma outra emenda proposto a atual ideia do Executivo

Em sabatina para a TV Globo na noite desta quinta-feira, 15, Lula disse defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.

"Meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, é que no caso de todo e qualquer crime hediondo, sou favorável a diminuir a penalidade. Para crimes hediondos", disse o presidente na sabatina para o Jornal Nacional.

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