Política

Eleições 2024

PRD abre mão de candidatura própria e irá apoiar Adriane Lopes

André Luís, que era o pré-candidato do partido, se manifestou contra a coligação, mas foi voto vencido e poderá ter o nome indicado a vice de Adriane

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O Partido da Renovação Democrática (PRD) desistiu de lançar o vereador Professor André Luís como candidato a prefeito de Campo Grande. Em convenção realizada na tarde deste domingo (4), a comissão executiva da sigla decidiu, por maioria de votos, apoiar o PP, partido que tem a atual prefeita Adriane Lopes como candidata a reeleição.

"Ao longo desses meses, nós fizemos algumas avaliações e algumas conversas sobre possíveis coligações e ontem nós fizemos uma conversa com o Partido Progressista, no qual uma deliberação, inclusive da nacional do partido, optou por nós formamos uma coligação junto ao PP em Campo Grande e outras cidades do Estado", disse o presidente do diretório municipal do PRD, Adauto Alves Souto.

O professor André Luís foi oficializado como pré-candidato do PRD em março deste ano e, neste domingo, antes da votação para definir se haveria de fato a coligação, pediu para se manifestar, criticou o PP e se posicionou contra o apoio.

"Eu sou candidato e não abro mão do meu direito de ser candidato. Hoje nós temos três consórcios de partidos querendo dominar Campo Grande, não existe mais ideal na política. Campo Grande está sofrendo muito, está com as contas negativas, a atual gestão administra por ordem do Ministério Público Estadual e é justamente com essa gestão que está vindo a proposta de fazer coligação", disse

"Eu como vereador e cidadão tenho quatro ações contra essa coligação, que trabalha muito mal por Campo Grande, e a proposta é de nos juntarmos justamente a esse grupo. Eu fico muito chateado com a proposta de nos juntarmos a esse grupo. Eu pensei que nosso partido fosse o PRD, o Partido da Renovação Democrática, mas pelo visto nós somos o Partido da Retórica Demagógica. A gente fala na luta do Davi e Golias, mas a gente tá querendo se coligar com o Golias, assim a gente não reformar nada, vai fazer o mesmo que sempre foi", acrescentou.

Por fim, ele disse ser contra a reeleição, motivo pelo qual não irá se candidatar a vereador, e reforçou que mantinha o nome como pré-candidato a prefeito de Campo Grande.

O ex-senador Delcídio do Amaral, presidente estadual do PRD, disse que a coligação é importante devido a, entre outros fatores, o PRB ser um partido jovem e que o momento é de se considerar a proposta de aliança para avançar. Ele também criticou o PSDB em vários momentos.

"Não estou dizendo que não é importante ganhar uma eleição majoritária, mas a gente tem que medir bem até onde a gente pode ir. Então surgiu essa proposta, a oportunidade de se fazer uma aliança, até porque agora a prefeita do PP representa uma oposição ao Beto Pereira [PSDB]", disse.

Ele também explicou que houve promessa de que o PRD tenha uma secretaria forte na eventual nova administração da prefeita.

"Mais do que nunca, a gente andar com as nossas próprias pernas elegendo vereadores e vereadoras. Isso é muito forte porque a majoritária pode fazer doações oficiais para candidaturas nossas, como o PRD também o fará, dentro da legalidade, e isso nos dá força para eleger nossos quadros. Então é por isso, e por nenhum outro motivo, que essa proposta foi colocada", disse Delcídio.

Em discussão e votação realizada a portas fechadas, a comissão executiva abriu mão de ter um candidato próprio e aprovou a coligação com o PP.

Nesta segunda-feira (5), será decidido se o partido irá levar o nome de André Luís como possibilidade de candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Adriane Lopes. O vereador deixou o local da convenção antes do fim da votação, sem dar declarações.

Ultima Ratio

CNJ marca a retomada de julgamento sobre volta de Alexandre Bastos ao TJMS

Sob a relatoria do conselheiro Carlos Vinícius Alves Ribeiro, o processo será analisado virtualmente entre os dias 11 e 18 deste mês

05/09/2026 08h10

O desembargador Alexandre Bastos está afastado das funções desde o dia 24 de outubro de 2024

O desembargador Alexandre Bastos está afastado das funções desde o dia 24 de outubro de 2024 Foto: Arquivo

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) marcou para o período de 11 a 18 deste mês a retomada do julgamento que poderá definir se o desembargador Alexandre Bastos continuará afastado ou será autorizado a retornar às funções no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). 

O magistrado está fora do cargo desde outubro de 2024, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Ultima Ratio. O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) nº 0000093-79.2026.2.00.0000 foi incluído como primeiro item da pauta da 13ª sessão do plenário virtual deste ano, publicada pelo CNJ na quinta-feira .

Além de estabelecer uma data para a continuidade da análise, a publicação confirma uma mudança importante na condução do procedimento. O conselheiro Carlos Vinícius Alves Ribeiro aparece como novo relator do PAD. Anteriormente, o processo estava sob responsabilidade de João Paulo Schoucair, que deixou o CNJ após o encerramento de seu mandato.

A mudança de relatoria acrescenta uma nova variável ao julgamento. A pauta não antecipa qual será o entendimento de Carlos Vinícius Alves Ribeiro nem esclarece se o novo relator manterá integralmente a posição apresentada anteriormente por Schoucair.

Até que o julgamento seja concluído pelo colegiado, permanece válida a determinação que mantém Alexandre Bastos afastado do TJMS.

INVESTIGAÇÃO

O ponto central do julgamento está na possibilidade de o CNJ adotar duas medidas aparentemente distintas: prorrogar a investigação administrativa por mais 140 dias e, ao mesmo tempo, permitir que Alexandre Bastos volte ao cargo.

Antes de deixar o CNJ, João Paulo Schoucair votou pela continuidade do PAD, mas considerou que o afastamento cautelar do desembargador não seria mais necessário. Com isso, defendeu que Bastos pudesse retomar suas atividades no TJMS enquanto a apuração disciplinar prosseguisse.

O voto não encerra nem arquiva o processo administrativo. Caso essa posição prevaleça, o desembargador continuará sendo investigado pelo CNJ, mas poderá exercer novamente suas funções até a conclusão do procedimento.

A medida cautelar e o mérito do PAD são questões diferentes. O afastamento tem caráter preventivo e pode ser mantido ou revogado antes do encerramento da investigação. 

Já o processo disciplinar deverá apurar se houve infração funcional e, ao fim, poderá resultar em absolvição ou em alguma penalidade prevista nas normas da magistratura.

QUATRO VOTOS

O entendimento de Schoucair foi acompanhado pelos conselheiros Daiane Nogueira de Lira, Marcello Terto e Paulo Régis Machado Botelho. Dessa forma, ficaram registrados quatro votos favoráveis à prorrogação do PAD e ao retorno de Alexandre Bastos ao TJMS.

O julgamento, porém, foi interrompido por um pedido de vista apresentado pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. 

O pedido de vista permite que o conselheiro examine o processo com mais tempo antes de apresentar sua posição.

Como a análise foi suspensa antes da formação de maioria, ainda não existe uma decisão colegiada autorizando a volta do desembargador. 

Os quatro votos representam uma tendência inicial do julgamento, mas não são suficientes, por enquanto, para modificar a situação funcional de Bastos.

A conselheira Jaceguara Dantas declarou impedimento para participar da votação por também integrar o TJMS. Com o impedimento, o universo máximo passa a ser de 14 integrantes aptos a votar.

Em um cenário no qual todos os 14 conselheiros aptos participem do julgamento, seriam necessários oito votos para a formação de maioria. Como já foram apresentados quatro votos pelo retorno, a proposta precisaria de outros quatro votos.

Essa contagem, entretanto, depende do quórum efetivo da sessão e de eventuais alterações processuais. Também será necessário verificar se, com a mudança de relatoria, o voto anteriormente apresentado por Schoucair permanecerá registrado ou se haverá nova manifestação sobre o caso.

AFASTADO

Alexandre Bastos está afastado das funções desde 24 de outubro de 2024, data em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Ultima Ratio. A investigação apura suspeitas de corrupção, venda de decisões judiciais e tráfico de influência no Judiciário de Mato Grosso do Sul.

O afastamento foi determinado como medida cautelar durante o avanço das investigações. Por essa razão, não representa condenação antecipada nem conclusão sobre a responsabilidade do magistrado.

Além das apurações conduzidas na esfera criminal, o CNJ instaurou um procedimento próprio para examinar a conduta funcional do desembargador. O PAD tramita de forma independente e segue regras específicas aplicáveis aos integrantes da magistratura.

A prorrogação por mais 140 dias, proposta no voto do antigo relator, daria prazo adicional para a realização de diligências e para a conclusão da apuração administrativa. A divergência a ser resolvida pelo plenário está na necessidade de manter Bastos afastado durante esse período.

Os quatro primeiros votos consideram possível dar continuidade à investigação sem impedir o desembargador de exercer suas funções. Os demais conselheiros ainda poderão entender que o afastamento deve ser preservado para proteger a apuração ou evitar eventuais interferências.

* Saiba 

O processo será analisado no plenário virtual do CNJ, ambiente eletrônico em que os conselheiros apresentam seus votos durante o período estabelecido para a sessão. A votação será aberta no dia 11 e deverá terminar no dia 18.

Até o encerramento, os integrantes do Conselho poderão acompanhar o voto do relator, apresentar divergência, formular pedido de vista ou pedir destaque para que o procedimento seja levado a uma sessão presencial.

Reforço

Em meio a crise, STF reforça esquema de segurança para o Sete de Setembro

Esquema será o mesmo utilizado em anos anteriores

04/09/2026 23h00

Foto: Divulgação / STF

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Em meio à crise interna protagonizada por André Mendonça e Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai reforçar a segurança em torno da sede, em Brasília, para o Sete de Setembro. O esquema será o mesmo utilizado em anos anteriores e em grandes eventos que possam colocar as instalações da Corte em risco.

O planejamento de segurança está sendo realizado de forma integrada entre o tribunal, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Palácio do Planalto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), as forças de segurança do DF e outros órgãos.

Segundo informações do STF, a atuação conjunta contempla compartilhamento de inteligência, avaliação de riscos e definição coordenada de efetivos, áreas de responsabilidade, revistas, bloqueios, restrições do espaço aéreo e monitoramento de drones. Ainda de acordo com o tribunal, serão adotadas "as medidas de reforço necessárias" nas áreas de atuação do tribunal

O esquema de segurança coordenado com outros órgãos de segurança vem sendo adotado pelo STF nos últimos anos e se intensificou a partir do 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas na tentativa de golpe de Estado. Para este ano, o aparato já tinha sido pensado antes da crise se instalar no tribunal.

No início da semana, Mendonça enviou para o presidente, Edson Fachin, um relatório da Polícia Federal com indícios de uma ligação pouco republicana entre Moraes e Daniel Vorcaro. Em resposta, Moraes pediu para Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça por ter supostamente adotado procedimentos irregulares na condução do caso.

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