Política

PEC 37

Sem acordo, parecer fica para o próximo dia 19

Sem acordo, parecer fica para o próximo dia 19

AGÊNCIA BRASIL

06/06/2013 - 15h15
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Sem entendimento sobre pontos polêmicos, representantes do grupo de trabalho que discute mudanças na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que limita o poder de investigação do Ministério Público, se reuniram hoje (6) com o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves, e se comprometeram a entregar um parecer até o dia 19.

Henrique Alves reafirmou que a PEC será votada “de forma irreversível” no dia 26. “Voltei a fazer um apelo para que eles se entendam; conversem porque é irreversível: dia 26 deste mês a matéria vai à pauta e vai à votação”, disse o peemedebista.

O presidente da Câmara defendeu uma solução consensual que permita a divisão de tarefas na investigação entre as polícias e o Ministério Público. “Estou confiante, e esta Casa tem o dever de procurar harmonizar o texto. O combate à corrupção, à impunidade tem que ter a participação do Ministério Publico e dos delegados de forma harmônica e responsável. Se não chegarem a um entendimento, deixei claro, vou pautar e vamos votar”, acrescentou.

Hoje, a presidente em exercício da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, Norma Cavalcanti, entregou proposta de anteprojeto, com 48 artigos, para regulamentação da investigação criminal.

“A proposta que defendemos realmente é a da regulamentação, com regras de prazos, de judicialização das investigações e a amplitude nas investigações de forma total. Não deve existir a palavra privativa para nenhuma das partes. Nem para o Ministério Público, nem para a polícia”, defendeu Cavalcanti.

O vice-presidente parlamentar da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, Benito Augusto Tiezzi, disse que é preciso, primeiramente, definir os aspectos constitucionais para, posteriormente, tratar da regulamentação.

“Nosso intuito é manter a investigação que proteja não só aquele que foi vítima, mas o investigado. O que falamos é que toda a investigação tem que ter por base o inquérito policial. Se vier, em algum momento, algum tipo de autorização, que se tenha como regra o inquérito policial. A exceção não pode ter regra própria, tem que submeter à regra geral”, argumentou.

O deputado Fábio Trad (PMDB-MS), representante da Câmara no grupo de trabalho, informou que haverá mais três reuniões, nos dias 12, 13 e 18 deste mês, para tentar buscar um acordo. “O importante é considerar que, quando a PEC foi proposta não se admitia sequer a possibilidade de investigação por parte Ministério Público, isso agora é consenso. Falta definir em quais hipóteses”, argumentou Trad.

A PEC 37 foi apresentada em junho de 2011 pelo deputado federal e delegado de polícia Lourival Mendes (PTdoB-MA). O texto altera trecho da Constituição, indicando que a apuração das infrações penais é função privativa das polícias Civil e Federal. Na prática, a medida impedirá o Ministério Público de assumir a investigação de crimes, prática usual desde que teve seus poderes ampliados na Constituição de 1988.

Decisão

Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli

A decisão ocorreu por ele não ter pagado multa de R$ 2.216,30, resultado de condenação por difamação da ex-deputada federal

05/06/2026 13h30

Carla Zambelli saca arma e aponta no meio da rua para pessoa na rua

Carla Zambelli saca arma e aponta no meio da rua para pessoa na rua Reprodução/Folha de São Paulo

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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a prisão, na segunda-feira, 1.º, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. A decisão ocorreu por ele não ter pagado multa de R$ 2.216,30, resultado de condenação por difamação da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Luan Araújo foi perseguido por Zambelli com uma arma em mãos em São Paulo na véspera da eleição de 2022. Por esse caso, a ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Araújo foi condenado em ação movida por Zambelli por dizer, em publicação no portal Diário do Centro do Mundo, que a ex-deputada é "seguida por uma seita de doentes de extrema-direita" e "faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte".

A defesa do jornalista contesta a decisão e apresentou habeas corpus e a anulação da decisão do juiz José Fernando Steinberg, que converteu a pena. Procurada, a defesa de Zambelli não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto.

"Mais do que um processo criminal, este caso representa uma discussão sobre os limites do poder punitivo do Estado", afirmou Renan Bohus, advogado de Araújo. "Nenhum cidadão deve ser preso porque é pobre. Nenhum jornalista deve correr o risco de perder sua liberdade por não possuir condições financeiras de cumprir uma obrigação pecuniária."

Nas redes sociais, Araújo disse que não tem como pagar a multa e move uma vaquinha para arcar com as custas processuais.

"A Justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta", afirmou. "Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, estou tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela."

Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão por perseguir Araújo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Ela fugiu para Itália e foi presa.

No final de maio, a Corte de Cassação italiana anulou o pedido de extradição da ex-parlamentar e soltou Zambelli. Ela também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Eleições 2026

Partidos da base de Riedel somam mais de R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral para 2026

Já as legendas adversárias do governador terão acesso a mais de R$ 907,8 milhões, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

05/06/2026 08h00

O governador Eduardo Riedel (PP) durante ato político em Sonora

O governador Eduardo Riedel (PP) durante ato político em Sonora Bruno Rezende/Secom-MS

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Os partidos que compõem a base política do governador Eduardo Riedel – PP, PL, Republicanos, PSDB e União Brasil – receberão, ao todo, mais de R$ 2 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mais conhecido como Fundão ou Fundo Eleitoral, para as eleições deste ano, conforme valores divulgados nesta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre as legendas do grupo, o PL lidera o repasse nacional, com cerca de R$ 881,7 milhões, enquanto o União Brasil aparece em seguida, com aproximadamente R$ 526,2 milhões.

O PP, partido de Riedel, além de Republicanos e PSDB, também receberão parcelas expressivas dos recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas eleitorais – R$ 417.067.738,40 ao primeiro, R$ 348.587.815,77 ao segundo e R$ 147.895.172,40 ao terceiro.

É preciso lembrar que esse montante de mais de R$ 2 bilhões não será destinado integralmente à campanha de reeleição do governador, pois os recursos não pertencem ao candidato, mas sim aos partidos e federações partidárias. 

O TSE repassa o dinheiro aos diretórios nacionais das legendas, que decidem como distribuir os valores entre candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

No caso de Riedel, o montante destinado ao partido precisará ser dividido entre toda a estratégia eleitoral da legenda e de seus aliados.

Isso inclui candidaturas proporcionais, campanhas ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, além de outros candidatos a governador apoiados pelo partido em diferentes estados.

Outro fator é que o PP integra a federação União Progressista, que reúne recursos e estratégias eleitorais nacionalmente.

A federação tende a concentrar uma das maiores fatias do Fundão, mas a divisão interna dos recursos será definida pelas lideranças nacionais, considerando prioridades políticas e a competitividade de cada disputa.

Em resumo, mesmo que a federação liderada pelo PP receba uma das maiores parcelas do Fundo Eleitoral, apenas uma parte desse valor deverá ser destinada à campanha de reeleição de Riedel, enquanto o restante será distribuído entre centenas de candidatos e campanhas prioritárias da federação e dos partidos aliados em todo o País.

Nas eleições de 2022, por exemplo, de acordo com os dados declarados à Justiça Eleitoral, a campanha de Riedel registrou despesas de R$ 9.605.350,26, valor que ficou cerca de R$ 266 mil acima do limite de gastos estabelecido pelo TSE para candidatos ao governo estadual naquele pleito, que era de aproximadamente R$ 9,34 milhões considerando primeiro e segundo turnos. 

Segundo as prestações de contas da época, Riedel arrecadou cerca de R$ 8,47 milhões – a maior parte proveniente de recursos públicos, como Fundo Eleitoral e Fundo Partidário. 

Levantamentos indicavam que mais de 70% das receitas da campanha tinham origem nesses fundos. Ele foi eleito no segundo turno com 808.210 votos, o que representou um custo médio de aproximadamente R$ 11,88 por voto obtido. 

ADVERSÁRIOS

As legendas que devem abrigar possíveis adversários do governador terão à disposição mais de R$ 907,8 milhões do FEFC, isto porque entre os nomes cotados para a corrida eleitoral estão o ex-deputado federal Fábio Trad, que articula sua candidatura no campo formado por PT e PV, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), o empresário Renato Gomes (DC), o jornalista Jefferson Bezerra (Agir) e o gestor ambiental Lucien Rezende (PSOL).

O maior volume de recursos entre os partidos ligados aos possíveis adversários está com o PT, que receberá aproximadamente R$ 615,4 milhões do Fundo Eleitoral.

O PV, que integra a federação com o PT, participa com R$ 45,2 milhões, o PRD terá R$ 71,8 milhões, o PSOL participa com R$ 131,5 milhões, o Novo, com R$ 37 milhões, mas o partido mantém a tradição de não utilizar recursos do Fundão para financiar candidaturas, enquanto Agir e DC somam R$ 6,6 milhões – R$ 3,3 milhões para cada.

* Saiba 

Criado em 2017, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha é composto por recursos públicos destinados ao custeio das campanhas eleitorais.

Segundo a Justiça Eleitoral, a divulgação dos valores busca garantir transparência na utilização do dinheiro público durante o processo eleitoral.

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