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DEPUTADO FEDERAL

Simulação ou atentado? Um ano depois, PF e Trutis mantêm versões opostas

Investigação contra Loester Trutis continua no Supremo Tribunal Federal e entrará na reta final neste semestre
17/02/2021 08:00 - Eduardo Miranda


Já se passou um ano desde que o deputado federal Loester Trutis (PSL) foi às redes sociais para denunciar que tinha escapado de um atentado a tiros na BR-060, entre Campo Grande e Sidrolândia. 

Desde a manhã do dia 16 de fevereiro de 2020, domingo, a versão do parlamentar descolou-se da apurada pela Polícia Federal, que hoje suspeita que ele teria simulado o atentado.  

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O incidente ainda gera desdobramentos e chegou ao seu auge no dia 12 de novembro de 2020, quando a Polícia Federal desencadeou uma operação para o cumprimento de vários mandados de busca e apreensão nos endereços ligados a Trutis, ao irmão dele, Alberto Carlos Gomes de Souza, ao seu assessor, Ciro Fidelis, e ao ex-primeiro-secretário do PSL de Campo Grande, Jovani Batista da Silva. Os dois últimos também integram o Movimento Conservador de Mato Grosso do Sul.

Quase prisão

Foi nesta operação policial que Trutis quase foi preso. Só não foi porque as mudanças na legislação advindas do pacote anticrime do ex-ministro Sergio Moro, enviado ao Congresso em 2019 e ao qual o deputado federal campo-grandense votou a favor, não permitiram.  

Com a nova lei, prisões em flagrante de posse irregular de arma de fogo para alguns casos, como o de Trutis, que registra suas armas como colecionador, não são mais permitidas.

A operação ocorreu dias antes da eleição para prefeito, à qual Trutis chegou a se candidatar em Campo Grande, mas sofreu um revés dentro do próprio partido, que acabou indo às urnas com o ex-vereador Vinicius Siqueira.  

Naquele dia, o deputado passou todo o tempo na Superintendência Regional da Polícia Federal em Campo Grande. A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) chegou a reservar uma cela para ela. 

A prisão em flagrante, porém, não foi concretizada e não foi permitida pela ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber, que autorizou as buscas e apreensões e permitiu que a operação ocorresse.  

O quase flagrante ocorreu por causa da apreensão de um fuzil Taurus T4 (arma de uso restrito), além de uma pistola 9 mm, um carregador com 14 munições e um revólver .357 com 10 munições.  

Com Alberto Carlos, irmão de Trutis, a Polícia Federal ainda apreendeu um certificado de registro de arma não especificada emitido pelo Exército.  

No desdobramento mais recente do inquérito, Trutis e os outros três investigados pediram a devolução das armas.  

A Procuradoria-Geral da República, por meio do vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros, negou o pedido e afirmou que as armas são imprescindíveis para a investigação.