Política

Projeto Comprova

Vídeo de Lula no Paraguai é usado fora de contexto para sugerir constrangimento na ONU

Publicação no X mistura uma gravação de junho com um episódio ocorrido em setembro na ONU e atribui ao presidente paraguaio uma ironia que não aparece no vídeo original

Continue lendo...

Ao contrário do que afirma uma publicação no X, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi alvo de deboche por parte do presidente do Paraguai, Santiago Peña. Diferentemente do que o post afirma, o vídeo compartilhado não foi registrado na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em setembro de 2026, mas sim em 30 de junho de 2026, durante a Cúpula do Mercosul, no Paraguai.

O conteúdo investigado utiliza um vídeo real, gravado em ambiente diplomático, com um texto sobreposto e uma legenda que alega que Peña teria agradecido a Lula por políticas que teriam levado empresas brasileiras a migrar para o Paraguai. Na gravação original, porém, quem dialoga com o presidente brasileiro é o senador paraguaio Beto Ovelar, enquanto Santiago Peña permanece em silêncio ao lado, apenas acompanhando a conversa.

No diálogo original, o senador paraguaio agradece a Lula pela cooperação e pelas políticas sociais implementadas durante os primeiros mandatos do brasileiro (entre 2003 e 2008). Ovelar ressalta que essas medidas serviram de inspiração para a criação do Tekoporã, o principal programa de transferência de renda do Paraguai. Não houve qualquer declaração sobre transferência de empresas, fuga de capitais ou desvantagens econômicas para o Brasil.

A publicação também associa indevidamente a gravação a outro episódio, afirmando que Lula teria “fugido” do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na ONU, em 22 de setembro de 2026, em Nova York. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) esclareceu que não houve desvio deliberado nem recusa de contato por parte de Lula, mas apenas a dispersão das delegações em meio ao fluxo intenso e desordenado na saída do plenário.

Procurada pelo Comprova, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) informou que as publicações que circulam nas redes sociais são falsas.

Em nota, o órgão afirmou que Lula não teve qualquer encontro bilateral, nem mesmo informal, com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. A Secom confirmou que a gravação que acompanha o post enganoso foi feita em junho de 2026, na Cúpula do Mercosul, e registra o senador paraguaio Beto Ovelar agradecendo ao presidente brasileiro pelo apoio na formulação do programa Tekoporã.

Sobre o episódio com o representante do governo dos Estados Unidos, a Presidência afirmou que “não houve qualquer tentativa de impedir o acesso do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao presidente Lula durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)”. 

A pasta reforçou que Lula não se afastou deliberadamente de Rubio e declarou que “repudia a divulgação de informações falsas, com o uso da imagem do presidente, que visam única e exclusivamente desinformar a população, enfraquecer instituições e manipular a opinião pública”

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

A publicação foi divulgada na rede social X por uma página não institucional, criada em março de 2012 e que registrava cerca de 64,5 mil seguidores na data de início da apuração. Até segunda-feira (28), a postagem acumulava mais de 355,9 mil visualizações.

O Comprova buscou contato com os responsáveis pela conta para questionar a procedência da gravação, as fontes das afirmações e a autoria da edição que adicionou os textos sobrepostos, mas o perfil desativou a opção de mensagens diretas e privadas. 

Consultas realizadas em ferramentas de busca de perfis (como UserSearch) não identificaram contas ativas vinculadas publicamente a uma autoria identificável que reivindicasse a criação original da montagem. Pelo padrão das postagens e pelo perfil das contas seguidas pela página, observa-se uma linha temática de oposição ao governo federal, o que sugere intencionalidade política na disseminação de narrativas de constrangimento e de isolamento diplomático de autoridades brasileiras.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O uso de imagens autênticas como base transmite uma impressão inicial de credibilidade e veracidade documental, já que o vídeo é legítimo e reúne figuras públicas reais (Lula, Santiago Peña e parlamentares em uma cúpula internacional), o que dificulta a percepção imediata de manipulação do contexto. A estratégia é reforçada pela barreira de idioma e pela sobreposição de texto condutora, pois a conversa original ocorre em espanhol e em meio a ruídos do salão diplomático, fazendo com que o texto em destaque sobre a imagem e as afirmações da legenda funcionem como uma legenda falsa que direciona a interpretação do leitor, induzindo-o a aceitar a versão escrita sem atentar para o áudio real.

Além disso, há uma mistura de temas reais da agenda recente ao juntar a gravação de junho com o episódio da passagem de Marco Rubio pela Assembleia Geral da ONU ocorrido em setembro, ancorando o conteúdo na memória recente das pessoas sobre o noticiário internacional para dar verossimilhança à narrativa criada. Por fim, observa-se o apelo a termos depreciativos e emocionais por meio de expressões agressivas e coloquiais como “fugiu”, “sacaneado” e “barrado”, que apelam diretamente à indignação ou ao deboche do leitor. Esse tipo de vocabulário ativa vieses cognitivos e ideológicos, estimulando o compartilhamento rápido por impulso e desestimulando a checagem factual sobre datas, locais e interlocutores.

Fontes que consultamos: O Comprova preservou a postagem investigada no Archive.today e, por meio de busca reversa, localizou a gravação original de 30 de junho nas redes sociais do senador paraguaio Beto Ovelar, além de descartar manipulação por IA com o Google SynthID. O episódio na ONU foi verificado com base em reportagem da TV Globo/G1 arquivada no Wayback Machine e em notas oficiais da Secom e do Itamaraty. A apuração consultou ainda a ferramenta UserSearch e as checagens da AFP Checamos e da Reuters Fact Check.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Outras iniciativas de checagem, como a AFP Checamos e a Reuters Fact Check, também verificaram o mesmo conteúdo, mostrando que Peña não agradeceu a Lula pela ida de empresas para o Paraguai.

Investigado por Correio do Estado e SBT News

ATENÇÃO, ELEITORES

Eleições 2026: seções no centro de Campo Grande têm mudanças de locais

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul alterou a 35ª, 36ª, 53ª e 54ª zonas eleitorais, sendo uma em Terenos

30/09/2026 10h45

Urnas são preparadas para as eleições 2026

Urnas são preparadas para as eleições 2026 Gerson Oliveira

Continue Lendo...

Em Campo Grande, a Justiça Eleitoral alterou sete locais de votação e mais um em Terenos para as Eleições Gerais de 2026. Eleitores terão que se transferir para outras unidades no primeiro e no segundo turnos. Na Capital, foram alteradas a 35ª, 36ª, 53ª e 54ª zonas eleitorais.

Na 36ª zona eleitoral, 10 seções da Escola Estadual Joaquim Murtinho e sete do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora foram transferidas para o Centro Universitário da Grande Dourados - UNIGRAN, na Rua Abrão Júlio Rahe, região central de Campo Grande. 

Em Terenos, a mudança foi na 54ª Zona Eleitoral, transferindo da Escola Municipal Rosa Idalina Braga Barboza para a Escola Municipal Álvaro Lopes.

O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) recomenda que os eleitores consultem antecipadamente a zona, a seção e o endereço de votação, inclusive quem costuma votar no mesmo lugar em eleições anteriores.

A conferência pode ser feita pelo aplicativo e-Título ou pelo Autoatendimento Eleitoral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Confira as mudanças de locais

Campo Grande

  • 35ª Zona Eleitoral

De: Escola Estadual Profª Alice Nunes Zampiere (Rua Constantinopla, s/n - Vila Almeida)

Para: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - UEMS (Avenida Dom Antônio Barbosa, nº 4.155, Santo Amaro).

De: CRAS Vila Nasser (Rua Januário Barbosa, 366 - Vila Nasser)

Para: EMEI Professora Adélia Leite Krawiec (Rua Santa Mônica, s/n, Santa Luzia).

De: Mesquita Islâmica Luz da Fé (Avenida América, 657 - Vila Planalto)

Para: Centro de Referência de Esporte e Cultura (Rua Onze de Outubro, nº 220, Cabreúva).

  • 36ª Zona Eleitoral

De: Escola Estadual Joaquim Murtinho – 10 seções eleitorais

Para: Centro Universitário da Grande Dourados - UNIGRAN (Rua Abrão Júlio Rahe, nº 325 - Centro).

De: Colégio Nossa Senhora Auxiliadora – 7 seções eleitorais

Para: Centro Universitário da Grande Dourados - UNIGRAN (Rua Abrão Júlio Rahe, nº 325 - Centro).

  • 53ª Zona Eleitoral

De: Loja Maçônica Oriente Maracaju (Avenida Calógeras, 1952 - Centro)

Para: Senac Hub Academy (Rua Francisco Cândido Xavier, 75 - Centro).

  • 54ª Zona Eleitoral

De: Escola Municipal Major Aviador Y-Juca Pirama de Almeida e FACSUL - Campus Afonso Pena

Para: Instituto Federal de Mato Grosso do Sul - IFMS (Rua Taquari, 831 - Santo Antônio).

Terenos 

54ª Zona Eleitoral

De: Escola Municipal Rosa Idalina Braga Barboza (Rua Antônio João Valadares, 22 - Conjunto Antônio Valadares)

Para: Escola Municipal Álvaro Lopes (Joaquim Farias de Albernaz, 151 - Vila Ferreira).

OPERAÇÃO ÚLTIMA RATIO

Desembargador suspeito de corrupção continuará afastado

CNJ proclamou decisão unânime que mantém Vladimir Abreu da Silva longe das funções até o dia 4 de fevereiro de 2027

30/09/2026 07h35

O desembargador Vladimir Abreu da Silva está afastado do TJMS desde o dia 24 de outubro de 2024

O desembargador Vladimir Abreu da Silva está afastado do TJMS desde o dia 24 de outubro de 2024 Arquivo

Continue Lendo...

O desembargador Vladimir Abreu da Silva, investigado por suspeita de corrupção e venda de decisões judiciais na Operação Ultima Ratio, vai permanecer afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por mais 140 dias, período equivalente a quase cinco meses.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proclamou oficialmente o resultado do julgamento que prorrogou o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado e manteve a medida cautelar que o impede de exercer suas funções.

Como o novo prazo começou a ser contado no dia 17, o período de afastamento se estende, em princípio, até o dia 4 de fevereiro de 2027, salvo se houver nova deliberação do Conselho antes dessa data.

A decisão foi tomada por unanimidade na 13ª Sessão Virtual de 2026, encerrada no dia 18, no PAD nº 0000095-49.2026.2.00.0000.

“O Conselho, por unanimidade, aprovou questão de ordem para prorrogar o prazo de conclusão do presente PAD por mais 140 dias, a contar de 17/9/2026, mantido o afastamento cautelar do Desembargador”, registra a proclamação do resultado.

O processo é relatado pelo conselheiro Silvio Roberto Oliveira de Amorim Junior e os 13 integrantes do CNJ que participaram da votação acompanharam a manutenção do afastamento. A conselheira Jaceguara Dantas declarou impedimento e Ulisses Rabaneda não votou por ausência justificada.

A prorrogação não representa julgamento definitivo das acusações. O Conselho ampliou o prazo para a instrução do processo administrativo e considerou necessária a manutenção da medida cautelar enquanto o caso continua sendo apurado.

QUASE DOIS ANOS

Vladimir de Abreu está afastado do TJMS desde o dia 24 de outubro de 2024, ou seja, há quase dois anos, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Ultima Ratio para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Estado.

Naquela ocasião, também foram afastados os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Soncini Pimentel, Marcos José de Brito Rodrigues e Sérgio Fernandes Martins, que presidia o Tribunal de Justiça.

A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsificação de documentos e negociação de decisões judiciais envolvendo magistrados, advogados, empresários e outras pessoas relacionadas aos investigados.

O afastamento inicial foi determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também impôs medidas como a proibição de acesso às dependências do TJMS e restrições de contato entre investigados.

No caso de Vladimir, a medida foi sucessivamente mantida e posteriormente passou a ser analisada também pelo CNJ no âmbito disciplinar.

INDICIADO

No dia 20 de março deste ano, a PF concluiu um relatório de 711 páginas relacionado a uma das principais frentes da Ultima Ratio e incluiu Vladimir entre os desembargadores indiciados. O documento, referente ao Inquérito nº 1.483, foi encaminhado às autoridades responsáveis pela análise das conclusões da investigação.

Além de Vladimir, foram citados no relatório os desembargadores Sideni Soncini Pimentel, Julio Roberto Siqueira Cardoso, Alexandre Aguiar Bastos, Sérgio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues.

O indiciamento representa o entendimento da autoridade policial de que existem elementos para atribuir crimes aos investigados, mas não significa condenação. Eventual responsabilização criminal depende da atuação do Ministério Público e de julgamento pelo Poder Judiciário.

Outra frente investigativa, vinculada ao Inquérito nº 1.595, permaneceu em andamento para aprofundar fatos que não foram encerrados pelo relatório apresentado em março.

DISPUTAS

Vladimir aparece em diferentes episódios analisados pela Polícia Federal envolvendo disputas judiciais por propriedades rurais milionárias.

Um deles é o caso da Fazenda Pauliceia, em Maracaju, que, conforme a investigação, decisões judiciais teriam favorecido interesses ligados ao conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), e familiares.

A propriedade chegou a ser avaliada em aproximadamente R$ 85 milhões. A PF sustenta que o caso envolveu documentos com indícios de falsificação e decisões judiciais que teriam contribuído para a transferência da área por valor muito inferior ao atribuído ao imóvel.

Vladimir aparece entre os magistrados mencionados pela investigação por sua atuação em recursos relacionados à disputa. Outro caso envolve a Fazenda Santo Antônio, em Corumbá.

O relatório policial analisou decisões tomadas por Vladimir, Sideni Pimentel e Julio Siqueira em processo relacionado à propriedade e à liberação de valores milionários.

A PF sustenta que existiriam elementos indicando pagamento de vantagens indevidas relacionado às decisões.

As conclusões policiais ainda dependem de análise judicial e não representam condenação dos envolvidos. Vladimir também aparece na apuração sobre a Fazenda Vai Quem Quer, igualmente em Corumbá.

A propriedade, com cerca de 5,6 mil hectares e valor estimado em mais de R$ 15 milhões, foi objeto de disputa judicial na qual Vladimir, Sideni e Alexandre Bastos participaram de julgamento que modificou decisão de primeira instância.

Mensagens apreendidas durante as investigações levaram a PF a suspeitar de articulação anterior ao julgamento para alterar o resultado do processo.

RELAÇÃO

Outro ponto explorado pela PF é a relação de Vladimir com o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador aposentado Sideni Soncini Pimentel.

A investigação identificou encontros, viagens e pescarias envolvendo Vladimir e Rodrigo, além de processos nos quais o desembargador participou de julgamentos de causas em que o advogado atuava.

Para a PF, a proximidade entre os dois passou a ter relevância na análise de possíveis conflitos de interesse e das decisões consideradas suspeitas.

Os investigadores também identificaram relações profissionais entre escritórios ligados aos filhos de magistrados e advogados envolvidos nas apurações.

FILHO DE VLADIMIR

A atuação do desembargador em favor do filho, o advogado Marcus Vinícius Machado Abreu, também foi analisada pela investigação. Mensagens apreendidas pela PF indicaram que Vladimir procurou colegas desembargadores para pedir que recebessem Marcus Vinícius em seus gabinetes.

As conversas estavam relacionadas a uma ação de aproximadamente R$ 16,9 milhões na qual o filho do magistrado tinha interesse profissional. Os desembargadores procurados chegaram a receber o advogado.

Os recursos relacionados ao caso, porém, acabaram rejeitados. O episódio passou a integrar as apurações sobre possível utilização da posição funcional do magistrado em benefício de interesses particulares.

*SAIBA

Ao instaurar o PAD contra Vladimir em 2025, o CNJ afirmou que informações obtidas durante a Ultima Ratio justificavam a abertura do processo. Na ocasião, o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, apontou que interceptações telemáticas e documentos indicariam possível recebimento de vantagens indevidas.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).