O cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul para o pleito deste ano apresenta um contingente recorde de 2.025.001 eleitores aptos a exercer o direito ao voto, conforme os dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 30 de junho. Esse número reflete um crescimento de 1,43% na comparação direta com as eleições de 2022, quando o Estado tinha 1.996.510 votantes.
No entanto, mais do que o crescimento bruto, o que chama a atenção dos estrategistas políticos é a hegemonia feminina nas urnas, que consolidou uma vantagem numérica expressiva sobre o eleitorado masculino.
Atualmente, o Estado conta com 1.069.440 mulheres aptas a votar, o que representa 52,81%. Em contrapartida, os homens somam 955.561 eleitores, ou 47,18%.
Essa diferença de 113.879 votos a favor das mulheres é um fator que pode definir o destino das candidaturas majoritárias. Há quatro anos, em 2022, a proporção já indicava essa tendência, com o público feminino representando 52,8% (1.054.157) e o masculino 47,1% (940.356).
A manutenção e o leve alargamento dessa distância reforçam a necessidade de propostas voltadas especificamente às demandas das mulheres, que hoje superam os homens em mais de 100 mil eleitores no Estado.
Em efeito de comparação, essa diferença a mais de mulheres no Estado é superior em número ao eleitorado de 77 municípios. Só Campo Grande e Dourados têm um contingente maior.

Grandes cidades
A concentração do poder de decisão não é apenas de gênero, mas também geográfica. Mais da metade de todo o eleitorado sul-mato-grossense está situada em apenas cinco municípios.
Campo Grande, o maior colégio eleitoral, detém 640.453 votantes, o equivalente a 31,627% do total do Estado. Somando-se à Capital os eleitores de Dourados (166.157), Três Lagoas (88.672), Ponta Porã (70.104) e Corumbá (67.794), chega-se a um montante de 1.033.180 pessoas.
Esse grupo seleto de cinco cidades representa 51,02% de todos os votos disponíveis, o que torna as campanhas nesses polos urbanos fundamentais para qualquer pretensão de vitória em nível estadual.
Em Campo Grande, a predominância feminina é ainda mais acentuada do que na média estadual. Das 640.453 pessoas aptas ao voto na Capital, 348.986 são mulheres e 291.467 homens, ou seja, as mulheres têm uma vantagem de mais de 57 mil votos.
Em Dourados, a situação se repete, com 89.546 eleitoras e 76.611 eleitores. Esses números mostram que, onde o eleitorado é mais numeroso, o peso do voto feminino é proporcionalmente maior, exigindo dos candidatos uma comunicação mais assertiva com esse público.
Além da questão de gênero e localização, o perfil de escolaridade do eleitorado de Mato Grosso do Sul revela desafios estruturais.
A maior fatia dos eleitores tem o Ensino Médio completo, totalizando 487.796 cidadãos (24,08%). No entanto, o segundo maior grupo é composto por pessoas com o Ensino Fundamental incompleto, que soma 478.738 eleitores (23,64%).
Aqueles que têm Ensino Superior completo somam 285.060 (14,07%), enquanto os eleitores que apenas leem e escrevem chegam a 107.369 (5,30%) e os analfabetos somam 63.816 (3,15%).
A análise por faixa etária indica que o Estado tem um eleitorado maduro. O grupo mais expressivo está entre 35 e 44 anos, com 402.423 votantes (19,87%).
As faixas de 45 a 55 anos e de 25 a 34 anos aparecem logo atrás, com 19,43% e 19,41%, respectivamente. Já os eleitores com voto facultativo também têm relevância: os jovens de 16 e 17 anos totalizam 28.577 pessoas, enquanto os idosos com 70 anos ou mais somam 197.950 cidadãos.
Os dados informados ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral indicam que o eleitorado é majoritariamente feminino, urbano e com escolaridade média.


