Cidades

REAJUSTE

Adriane publica lei que limita aumento salarial de servidores por tempo indeterminado.

Vale lembrar que a última reposição linear foi concedida há mais de três anos

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Os servidores municipais de Campo Grande devem continuar sem reajuste linear por tempo indeterminado. A medida faz parte de um novo pacote fiscal aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pela prefeita Adriane Lopes (PP), com publicação em edição extra do Diário Oficial da última segunda-feira (14).

A principal mudança está na Lei n.º 7.443, que limita o crescimento das despesas primárias do município (como salários, benefícios e encargos) à inflação oficial medida pelo IPCA. Isso só vale quando a Prefeitura aderir ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), do Governo Federal, o que já foi autorizado por meio da Lei nº 7.441, sancionada no mesmo dia.

Na prática, a prefeitura fica impedida de conceder aumentos salariais acima da inflação enquanto durar o plano, que pode ter duração de até 24 meses ou mais, dependendo da situação financeira do município. Também ficam suspensas as progressões horizontais e verticais dos servidores, que antes garantiam acréscimos automáticos a cada cinco anos de trabalho. 

Ao ser questionada durante uma coletiva de imprensa no dia 11 de julho sobre a influência deste “arrocho” fiscal no bolso dos servidores, Adriane Lopes refirmou que para este ano está descartada a possibilidade de reajuste. 

Na sequência, declarou que “para o ano que vem eu não tenho como dizer, porque esse plano de equilíbrio fiscal é até a gente recuperar a capacidade de investimento do município. Pode durar um ano, como pode durar dois anos. Então, vai depender muito dos avanços que nós vamos implementar nesse tempo”. Ou seja, o congelamento vale por tempo indeterminado. 

A última reposição linear foi concedida há mais de três anos.

Um dos pontos centrais do pacote fiscal é a inclusão do déficit da previdência municipal nos cálculos de gastos com pessoal. Antes, esse valor era classificado como “outras despesas”. Agora, passa a impactar diretamente o limite previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em 2024, o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) teve receita de R$ 515 milhões, mas as despesas com aposentadorias e pensões somaram R$ 640,8 milhões. Para cobrir a diferença, a prefeitura repassa cerca de R$ 10,5 milhões por mês ao instituto. A expectativa é de que esse valor cresça em 2025.

Com mais aposentados e pensionistas entrando no sistema, a diferença entre receitas e despesas saltou 515% nos últimos dois anos — passando de R$20 milhões em 2022 para R$125,5 milhões neste ano.

Além do congelamento nos reajustes, a adesão ao PEF também suspende as chamadas progressões horizontais e verticais, que concediam aumentos salariais automáticos a cada cinco anos de trabalho.

Segundo a nova legislação, essas medidas são necessárias para reequilibrar as contas públicas e retomar a capacidade de investimento da Prefeitura, especialmente na captação de financiamentos com aval do Governo Federal.

Mesmo com os ajustes, a administração municipal projeta a retomada de obras e serviços. A previsão da Prefeitura é investir cerca de R$ 154 milhões por ano a partir de 2026, com foco principalmente em infraestrutura e pavimentação.

Além desta, outras duas leis sancionadas no mesmo dia completam o pacote de medidas, a primeira é a Lei nº 7.441 que autoriza formalmente a Prefeitura a aderir ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal e ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), previstos na Lei Complementar Federal nº 178/2021.

Além da adesão, a lei permite ao município realizar leilões de pagamento de dívidas com fornecedores e prestadores de serviço. Nesses leilões, a prefeitura vai priorizar o pagamento de quem oferecer o maior desconto sobre o valor devido. As dívidas podem estar inscritas como restos a pagar ou já vencidas.

Também será possível parcelar esses débitos, desde que isso ajude a organizar o fluxo financeiro da prefeitura. Os leilões não se aplicam a precatórios, que seguem regras específicas.

Outro ponto importante é a autorização para a Prefeitura oferecer receitas futuras como contragarantia em operações de crédito com aval da União, como parte do apoio financeiro previsto no PEF. Isso inclui parcelas do ICMS, IPVA e FPM.

Por fim, a Prefeitura também se compromete a enviar regularmente dados contábeis, fiscais e patrimoniais ao Tesouro Nacional, seguindo os prazos e modelos definidos pelo Governo Federal. O envio será regulamentado por normas próprias da administração municipal.

Já a Lei nº 7.442 cria oficialmente o Sistema Financeiro de Conta Única da Prefeitura e centraliza a gestão financeira de toda a administração municipal na Secretaria Municipal de Fazenda. Isso vale para todos os órgãos da administração direta, indireta e fundacional.

A medida segue o princípio da unidade de caixa, ou seja, todos os recursos passam a ser gerenciados de forma centralizada — inclusive os das autarquias e fundações — permitindo movimentação tanto por contas bancárias quanto por contas contábeis.

Outro ponto relevante é que o superávit financeiro (dinheiro que sobra no fim do ano) das autarquias e fundações será revertido para o Tesouro Municipal, como recurso ordinário, exceto nos seguintes casos:

  • Recursos de convênios;
  • Recursos de empréstimos e financiamentos;
  • Recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS);
  • Recursos autorizados por comitês de gestão específicos.

A nova estrutura também autoriza o Tesouro Municipal a antecipar recursos de qualquer receita para cobrir despesas, respeitando os limites das dotações orçamentárias. Mesmo com essa autorização, os repasses obrigatórios e recursos vinculados continuam assegurados aos seus devidos destinos.

Novela do teto de gastos

Cabe lembrar que, neste 2025, a novela fiscal de Campo Grande começou com cortes radicais nos gastos e nomeações no início de março, por decreto da chefe do Executivo, após ser pressionada por servidores que há três anos não eram contemplados por reajustes.

Inicialmente, a medida prévia uma espécie de moratória válida até o fim de junho, afastando a possibilidade de conceder reposição salarial ao funcionalismo, cuja data-base é maio. 

Junto disso, foi decretado corte de pelo menos 25% em gastos com água, luz, combustíveis, impressões e demais serviços de terceiros prestados por pessoa física e/ou jurídica, em uma ação que a prefeita classificou à época como "coisas caminhando como devem acontecer". 

Já ao fim de junho, e longe de atingir a meta de economizar R$ 140 milhões, Adriane Lopes prorrogou por mais 90 dias a medida de arrocho e, por consequência, impediu reajuste salarial linear aos servidores municipais. 

Nesse intervalo de três meses entre as datas, de acordo com Adriane Lopes, a prefeitura foi capaz de economizar R$ 19 milhões na folha de pagamentos.

Teto para o serviço público municipal, desde abril o salário da prefeita passou de R$ 21,2 mil para R$ 26,9 mil. Já em fevereiro de 2026, subirá para R$ 31,9 e um, ano depois, para R$ 35,4 mil.  Esse aumento foi determinado por decisão do TJMS. 

Além disso, houve redução de quase um milhão de reais nos gastos com locação de imóveis, segundo afirmou a prefeita durante agenda em 28 de junho. 

**Colaborou Neri Kaspary**

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Pontos de Apoio

Lei prevê áreas de estacionamentos de motorista de aplicativo

Objetivo central da lei é garantir melhorias nas condições de trabalho e trazer mais segurança para a categoria

24/04/2026 12h01

Motorista de aplicativo

Motorista de aplicativo Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Campo Grande deu um passo importante para a contribuição para melhorias da classe de motorista de aplicativo, de acordo com a publicação feita no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) na manhã desta sexta-feira (24), a Prefeita Adriane Lopes, sancionou a Lei nº 7.617 de 23 de abril de 2026, que propõe a criação de pontos de apoio destinados a motoristas de aplicativo.

A medida entra em vigor a partir da data da publicação e seus principais objetivos são proporcionar melhores condições de trabalhos, mais segurança e infraestrutura para os profissionais que atuam com o transporte de passageiros através de plataformas digitais. 

A regulamentação desta lei busca realizar a criação de pontos de apoio aos motoristas de aplicativo, como Uber, 99, InDrive, Lalamove, cooperativas, iniciativa privada, entre outras. Esses pontos serão similares aos que já existem, mas para taxistas, onde eles ficam estacionados esperando por uma corrida. 

A construção destes pontos devem acontecer em locais estratégicos que normalmente tem um alto fluxo de solicitações de corridas como em regiões centrais e comerciais, proximidades de rodoviárias e aeroportos, em regiões próximas a hospitais, universidades e grandes centros empresariais, além de demais áreas que exigem uma alta demanda, conforme estudos realizados pela administração pública. 

Na publicação feita no Diogrande relata sobre como será a estrutura destes pontos e contará com algumas infraestruturas mínimas, como banheiros de uso gratuito, espaço para alimentação e descanso, estacionamento rotativo para veículos de motoristas cadastrados em aplicativos, tomadas para recarga de dispositivos eletrônicos, a lei ainda promete Wi-Fi gratuito e também segurança e iluminação adequada. 

A construção destes pontos será custeada pelo Executivo municipal e não descarta uma parceria Público-Privada, convênios com empresas e entidades de classe ou utilização de espaços públicos já existentes, para a realização das obras necessárias. 

A iniciativa da prefeitura de sancionar a lei que busca ajudar a categoria vem em um momento de crescente de motoristas de aplicativo, que em 2024 registrou cerca de 78 mil trabalhadores na área em todo o estado e apesar de ser um lei municipal, a atitude pode acabar influenciando outras cidades a adotarem tal medida. 

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OPERAÇÃO

Sul-mato-grossense tenta entrar em Illuminati e cai em golpe

Operação do MPE deflagrada nesta quinta-feira cumpriu quatro mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva

24/04/2026 11h30

Foto: MPMS

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Em tentativa de entrar para o secreto e seleto grupo de quem comanda eventos mundiais, sul-mato-grossense caí em golpe online e Ministério Público do Estado (MPE) deflagra Operação Illuminati, com dois mandados de prisão preventiva, e outros dois de busca e apreensão.

O caso teve início há quase 3 anos, em maio de 2023, quando a vítima teria então sido convocada por supostos integrantes de uma organização internacional, conhecida por 'Illuminati", que supostamente teria uma sede na Califórnia, nos Estado Unidos.

Por meio de manipulação psicológica articulada para conseguir informações confidenciais e para que a vítima caísse no golpe, os envolvidos apelaram para o vínculo de fraternidade que seria construído ao fazer parte do grupo.

Para dar credibilidade ao esquema, os investigados utilizaram números telefônicos estrangeiros, sítios eletrônicos próprios e linguagem que condizia com a narrativa criada.

A vítima então realizou pagamentos de taxas para iniciação na fraternidade, permanência durante os anos, com a promessa de que teria benefícios financeiros e profissionais ao fazer parte da organização. Além de taxas para o cancelamento da filiação, quando surgiu a desconfiança de que se tratava de um golpe.

Ao pedir desligamento do grupo, a vítima sofreu ameaças de mortes, bem como seus familiares. Os envolvidos ainda ameaçavam divulgar publicamente vídeos gravados durante a suposta cerimônia de "iniciação". A partir dessas ocorrências, o crime foi caracterizado como extorsão mediante a grave ameaça.

Após a denúncia, a Unidade de Combate aos Crimes Cibernéticos (UICC), junto ao MPE, por meio da da 16ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, deflagrou a Operação nesta quinta-feira (23) para investigar o esquema fraudulento, em apuração ao crime de extorsão em ambiente digital, previsto no artigo 158, do Código Penal.

Conforme a investigação, dois envolvidos foram localizados nos Estados de Rondônia e Distrito Federal, onde foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Núcleo das Garantias da Capital. Nos locais foram apreendidos telefones celulares e dispositivos eletrônicos que passarão por extração forense para coletar dados e auxiliar na investigação.

Duas pessoas foram presas, mas não tiveram seus nomes divulgados.

Modus operandi

De acordo com a investigação, os envolvidos no esquema exigiam os valores, que eram transferidos para contas bancárias dos próprios investigados. Posteriormente, eles convertiam o dinheiro em cripoativos, por meio de exchange internacional, que opera globalmente como plataforma de câmbio.

Os investigados foram identificados por meio da análise da UICC nas chaves Pix, dados cadastrais bancários, registros telefônicos, biometria facial e pesquisas em fontes abertas, que correlacionou as ações da vítima, com a atuação do esquema criminoso.

A Operação ainda teve envolvimento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Gaeco/MPDFT) e da Polícia Civil do Estado de Rondônia, para o cumprimento dos mandados fora do território sul-mato-grossense.

Alerta à população

Crimes digitais, principalmente golpes aparecem recorrentes e, em sua maioria, utilizam de falsas promessas de pertencimento a entidades internacionais, investimentos de alta rentabilidade, ou benefícios materiais, espirituais para extorquir as vítimas.

O MPE recomenda que ao receber qualquer abordagem suspeita, os cidadãos não efetuem pagamentos, e em caso de realizá-lo guardar conversas, comprovantes e procure autoridades policias ou o próprio Ministério Público, por meio da Ouvidoria.

*Saiba

'Illuminati'

Os Illuminati é uma sociedade secreta bávara real fundada em 1776, por Adam Weishaupt, com objetivo de promover ideais iluministas, em oposição a influência religiosa na política, que se encerrou em 1785. Atualmente, há teorias que a sociedade secreta ainda exista, agindo com influência e poder nas decisões mundiais.

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