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Anvisa proíbe produtos à base de cannabis e cogumelos

Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a venda de diferentes produtos à base de cannabis por avaliar que os itens não cumpriam as exigências legais

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de diferentes produtos à base de cannabis por avaliar que os itens não cumpriam as exigências legais.

Na última semana, oito produtos que, segundo a Anvisa, vinham sendo divulgados e comercializados pela Hemp Vegan foram proibidos:

  • Produtos com Fitocanabinoides (CBD, CBG, CBDA) - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • Bálsamos Tópicos de CBD - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • Gotas de CBD Fullspectrum Vegano - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • CBD Gummies Fullspectrum - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • CBD Paste Fullspectrum Vegan - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • CBD + CBG Drops - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • CBD + Cbda Fullspectrum - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)
  • Parches Musculares - 50 mg de CBD - Marca Hemp Vegan (todos os lotes)

Segundo a agência, eles não têm registro ou autorização e são fabricados por uma empresa desconhecida, que anuncia no site da Hemp Vegan.

Outra empresa atingida pela ação fiscal foi a Cannafy Serviços de Internet, que teve todos os seus produtos à base de cannabis proibidos. De acordo com a agência, nenhum lote dos produtos de cannabis das marcas CBDM Gummy, Canna River e Rare Cannabinoid pode ser comercializado ou divulgado.

A Anvisa afirma que os produtos da Cannafy não possuem registro ou autorização e são produzidos por empresas que não possuem autorização para a fabricação.

Nesta semana, a agência também proibiu oito produtos de cannabis da empresa norte-americana Golden CBD Plus - EUA. Com isso, a companhia não pode mais comercializar e nem divulgar os produtos

Os itens proibidos foram:

  • Sleep - Golden Nano CBD/CBG/CBN 2.000mg/30ml (todos os lotes)
  • Canabidiol Golden CBD Plus 200mg/ml (todos os lotes)
  • Neurogenic CBD/CBG/CBC 2.000mg/30ml (todos os lotes)
  • Painkiller - Golden Nano CBD/CBG 2.000mg/30ml (todos os lotes)
  • Anti-Anxiety Golden Nano CBD/CBG/CBC 2000mg/30ml (todos os lotes)
  • T-Immune - Golden Nano CBD/CBG/CBC/CBN/CBDA 1.500mg/30ml (todos os lotes)
  • Todos os Produtos da Marca Golden CBD+ Nanotech (todos os lotes)
  • Todos os Produtos da Marca Golden CBD Plus (todos os lotes)

Novamente os produtos estavam sendo vendidos e divulgados sem registro ou autorização da Anvisa e eram fabricados por uma empresa sem autorização de funcionamento da agência.

Cogumelos

Além dos produtos à base de cannabis, a Anvisa também determinou a proibição e a apreensão de sete tipos de cogumelos da empresa De Volta às Raízes:

  • Cogumelo Tremella (todos os lotes)
  • Cogumelo Reish (todos os lotes)
  • Cordyceps Militaris (todos os lotes)
  • Cogumelo do Sol (todos os lotes)
  • Cogumelo Juba de Leão (todos os lotes)
  • Cogumelo Chaga (todos os lotes)
  • Cogumelo Cauda de Peru (todos os lotes)

A medida proíbe o armazenamento, a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a propaganda e o consumo de todos os lotes dos produtos.

"A ação foi tomada porque os produtos são fabricados por empresa não autorizada, e estão sendo divulgados e comercializados sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa", diz a agência.

O que dizem as empresas

Em nota, a Cannafy afirma que cumpre rigorosamente toda a legislação brasileira aplicável a produtos de cannabis, inclusive as Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa, e diz que não fabrica nem comercializa produtos de cannabis no País.

"Apenas facilitamos o contato entre pacientes brasileiros e fornecedores estrangeiros, e atuamos para garantir que todas as importações tenham sido previamente autorizadas pela Anvisa, conforme dispõe a Resolução Anvisa RDC n. 660/2022", afirma.

A empresa cita que todas as informações exigidas pela Anvisa estão disponíveis, em português e de forma clara, em seu site e em seus materiais. Segundo ela, os pacientes são informados de que a compra de produtos à base de cannabis só pode ser feita com prescrição médica válida, e que a venda e o envio são realizados por fornecedores internacionais, depois da autorização de importação concedida pela Anvisa.

"Reiteramos nosso compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a segurança dos pacientes brasileiros, mantendo diálogo permanente com autoridades e parceiros do setor", finaliza.

A Hemp Vegan também afirma que atua em total conformidade com as normas e RDCs da Anvisa e que há uma confusão em relação às operações no Brasil e na Europa.

"Nunca fabricamos, comercializamos ou importamos produtos derivados de canabidiol no Brasil. Nossa atuação é exclusiva no desenvolvimento de cosméticos naturais com registro, formulações veganas e soluções integrativas com ativos legais no território nacional, sempre priorizando a segurança, a qualidade e o bem-estar de nossos clientes", diz em nota.

"É importante esclarecer que a operação da Europa, hempvegan health, é distinta da operação brasileira, hempvegan.com.br. A empresa que consta na lista de produtos cadastrados para importação via RDC 660 é a Hemp Vegan Health. O equívoco na associação entre as empresas tem sido recorrente desde março de 2025 nos registros da Anvisa, levando a interpretações incorretas sobre publicidade de produtos com canabidiol", acrescenta.

A empresa afirma que, no momento, tem quatro produtos com fitocanabinoides em desenvolvimento e que todas as publicações e informações sobre produtos com canabidiol em seu site têm "caráter estritamente institucional e educativo, não configurando, em nenhum momento, comercialização direta, propaganda ou oferta de produtos sem registro ou autorização".

O Estadão tentou contato com a De Volta às Raízes e com a CBD Plus, mas não obteve retorno até a publicação do texto. O espaço permanece aberto.

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Defensoria Pública

Associação de defensores vai ao CNJ após medida protetiva contra defensor em MS

Entidade contesta enquadramento do caso como violência psicológica de gênero, afirma que episódios ocorreram durante atuação profissional e diz que levará conduta atribuída à magistrada ao Conselho Nacional de Justiça

02/10/2026 18h43

Sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, onde tramita o caso envolvendo a magistrada e o defensor público.

Sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, onde tramita o caso envolvendo a magistrada e o defensor público. Foto: Divulgação TJMS.

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A Associação das Defensoras e dos Defensores Públicos de Mato Grosso do Sul (ADEP-MS) anunciou que pretende levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o caso envolvendo um defensor público que foi alvo de medida protetiva solicitada por uma magistrada após conflitos registrados durante a atuação profissional no Judiciário sul-mato-grossense.

O caso começou em uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul, durante a atuação profissional da magistrada e do defensor público, e depois chegou ao Tribunal de Justiça.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (2), a entidade manifestou apoio ao defensor associado e contestou o entendimento de que os episódios relatados pela juíza configurariam violência psicológica baseada em gênero.

Segundo a ADEP-MS, os fatos descritos ocorreram em meio a divergências institucionais e processuais próprias da rotina forense.

A manifestação ocorre após a divulgação de que uma magistrada de Mato Grosso do Sul conseguiu medidas protetivas contra o defensor público, incluindo proibição de aproximação e contato.

A decisão foi tomada em setembro e ainda será analisada pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

De acordo com a ADEP-MS, os elementos apresentados até o momento não demonstrariam a configuração de violência psicológica fundamentada no gênero.

A associação sustenta que divergências funcionais ou processuais não devem ser automaticamente enquadradas nas hipóteses previstas na Lei Maria da Penha.

A entidade também cita o artigo 7º, inciso II, da Lei nº 11.340/2006, que define violência psicológica contra a mulher, e argumenta que as situações descritas estariam relacionadas ao exercício profissional e a controvérsias jurídicas, e não a práticas de degradação, controle ou outras formas de violência.

Pedido foi inicialmente negado 

Um dos pontos destacados pela associação é que o pedido apresentado pela magistrada teria sido inicialmente indeferido durante o plantão judicial.

Segundo a ADEP-MS, a decisão do juiz plantonista considerou que, naquele momento, não havia demonstração suficiente de violência de gênero nem de risco iminente à segurança da magistrada.

O entendimento teria apontado, contudo, a existência de possíveis questões relacionadas à urbanidade e à cooperação institucional, que estariam sendo analisadas pela via correicional.

Posteriormente, porém, o pedido foi analisado pela juíza Adriana Lampert, da 4ª Vara da Violência Doméstica, que concedeu as medidas protetivas.

A decisão determinou que o defensor mantenha distância mínima de 300 metros da magistrada, de familiares e de testemunhas, além de impedir aproximação da residência e do local de trabalho. 

Também foi proibido qualquer contato, inclusive por redes sociais e no âmbito dos processos. 

Conflitos teriam se acumulado durantes meses 

Conforme informações divulgadas sobre o processo, os desentendimentos entre magistrada e defensor teriam ocorrido ao longo de meses durante audiências e outros atos judiciais.

Entre os episódios mencionados no pedido de proteção está uma sessão do Tribunal do Júri em que os dois divergiram sobre aspectos jurídicos do procedimento diante do público presente.

Conforme o relato levado à Justiça, enquanto a magistrada anunciava uma decisão, o defensor teria afirmado que seria melhor ela parar porque “a coisa vai piorar”.

Antes da concessão das medidas, a magistrada já havia comunicado à Corregedoria do TJMS situações que classificou como comportamento hostil e constrangedor durante o exercício profissional. 

Em um dos episódios considerados mais graves na decisão que concedeu a proteção, a magistrada teria ficado abalada após o conflito e necessitado de auxílio para seguir até Campo Grande, onde procurou atendimento médico. 

Ao conceder as medidas, Adriana Lampert entendeu, em análise inicial, que os fatos narrados poderiam ultrapassar os limites de uma divergência profissional.

A magistrada responsável pela decisão apontou possível tentativa de deslegitimar a autoridade e a capacidade profissional da requerente em razão da condição de mulher.

A decisão, no entanto, não representa julgamento definitivo sobre as acusações. A defesa contestou a medida e o caso deverá ser reavaliado pela 3ª Câmara Criminal do TJMS. 

STF ampliou alcance das medidas protetivas

O caso ocorre pouco mais de um mês depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecer um novo entendimento sobre a abrangência das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Em julgamento realizado em 19 de agosto, no Tema 1.412 da repercussão geral, o Supremo decidiu por unanimidade que as medidas protetivas podem ser concedidas em qualquer situação de violência contra a mulher baseada no gênero, mesmo quando não existe relação doméstica, familiar ou afetiva entre a mulher e o suposto agressor. 

Esse entendimento foi utilizado na análise do caso em Mato Grosso do Sul, já que a relação entre a magistrada e o defensor era estritamente profissional. 

ADEP questiona uso da estrutura do Judiciário 

Na nota divulgada nesta sexta-feira, a ADEP-MS afirma que a atividade jurisdicional deve ser exercida com respeito institucional e que divergências jurídicas devem ser solucionadas pelos instrumentos previstos no próprio processo.

A associação informou que encaminhará os fatos ao CNJ para que sejam avaliados dentro das competências do órgão, inclusive sob a perspectiva de eventual utilização do cargo ou da estrutura do Judiciário para finalidade considerada pela entidade como estranha à função jurisdicional.

A manifestação é assinada pela presidente da ADEP-MS, Graziele Carra Dias.

Do outro lado, a decisão que concedeu a medida considera que os elementos reunidos até então indicam possível risco à integridade psicológica da magistrada e que as condutas relatadas poderiam estar relacionadas à condição de mulher.

O defensor já não estaria atuando na cidade onde os episódios ocorreram e foi designado pela Defensoria Pública para trabalhar em outro município. A magistrada, por sua vez, pediu licença médica. 

 

Rixa

Disputa política em rede social gera xingamentos, agressões e caminhão de som em Corumbá

Vereador apareceu na frente da casa do médico em cima de um caminhão de som e, ao falar no microfone, reclamou de ataques

02/10/2026 18h00

Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O vereador e candidato a deputado estadual Luís Francisco de Almeida Vianna, o Chicão Viana, e o médico e pai do atual prefeito de Corumbá, Oséas Ohara de Oliveira, tiveram uma disputa que começou nas redes sociais e neste dia 1º de outubro acabou intensificando a tensão.

O vereador apareceu na frente da casa do médico em cima de um caminhão de som e, ao falar no microfone, reclamou de ataques que alegou estar sofrendo por parte de Oséas, que tem 74 anos.

Primeiro, o médico apareceu na sacada da própria casa e esbravejou contra Chicão Vianna. Com a delonga no tempo que o candidato prosseguiu falando no carro de som, que podia ser ouvido a mais de um quarteirão de distância, Oséas foi até a calçada e arremessou objetos contra o candidato. Em uma dessas tentativas de arremessar objetos, o médico chegou a cair na rua.

Ainda na quinta-feira, no começo da noite, Oséas foi à Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência de perturbação do trabalho ou do sossego alheio. Ele foi acompanhado de uma advogada, que é servidora da Prefeitura de Corumbá. Em depoimento, contou que saiu do banheiro e ouviu Chicão Vianna o chamando. Durante a confusão, tudo foi filmado e transmitido ao vivo em rede social por uma mulher que estava em um outro veículo.

Ele pontuou três testemunhas para que podem ser ouvidas pelas autoridades, caso haja demanda na tramitação do boletim de ocorrência. 

Oséas fez questão de enfatizar para a polícia que é idoso e tem problemas cardíacos. “Declara, ainda, que possui interesse e manifesta expressamente seu desejo de representar criminalmente contra o sr. Chicão Vianna, em razão dos fatos ora relatados”, consta no B.O, que foi registrado com o delegado Elton Alves de Sá Junior.

O médico foi procurado pelo Correio do Estado e ele pontuou que registrou o boletim de ocorrência e aguarda a tramitação da Polícia Civil.

Chicão Vianna também fez representação criminal contra Oseas na Polícia Civil e houve registro de boletim com relação à injúria. Nesse registro, foram indicadas como vítimas tanto o candidato como a mulher que filmou a disputa na rua Joaquim Murtinho, no bairro Aeroporto. O candidato apontou que viu publicação em rede social no perfil de uma terceira pessoa que divulgava a informação falsa de que Chicão Vianna havia desistido da sua candidatura.

“A referida publicação não corresponderia à verdade e teria provocado repercussão entre seus familiares, amigos e demais pessoas de seu convívio, que passaram a procura-lo questionando acerca de suposta desistência da candidatura. Diante da situação, realizou manifestação pública com a finalidade de esclarecer que permanece candidato”, detalhou o B.O.

Essa manifestação ocorreu com um trio elétrico e quando passou na frente da casa do pai do prefeito de Corumbá, Gabriel Ohara Oliveira, acabou tendo o confronto com Oseás. “Afirma o comunicante que Sr. Oséas teria proferido xingamentos e, na sequência, ameaças de morte em sua direção, declarando, segundo Chicão: ‘Vou te matar’”, detalhou o registro policial.

Inicialmente, o vereador pontou no registro que “não deseja mal a Sr. Oseas Ohara de Oliveira”. Além de Chicão, a mulher relatada como vítima disse à Polícia Civil que estava em uma casa próxima a residência do médico de 74 anos e quando viu o confronto verbal e o arremesso de objetos, decidiu gravar com o celular. Ela se declarou namorada de Chicão.

"Há algum tempo, o sr. Oséas Ohara vem fazendo manifestações públicas a meu respeito que considero ofensivas e prejudiciais à minha imagem. Mesmo diante dessas manifestações, sempre procurei agir com respeito e jamais respondi com agressões ou ameaças.

O episódio de hoje (1º) teve origem na divulgação, nas redes sociais, de uma informação de que eu estaria desistindo da minha candidatura. Diante disso, fiz uma manifestação pública (...). Durante a manifestação, dirigi-me ao sr. Oséas sem ameaçá-lo, agredi-lo ou utilizar violência. Em determinado momento, contudo, ele se aproximou e tentou arremessar objetos em minha direção, inclusive uma pedra, conforme registro em imagens do episódio", informou o candidato, em nota.

O mesmo delegado, Elson Alves de Sá Junior, fez o registro policial no relato do candidato a deputado estadual. Os dois boletins de ocorrência passam a tramitar no âmbito policial para averiguação dos fatos.

Histórico

O vereador Chicão Vianna chegou a integrar o quadro da Prefeitura de Corumbá e assumiu o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Econômico. Contudo, ele acabou deixando o posto neste ano após ter desentendimentos com o prefeito Gabriel Oliveira.

Na região de Corumbá e Ladário, as disputas políticas costumam ser travadas de forma intensa nas redes sociais, com acusações de diferentes níveis. Tanto por meio de perfis pessoais, como em grupos que reúnem mais de 139 mil seguidores. Essas disputas são comuns e com publicações recorrentes, principalmente nesse período eleitoral.

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