A menos de um mês da operação “Buracos Sem Fim”, que resultou na prisão do então diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Rudi Fiorese, o Governo de Mato Grosso do Sul lançou uma nova licitação milionária para serviços de manutenção rodoviária em diferentes regiões do Estado.
Publicada pela Agesul, a concorrência eletrônica nº 057/2026 prevê a contratação de empresas especializadas para execução de serviços de manutenção e conservação da malha rodoviária pavimentada e não pavimentada. Somados, os quatro lotes têm valor estimado em R$ 446,7 milhões.
O maior contrato previsto é o do lote 04, da região leste do Estado, estimado em R$ 181,2 milhões. Já os outros três lotes, destinados à região central, variam entre R$ 83,3 milhões e R$ 98,6 milhões.
Conforme o edital, a disputa será realizada pelo critério de menor preço por lote, em regime de empreitada por preço unitário. A abertura das propostas está marcada para o dia 8 de junho, às 8h30.
A publicação ocorre semanas após a prisão preventiva de Rudi Fiorese, exonerado do cargo no mesmo dia da operação conduzida pelo Grupo Especializado de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Prisão
Fiorese é investigado por suposto envolvimento em um esquema de fraudes em contratos de tapa-buracos quando fazia parte da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Durante o cumprimento dos mandados, policiais encontraram R$ 186 mil em dinheiro vivo na casa do então diretor da Agesul. Ao todo, as apreensões ligadas aos investigados somaram R$ 429 mil.
Segundo o MPMS, a investigação apontou indícios de manipulação de medições de serviços e pagamentos indevidos em contratos de manutenção viária, com prejuízo aos cofres públicos e impacto direto na qualidade das vias.
Antes de assumir a Agesul, em 2023, Rudi Fiorese comandou a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) nas gestões de Marquinhos Trad (PV) e Adriane Lopes (PP).
A operação também teve como alvo empresários ligados à Construtora Rial, apontada como pivô do esquema investigado. Entre os presos estão Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.
Contratos sob investigação
Conforme publicações oficiais analisadas à época pelo Correio do Estado, a Construtora Rial assinou ou renovou contratos que somavam R$ 36,9 milhões entre fevereiro e maio deste ano com o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande.
Um dos contratos renovados previa a manutenção de 417 quilômetros de estradas pavimentadas e não pavimentadas na regional de Camapuã, ao custo de R$ 9,9 milhões. O documento foi assinado pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e por Rudi Fiorese, apenas dez dias após ele assumir o comando da Agesul. O contrato original, no entanto, havia sido firmado em 2021, período em que Fiorese ainda integrava a administração municipal de Campo Grande.
Já em 13 de março, foi publicada a assinatura de um contrato de R$ 4,7 milhões para pavimentação de ruas em Jaraguari, firmado já sob a gestão de Fiorese na agência estadual.
No dia seguinte, 14 de março, a empresa teve renovado um contrato de R$ 11,5 milhões para manutenção de vias pavimentadas e não pavimentadas na regional de Três Lagoas, com vigência de um ano, salvo realização de nova licitação.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, entre 2018 e 2025, a empresa investigada na operação “Buracos Sem Fim” acumulou contratos e aditivos que ultrapassam R$ 113 milhões.
A prisão preventiva do empreiteiro Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e de seu pai, o pecuarista Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, reforçou a suspeita de que os contratos ligados à Construtora Rial eram o principal foco da investigação conduzida pelo Grupo Especializado de Combate à Corrupção (Gecoc).
Além dos empresários, também foi preso o então diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, em cuja residência foram apreendidos R$ 186 mil em dinheiro vivo. Após a operação, o Governo do Estado confirmou a exoneração dele do cargo.

