Artigos e Opinião

Editorial

Combustíveis sobem e consumidor desconfia

O que não se mostra legítimo é a prática de aumentos sem explicação convincente, muito menos a cobrança de preços que possam ser considerados abusivos

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A disparada recente nos preços dos combustíveis em Campo Grande, verificada ao longo do fim de semana, levanta questionamentos difíceis de ignorar. A gasolina comum, cujo preço foi mantido nas refinarias, e o etanol, biocombustível produzido em larga escala e que não depende diretamente do petróleo, registraram aumentos quase simultâneos.

O movimento expõe uma dinâmica do mercado atacadista e varejista que, para o consumidor, permanece pouco transparente e de difícil compreensão.

Se há algo que o cidadão campo-grandense tem entendido com clareza é que os preços continuam subindo. E, diferentemente de outros momentos, há agora uma percepção mais aguçada sobre quem, de fato, está promovendo esses reajustes.

Quando o preço não sobe na refinaria e ainda assim chega mais alto à bomba, o olhar naturalmente se volta aos intermediários.

Distribuidoras e postos passam a ocupar o centro das suspeitas, ainda que explicações formais insistam em citar custos diversos e variáveis pouco detalhadas.

Nesse contexto, chama atenção a postura adotada pela Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS). Desde a semana passada, o órgão afirma tentar “entender” a formação dos preços.

Embora seja legítimo buscar informações e ouvir o setor, a atitude soa excessivamente cautelosa diante de um cenário em que os aumentos se sucedem rapidamente.

Enquanto os preços nas refinarias permanecem estáveis, distribuidoras e postos continuam elevando os valores, o que sugere que as justificativas apresentadas podem não ter sido suficientemente esclarecedoras.

Ao consumidor, resta a impressão de que a explicação oferecida foi mais uma conversa protocolar do que um esclarecimento efetivo.

Não se trata de negar a complexidade do mercado de combustíveis, que envolve custos logísticos, variações cambiais e margens comerciais. Tampouco se questiona o direito de empresas obterem lucro.

O que não se mostra legítimo é a prática de aumentos sem explicação convincente, muito menos a cobrança de preços que possam ser considerados abusivos. Transparência é condição básica para que o mercado funcione com equilíbrio e confiança.

Diante disso, o consumidor precisa manter a atenção redobrada. A comparação de preços, a observação dos movimentos e a disposição para questionar são instrumentos importantes para evitar distorções.

Quanto maior a vigilância social, menor o espaço para abusos. O próprio comportamento do público, ao escolher onde abastecer, pode influenciar a dinâmica do mercado.

Há, contudo, um sinal positivo nesse cenário. O consumidor parece mais consciente e atento. A percepção de que nem todo aumento tem origem nas refinarias fortalece o senso crítico e estimula a cobrança por explicações. Em momentos como este, a informação se torna aliada fundamental.

A cidade ganha quando o mercado é transparente e quando o consumidor exerce seu papel com responsabilidade. Afinal, lucrar é legítimo, o que não é aceitável é elevar preços sem justificativa clara e penalizar, mais uma vez, quem está do outro lado da bomba.

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ARTIGOS

Nas ruas, a defesa da dignidade

País ultrapassou 365 mil pessoas em Situação de Rua entre o fim de 2025 e o início de 2026

24/06/2026 07h45

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O crescimento da população em situação de rua no Brasil expressa a realidade social das cidades contemporâneas.

Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (UFMG), com base no Cadastro Único, indica que o País ultrapassou 365 mil pessoas nessa condição entre o fim de 2025 e o início de 2026, mantendo uma trajetória de alta nos últimos anos.

Entre 2018 e 2023, o número de registros praticamente dobrou, superando 221 mil pessoas, com presença já identificada em mais de 40% dos municípios brasileiros.

Mais do que números, estamos diante de vidas. E a forma como a sociedade olha para essas vidas diz muito sobre o projeto de cidade que estamos construindo.

Ainda persistem, na sociedade, estigmas e preconceitos em relação à população em situação de rua, frequentemente tratada de forma reducionista, em vez do reconhecimento deste grupo como sujeitos de direitos.

Essa ótica, por vezes naturalizada, acaba influenciando práticas institucionais e respostas públicas que priorizam o afastamento, o controle ou a invisibilização, em detrimento da construção de alternativas efetivas.

Longe de ser resultado de escolhas individuais, a vida nas ruas expressa uma profunda violação de direitos, vinculada à desigualdade estrutural e à precarização das condições de vida. Enfrentar essa realidade exige mais do que gestão urbana, exige compromisso ético com a dignidade humana.

É nesse cenário que a atuação de assistentes sociais se torna fundamental, não somente na garantia de acesso a direitos, mas também na construção de leituras críticas da realidade e de respostas comprometidas com a vida das pessoas.

Orientado pela Política Nacional para a População em Situação de Rua (Decreto nº 7.053/2009), o trabalho profissional parte do reconhecimento desse grupo social como sujeito de direitos, com histórias, demandas e potencialidades que precisam ser compreendidas em sua complexidade.

Na prática, assistentes sociais atuam diretamente nos territórios, em serviços como Centros POP, Creas e equipes de Consultório na Rua. Mais do que encaminhamentos pontuais, sua atuação deve se fundamentar na escuta qualificada, na construção de vínculos e no acompanhamento continuado.

O diálogo é elemento central desse trabalho: é por meio dele que emergem demandas reais (muitas vezes invisibilizadas) relacionadas à documentação, à saúde, à renda, à moradia e à reconstrução de relações familiares e comunitárias.

Atuar com compromisso técnico e ético é reconhecer o outro em sua condição humana, romper com a invisibilidade e construir caminhos possíveis.

Diante de práticas higienistas, remoções forçadas e da criminalização da pobreza, o serviço social se posiciona de forma firme na defesa da dignidade de toda a população.

Enfrentar a realidade das ruas exige mais do que respostas rápidas: exige compromisso com a vida e com transformações concretas. O serviço social trilha esse caminho todos os dias, por meio de trabalho técnico e qualificado, da atuação crítica e da construção de alternativas.

Fica o convite à sociedade: romper com respostas simplificadas e excludentes e assumir um compromisso real com as vidas e a justiça social.

ARTIGOS

Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destinou investimento de R$ 60 milhões para pesquisas e inovações no diagnóstico e tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual

24/06/2026 07h30

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Governar com sensibilidade é transformar o conhecimento científico em dignidade e qualidade de vida para as pessoas. Por muito tempo, as dores e os desafios da saúde menstrual e da endometriose foram tratados sob o manto da invisibilidade, relegados a um silêncio que penaliza milhões de mulheres, trabalhadoras e estudantes brasileiras.

No dia 9 de junho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em um esforço conjunto com o Instituto Alana, deu um passo histórico para mudar essa realidade.

Anunciamos um investimento expressivo de R$ 60 milhões dedicado integralmente ao desenvolvimento de pesquisas e inovações para agilizar o diagnóstico e dar maior eficácia ao tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual.

Colocamos, assim, a ciência brasileira no centro da solução de um gargalo histórico do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Este é o maior aporte da história do Ministério voltado para a saúde da mulher e a saúde menstrual. Estamos disponibilizando R$ 50 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio de uma chamada pública nacional, para apoiar pesquisas científicas de ponta e o desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores que mudem a realidade do enfrentamento da endometriose no Brasil.

Essa iniciativa ganha ainda mais força com a parceria estratégica do Instituto Alana, que aportará outros R$ 10 milhões para a criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa nessa área.

Juntos, esses investimentos permitirão ampliar o conhecimento científico sobre a origem dessas doenças, fortalecer grupos de pesquisa em todo o País, desenvolver novos métodos de diagnóstico, aperfeiçoar tratamentos, estruturar biorrepositórios e compreender os impactos sociais e econômicos dessas condições.

A endometriose é uma doença que penaliza profundamente quem convive com ela. Além das dores físicas incapacitantes, impacta a saúde mental e a trajetória educacional e profissional das mulheres.

Hoje, elas ainda enfrentam anos de espera para obter um diagnóstico correto, convivendo com estigmas e limitações que a ciência e a inovação brasileiras podem ajudar a enfrentar.

Com essa nova iniciativa, o MCTI reafirma a convicção de que a ciência deve estar a serviço da vida, do cuidado e da promoção da igualdade.

Queremos promover a dignidade menstrual e garantir vida plena para milhões de brasileiras, produzindo soluções alinhadas às demandas do SUS e fortalecendo o complexo econômico-industrial da Saúde.

No governo do presidente Lula, ciência e saúde andam de mão dadas. Desde o início da nossa gestão, já investimos mais de R$ 6 bilhões em projetos na área de saúde, apoiando pesquisa, inovação e produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos estratégicos para o SUS e reforçando a política industrial brasileira.

É a ciência brasileira mostrando sua face mais humana, mobilizada para responder às necessidades reais do nosso povo e para construir um país mais justo, inclusivo e soberano. Cuidar das mulheres é também cuidar do futuro e do desenvolvimento do Brasil.

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