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Homo Longevus: a revolução da longevidade

Longevidade não significa apenas viver mais tempo sendo velho mas, sim, prolongar juventude e maturidade ampliando os anos de vitalidade e participação ativa na sociedade

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Vivemos um momento histórico, no qual o conceito de envelhecer está sendo radicalmente transformado. Por muito tempo, a velhice foi encarada como um destino inevitável, marcado por limitações e perdas, mas, hoje, esse paradigma começa a ruir.

A longevidade não significa apenas viver mais tempo sendo velho mas, sim, prolongar juventude e maturidade ampliando os anos de vitalidade e participação ativa na sociedade.

Essa mudança não é apenas cultural, mas também científica, pois os avanços na compreensão da biologia da senescência e os mecanismos que causam o envelhecimento, aliada às tecnologias médicas e às políticas públicas, tornam possível projetar uma vida de até 120 anos como algo estatisticamente plausível.

O advento das canetas emagrecedoras, a ampliação das academias, a expansão do saneamento básico e a melhoria da alimentação nos levarão aos 95 anos como expectativa média de vida até 2040.

Países que já contam com populações envelhecidas oferecem aprendizados valiosos, mostrando que viver mais e melhor será a norma, não a exceção, reforçando que ler, socializar, cuidar e meditar são práticas dos vencedores que devem ser aplicadas por essa eminente longevidade.

Mas a revolução da longevidade não se limita ao indivíduo, impactando profundamente a estrutura social e familiar – a chamada “Árvore Vertical” –, em que famílias podem reunir até cinco gerações vivas, de tataravós a tataranetos, convivendo sob o mesmo teto.

Essa configuração inédita traz desafios e oportunidades, como a transferência de sabedoria em tempo real com conhecimento circulando entre diferentes gerações, novos arranjos financeiros, que incluem herança em vida e redistribuição de recursos para apoiar múltiplos ciclos geracionais, e a transformação do ambiente familiar, que passa a ser multigeracional e deve ser adaptado para acolher as diferentes fases da vida.

Mais do que nunca se faz necessário repensar vínculos, papéis e responsabilidades dentro da família, considerando que o Homo Longevus não é apenas um ser humano que vive mais tempo, mas, alguém que vive melhor, com mais vitalidade, integração social e propósito.

É urgente provocar e conscientizar sobre uma geração prateada crescente e cada vez mais longeva, com renda, posicionamento, experiência contributiva e demandante de novas necessidades.

Resumindo, é a hora e a vez de todos entenderem que ter mais de 50 anos pode ser muito cool, prazeroso e o momento ideal para uma reflexão sobre um futuro inevitável, mas que pode ser melhor e mais inclusivo e afetivo. Afinal, todos chegaremos lá.

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A eliminação do Brasil na Copa e o Enem

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem pode estar treinando errado

14/07/2026 07h45

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Se o resultado de um jogo de futebol fosse determinado por uma metodologia como a do Enem, o Brasil perderia para a Noruega por um placar ainda mais desagradável. Motivo? Incoerência.

A TRI, metodologia adotada para contar pontos na prova, premia mais quem sabe o que está fazendo, quem domina o jogo porque treinou para ele. O futebol contemporâneo está assim também.

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem e estuda para verificar se um texto literário é “cultista” ou “conceptista” e para classificar um único verbo de uma frase como “oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo” está treinando errado.

Pode até acertar questões que porventura cobrarem isso, mas esses conteúdos, se forem cobrados assim, farão parte de questões difíceis (bem difíceis) de duas habilidades: a 16 e a 18.

Mas é muito improvável que esses conteúdos caiam, mais provável é simplesmente reconhecer um jogo de palavras e notar o significado que a adição de um verbo traz para uma frase, coisas relativamente simples para quem está estudando certo.

E tem mais: muitos que estão estudando para acertar qual variante do Barroco está em um texto e classificar uma oração com nome gigantesco não conseguem acertar o que de fato se pede no Enem.

Se caírem essas quatro questões, as duas improváveis e difíceis junto com as duas fáceis, provavelmente aqueles que estão presos aos materiais tradicionais deixarão de acertar ao menos uma das fáceis e conseguirão gabaritar as improváveis.

Resultado? Incoerência pedagógica. Nota baixa pela TRI. Perdem a partida.

Algo parecido aconteceu com a seleção brasileira: errou questões fáceis e acertou algumas difíceis. Errou um pênalti aos 13 minutos, perdeu um gol cara a cara com o goleiro norueguês, não trocou passes na sua intermediária.

A Noruega acertou as fáceis (trocou bola muito bem), as medianas (soube marcar nossos jogadores) e as difíceis (conseguiu defender pênalti e outros chutes muito bem dados). Se o Brasil não errasse as fáceis, o resultado seria outro.

Agora, o que nos resta no futebol é torcer na próxima Copa. Já no Enem… Temos tempo. É hora de estudar o que cai de verdade – as habilidades cobradas na prova, e não o conteúdo tradicional escolar, que não cai nesse exame desde sua criação.

É hora, também, de usar a TRI em nosso favor. Ando afirmando: Enem é futebol de campo; vestibular tradicional, de salão. Não somos campeões no estádio, mas podemos ser na nossa vida estudantil. Bora treinar certo e, no fim, comemorar o título: aprovado.

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A sabedoria que envelhece em silêncio

Ouvir um idoso não significa apenas revisitar o passado, é compreender melhor a natureza humana

14/07/2026 07h30

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O Brasil está envelhecendo. Em poucas décadas, teremos uma das maiores populações idosas do mundo. A medicina ampliou nossa expectativa de vida, mas a sociedade ainda não aprendeu a cuidar de uma das maiores necessidades da terceira idade: a atenção, a escuta e o acolhimento emocional.

Desde muito jovem, sempre gostei da companhia dos mais velhos. Enquanto muitos da minha idade preferiam conversar apenas entre si, eu passava horas ouvindo meus avós.

Meu avô materno, Vicente, coronel do Exército e educador, e meu avô Nico, ferroviário da antiga Noroeste do Brasil, foram duas das maiores fontes de aprendizado que tive na vida.

Hoje percebo que, sem saber, eles me ensinaram muito mais do que fatos históricos. Ensinaram-me a ouvir, a refletir e a compreender que a experiência de vida é uma das formas mais valiosas de sabedoria.

Nossas conversas eram longas e sempre fascinantes. Falávamos sobre a política na época de Getúlio Vargas, sobre o regime militar, os desafios do Brasil contemporâneo, histórias da família, futebol, esporte e os inúmeros “causos” que apenas quem atravessou tantas décadas consegue narrar com riqueza de detalhes e autenticidade.

É verdade que muitas histórias se repetiam. Mas nunca enxerguei isso como repetição. Via, na verdade, a alegria estampada no rosto deles ao reviver momentos que ajudaram a construir quem eram.

E percebia que, mesmo conhecendo o desfecho de cada história, quase sempre surgia um detalhe novo, uma interpretação diferente ou uma reflexão que eu ainda não havia sido capaz de enxergar.

Com o tempo, compreendi que ouvir um idoso não significa apenas revisitar o passado. É compreender melhor a natureza humana e perceber que a história, embora nunca se repita exatamente da mesma forma, costuma seguir ciclos que atravessam gerações.

Vivemos, porém, em uma sociedade que valoriza a velocidade. Temos tempo para responder a mensagens, acompanhar redes sociais e consumir informações durante horas, mas cada vez menos disposição para simplesmente sentar ao lado de quem envelheceu e ouvir suas histórias sem olhar para o relógio.

Esse é um dos maiores desafios de uma população que envelhece rapidamente. Garantir longevidade não é suficiente, é preciso garantir pertencimento.

Nenhum exame substitui uma boa conversa. Nenhum medicamento combate a sensação de invisibilidade que muitos idosos experimentam quando deixam de ser ouvidos.

Os mais velhos carregam muito mais do que lembranças. Carregam experiências que nenhum livro ensina e que nenhuma inteligência artificial é capaz de reproduzir. São testemunhas do seu tempo e, muitas vezes, os últimos guardiões da memória de uma família, de uma comunidade e até de uma geração inteira.

Falta-nos mais paciência para ouvir e mais reconhecimento por tudo aquilo que essas pessoas construíram antes de nós. Afinal, se Deus nos conceder esse privilégio, um dia também seremos nós contando as mesmas histórias.

E, quando esse momento chegar, o que mais desejaremos provavelmente não será alguém que nos corrija ou nos apresse, mas simplesmente alguém disposto a nos ouvir.

Os jovens não imaginam o quanto podem aprender simplesmente reservando alguns minutos para conversar com seus pais, avós e familiares idosos. A assistência material é importante e, muitas vezes, indispensável.

Mas nenhuma ajuda financeira substitui a presença, a escuta atenta, o respeito e o carinho. Quem dedica alguns minutos para ouvir um idoso não está apenas oferecendo afeto, mas também recebendo uma herança invisível de experiências, valores e sabedoria construída ao longo de uma vida inteira.

Se o Brasil envelhece, é preciso que amadureça também a nossa forma de enxergar a velhice. Envelhecer é um privilégio. Garantir que cada idoso seja tratado com respeito, afeto, escuta e dignidade não é apenas um dever das famílias, mas um compromisso permanente de toda a sociedade.

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