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A eliminação do Brasil na Copa e o Enem

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem pode estar treinando errado

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Se o resultado de um jogo de futebol fosse determinado por uma metodologia como a do Enem, o Brasil perderia para a Noruega por um placar ainda mais desagradável. Motivo? Incoerência.

A TRI, metodologia adotada para contar pontos na prova, premia mais quem sabe o que está fazendo, quem domina o jogo porque treinou para ele. O futebol contemporâneo está assim também.

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem e estuda para verificar se um texto literário é “cultista” ou “conceptista” e para classificar um único verbo de uma frase como “oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo” está treinando errado.

Pode até acertar questões que porventura cobrarem isso, mas esses conteúdos, se forem cobrados assim, farão parte de questões difíceis (bem difíceis) de duas habilidades: a 16 e a 18.

Mas é muito improvável que esses conteúdos caiam, mais provável é simplesmente reconhecer um jogo de palavras e notar o significado que a adição de um verbo traz para uma frase, coisas relativamente simples para quem está estudando certo.

E tem mais: muitos que estão estudando para acertar qual variante do Barroco está em um texto e classificar uma oração com nome gigantesco não conseguem acertar o que de fato se pede no Enem.

Se caírem essas quatro questões, as duas improváveis e difíceis junto com as duas fáceis, provavelmente aqueles que estão presos aos materiais tradicionais deixarão de acertar ao menos uma das fáceis e conseguirão gabaritar as improváveis.

Resultado? Incoerência pedagógica. Nota baixa pela TRI. Perdem a partida.

Algo parecido aconteceu com a seleção brasileira: errou questões fáceis e acertou algumas difíceis. Errou um pênalti aos 13 minutos, perdeu um gol cara a cara com o goleiro norueguês, não trocou passes na sua intermediária.

A Noruega acertou as fáceis (trocou bola muito bem), as medianas (soube marcar nossos jogadores) e as difíceis (conseguiu defender pênalti e outros chutes muito bem dados). Se o Brasil não errasse as fáceis, o resultado seria outro.

Agora, o que nos resta no futebol é torcer na próxima Copa. Já no Enem… Temos tempo. É hora de estudar o que cai de verdade – as habilidades cobradas na prova, e não o conteúdo tradicional escolar, que não cai nesse exame desde sua criação.

É hora, também, de usar a TRI em nosso favor. Ando afirmando: Enem é futebol de campo; vestibular tradicional, de salão. Não somos campeões no estádio, mas podemos ser na nossa vida estudantil. Bora treinar certo e, no fim, comemorar o título: aprovado.

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A rigidez religiosa e a busca da felicidade

O homem vive na expectativa de felicidade plena em outra dimensão na companhia de Deus

13/07/2026 07h45

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As religiões, cada uma a seu modo, prometem felicidade ao homem. Entretanto, esta felicidade ele não a alcançará aqui na Terra, pois aqui, neste plano da existência, ela é inatingível. Para alcançá-la, o homem deve conduzir sua vida dentro de certos preceitos e normas rígidas.

A felicidade plena, ele só a terá em outra dimensão, na companhia de Deus, o seu criador. O homem, assim, aqui vive na expectativa desta outra vida, preparando-se, controlando desejos, reprimindo impulsos, esmagando vontades.

Nesta linha doutrinária, o homem busca satisfazer a sua sede pelo divino, acreditando ser o caminho possível para a comunhão com Deus, quando, por meio da fé, ele terá respostas às suas indagações angustiantes sobre a razão da existência.

Aqui, neste plano de compreensão finita, ele se vê impotente diante da absoluta grandeza do universo, no embate entre a sua pequenez, frente à plenitude do infinito.

Neste apregoado “vale de lágrimas”, imerso na rigidez das crenças, o homem se curva, ele mais se entrega, ele mais procura se conter aqui na Terra, para merecer a glória da eternidade.

Conclui-se que a rigidez das normas religiosas de conduta oprime a liberdade do homem, inibe a satisfação de sua vontade, impõe limites aos seus desejos, enfim, leva-o a uma espécie de aniquilamento de si mesmo, de sua existência.

A religiosidade exacerbada é um instrumento de dominação poderoso, que encarcera o homem dentro de si mesmo, extraindo quase sempre, senão a expectativa da felicidade terrena, a simples possibilidade de fugazes momentos felizes. 

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O que comunicamos quando falamos de integridade?

Durante muito tempo, falamos de integridade quase sempre a partir do que não deve ser feito

13/07/2026 07h30

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A comunicação dos departamentos de integridade precisa fazer uma pergunta simples e incômoda: o que estamos comunicando quando comunicamos integridade?

Durante muito tempo, falamos de integridade quase sempre a partir do que não deve ser feito: “não aceite vantagem indevida”, “não pratique assédio”, “não se envolva em conflito de interesses”, “não use bens da organização para fins particulares”, “não fraude”, “não corrompa”, “denuncie”.

Tudo isso é necessário. Organizações precisam ter regras claras, canais seguros, controles efetivos e responsabilização. Nenhuma cultura de integridade se sustenta quando o erro é ignorado.

Mas há uma questão: quando falamos de integridade apenas pela linguagem do erro, do medo e da punição, que imagem estamos formando na mente das pessoas?

Talvez estejamos tentando construir confiança usando uma linguagem que reforça a desconfiança.

A comunicação não é neutra. Ela educa, direciona atenção e ajuda as pessoas a entenderem o que é valorizado, esperado ou rejeitado.

No livro “O Jeito Harvard de Ser Feliz”, Shawn Achor menciona a chamada Síndrome da Faculdade de Medicina. Segundo ele, “no primeiro ano de faculdade de medicina, quando os alunos aprendem todas as doenças e sintomas que podem acometer uma pessoa, muitos médicos aspirantes de repente se convencem de que são vítimas de todas elas”.

A provocação é simples: aquilo que recebe a atenção repetida passa a ocupar mais espaço no nosso imaginário e, pouco a pouco, molda a forma como interpretamos a realidade.

O próprio Achor resume essa ideia ao afirmar que “o objeto ao qual dedicamos nosso tempo e focamos nossa energia mental pode de fato se transformar na nossa realidade”.

Esse raciocínio ilumina um desafio dos programas de integridade.

Quando uma organização fala o tempo todo de corrupção, fraude, assédio, punição e denúncia, pode transmitir uma mensagem não intencional: a de que aquele ambiente é naturalmente perigoso, moralmente frágil e suspeito.

Não se trata de deixar de falar sobre esses temas. Fraudes existem. Assédios existem. Conflitos de interesse e corrupção existem. E precisam ser enfrentados com seriedade.

O ponto é outro: esses temas não podem ser o único centro simbólico da comunicação de integridade.

Integridade também precisa comunicar o que se espera das pessoas: confiança, respeito, cuidado, responsabilidade, transparência, justiça, cooperação e serviço bem-feito. Precisa mostrar a conduta desejada, não apenas a proibida.

Há diferença entre dizer “não pratique conflito de interesses” e dizer “tome decisões colocando o interesse coletivo acima do interesse pessoal”. A primeira forma comunica proibição. A segunda comunica padrão de conduta.

Culturas fortes não são construídas apenas pelo medo do que não pode ser feito. São construídas também pela clareza do que deve ser vivido.

Talvez, por isso, tantas pessoas não se engajem. Ninguém se engaja profundamente com uma cultura que só aparece para proibir, ameaçar e punir.

A comunicação de integridade precisa deixar de ser apenas uma campanha contra o erro e passar a ser uma campanha a favor do acerto e da confiança.

No fim, a integridade não se consolida apenas quando as pessoas temem errar. Ela se consolida quando as pessoas compreendem, desejam e praticam o certo.

Por isso, antes da próxima campanha, vale perguntar: estamos comunicando apenas o que queremos evitar ou também a organização que queremos construir?

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