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BIOMA

Brigadistas usam tecnologia para caçar incendiários no Pantanal

Estudo identificou que, em 20 anos, 90 propriedades foram responsáveis por incêndios e não penalizadas

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Neste mês, houve o lançamento de uma nova ferramenta para atuar na fiscalização e no monitoramento de incêndios. 

O sistema Pantanal em Alerta, montado por equipe de informática do Corpo de Bombeiros, com apoio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), vai permitir que holofotes estejam ligados para fiscalizar diretamente as 3 mil propriedades rurais existentes em todo o Bioma Pantanal, tanto no Estado como em Mato Grosso.

O novo sistema de monitoramento reúne dados em tempo real extraídos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e os combinam com a base de dados do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), em que está cadastrado o dono da propriedade e a localização dela. 

Essa ferramenta agora garante que os Bombeiros, por exemplo, tenham as coordenadas de onde os focos de calor estão sendo registrados hora a hora, diariamente. Essa capacidade de monitorar as queimadas no Pantanal, até a metade deste ano, não existia.

Estudo inédito capitaneado pelo MPMS identificou, com base em dados de diferentes fontes, que ao longo dos últimos 20 anos houve um total de 90 propriedades rurais que concentram a maioria dos casos de incêndio florestal no Pantanal. 

Até este ano, o órgão não tinha um diagnóstico mais apurado sobre a queimada no bioma, por isso esses locais sequer foram responsabilizados pelas queimadas anteriores.

A falta de mecanismos mais eficientes ficou exposta depois que em 2020 houve a destruição de 28% do bioma, consumido por fogo que durou 10 meses.

Promotor de Justiça e integrante do Núcleo Ambiental do Ministério Público Estadual Luciano Loubet explica que desde que foi criado o Programa Pantanal em Alerta, montado para intensificar as ações de proteção ao bioma fragilizado pelo fogo, estatísticas e soluções passaram a ser pensadas de forma mais direta. 

Ele não pontuou o número de infrações que já foram aplicadas após os incêndios de 2020.

Conforme o promotor, o caos ambiental do ano passado apresentou às autoridades estaduais diversas deficiências sobre o combate ao fogo. 

“Ano passado, uma das primeiras iniciativas foi buscar identificar as causas. Conseguimos já reduzir de 700 propriedades atingidas para 90, além de áreas indígenas. Buscamos parcerias com os proprietários para que eles possam atuar também de forma preventiva", explica Luciano Loubet.

"A gente sabe que não é fácil, há dificuldade de acesso, as propriedades são enormes. E temos 3 mil propriedades no Pantanal e nenhuma autoridade tinha condições de atuar para identificar quais são os locais prioritários para um trabalho preventivo”, completou.

A pesquisa em torno das áreas mais ardentes para registro do fogo no Pantanal teve apoio estratégico e científico do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também de setores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). 

Essas duas instituições de ensino forneceram dados geográficos para que o MPMS e Bombeiros pudessem identificar quais propriedades rurais têm maior propensão a passarem por queimadas por conta da vegetação, além de levantamento do histórico de queima de anos anteriores.

Comandante-geral do Corpo de Bombeiros de MS, Hugo Djan Leite, aponta que a partir deste ano houve um trabalho mais convergente de diferentes órgãos para atuar contra os incêndios. 

“Não precisamos inventar a roda, precisamos nos organizar. Esse software criado [Pantanal em Alerta] vai ter dois anos de execução e, no futuro, vai ser absorvido pela Compnet [sistema de segurança do Estado, em que ficam os registros policiais e fiscalizatórios das forças de segurança estaduais]”, explica.

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INCÊNDIOS EM 20 ANOS

Além da ferramenta tecnológica, o Ministério Público e os Bombeiros agora têm também levantamento dos locais onde mais houve incêndio no Pantanal nos últimos 20 anos. 

“Chegamos a um número de propriedades prioritárias. Dessas, em 90 propriedades identificamos que houve início de incêndio de grandes proporções [em 2020]; nelas estamos realizando um trabalho preventivo neste ano”, detalha o promotor Luciano Loubet.

O subcomandante da Polícia Militar Ambiental (PMA), major Cleiton Douglas da Silva, na esteira da atuação sobre fiscalização e prevenção a incêndios, reforça que a corporação está em curso com a Operação Prolepse, que significa antecipação, para tentar mudar uma cultura de se colocar fogo em vegetação no Estado. 

O major ainda pontua que levantamento da PMA sobre as áreas mais críticas no Pantanal está em curso e os dados obtidos vão se somar ao sistema do Pantanal em Alerta.

“Fizemos um mapeamento e pontuamos todos esses locais que foram causadores de incêndios ano passado. No começo deste ano, começamos a visitar todos esses locais e repassar que estamos atentos. Estamos trabalhando em toda uma região onde fizemos um termo de compromisso com várias propriedades”, exemplifica.

ORIGEM DO PROBLEMA

De forma local, a promotora de Justiça Ana Rachel Borges de Figueiredo Nina, da 2ª Promotoria de Justiça de Corumbá, que atua na área do meio ambiente, reconhece que a consciência ambiental passou a ficar maior neste ano após os incêndios florestais de 2020, tanto em termos de zona rural como na zona urbana.

“Corumbá, infelizmente, tem uma cultura de colocar fogo no lixo em área urbana. Isso é enraizado e muito problemático. Até o ano passado, fazíamos campanha com a Fundação Municipal do Meio Ambiente de orientação, orientamos o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental a autuarem essas pessoas", sugere a promotora.

"Tudo para tentar educar, mesmo que fosse pela via criminal. As pessoas não denunciavam. Neste ano, há um aumento significativo nas denúncias. Os vizinhos estão denunciando, e isso entendo que é uma consciência maior e acredito que seja reflexo do que vivemos no ano passado”, completou.

A pavimentação do sistema Pantanal em Alerta, lançado agora em setembro de 2021, foi feita a partir de termos de ajustamento de conduta que foram definidos dentro da 2ª Promotoria de Justiça de Corumbá. O total de TACs firmados não foi divulgado pelo MPMS.

Outra frente de atuação foi capacitar funcionários de 34 propriedades rurais no Pantanal de Corumbá para atuarem como brigadistas voluntários. Os cursos de formação foram realizados entre março e julho. Com a volta dos incêndios florestais, os Bombeiros, responsáveis pela formação, direcionaram seu efetivo para o combate.

O Comando-Geral dos Bombeiros indica que 250 homens podem ser direcionados para combater incêndios florestais no Estado. Atualmente, menos de 60% dessa força está empenhada.

Agora em 2021, conforme dados do Lasa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, quase 262 mil hectares já foram queimados. Em julho, o MPMS identificou redução de 30% de fogo com relação ao mesmo período do ano passado.  

Foram queimados 4 milhões de hectares do Pantanal em 2020. As queimadas destruíram 1,55 milhão de hectares de vegetação, o que dá sete vezes o território da cidade de São Paulo.

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CAMPO GRANDE

Conselho suspeita de suplementações de R$156 milhões e reprova contas da Sesau

Órgão justifica reprovação do balanço orçamentário por falta de "informações essenciais", como extratos bancários, para conferência completa da execução financeira da saúde

22/05/2026 09h33

Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica,

Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica, "não política". Marcelo Victor/Correio do Estado

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Através de edição extra do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), foi publicada ontem (21) que as contas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) referente ao exercício de 2024 foram reprovadas pelo Conselho, que levanta suspeita sobre suplementações que giram em torno de R$156 milhões. 

Conforme o documento, a deliberação número 1038 do Conselho Municipal de Saúde (CMS) reprova o chamado Balanço Geral Anual do Fundo Municipal de Saúde (FMS) da Sesau do exercício de 2024.

Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica, "não política".Reprodução/Diogrande

Em nota, o órgão justifica que esse balanço orçamentário foi reprovado porque "faltaram informações essenciais para a conferência completa da execução financeira da saúde", entre os quais elencam a falta: 

  • cronograma de desembolso;
  • conciliações; 
  • extratos bancários.

Como bem esclarece ao Correio do Estado o Coordenador da Mesa Diretora do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, as reprovações de contas neste caso da Sesau até podem acontecer, e assim já houve no passado, porém não seria a "via de regra". 

"O balanço financeiro pode ser: 'aprovado', 'aprovado com ressalva' ou 'reprovado'. No caso deste ano, especificamente, houve reprovação. Na maioria das vezes ou é aprovado ou com ressalva, realmente... não é algo tão comum de acontecer, mas pode", comenta ele.

Suplementações milionárias

Além disso, porém, o Conselho Municipal levanta a suspeita sobre suplementações de cerca de R$156 milhões, que teriam sido voltadas para despesas de exercícios anteriores. 

Segundo o CMS, esse tema, inclusive, está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus). 

Em complemento, o Conselho Municipal de Saúde frisa que tal reprovação foi uma deliberação de total natureza técnica, "não política". Confira a nota na íntegra.

"O Conselho reprovou o balanço orçamentário de 2024 porque faltaram informações essenciais para a conferência completa da execução financeira da saúde, como extratos bancários, conciliações e cronograma de desembolso.

Além disso, houve preocupação com suplementações de cerca de R$156 milhões para despesas de exercícios anteriores, tema este que inclusive está sob investigação do TCU e DENASUS, sem que os esclarecimentos apresentados fossem suficientes para dar segurança técnica ao Conselho. Foi uma decisão de natureza técnica, não política.

Vale lembrar que, ainda em dezembro de 2025, este mesmo Conselho já havia detectado "anomalias" e solicitado auditorias aos órgãos de controle, após identificar duas principais anormalidades nas contas da Saúde de Campo Grande. 

Primeiro foi identificado que uma quantia de quase R$30 milhões havia sido retirada da conta do Fundo Municipal de Saúde, que estava na casa dos R$35 milhões e “despencou” para R$9 milhões durante o período de 60 dias.

A outra suposta irregularidade apontada em ofício seria a abertura de uma nova conta sem oficialização ou anúncio público por parte do Executivo, ação essa que, segundo o CMS, aconteceu logo após a queda brusca citada acima, que não teria sido “acompanhada de qualquer ato administrativo formal apresentado” ao conselho.

 

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CAMPO GRANDE

Governo do Estado compra área de 10 hectares para ampliar pista no aeroporto da Capital

O Estado adquiriu uma área de 10,6203 hectares por mais de R$ 3 milhões. O investimento total previsto para a reforma e ampliação do Aeródromo Estância Santa Maria é de R$ 45,8 milhões

22/05/2026 08h45

Aeródromo Estância Santa Maria

Aeródromo Estância Santa Maria Divulgação: Governo do Estado de Mato Grosso do Sul

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No Diário Oficial desta sexta-feira (22), o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul publicou o extrato de aquisição de um imóvel por desapropriação amigável e tem como finalidade usá-lo para extensão da pista do Aeródromo Estância Santa Maria, em Campo Grande.

A propriedade, denominada Estância São Francisco- Gleba B, pertencia a Maia, Albuquerque e Cia Ltda e foi transferida para o Governo do Estado, através da Secretaria de Administração, pelo valor de R$ 3.186.090. O espaço possui uma área de 10,6203 hectares e perímetro de 1.361,51 metros.  

Em setembro de 2025, o Governo Estadual, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog), lançou licitação para restaurar e ampliar o aeródromo, além de anunciar que investiria R$ 45,8 milhões. O objetivo é modernizar e ampliar a estrutura, que hoje funciona como um dos principais pontos de apoio da aviação regional.

Atualmente, o aeródromo conta com uma pista de pouso e decolagem de 1.500 metros de comprimento por 30 de largura, homologada para operações diurnas e noturnas sob regras de voo visual. O sistema de balizamento noturno já permite movimentações após o pôr do sol, mas a obra promete elevar o patamar da estrutura.

O projeto prevê a ampliação da pista para 2.000 metros, o que vai possibilitar a operação de aeronaves de maior porte, além da expansão da taxiway e do pátio de aeronaves. Também está prevista a instalação do sistema PAPI (Precision Approach Path Indicator) usado como apoio no procedimento de aproximação e pousos, reforçando a segurança operacional no aeródromo.

A modernização não se limita ao setor operacional. O pacote inclui ainda a construção de uma guarita de acesso para reforçar a segurança e um receptivo de passageiros em frente ao pátio, com instalações mais adequadas para o embarque e desembarque. A estimativa é de que os atuais 7 mil movimentos aéreos anuais ultrapassem a marca de 9 mil após a conclusão das obras.

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