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Camelódromo tem prejuízo estimado em R$ 2 milhões devido ao incêndio

O presidente do Camelódromo, Narciso Soares dos Santos, espera ajuda do poder público para reconstruir os boxes destruídos pelo incêndio e adequar a parte elétrica do espaço comercial

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Com oito boxes afetados pelo fogo no Camelódromo, a estimativa de prejuízo é de R$ 2 milhões, entre mercadoria e reestruturação do espaço. O fogo só não espalhou por conta do sistema sprinkler e a chegada rápida dos bombeiros.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes (Camelódromo), Narciso Soares dos Santos, relatou que parte estrutural dos boxes terá que ser refeita. Além disso, o acionamento do sistema de sprinkler afetou no entorno mais de 20 boxes que tiveram mercadorias destruídas pela água.

 

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

 

 

"O sistema de sprinkler, devido à fumaça, foi acionado. Eles foram derramando água em cima dos boxes que têm as lâmpadas cortadas, nisso a água foi caindo e molhando. Roupas, peças para celular, então muitos boxes ali embaixo foram afetados pela água, tanto do sistema de prevenção quanto da água utilizada pelos bombeiros", explicou Narciso.

 

Os comerciantes que tiveram os boxes atingidos pelo fogo estão reunindo notas fiscais dos produtos para ter uma ideia concreta do valor em produtos que perderam para o incêndio. "Fiz uma reunião com os proprietários dos boxes que pegaram fogo e eles estão fazendo um levantamento com notas fiscais dos materiais que tinham para poder chegar a uma conclusão", completou.

"No geral, imaginamos que a reestruturação dos boxes, as mercadorias e tudo o que precisa ser trocado fica em torno de R$ 2 milhões, se formos contabilizar todo o prejuízo. Tem pessoas ali que tinham mercadorias de R$ 50 mil, R$ 100 mil", pontuou Narciso.

A abertura foi liberada a partir das 12h desta segunda-feira (14); no entanto, o movimento estava fraco e os vendedores que esperavam lucrar com vendas no Carnaval não puderam trabalhar devido ao incidente. Conforme relatou o proprietário Robson Corrêa Moreira, de 44 anos, de um boxe atingido pela água.

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

"A segunda-feira estava cheia de comércio por conta do feriado; tinha mais gente de fora querendo ou não. Tivemos prejuízo. Agora [o movimento] está parado porque acabou o dinheiro das pessoas. Elas gastaram tudo no Carnaval", lamentou Robson, que estava contando com a data.

 

 

No local há 20 anos, ele perdeu vários produtos atingidos pela água e segue fazendo testes no que deu para salvar. Robson relatou ter perdido aproximadamente R$ 10 mil em mercadorias que não funcionam mais e precisaram ser descartadas.

 

Sistema de prevenção

O sprinkler é um sistema que funciona como um 'chuveiro' e é acionado quando o sensor detecta presença de fumaça. A instalação da caixa d'água e do sistema de prevenção foi todo custeado pelos associados.

Ainda hoje foram necessários dois caminhões de água para encher a caixa d'água do camelódromo, segundo Narciso. Depois do sistema contra incêndio ter funcionado, a água que restou não tinha pressão para subir e atender o local. "Eu imagino que tenham sido uns seis anos desde que instalaram a caixa d'água e o sistema de sprinkler".

Narciso explicou que tentaram fechar por mais de uma ocasião o seguro contra incêndio do prédio. No entanto, a ideia não saiu do papel. "Já tentamos fazer seguro do prédio e nenhuma seguradora aceitou. Não era de mercadoria, era do prédio. A seguradora faz a vistoria e acha que há muita coisa inflamável e por isso nega. São 473 boxes, então tem muita coisa  inflamável, acredito que seja esse o impedimento".

Como a associação trabalha para manter despesas básicas como contas de água, luz e outros, foi dito aos comerciantes que perderam tudo que a diretoria está em busca de parceria com a prefeitura e o governo do Estado.

"Para que a gente possa o mais rápido possível reconstruir esses boxes e assim eles possam voltar a trabalhar. Estamos correndo atrás, para ajudar e até entre os próprios permissionários já falaram para a gente fazer uma vaquinha para ajudá-los [a voltar a] trabalhar", explicou Narciso.

Por telefone, o governador Eduardo Riedel (PSDB) iniciou conversas com Narciso, assim como a prefeita Adriane Lopes (PP). "[O governador estava viajando] e quando chegar iremos nos reunir. A prefeita conseguiu com a Sisep o caminhão e a Solurb para fazer a retirada dos entulhos. Está nos apoiando".

Brigadistas

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Cerca de 60 funcionários do camelódromo fizeram o curso de brigada de incêndios em julho de 2023 e agora irão fazer novamente. Como é o caso de Ronivaldo Gonçalves Costa, de 48 anos, que se deslocou até o Camelódromo quando soube do incêndio. "Eu cheguei e estava o segurança, que também fez o curso. A gente seguiu o protocolo que aprendeu e colocou em prática até a chegada dos bombeiros".

 

Alvará

O presidente do Camelódromo relatou que o alvará emitido para funcionamento no Camelódromo é feito anualmente, no entanto, não está regularizado devido à necessidade de refazer toda a parte elétrica. "Tem algumas coisas que precisam melhorar aqui, então o bombeiro não dá [o alvará] definitivo. Quando foi feito o Camelódromo, era um bico de luz, uma tomadinha de luz, e foi ampliando precisando refazer toda a parte elétrica porque as calhas onde passam os fios não comportam. Tem que ter uma só para telefonia. Falta isso aí. Estamos buscando recursos para que a gente possa reformar e conseguir o alvará definitivo, mas não temos todo o recurso", disse Narciso.

Em relação à causa, o presidente reforçou que o disjuntor geral é desligado todos os dias, portanto a hipótese de que algo tivesse sido deixado funcionando foi descartada. Segundo explicou, os bombeiros verificaram a presença de baterias armazenadas que podem ter superaquecido e iniciado o fogo.

"A responsabilidade só a perícia vai dizer. Independente disso, estamos nos unindo para ajudar essas pessoas. Só a perícia pode confirmar se foi armazenado alguma coisa inflamável lá dentro. Estamos tomando medidas para que isso não venha a acontecer novamente. Já tínhamos essa preocupação de que cada bateria de celular, de carrinho de controle remoto, fosse descartada lá em cima de maneira correta porque tínhamos medo de que algo assim acontecesse. Então, não sabemos se a pessoa tinha acumulado baterias velhas e aconteceu isso".

Será feita uma vistoria em todos os boxes para verificar armazenamento de baterias, verificar fiação dos boxes e conversar com os comerciantes para precaver situações futuras. A reportagem entrou em contato com o corpo de bombeiros para questionar a situação do alvará e até o fechamento da reportagem não obteve resposta.

Em contato com a prefeitura por meio de nota informaram que a administração do Camelódromo é de competência da Associação de Vendedores Ambulantes. Leia na íntegra:

"Toda a administração do Camelódromo é diretamente da competência da Associação de Vendedores Ambulantes de Mato Grosso do Sul. Porém, com o episódio ocorrido no fim de semana, a Prefeitura, por meio da assessoria do Gabinete da Prefeita, entrou em contato com a Associação e se colocou à disposição para ajudar no que for possível. Tanto que o caminhão utilizado para a retirada dos entulhos após o incêndio, foi cedido pela Prefeitura. A Prefeitura segue à disposição da Associação". 

Incêndio


O incêndio atingiu o Camelódromo na tarde deste domingo (11), em Campo Grande. As chamas foram rapidamente controladas pelo Corpo de Bombeiros, que fizeram o trabalho de rescaldo. Oito boxes foram totalmente destruídos e, como o local estava fechado, não houve vítimas.

De acordo com o tenente Oliveira, do Corpo de Bombeiros, os levantamentos ainda serão feitos para apontar as causas do incêndio, mas informações preliminares são de que o fogo teria começado em um equipamento eletrônico que ficou ligado em um dos boxes.

** Colaborou Valesca Consolaro

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MATO GROSSO DO SUL

Alvo de operação, Sisep está sem comando há 42 dias

Pasta responsável por obras e tapa-buracos segue sem secretário nomeado desde a saída de Marcelo Miglioli; nesta terça-feira (12), operação do Gaeco e Gecoc cumpriu mandados dentro da secretaria

12/05/2026 11h00

Secretaria de Infraestrutura de Campo Grande foi alvo de mandados do MPMS enquanto segue sem titular oficialmente nomeado

Secretaria de Infraestrutura de Campo Grande foi alvo de mandados do MPMS enquanto segue sem titular oficialmente nomeado Marcelo Victor

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A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), alvo da operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada na manhã desta terça-feira (12) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), está sem comando oficial há 42 dias em Campo Grande.

A pasta responsável pelos serviços de tapa-buracos, manutenção viária e obras de infraestrutura da Capital segue sem secretário oficialmente nomeado desde a exoneração de Marcelo Miglioli, publicada no Diário Oficial do Município em 1º de abril.

Apesar disso, no dia 30 de abril, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou que estava “satisfeita” com o trabalho desempenhado pelo então secretário-adjunto Paulo Eduardo Cançado Soares, que passou a responder interinamente pela Sisep após a saída de Miglioli.

Na ocasião, durante evento de anúncio de cerca de R$ 343 milhões em obras de asfalto para 36 bairros da Capital, Adriane indicou que a nomeação oficial de Paulo Cançado ocorreria “nos próximos dias”.

“Ele já tá lá, deu tudo certo. Está dando tudo certo, graças a Deus”, afirmou a prefeita à época.

Entretanto, até esta terça-feira (12), a nomeação oficial ainda não havia sido publicada no Diário Oficial do Município.

A saída de Marcelo Miglioli ocorreu após o ex-secretário anunciar que permaneceria à disposição do Partido Progressistas (PP) para atuar nas eleições gerais deste ano.

Operação dentro da Sisep

Sem titular oficialmente definido, a Sisep se tornou um dos alvos da operação “Buraco Sem Fim”, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande.

Conforme divulgado pelo Ministério Público, a investigação apura a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar sistematicamente contratos de manutenção de vias públicas por meio da manipulação de medições e realização de pagamentos indevidos.

Segundo o MPMS, os pagamentos públicos não correspondiam aos serviços efetivamente executados, permitindo suposto desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito dos investigados, além de impactar diretamente na qualidade das vias públicas municipais.

Durante as diligências, investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados aos alvos da operação.

Em um dos endereços, pertencente a um servidor investigado, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel, os agentes localizaram mais R$ 233 mil em notas de real.

O MPMS aponta ainda que a empresa investigada acumulou, entre 2018 e 2025, contratos e aditivos que somam R$ 113,7 milhões junto ao poder público municipal.

Entre os alvos da operação está o ex-secretário municipal de Obras, Rudi Fiorese, que atualmente preside a Agesul, do Governo do Estado. Policiais estiveram no apartamento dele, localizado na Rua das Garças, região central de Campo Grande.

Outro investigado preso, conforme informações iniciais, é o engenheiro Mehdi Talayeh, superintendente da Sisep e servidor que já havia sido citado na primeira fase da operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023.

Investigadores também estiveram na residência do engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, apontado como um dos responsáveis pelos serviços de tapa-buracos na Capital. No imóvel, localizado na região do Tiradentes, foram apreendidos documentos, dinheiro e um veículo oficial da Sisep.

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"Buraco Sem Fim"

Após escândalos, MS demite Rudi Fiorese do comando da Agesul

Rudi Fiorese atua junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, pelo menos, desde abril de 2023 e operação investiga esquema de desvio de recursos da manutenção de ruas

12/05/2026 10h45

"O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe", cita a Seilog em posicionamento. Arquivo/Correio do Estado/Bruno Henrique

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Após a prisão nesta terça-feira (12), por suposto envolvimento em esquema de desvio de recursos da manutenção de ruas em Campo Grande, o então chefe da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul, Rudi Fiorese, foi demitido do comando da Agesul. 

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ainda em 1983, Fiorese carrega em seu nome a experiência de uma atuação junto às áreas de infraestrutura rodoviária, urbana e saneamento básico. 

Rudi Fiorese atua junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul pelo menos desde abril de 2023, passando pela na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), com os cargos de assessor do secretário, até diretor-executivo e de Infraestrutura Rodoviária da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística esclareceu que, segundo a Seilog, a operação apura contratos referentes ao município de Campo Grande, portanto o órgão em questão não seria alvo da investigação. 

"O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe", cita a Seilog em posicionamento.

Em complemento, a Secretaria se diz comprometida com a "lisura" e "transparência" na administração pública e que acompanha agora o desenrolar da investigação já optando pela demissão de Rudi Fiorese do comando da Agesul. 

"A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública,  acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor", conclui o texto. 

Biografia

Com especialização em Tecnologia do Gás Natural pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (Uniderp), o agora ex-secretário dedicou boa parte da atuação de sua carreira nas áreas de infraestrutura rodoviária, urbana e saneamento básico. 

No período entre 2017 até 2023 ele atuou como secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, responsável ali pela coordenação das obras de pavimentação e recapeamento a serem executadas, mas também sobre a implantação de corredores exclusivos para o transporte coletivo; construção de escolas; unidades de saúde e a gestão dos serviços de limpeza urbana e resíduos sólidos.

Já no âmbito privado a experiência acumula-se da atuação em empresas de engenharia e concessões rodoviárias, onde foi inclusive gestor de engenharia na MSVia, a concessionária que administra a BR-163, além do trabalho em funções técnicas e gerenciais em algumas "gigantes" do setor, como Engepar, Cobel, Mendes Júnior e MAPE S/A.

Fiorese foi ativo na execução e coordenação de importantes obras de infraestrutura rodoviária e urbana não somente no Mato Grosso do Sul, já que acumula mais de quatro décadas em sua carreira profissional. 

Rudi Fiorese, que desde fevereiro deste ano comanda a Agesul, ainda traz experiência técnica e administrativa no planejamento, execução e controle de grandes empreendimentos de infraestrutura, sendo peça-chave no desenvolvimento logístico e econômico do Estado. 

Entenda

Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (12), o Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) desdobrou uma nova ofensiva contra suposta corrupção na secretaria de obras da Capital. 

Batizada de "Buraco Sem Fim", através dessa operação os promotores do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) encontraram R$429 mil em dinheiro localizado em dois dos endereços durante o cumprimento de sete mandados de prisão e 10 mandados de busca. 

"Durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$429 mil. Só no endereço de um servidor, havia R$186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$233 mil, também em notas de Real", informou, em nota, o Ministério Público. 

Essa operação mira uma empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025, "contratos e aditivos que somam o montante de R$113.702.491,02".

Em complemento, é dito que a investigação constatou a existência de "uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas" na Cidade Morena, através inclusive da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos. 

Entre os sete presos nesta terça-feira está o ex-secretário municipal de obras, Rudi Fioresi, que estava à frente da Agesul, mas além dele também foi preso o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos. 

Outro detido que teve o nome divulgado é Mehdi Talayeh, o engenheiro que ocupa cargo de chefia na secretaria de obras e era apontado como provável substituto de Marcelo Miglioli, que deixou o comando da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) no começo de abril. 
**(Colaboraram Neri Kaspary e João Pedro Flores)

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