Cidades

IGREJA CATÓLICA

Campanha da Fraternidade dá destaque ao problema habitacional

Igreja Católica lança edição 2026 com foco na realidade de quem vive sem casa ou em moradias precárias

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança nesta Quarta-Feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema central a moradia e a realidade de milhões de brasileiros que vivem sem casa ou em condições precárias. A cerimônia nacional ocorreu às 10h, na sede da entidade, em Brasília (DF), com transmissão pelas redes sociais.

Apresentada anualmente como caminho de conversão durante a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a campanha propõe oração, jejum e caridade aliados à reflexão social. Neste ano, o foco recai sobre a dignidade humana a partir do direito à moradia.

De acordo com a CNBB, cerca de 6,2 milhões de famílias não têm moradia adequada no país e aproximadamente 328 mil pessoas vivem em situação de rua. Dados da Fundação João Pinheiro, divulgados em 2025, apontam que o déficit habitacional brasileiro chegou a 5.977.317 domicílios em 2023, o equivalente a 7,6% do total de moradias. O maior peso está no ônus excessivo com aluguel urbano, que representa 61,3% do déficit.

Realidade local

O arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, afirmou que o tema volta à pauta por ser “sempre atual” e destacou a transformação do cenário urbano da Capital nos últimos anos.

“Quando cheguei aqui, há cerca de 15 anos, praticamente não havia favelas. Hoje é uma realidade crescente”, afirmou. Segundo ele, além da falta de moradia, há também o problema das habitações precárias, marcadas pela ausência de saneamento, transporte, segurança e até endereço formal. “Se não tem CEP, não tem endereço. E isso dificulta até o atendimento em posto de saúde”, pontuou.

O arcebispo também chamou atenção para o aumento da população em situação de rua e para realidades específicas, como aldeias indígenas urbanas e migrantes. “O que está em jogo é a dignidade da pessoa humana”, reforçou.

Na avaliação do pároco da Paróquia São José de Anchieta, Luiz Gustavo Winkler, a campanha não tem viés ideológico, mas evangelizador. “A Campanha da Fraternidade acontece num momento propício, que é a Quaresma, tempo de conversão. É transformar a fé em ação”, afirmou.

Ele coordena, na paróquia, uma ação mensal voltada à população em situação de rua. A iniciativa oferece banho, corte de cabelo, troca de roupas, kit de higiene, café da manhã e almoço. Em média, de 50 a 60 pessoas são atendidas a cada edição.

“Eles chegam querendo tomar banho, cortar o cabelo, se sentir limpos. Isso vai restaurando aquilo que Dom Dimas colocou muito bem, que é a dignidade”, disse. O trabalho conta com apoio da Defensoria Pública, de organizações da sociedade civil e da Secretaria Municipal de Assistência Social, que disponibiliza vagas para acolhimento.

Segundo o padre, a proposta vai além da assistência imediata. “Não é normal termos mais de mil pessoas em situação de rua em Campo Grande. Não podemos naturalizar isso”, declarou. Ele destacou ainda que a ação inclui acompanhamento psicossocial e espaço de oração, fortalecendo vínculos e incentivando a reinserção social.

Papa Leão XIV

A edição de 2026 também conta com mensagem inédita do Papa Leão XIV ao Brasil, apresentada pelo chanceler da Arquidiocese, padre Wilson. O pontífice recorda que a Quaresma é um chamado à conversão e à prática da caridade, especialmente junto aos mais pobres.

Ao citar ensinamentos da doutrina social da Igreja e relembrar que a falta de moradia já foi tema da campanha em 1993, o Papa afirma que o problema habitacional é “sinal e síntese de uma série de insuficiências econômicas, sociais e humanas”.

Na mensagem, ele expressa o desejo de que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia “gere uma consciência constante” e inspire autoridades a promover políticas públicas capazes de oferecer melhores condições de habitação à população mais carente.

Celebrada desde 1964, a Campanha da Fraternidade é o principal gesto social da Igreja Católica no Brasil durante a Quaresma. O ponto alto é a Coleta da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos em todas as comunidades do país.

Para Dom Dimas, embora muitas iniciativas já existam nas paróquias, como distribuição de refeições e acolhimento temporário, a superação do problema depende de políticas públicas estruturantes.

“Queremos aproveitar a campanha para estreitar laços com o poder público, Ministério Público, Defensoria, Câmara e governos. É um desafio que supera a capacidade de qualquer instituição isoladamente”, afirmou.

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Fortes Chuvas

Chuvas deixam estragos e Campo Grande reforça atendimento à população

Equipes da Sisep, Defesa Civil e Emha atuam em diferentes regiões de Campo Grande para reduzir impactos causados pelo grande volume de água e atender famílias em situação de vulnerabilidade

14/06/2026 17h28

Foto: Divulgação

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A Prefeitura de Campo Grande intensificou neste fim de semana as ações de atendimento e monitoramento nas regiões afetadas pelas fortes chuvas que atingiram a Capital.

Equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), da Defesa Civil Municipal e da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) permanecem mobilizadas para atender ocorrências, realizar vistorias técnicas e executar medidas emergenciais voltadas à população.

O trabalho inclui o acompanhamento permanente das áreas impactadas, avaliação dos danos provocados pelo grande volume de água e a definição das intervenções necessárias para restabelecer as condições de segurança e mobilidade nos locais afetados.

Segundo o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Brandão, as equipes seguem em campo para atender as demandas registradas após os temporais.

“Estamos monitorando as ocorrências e atuando com equipes em campo para atender as demandas causadas pelas chuvas. Nosso compromisso é agir com rapidez e eficiência para reduzir os impactos à população”, afirmou.

De acordo com a Sisep, os serviços de limpeza e desobstrução dos bueiros já integram a programação da secretaria e serão executados conforme o cronograma operacional.

Além disso, as equipes atuarão na remoção de entulhos e em outras intervenções necessárias para melhorar a drenagem urbana e garantir melhores condições de circulação nos pontos atingidos.

Apoio às famílias

Além das ações de infraestrutura, a Prefeitura também promoveu atendimento social às famílias que necessitaram de suporte emergencial. No sábado (13), a Emha realizou a entrega de lonas para moradores da Comunidade Lagoa Park, localizada na Região Urbana Lagoa.

A iniciativa faz parte das ações do Programa CGSustentável e tem como objetivo oferecer apoio temporário às famílias em situação de vulnerabilidade, contribuindo para a proteção das moradias e minimizando os impactos provocados pelas condições climáticas adversas.

Segundo a administração municipal, o atendimento integra um trabalho contínuo desenvolvido pela agência em diversas regiões da cidade, tanto na área habitacional quanto em ações de apoio social emergencial.

“Essas ações são medidas emergenciais de apoio às famílias que enfrentam situações de necessidade e precisam de uma resposta rápida do poder público. Buscamos sempre estar presentes nas comunidades, acompanhando de perto as demandas e oferecendo o suporte possível para amenizar as dificuldades, enquanto trabalhamos por soluções mais estruturadas que garantam melhores condições de vida e moradia a essas famílias”, apontou Cláudio Marques, diretor da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha).

Defesa Civil mantém monitoramento

A Defesa Civil Municipal também segue acompanhando os pontos impactados pelas chuvas em diferentes regiões da cidade. As ocorrências recebidas estão sendo encaminhadas para avaliação das equipes técnicas, responsáveis pelas vistorias e pelo monitoramento constante das áreas afetadas.

Entre as situações observadas estão alagamentos pontuais, enxurradas e processos erosivos, problemas comuns durante períodos de precipitação intensa e concentrada, que exigem acompanhamento permanente e respostas rápidas por parte do poder público.

O coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Eneas Netto, destacou a importância da participação da população no registro das ocorrências.

“A Defesa Civil está acompanhando de forma permanente os pontos impactados pelas chuvas e realizando os encaminhamentos necessários junto aos órgãos competentes. É fundamental que a população registre situações de risco por meio do telefone 199”, destacou.

Segundo o município, o acionamento oficial permite maior agilidade no direcionamento das equipes e auxilia na definição das prioridades de atendimento. Mesmo com a continuidade das chuvas, a Prefeitura mantém equipes de plantão e segue monitorando a situação em toda a Capital.

A administração municipal informou que continuará adotando as medidas necessárias para reduzir os transtornos causados pelos eventos climáticos, preservar a segurança da população e garantir respostas rápidas às demandas registradas.

previsão

Após fim de semana chuvoso, últimos dias do outono terão tempo estável e frente fria

Chuvas ainda podem cair em algumas regiões, mas em menor intensidade; temperaturas podem ficar abaixo de 7°C

14/06/2026 17h14

Milhares de raios caíram em Campo Grande entre sexta-feira e domingo

Milhares de raios caíram em Campo Grande entre sexta-feira e domingo Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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As fortes chuvas que caíram durante todo o fim de semana em Mato Grosso do Sul devem dar uma trégua a partir desta segunda-feira (15). Na última semana do verão, que dá espaço para o inverno no próximo domingo (21) ainda podem ocorrer precipitações, mas a previsão indica tempo estável, além de frio de 7°C.

Desde sexta-feira, Campo Grande foi atingida por um grande volume de chuvas, que causou alagamentos  estragos em algumas regiões, mobilizando equipes da prefeitura para atender as ocorrências.

Conforme o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), as chuvas devem dimunuir a partir desta segunda-feira, quando a previsão indica tempo mais firme, com sol e variação de nebulosidade em grande parte do Estado.

No entanto, não se descartam pancadas de chuva isoladas em alguns munípios.

Entre segunda-feira e ao longo da semana, a passagem de uma massa de ar frio deve provocar queda acentuada das temperaturas.

As mínimas deverão variar entre 7°C e 9°C, com possibilidade de registros pontuais abaixo dos 7°C, especialmente na região sul do Estado.

As menores temperaturas devem ser registradas na região sul, cone sul e grande Dourados. Na Capital, as temperaturas variam entre 16°C e 22°C, subindo ligeiramente a partir de quinta-feira, mas ainda abaixo de 30°C.

Fim de semana chuvoso

As chuvas dos últimos dois dias deixaram acumulados expressivos em Campo Grande, com registros que se aproximaram dos 100 milímetros em algumas regiões da cidade.

Desde sexta-feira (12), a Capital foi atingida por chuva e descargas elétricas. Em apenas duas horas e meia, a cidade foi atingida por 5.750 raios, o maior volume registrado em um único dia desde o início do ano, segundo a estação meteorológica da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

Somente no último sábado (13), choveu o equivalente a 85,4 milímetros na região do Shopping Norte Sul Plaza, segundo dados do meteorologista Natálio Abrão. Na estação da Coca-Cola, foram registrados 54,2 milímetros. No bairro Carandá, o acumulado foi de 35,7 milímetros.

O domingo também foi de chuva em Campo Grande, mas até a publicação desta reportagem não havia o quantitativo do acumulado de precipitações.

No interior do Estado, também foram registrados volumes significativos durante o final de semana. Dourados ocupou a segunda posição entre as cidades brasileiras onde mais choveu no último sábado, chegando a 54,8 milímetros em 24 horas. Água Clara ficou em terceiro lugar, com volume de 51,2 milímetros, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

Inverno

Em 2026, o solstício de inverno no Hemisfério Sul, que marca o início do inverno, ocorre no dia 21 de junho, às 4h24, horário de Mato Grosso do Sul, fazendo com que a noite do dia 20 para 21 de junho seja a mais longa do ano.

Em Campo Grande, o inverno tem aproximadamente 2h30 a menos de sol, resultando em 10h53min de luz no dia. Em comparação, no início do verão, os dias duram 13h22min na Capital de MS. 

Segundo o Cemtec, No Mato Grosso do Sul é a estação que apresenta os menores índices pluviométricos do ano, ou seja, é o período conhecido como estiagem. Durante o período seco, observam-se baixos índices de umidade relativa do ar o que pode favorecer a ocorrência de incêndios florestais.

Para este ano, o prognóstico aponta para um padrão de chuvas ligeiramente acima da média histórica durante a estação, porém, a distribuição da chuva ainda deve seguir um padrão irregular. 

Com relação as temperaturas, o inverno terá condições mais quentes do que a média climatológica em Mato Grosso do Sul.

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