Cidades

SAÚDE

Campo Grande fica sem hospital de "portas abertas" a partir de segunda

Hospital Regional anunciou que só receberá pacientes vindos da Central de Regulação, como ocorre no HU e na Santa Casa

Continue lendo...

O Pronto Atendimento Médico (PAM) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) não atenderá mais demandas espontâneas a partir de segunda-feira, apenas aquelas situações que se enquadram em situações de emergência e urgência e as que forem encaminhadas pela regulação, segundo o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Maurício Simões Corrêa. Com isso, Campo Grande agora deixa de ter hospitais públicos “de portas abertas”.

Na manhã desta sexta-feira, foi apresentada a Nova Arquitetura da Saúde pela SES, um modelo organizacional para a rede pública de saúde que tentará garantir que cada município tenha um nível de atendimento compatível com sua demanda e capacidade.

Durante a apresentação, o secretário afirmou que na próxima semana deve iniciar um processo de redirecionamento dos pacientes, que fará mais atendimentos de demandas espontâneas, casos não agendados e que geralmente são de pouca gravidade, sem urgência.

“O Hospital Regional tem um pronto atendimento que atende demanda espontânea, algo que não tem cabimento. Um hospital de alta complexidade precisa atender somente situações de alta complexidade, não um eventual transeunte que esteja sentindo uma dor de barriga ou com unha encravada. Nesses casos, o paciente precisa procurar unidades de saúde ou Unidades de Pronto Atendimento [UPA]”, explica Maurício Simões.

Assim, todas as demandas destinadas ao HRMS serão controladas somente pela Central de Regulação, não havendo outro ponto de entrada para atendimento na unidade. Segundo a SES, isso garante que o fluxo de pacientes seja controlado, priorizado e direcionado seguindo critérios técnicos e de complexidade, o que evita sobrecarga e uso ineficiente dos recursos do hospital.

Em 2017, a Santa Casa deixou de atender demandas espontâneas, sob alegação de superlotação de leitos. Na sequência, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) também seguiu a mesma lógica. Ou seja, com essa determinação do Hospital Regional, Campo Grande deixa de ter hospital “de portas abertas”, apenas com regulação prévia.

Ao Correio do Estado, o HRMS afirmou que a “reorganização do PAM é para garantir o atendimento de pacientes regulados, como já previsto desde 2019”.

“A reorganização do fluxo de atendimento está amparada por diversas normativas que reforçam a hierarquização dos serviços e o controle via regulação”, acrescenta a SES em comunicado.

ESTRUTURA

Durante evento para apresentar a Nova Arquitetura da Saúde do Estado, o secretário informou que há 103 estruturas hospitalares instaladas em Mato Grosso do Sul, que, juntas, somam 4.637 leitos, sendo 40% deles em 66 estabelecimentos. Em média, há 1,7 leito para cada mil sul-mato-grossenses, mas boa parte dos leitos está ociosa. 

Maurício Simões citou que há cinco pontos que preocupam na situação dos hospitais do Estado: baixa capacidade de resolução; hospitais ociosos; sobrecarga de hospitais de referência; poucas instituições com perfil cirúrgico; e rede extensa e fragmentada.

MUDANÇAS

A Nova Arquitetura da Saúde, apresentada nesta sexta-feira, traz algumas mudanças na organização da rede pública de saúde. Agora, cidades pequenas terão foco na atenção primária, no acompanhamento de doenças crônicas e nas consultas com clínicos gerais.

Já as cidades médias vão fortalecer a atenção secundária, com especialistas e exames de maior complexidade e urgência. As cidades grandes concentrarão os serviços de alta complexidade, como cirurgias especializadas, cuidados intensivos, transplantes e atendimento de casos de alta gravidade.

A SES também diminuiu de 11 para 9 o novo plano diretor de regionalização da saúde, que agora será composto por quatro macrorregiões, chamadas de Pantanal, Centro, Leste e Sul. 

Segundo documento disponibilizado pela SES, o plano já está em execução, com investimentos de R$ 2,2 bilhões em dois anos, e nele se destacam o Hospital Regional de Três Lagoas, o Hospital Regional de Dourados e a parceira público-privada (PPP) do HRMS.

JUNTOS

As mudanças, segundo a SES, ainda não impactam a regulação das vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) em Campo Grande, que está sendo disputada pelo governo do Estado e a prefeitura. Atualmente, existem duas centrais que decidem para onde vai cada paciente, uma controlada pelo Executivo estadual e outra pelo Município. 

No mês passado, o governo do Estado chegou a soltar nota anunciando a criação de uma Central Única de Regulação da Urgência e Emergência, porém, este plano foi suspenso, conforme matéria do Correio do Estado, a pedido da prefeitura, que solicitou “uma revisão da decisão e a realização de estudos complementares”.

Sobre isso, o secretário afirmou que deseja fazer parte desta regulação com os municípios que apresentam seus sistemas próprios. 

“O governo faz a regulação de urgência e emergência de todo o Estado. Porém, dentro das diretrizes do Sistema Único de Saúde, municípios que são chamados de gestão plena possuem a sua própria regulação. O que o Estado deseja é corregular junto com esses municípios. Porque eu sou secretário de Estado de todos os municípios, eu não posso ser de apenas um segmento. Então, a gente reconhece a autoridade sanitária dos municípios de gestão plena, mas queremos ser copartícipes desses projetos”, disse Maurício Simões.

No projeto apresentado pelo governo de MS, que posteriormente foi aprovado, a nova central de regulação será responsável pela gestão do acesso aos leitos hospitalares do SUS destinados à urgência e emergência nas unidades públicas e também nas que tiverem contratos ou convênios com o Estado.

*SAIBA

Como o Correio do Estado reportou nesta semana, há seis empresas interessadas em gerir o Hospital Regional. Na quarta-feira ocorreu a última visita técnica, e o secretário de Estado de Saúde afirmou que todos os grupos saíram satisfeitos com o que viram. A previsão é de que o hospital seja leiloado em dezembro na Bolsa de Valores do Brasil, em São Paulo.

Assine o Correio do Estado

TEMPO

Dourados tem tempestade com ventos acima de 70 km/h

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para o risco de tornados em Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul

10/09/2026 08h30

Fortes chuvas atingiram Dourados, na manhã desta quinta-feira (10)

Fortes chuvas atingiram Dourados, na manhã desta quinta-feira (10) FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

O município de Dourados amanheceu com uma forte chuva de 14,4 mm nesta quinta-feira (10), com ventos que atingiram velocidade de 71,4 km/h, segundo o meteorologista Natálio Abrão. A tabela de precipitação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostra que a tempestade começou por volta das 3 horas da madrugada e, até o momento, já acumulou 20,6 mm.

Nas primeiras horas do dia, Fátima Sul, que fica a cerca de 41 km de Dourados, teve acumulado de 10,2 mm.
Itaporã, que também fica perto do município douradense, teve chuva de 11,4 mm e rajadas de vento que atingiram 55 km/h. Devido a força desses ventos, os municípios tiveram quedas de árvores.

Desde ontem (9), o Inmet alerta para o risco de tempestades e tornados em Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul.

As condições atmosféricas favorecem a ocorrência de chuva intensa, trovoadas, rajadas de vento de até 60 km/h e queda de granizo. 

O instituto classifica o risco como baixo para cortes de energia elétrica, danos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.

A previsão indica que a instabilidade deve continuar durante a quinta-feira (10), com pancadas de chuva e trovoadas isoladas.

O cenário é provocado pela atuação de áreas de baixa pressão no interior da América do Sul e de um cavado sobre a Região Sul, que deixam a atmosfera instável. 

Além disso, a chegada de uma massa de ar frio de origem polar deve aumentar o contraste entre o ar quente e úmido e o ar mais frio. Esse encontro favorece a formação de nuvens de tempestade mais organizadas e pode aumentar o potencial para fenômenos meteorológicos severos.

Operação

Alvo da PF, influencer de Campo Grande se gabava de contrabando nas redes

PF diz que suspeito ofertava diversos produtos de alto valor na internet, como iPhones e videogames

10/09/2026 07h45

Foto: Montagem

Continue Lendo...

A Polícia Federal (PF) prendeu ontem o influenciador campo-grandense Victor Baptista Borges Neto, conhecido como Victor Fio do Bigode, por descaminho e extorsão. Ele ostentava e ofertava em suas redes sociais diversos produtos e equipamentos caros, como celulares, videogames, geladeiras, televisões e caixas de som, o que lhe rendia o suficiente para bancar viagens de luxo.

A Operação Nexum foi deflagrada ontem em Campo Grande, com o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 2 de prisão preventiva. Além disso, um terceiro indivíduo foi submetido a medidas cautelares diversas da prisão, entre elas a proibição de acesso à região de fronteira, a proibição de contato com os demais investigados e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

De acordo com a nota divulgada pela PF, o objetivo da ação é “combater organização criminosa suspeita de promover a internalização irregular de mercadorias eletrônicas oriundas do Paraguai, a comercialização de forma parcelada e informal e a cobrança de dívidas mediante grave ameaça”. Por isso, a operação contou com o apoio da Receita Federal.

 

Conforme apurou a reportagem, um dos alvos é o influenciador Victor Fio do Bigode e o segundo preso seria Luciano Henrique de Almeida. Já o terceiro, que está com tornozeleira eletrônica, seria Jefferson Pereira da Silva.

Em sua conta no Instagram, em que acumula mais de 36 mil seguidores, Victor divulgava vídeos e fotos ostentando momentos de viagens para lugares como Fernando de Noronha (PE), Gramado (RS) e Balneário Camboriú (SC), que seriam frutos de suas práticas ilícitas.

Segundo a PF, ele e os investigados “divulgavam os produtos em redes sociais e realizavam cobranças mediante ameaças”. Para se ter ideia do alto padrão de seus produtos, ofertava iPhone, iPad , geladeira, TV, JBL [caixa de som], videogame, notebook, relógio e até fogão. O negócio, segundo o acusado, era fechado com base na “confiança da palavra”.

“Aqui, você encontra produtos de alto valor, vendidos no bigode, com confiança e responsabilidade. Se você é uma pessoa de palavra e valoriza a honra nos negócios, tenho certeza de que, com calma, vamos fechar um bom negócio – do jeito que só quem cumpre seus compromissos entende”, publicou ele em uma das divulgações dos seus produtos.

Essa atitude confirmaria a investigação policial que apontou cobrança de dívidas sob grave ameaça. “Quer entrar no jogo? Aqui não tem conversa fiada, só negócio sério. Quem fecha com a gente, sabe: credibilidade é o que manda! Pra mim, a palavra vale muito mais que o papel, e o meu trabalho, não é só cuidar de tudo por você, mas criar uma relação de confiança e parceria duradoura”, escreveu em outra divulgação.

Em outubro do ano passado, Victor publicou um vídeo em que estaria sendo preso por policiais militares por “segurar o estoque de iPhone 17 Pro Max”. Porém, era apenas uma ação publicitária para divulgar uma nova remessa de produtos que chegaria dias depois. “Sem intenção de ofender autoridades. Se ofendeu, respira fundo”, disse na legenda do post.

Em outros vídeos, satirizava o fato de vender produtos contrabandeados, com imagens de armas e uso de capuz para buscar a mercadoria no Paraguai.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens imóveis e o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, até o limite de R$ 10 milhões, bem como o sequestro de quatro veículos e a suspensão das atividades de três empresas utilizadas. Também há indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

DEFESA

Ao Correio do Estado, a defesa de Victor contestou “veementemente” as acusações e afirmou que “durante a investigação e dentro do processo legal, irá juntar documentos e provas de defesa que vão elucidar os fatos e comprovar que tanto Victor quanto Luciano não cometeram tais crimes que estão sendo imputados a eles”, afirmou o advogado. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).