Subcomandante do Batalhão de Choque, capitão Clemente, negou relação entre o aumento no número de confrontos policiais ocorridos nas últimas semanas em Mato Grosso do Sul e a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) em classificar como terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Interrogado pelo Correio do Estado, o capitão afirmou que o aumento da quantidade de confrontos policiais se deve a crescente atuação do crime organizado no Estado.
“Não. Não tem essa relação diretamente. Acontece que o crime cada vez mais está se utilizando mais de violência, de ameaça, porque o Estado também está em cima deles. Então o Estado está fazendo a sua parte, principalmente a Polícia Militar do Estado do Mato Grosso do Sul. A gente continua combatendo. Então, o crime cada vez mais vai evoluindo e vai ficando mais agressivo. Então não tem relação diretamente com essa situação lá do presidente dos Estados Unidos, não”, explicou o capitão, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (9).
Nos últimos dias, mortes decorrentes de intervenção legal de agente de Estado têm crescido no Estado.
Em 9 de junho, A.D.S morreu em confronto com policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), em Sonora, município localizado a 362 quilômetros de Campo Grande.
Em 8 de junho, M. E. A., de 22 anos, apelidado como "perturbado", morreu em confronto com o Batalhão de Choque (BPMChoque), em Sidrolândia, município localizado a 70 quilômetros da Capital.
Em 6 de junho, M.O.M.S, de 19 anos, morreu em confronto com o Choque no jardim Tijuca, em Campo Grande.
Em 5 de junho, C.D.F.M., de 25 anos e A.C.C.R., de 28 anos, morreram em confronto com o Choque em Rio Verde, município situado a 203 quilômetros de Campo Grande.
Sobre os confrontos na região norte de MS, o capitão afirmou que o aumento é esporádico.
“Esse aumento da situação do Norte é esporádico. Na verdade [os confrontos ocorrem no] Estado inteiro, o Estado é um Estado com cinco divisas, duas fronteiras, já tem todos esses detalhamentos da situação geográfica. Então tem havido crimes no Estado inteiro, não é somente na região norte”, disse.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 50 pessoas morreram em confronto com agentes de Estado, entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2026, em Mato Grosso do Sul.
Das 50 mortes,
- 8 ocorreram em janeiro
- 5 em fevereiro
- 9 em março
- 9 em abril
- 14 em maio
- 5 em junho
- 47 são homens
- 1 é mulher
- 2 não tiveram o sexo divulgado
- 24 são adultos
- 19 são jovens
- 3 são adolescentes
- 2 são idosos
- 2 não tiveram a faixa etária divulgada
Em 2025, 73 pessoas morreram em confronto com a polícia.
Fonte: SejuspMortes registradas em confronto policial são classificadas como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial.
O confronto entre forças de segurança governamentais e grupos armados ocorrem em situações de abordagem policial, roubos, flagrantes de tráfico de drogas, policiamento ostensivo em bairros, entre outras ocorrências.



