Cidades

Investigação

Cigarreiros tinham frota de carros e faturaram R$ 600 milhões em 6 anos

Grupo era bem estruturado e mantinha o contrabando em galpões em Dourados até levá-lo para o interior de São Paulo

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Operação da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal ontem mirou um grupo de contrabandistas de cigarros que tinha uma estrutura muito bem montada na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. O grupo contava até com uma frota de veículos, que era utilizada para levar os produtos do país vizinho para Dourados. A investigação aponta que a quadrilha atuava há 6 anos, pelo menos, o que indica que receberam cerca de R$ 600 milhões neste período.

De acordo com as investigações da PF, o grupo costumava utilizar carros de porte médio para transportar as cargas de cigarro. Eles saíam sempre em comboio de mais de 10 veículos de Pedro Juan Caballero com destino a Dourados.

“O modus operandi consiste em utilização de veículos transportando quantidades aproximadas de 30 caixas por vez, saindo em grupos de mais de 10 veículos da fronteira com o Paraguai com destino ao interior do nosso país, acabam fazendo uma primeira viagem curta e descarregam em entrepostos nos pequenos distritos no entorno de Dourados. Após, outros veículos realizam o transbordo e seguem com destino principal a cidades do interior paulista”, disse a PF ao Correio do Estado. 

O cigarro tinha como destino principalmente a região de Presidente Prudente (SP), informou a PF.
A investigação começou após uma apreensão feita pela Polícia Militar, em outubro deste ano, durante um bloqueio policial, na região de fronteira. Na abordagem, segundo a Polícia Federal informou, um comboio formados por 12 veículos tentou furar o bloqueio. Desses 12 carros, 3 foram apreendidos e o restante conseguiu fugir.

Nos veículos, do modelo Fiorino, a polícia encontrou mais de 2 mil pacotes de cigarros em cada um deles, ou seja, se os 12 veículos fossem apreendidos, seriam 24 mil pacotes.

“O destino inicial da carga era um distrito de Douradina, onde imóveis vinham sendo utilizados como pontos de carga e descarga de mercadorias ilegais. Após essa etapa, os produtos eram reembarcados com destino ao estado de São Paulo”, afirmou a Receita Federal, em nota.

A PF estima que o grupo seja formado por, pelo menos, 20 integrantes, que cuidavam da logística de transporte da carga do Paraguai até o interior de São Paulo.

O grupo atua, pelo menos, desde 2019. “A primeira prisão do principal investigado cometendo crimes desta natureza nesta região data de agosto de 2019, portanto, já há mais de 5 anos estão agindo nesta região”, explicou a PF.

A quadrilha tinha rendimento milionário por mês. Segundo a Receita Federal, “a organização criminosa movimentava mensalmente mais de
R$ 8 milhões em cigarros contrabandeados, totalizando cerca de R$ 100 milhões nos últimos 12 meses”. Ou seja, contabilizando que o grupo atua há seis anos no ramo, seriam cerca de R$ 600 milhões neste período.

ESTRUTURA COMPLEXA

Conforme apurado pela investigação da Polícia Federal, a quadrilha tinha uma “estrutura bem montada”, com rede de informantes que a atualizava sobre a situação das forças de segurança na região.
“Conta com grupos no WhatsApp que monitoram em tempo real a movimentação das forças de segurança ao longo de toda a malha rodoviária do Estado, seja federal, seja estadual, além de grande capacidade financeira, pois perdem cargas todos os dias e, ainda assim, mantêm o fluxo ininterrupto de contrabando na fronteira”, afirmou a PF ao Correio do Estado.
Especializado em contrabando de cigarros, a investigação não identificou, por hora, o contrabando de outros produtos pela fronteira.

OPERAÇÃO

Chamada de Operação Porto Seco, por causa do modo de operação do grupo, como pontos de carga e descarga do cigarro, a ação cumpriu ontem dois mandados de busca e apreensão, nas cidades de Dourados e Douradina, expedidos pela 2ª Vara Federal de Dourados.
“As buscas hoje foram direcionadas a buscar elementos de provas que possibilitem a identificação dos demais integrantes. Foram apreendidos celulares com grande quantidade de informação, que possibilitará a expansão da investigação”, explicou a PF.

*Saiba

O crime de contrabando está previsto no artigo 334-A do Código Penal Brasileiro, com pena de reclusão de 2 a 5 anos, além de, conforme a Receita Federal, sanções administrativas que podem ser aplicadas segundo a legislação aduaneira.

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VOLTA ÀS AULAS

Com início das aulas, UFMS divulga manual para coibir trote violento

Universidade proíbe atos discriminatórios, vexatórios e humilhantes a ingressantes na graduação

02/03/2026 10h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Com a volta às aulas a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) divulgou um manual de conduta para a recepção de novos estudantes da graduação, em busca de evitar e coibir os trotes violentos.

No documento há todo tipo de orientação atualizada anualmente, segundo a Universidade. O pró-reitor de Assuntos Estudantis (Proaes), Edilson Zafalon, reforça que o cuidado com a integração dos chamados calouros é uma política institucional permanente.

“Queremos que o estudante se sinta em casa desde o primeiro dia. O Manual destina-se, primordialmente, aos calouros, veteranos, professores e técnicos, ou seja, toda a comunidade universitária, estabelecendo o que esperamos de uma recepção ética e segura”.

Ele ainda destacou que o momento é festivo e de euforia, então a UFMS se posiciona como porto seguro, para que "qualquer tipo de violência ou trotes degradantes não ganhe espaço, de forma que a recepção se torne um ato de cuidado e cidadania."

As orientações e recomendações da cartilha estão destinadas aos acadêmicos veteranos, calouros, além dos dirigentes e coordenadores. Entre os tópicos são abordados:

Condutas permitidas e incentivadas: mostras culturais e esportivas; visitas guiadas; mostras de pesquisa e extensão, entre outras;

Proibições de trote: com qualquer tipo de violência física ou psicológica; imposição de atividades vexatórias, descriminatórias, ou que restrinjam a liberdade de comoção dos estudantes;

> Canais: lista com o contato de cada uma das Faculdades da Universidade; além de canais de denúncia e contato das diretorias de todas as unidades e das faculdades.

Ainda está descrito no manual as sanções e aplicações aos responsáveis em caso de descumprimento das regras.

As condutas inadequadas podem gerar advertência formal, suspensão em atividades acadêmicas, impedimento de uso dos espaços universitários, ou até mesmo encaminhamento à autoridades externas em caso de crimes, e exclusão da Universidade.

O Manual é digital e pode ser acessado nas redes sociais e portal oficial da UFMS. Porém, de acordo com o pró-reitor, também terão versões impressas para consulta que foram distribuídas aos diretores dos Campus, das unidades e também ao Diretório Central dos Estudantes.

Confira o Manual na íntegra aqui.

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SAÚDE

Teleatendimento já identificou 357 casos de câncer de pele em MS

Ferramenta permite que lesões sejam avaliadas por especialistas em até 72 horas e ajuda a priorizar pacientes com maior risco na rede pública

02/03/2026 09h30

A detecção precoce é considerada decisiva, principalmente nos casos de melanoma, que apresenta maior taxa de agressividade

A detecção precoce é considerada decisiva, principalmente nos casos de melanoma, que apresenta maior taxa de agressividade Divulgação

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O serviço de telediagnóstico em dermatologia já identificou 357 casos de câncer de pele em Mato Grosso do Sul desde a implantação, em 2019. Do total, 55 são de melanoma, tipo mais agressivo da doença, e 302 de câncer de pele não melanoma, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

A estratégia integra o STT (Sistema de Telemedicina e Telessaúde) e permite que lesões suspeitas sejam avaliadas por dermatologistas sem que o paciente precise, inicialmente, sair do município onde mora. Atualmente, 28 municípios, com 43 pontos de atendimento, estão habilitados a utilizar a ferramenta.

De acordo com a SES, os casos de melanoma foram registrados nas macrorregiões Centro (5), Pantanal (33), Cone Sul (4) e Costa Leste (13). Já os diagnósticos de câncer de pele não melanoma somam 32 na região Centro, 125 no Pantanal, 42 no Cone Sul e 103 na Costa Leste.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, afirma que a iniciativa fortalece o SUS e agiliza a identificação de casos suspeitos. “É uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez, o que impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, destacou.

Como funciona

O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde (UBS). Ao identificar uma lesão suspeita, o médico solicita o exame pelo sistema e realiza a triagem clínica. Em seguida, é feito o registro fotográfico da lesão, etapa considerada essencial para a precisão do diagnóstico.

As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e indicação de conduta, é devolvido à unidade solicitante em até 72 horas.

O serviço atende tanto casos suspeitos de melanoma e não melanoma quanto outras doenças de pele. Segundo o Ministério da Saúde, a teledermatologia tem potencial para resolver cerca de 70% das situações ainda na Atenção Primária, sem necessidade de encaminhamento presencial ao especialista.

A superintendente de Saúde Digital da SES, Márcia Tomasi, ressalta que o sistema também organiza a fila de atendimentos. “Além de ampliar o acesso ao especialista, a plataforma estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de consulta presencial. Isso traz mais eficiência para a rede”, pontuou.

Diagnóstico precoce

A detecção precoce é considerada decisiva, principalmente nos casos de melanoma, que apresenta maior taxa de agressividade. Ao identificar a lesão em estágio inicial e garantir o encaminhamento rápido para confirmação e tratamento, aumentam significativamente as chances de cura.

A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, explica que a qualidade das imagens influencia diretamente no resultado. “O exame só é validado quando segue os protocolos de identificação, registro fotográfico e consentimento do paciente. Quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil a conduta clínica”, afirmou.

Para aderir ao serviço, o município deve formalizar participação no Telessaúde e adquirir kit específico de dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento para captura de imagem, além de capacitar as equipes.

Casos graves ou pacientes com sintomas mais intensos não devem aguardar o laudo do sistema e precisam ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência.

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