Cidades

SAFRA 24/25

Com 4,2 bilhões de litros, MS bate recorde na produção de etanol

Expectativa é que a próxima safra, que se inicia em abril, produza 10% a mais do que esta, ou seja, cerca de 500 milhões de litros a mais

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Segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), MS bateu recorde na produção de etanol com 4,2 bilhões de litros produzidos nesta safra 24/25, sendo o quarto maior do país no quesito.

Mesmo com o número histórico, a produção não atingiu a expectativa, que era de 4,5 bilhões de litros, provavelmente devido à grande estiagem que o estado vem enfrentando nos últimos meses. Desse total, o etanol de milho é responsável por 37%, ou seja, 1,55 bilhão de litros.

Na safra anterior, MS produziu 3,8 bilhões, ou seja, houve um aumento de 10,53% de uma safra para outra. Ainda, para 25/26, que se inicia em 1º de abril, a expectativa é que o estado atinja 4,7 bilhões de litros, volume 11% maior em relação ao ciclo atual.

Acerca do plantio de cana-de-açúcar, a produção caiu de 51 milhões de toneladas para 48,5 milhões, portanto, é esperado que o estado recupere um pouco dessas toneladas perdidas na próxima safra, atingindo cerca de 50,5 milhões, aumento de 3,5% em relação a essa.

Com essa queda no plantio da cana, a produção de açúcar também caiu, de 2,2 milhões de toneladas para 1,9 milhões. Também visando uma recuperação neste setor, o estado espera que essa produção aumente em 30%, atingindo 2,6 milhões de toneladas produzidas.

"O setor de bioenergia é um dos eixos estruturantes da política de desenvolvimento do Estado. E o Governo definiu como prioritário em investimentos, porque temos competitividade, assim como nas florestas e na proteína animal. Por isso o Governo buscou atrair indústrias de etanol de milho e isso tem garantido um salto na produção de bioenergia de milho de 37% no Estado", disse Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.

CARBONO NEUTRO

Alinhando com os objetivos do projeto Carbono Neutro até 2030, o estado de 2020 a 2024 impediu a emissão de 13,7 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera com a produção de etanol, equivalente a 89 milhões de árvores plantadas.

De acordo com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, o Plano Estadual MS Carbono Neutro – PROCLIMA, tem por objetivo estabelecer um conjunto de ações e medidas de responsabilidade do poder público, das atividades econômicas e da sociedade em geral para que, no âmbito do território sul-mato-grossense, as emissões de gases de efeito estufa sejam neutralizadas a partir de 2030, antecipando assim, em 20 anos, a meta de 2050, estabelecida no Acordo de Paris.

De acordo com o Plano, no prazo de 6 anos, o Governo de Mato Grosso do Sul irá atingir o estágio de Estado com Emissão Líquida Zero (ELZ), ou Carbono Neutro, por meio de ações coordenadas e integradas e na adoção de medidas contundentes no âmbito dos seguintes eixos temáticos:

  • a) No Agronegócio: com ações concentradas no efetivo manejo dos solos, na redução dos níveis de fermentação entérica, no manejo de dejetos suínos e no controle da queima de resíduos agrícolas;
  • b) Na Mudança no Uso da Terra e Florestas: com a adoção de medidas para a devida restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais, à redução dos incêndios em áreas nativas e florestas plantadas, à redução do desmatamento legal ou ilegal, e ao investimento em Floresta Plantada;
  • c) Na Energia: com a redução das emissões geradas pela queima de combustíveis e ao apoio à produção de energia renovável;
  • d) No Tratamento de Resíduos: com ações destinadas à promoção de programas de controle de efluentes líquidos e sólidos;
  • e) Nos Processos Industriais: referente ao estímulo a programas de eficiência energética e incentivo à utilização de energias renováveis nos processos de produção industriais.

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BAIXA UMIDADE

Campo Grande: sensação térmica pode chegar a 40°C neste domingo

Inmet emitiu dois alertas para Capital, um vermelho para onda de calor intensa e um amarelo para baixa umidade do ar

27/09/2026 07h45

Próximos dois dias indicam sol entre muitas nuvens

Próximos dois dias indicam sol entre muitas nuvens Paulo Ribas / Correio do Estado

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O clima em Campo Grande seguirá com uma forte onda de calor, neste domingo (27), de acordo com a previsão do site The Weather Channel. A Capital sul-mato-grossense deve atingir os 37°C durante a tarde, por volta das 14h, com sensação térmica de 40°C.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas para Campo Grande, neste domingo: um vermelho para onda de calor, o que significa um grau de severidade elevado; e o outro é um aviso amarelo de baixa umidade, tempo seco 

O alerta vermelho emitido pelo Inmet está em vigor desde 12h deste sábado (26) e se termina na quarta-feira (30), às 18h. Segundo o instituto, a temperatura ficará 5ºC acima da média por período maior do que cinco dias, o que é um risco à saúde.

Já o alerta amarelo aponta que a baixa umidade começa às 12h deste domingo (27), porém já é possível perceber os sinais de tempo seco desde ontem (26). A umidade relativa do ar varia entre 30% e 20% ao longo do dia.

Onda de calor

A primeira onda de calor da primavera de 2026 está prevista para seguir até quarta-feira (30) em Mato Grosso do Sul. Os termômetros devem alcançar os 44°C na região noroeste do Estado, que abrange os municípios de Corumbá, Coxim, Sonora, Aquidauana e Miranda.

De acordo com o Inmet, a bolha de calor está localizada nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A onda de calor é o resultado de um bloqueio atmosférico causado pela persistência de um grande sistema de alta pressão atmosférica sobre uma área, por vários dias consecutivos.

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, este fenômeno impede a chegada de novas frentes frias para os próximos dias no Estado, o que favorece a chegada de uma massa de ar quente e seca.

*Colaborou Naiara Camargo

ORGANOGRAMA

Nova diretoria da Santa Casa deve ser definida até segunda-feira

Na última quinta-feira (24), a Justiça afastou 19 diretores e conselheiros e aumentou a crise do maior hospital de Mato Grosso do Sul

26/09/2026 18h30

Além da crise financeira, Santa Casa enfrenta escândalo de corrupção e afastamento de diretores

Além da crise financeira, Santa Casa enfrenta escândalo de corrupção e afastamento de diretores Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Com três nomes da alta cúpula presos e outros 15 diretores e conselheiros afastados, a Santa Casa deve definir o novo organograma até a próxima segunda-feira (28).

Na última quinta-feira, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, assinou a decisão que afastou imediatamente 19 membros da diretoria corporativa e do conselho de administração, além da supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) do Hospital, que ficará sob gestão provisória.

Os diretores corporativos destituídos são: Alir Terra (que era a presidente e segue presa); Heitor Miguel Scheibeler (presidente em exercício); Ivan Araújo Brandão (vice-presidente) Valdir Osvaldo Junior (diretor-secretário); Marcos Alceu da Silva Villalba (diretor de finanças); e Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa (diretor de finanças adjunto e também foi preso no início do mês).

Um dos afastados do conselho de administração é Heitor Rodrigues Freire, que assumiria a presidência do hospital na segunda-feira, como anunciado em cerimônia oficial realizada horas antes da decisão judicial. 

Diante disso, o juiz determinou que a cadeira de gestor da instituição seja ocupada por Luiz Alberto Hiroki Kanamura, pelo prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo tempo caso seja necessário.

Conforme apuração do Correio do Estado, Kanamura deve definir todos seus ajudantes na diretoria corporativa em 48 horas. A mesma fonte ainda disse que o novo gestor deseja “diminuir bastante coisa”.

Inclusive, antes da decisão judicial, era possível visualizar todo o organograma com nomes de diretores e conselheiros da instituição. Porém, agora, aparece uma mensagem avisando que a “página está em manutenção”.

Além da crise financeira, Santa Casa enfrenta escândalo de corrupção e afastamento de diretoresFoto: Captura de tela

Além do afastamento imediato, o juiz determinou que esses nomes não sejam reconduzidos em novas eleições, visto que “o Estatuto da Santa Casa não prevê causas de afastamento da Diretoria ou proibição de sua recondução”. Eles também estão proibidos de acessar as dependências do complexo hospitalar e da Operadora Santa Casa Saúde Ltda.

Obrigações judiciais

A Justiça pede que o novo gestor apresente, mensalmente, prestação de contas e informações atualizadas da situação administrativa, contábil e operacional da instituição, contendo a “aplicação e dos recursos públicos e privados pela entidade, das despesas realizadas, dos contratos celebrados ou mantidos, das medidas implementadas para a regularização da gestão e da continuidade dos serviços de saúde”.

Além disso, o juiz também listou 17 obrigações que Kanamura terá que cumprir ao longo deste período na cadeira.

Algumas chamam a atenção e condizem com a situação atual da Santa Casa, como “negociar com fornecedores, credores e devedores”, “remanejar verbas e ordenar despesas”, “reestruturar equipes, comissões e serviços” e “adotar providências administrativas e financeiras urgentes”.

Porém, duas saltam mais os olhos. A primeira é “pactuar a renovação da contratualização com o Município de Campo Grande, com a intervenção do Estado de Mato Grosso do Sul”, visto que o atual contrato encerrou oficialmente em setembro do ano passado e, desde então, passa por pequenas prorrogações. O último aconteceu no dia 1º de agosto e se mantém ativo por mais 90 dias.

De um lado, a Santa Casa pede um aumento no repasse mensal, de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões. Por outro lado, o poder público afirma que os valores atuais são suficientes para dar conta das despesas do hospital. Hoje, as tratativas estão longe de serem concluídas.

A outra obrigação que a Justiça coloca para o novo gestor é a “proibição de contrair empréstimos bancários”, uma decisão que faz sentido ao olhar para os últimos balanços financeiros da instituição nos últimos anos. 

No balanço de 2025, divulgado em julho deste ano, eles somam mais de R$ 261,7 milhões e a taxa de juros chega a 1,85% ao mês. E estes juros ajudam a explicar o constante endividamento e os seguidos deficits do maior hospital do Estado.

Em 2024, por exemplo, o deficit havia sido da ordem de R$ 98,3 milhões. O deficit acumulado, segundo o balanço do hospital, supera os R$ 544 milhões. Somente os impostos em atraso, todos parcelados, somam R$ 189,817 milhões.

Operação

A decisão judicial aconteceu cerca de duas semanas depois da Santa Casa ter sido alvo de batida policial por suspeita de corrupção em contratos.

No dia 11 de setembro, as equipes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Antidotum, com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

A investigação apontou desvio milionário em dois contratos para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, enquanto a instituição alegava que não tinha mais condições de operar, em função das dívidas financeiras. Somados, teriam sido desviados cerca de R$ 4,9 milhões nos dois acordos.

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