Cidades

Transporte Rodoviário

Disputa pela linha de ônibus Campo Grande-São Paulo ganha novo capítulo

Em nota, Guerino Seiscento contesta a suspensão determinada pela ANTT, acusa concorrentes de tentar restringir a concorrência e informa que já recorreu à Justiça.

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A disputa entre as empresas de transporte rodoviário interestadual, que ganhou repercussão após a suspensão das operações da Guerino Seiscento pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ganhou um novo capítulo.

Em nota institucional enviada ao Correio do Estado, a empresa rebateu as acusações que embasaram o processo administrativo, criticou a atuação da agência reguladora e afirmou que já recorreu ao Judiciário para tentar reverter a decisão.

A manifestação ocorre um dia após reportagem do Correio do Estado mostrar os impactos da disputa entre Guerino Seiscento e Andorinha no mercado de transporte entre Campo Grande e São Paulo, incluindo a redução da concorrência e o aumento no preço das passagens após a suspensão das autorizações da empresa de Tupã (SP).

Na nota, a Guerino sustenta que sempre atuou dentro da legalidade e afirma que suas operações eram realizadas com autorizações expedidas pelo poder público e sob fiscalização permanente da ANTT.

A empresa também faz duras críticas às denúncias apresentadas por concorrentes, classificando-as como "falaciosas e infundadas" e afirmando que teriam sido motivadas pelo interesse de restringir a concorrência.

Segundo a denúncia apresentada pela Empresa de Transportes Andorinha à ANTT, a Guerino Seiscento estaria utilizando autorizações para operar linhas interestaduais a fim de realizar embarques e desembarques que, na prática, caracterizariam viagens intermunicipais dentro do Estado de São Paulo.

Essa suposta irregularidade foi um dos fundamentos apontados no processo administrativo que culminou na suspensão das autorizações da empresa.

 "A empresa repudia as denúncias falaciosas e infundadas formuladas por concorrentes com o único objetivo de restringir a concorrência", afirma o comunicado.

Questionamento sobre o processo

Outro ponto central da manifestação é a forma como o processo administrativo foi conduzido pela ANTT. Segundo a Guerino, a decisão que resultou na suspensão das operações foi tomada sem que a empresa tivesse assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Diante disso, a transportadora informou que já adotou medidas judiciais para contestar a decisão e espera que a agência reveja o caso com base em critérios técnicos e evidências objetivas.

Segundo a empresa, a expectativa é que a análise judicial e administrativa reconheça a regularidade de sua atuação e permita a retomada das atividades.

Empresa cita reconhecimento dos passageiros

Na tentativa de reforçar sua defesa, a Guerino também destacou o desempenho obtido em pesquisa de satisfação promovida pela própria ANTT.

De acordo com a empresa, ela foi eleita a melhor transportadora do Estado de São Paulo e a segunda melhor do Brasil pelos passageiros na Pesquisa Nacional de Satisfação realizada pela agência reguladora.

Além disso, informou que passageiros iniciaram espontaneamente um abaixo-assinado pedindo a retomada das operações da empresa, que, segundo a transportadora, já reúne aproximadamente 5,2 mil assinaturas.

Guerra no transporte

A manifestação amplia mais um capítulo da disputa entre duas das principais empresas do transporte rodoviário interestadual do país.

Como mostrou o Correio do Estado, o embate entre Guerino Seiscento e Andorinha envolve denúncias de supostas irregularidades operacionais, decisões administrativas da ANTT, ações judiciais e impactos diretos para passageiros, especialmente na ligação entre Campo Grande e São Paulo.

Após a suspensão das autorizações da Guerino, usuários passaram a contar com menos opções de horários e registraram aumento no valor das passagens, cenário que reacendeu o debate sobre concorrência no setor e seus reflexos para os consumidores.

Até o momento, a ANTT mantém a decisão administrativa que suspendeu as operações da Guerino Seiscento, enquanto a empresa aguarda a análise das medidas judiciais apresentadas para tentar reverter a medida.

Impacto para os passageiros

Enquanto a disputa entre as empresas segue no campo administrativo e judicial, os reflexos já são percebidos pelos consumidores.

Conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado, a suspensão das operações da Guerino Seiscento alterou a dinâmica da oferta de viagens entre Campo Grande e São Paulo e elevou o custo das passagens.

Antes da suspensão das autorizações da empresa, uma passagem na categoria semi-leito custava, em média, R$ 342, enquanto a tarifa da categoria cama girava em torno de R$ 670.

Atualmente, com a operação concentrada na Andorinha, os valores encontrados pela reportagem para o mesmo trajeto são de R$ 430,44 na categoria semi-leito e R$ 858,32 na categoria cama.

Em ambos os casos, o tempo estimado de viagem permanece em aproximadamente 17 horas, podendo variar conforme o itinerário, as paradas e as condições da rodovia.

Em termos percentuais, a passagem semi-leito registrou aumento de 25,9%, enquanto a tarifa da categoria cama teve alta de 28,1% em relação aos valores praticados antes da suspensão das linhas da Guerino Seiscento.

Levantamento realizado pelo Correio do Estado evidencia o reajuste nas tarifas do trecho Campo Grande-São Paulo após a suspensão das linhas da Guerino Seiscento.

 

Obs.: Os valores foram consultados pela reportagem em 13 de julho de 2026 e referem-se ao trecho Campo Grande–São Paulo, podendo sofrer alterações conforme a data da viagem, a antecedência da compra e a disponibilidade de assentos.

Confira a íntegra da nota da Guerino Seiscento

NOTA INSTITUCIONAL

A Guerino Seiscento reafirma seu compromisso com a legalidade, a livre concorrência e a prestação de um transporte rodoviário seguro, acessível e de qualidade. Há décadas, conecta diversos estados brasileiros com base em autorizações regularmente expedidas pelo Poder Público e em estrita observância da legislação.

A empresa repudia as denúncias que classifica como falaciosas e infundadas, formuladas por concorrentes com o objetivo de restringir a concorrência.

Segundo a companhia, sua atuação em mercados intermunicipais sempre esteve expressamente prevista na regulamentação do setor, foi realizada com autorizações do Poder Público, sob permanente fiscalização da ANTT, e representa uma parcela minoritária das viagens operadas em linhas interestaduais.

A Guerino também afirma que seu compromisso com a qualidade foi reconhecido pelos próprios passageiros, que a elegeram como a melhor empresa do Estado de São Paulo e a segunda melhor do Brasil na Pesquisa Nacional de Satisfação da ANTT.

Ainda conforme a empresa, o processo administrativo que resultou na suspensão de suas operações foi instaurado e decidido sem que lhe fosse assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Por esse motivo, informa que já adotou as medidas judiciais cabíveis e espera que a ANTT reveja a decisão com base em critérios técnicos, evidências objetivas e no interesse público, priorizando um transporte seguro, eficiente, de qualidade e com ampla oferta de serviços.

A empresa afirma permanecer confiante de que a análise técnica confirmará a regularidade de sua atuação. Destaca, ainda, que essa confiança também é compartilhada por milhares de usuários, que organizaram espontaneamente um abaixo-assinado em defesa da retomada das operações da companhia, documento que, segundo a Guerino, já reúne cerca de 5,2 mil assinaturas.

Por fim, a empresa informa que continuará colaborando com total transparência e mantendo seu compromisso de conectar pessoas, estados e oportunidades com segurança, eficiência e respeito aos milhões de brasileiros que utilizam seus serviços.

Andorinha não se manifesta

O Correio do Estado também procurou a Empresa de Transportes Andorinha para que se manifestasse sobre as declarações da Guerino Seiscento e os questionamentos envolvendo a disputa administrativa e judicial entre as companhias.

Até a publicação desta reportagem, porém, a empresa não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

estiagem

Rio da Prata enfrenta seca e mobiliza ações de resgate de peixes

MPMS acompanha agravamento da estiagem, monitora as condições ambientais do rio e fiscaliza ações de resgate e preservação da fauna aquática

10/09/2026 19h15

Rio da Prata enfrenta seca

Rio da Prata enfrenta seca Foto: Divulgação / MPMS

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Mais de 200 peixes foram resgatados e realocados no Rio da Prata, que enfrenta crise hídrica e seca, com locais com fluxo da água interrompido, em Jardim. A situação é acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Jardim.

Conforme reportagem do Correio do Estado, em agosto, o nível do rio já estava baixo em algumas áreas, devido à estiagem. Neste mês, a situação se agravou e, diante do cenário emergencial, uma operação foi montada para tentar reduzir os impactos da estiagem.

De acordo com o MPMS, neste ano, o Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA) comunicou o agravamento da situação hídrica em trecho localizado próximo à Ponte do Curê, na Rodovia MS-178, e constatou as condições críticas decorrentes da estiagem prolongada.

A entidade identificou trechos secos e formação de poças isoladas, com risco de evaporação, situação que coloca diversas espécies em condição de vulnerabilidade.

O presidente do IGMA, Nisroque Soares, afirma que abaixo da área onde foram feitos resgates de peixes, em 2024 e 2025, o fluxo d’água é interrompido por aproximadamente 4 km até a Ponte do Curê.

Na operação emergencial foram executados planos de resgate e realocação de peixes que se encontravam ilhados no local afetado.

Dentre as espécies realocadas estão lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras, que foram levados para áreas do rio com melhores condições de sobrevivência.

No ano passado, também houve a mesma operação, onde aproximadamente 1.421 peixes foram resgatados do Rio da Prata, em um trecho de 7 km afetado pela interrupção do fluxo d’água.

O MPMS informou que há um inquérito civil, instaurado em julho de 2024, que acompanha os trabalhos do IGMA. O órgão ressaltou que continuará acompanhando e fiscalizando as ações desenvolvidas pelos órgãos e entidades envolvidos na preservação do Rio da Prata e de sua fauna aquática.

Saúde

Plano de saúde terá que cobrir mamografia digital para todas as idades

Decisão da ANS vale a partir de 1º de outubro

10/09/2026 19h00

José Cruz/Agência Brasil

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A partir de 1º de outubro, os planos de saúde serão obrigados a cobrir exame de mamografia digital para todas as pessoas sempre que houver indicação médica, ou seja, não haverá restrição de idade. Atualmente, a cobertura desse exame é obrigatória apenas para mulheres com idade entre 40 e 69 anos.

A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no último dia 3 e anunciada nesta quinta-feira (10). A ANS é o órgão que regula a indústria de planos de saúde no país.

A mamografia digital versão mais avançada do exame convencional é considerada um dos principais exames para a detecção precoce do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo de serem percebidas ao toque.

Menos tempo de exposição

A modalidade digital oferece vantagens como menor exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama durante o exame e armazenamento das imagens em formato digital, o que facilita o acompanhamento da evolução clínica e a avaliação por diferentes especialistas.

No comunicado de fim de restrição, a ANS destaca que a cobertura obrigatória é “uma oportunidade de celebrar o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama”.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, estima que o país tenha cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.

Todos os gêneros

A intenção de ampliar a cobertura do exame partiu da própria ANS, após discussões realizadas na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

Na Cosaúde, a maioria da comissão defendeu que “o uso da mamografia digital já está consolidado como padrão de cuidado oncológico” e que a restrição para mulheres de 40 a 69 anos, poderia “prejudicar ou atrasar o acesso oportuno” ao diagnóstico de câncer de mama.

Ao determinar cobertura obrigatória para “todas as pessoas”, a ANS inclui qualquer gênero, ou seja, o exame passa a ser garantido a pessoas que se considerem não binárias (não se identificam exclusivamente como homem ou mulher).

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