Cidades

ENERGIA RENOVÁVEL

Energia solar de MS já equivale à produção da usina de Jupiá

São mais de 132 mil residências, empresas e cooperativas que geram 1.501 megawats de energia com o uso de placas solares

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Dados da Carta da Conjuntura da Energia Elétrica relativos a 2024 revelam que Mato Grosso do Sul fechou o ano passado com 132.458 residências ou empresas gerando energia a partir da luz solar. Isso equivale a 12% dos 1,1 milhão de clientes que a Energisa atende em 74 municípios de Mato Grosso do Sul.

Juntas, as placas de energia solar destes 132 mil investidores já são responsáveis  pela geração de 1.501 megawats de energia, o que equivale à produção da usina de Jupiá, instalada no Rio Paraná, em Três Lagoas.

Representa, também, 15,3% de toda a energia elétrica  produzida em Mato Grosso do Sul, que chega a 9.843 megawats. Em 13 anos, a produção total de energia no Estado aumentou em 54%. 

Ao final de 2023 eram em torno de 120 mil imóveis que produziam sua própria energia e ainda injetavam parte da produção na rede. Assim, os números atuais mostram que, em média, a energia solar conquista em torno de mil novos adeptos por mês no Estado. 

Dos 1.501 MW de potência instalada, 45% pertence à categoria residencial, representando o maior grupo tanto em termos de empreendimentos (81%) quanto em unidades consumidoras (71,5%). O restante é produzido por empresas ou cooperativas que revendem sua produção.

BIOMASSA

Mas não é só a energia solar que cresce a passos largos em Mato Grosso do Sul. A eletricidade gerada pelas 36 usinas de cana e fábricas de celulose a partir de biomassa já é responsável pela geração de  2.386 megawats. 

Juntas, estas fábricas e usinas de açúcar e etanol produzem 28,6% da eletricidade gerada em Mato Grosso do Sul. E, para efeito de comparação, a usina de Jupiá, em Três Lagoas, tem capacidade para 1,5 mil wegawats.

E este setor tem ainda grande potencial. Conforme a Carta da Conjuntura, a fábrica  da Eldorado Brasil Celulose anunciou ampliação da produção para 4,5 milhões de toneladas por ano até 2026, o que eleva seu potencial de geração pra 1.043 MW de bioeletricidade, a partir do uso de licor negro (resíduo do processo). 

Além disso, existem mais 360 MW outorgados pela ANEEL, em construção ou construção não iniciada, toda capacidade gerada de fonte de biomassa, florestal ou bagaço de cana. 

Ao longo do ano passado, quando entraram em operação a fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo e uma indústria de esmagamento de milho em Maracarju, a produção total de energia teve aumento de 11% em relação ao ano anterior. 

O dados são da Coordenadoria de Transição Energética, da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciencia, Tecnologia e Inovação), que traz um panorama atualizado da geração de energia elétrica no Estado, compilado com base nas informações do Siga (Sistema de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica).

O levantamento, segundo o titular da Semadesc, Jaime Verruck, revela um cenário promissor e em constante evolução, marcado pela diversificação da matriz energética e pelo crescimento das fontes renováveis em mato Grosso do Sul, seguindo as principais tendências da transição energética global.

Atualmente, há 73 empreendimentos em fase de construção ou construção ou já liberados para serem construídos. Destes, 63 são usinas fotovoltaicas, oito são usinas de biomassa e dois são provenientes de fonte hídrica. 
 

Após Temporal

Prefeitura estima gastar R$ 40 milhões com estragos deixados por vendaval

Adriane Lopes se reuniu ontem com o ministro das Relações Institucionais, que reconheceu a situação de emergência

16/09/2026 08h10

Um dos maiores estragos ocorreu na Esplanada Ferroviária, que foi quase completamente destelhada com os ventos de quinta-feira

Um dos maiores estragos ocorreu na Esplanada Ferroviária, que foi quase completamente destelhada com os ventos de quinta-feira Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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Campo Grande teve um prejuízo estimado em R$ 40 milhões com as chuvas e os fortes ventos que atingiram a cidade na semana passada. Por conta disso, no fim de semana, a prefeita Adriane Lopes (PP) decretou situação de emergência, que foi reconhecida pelo governo federal e deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União, segundo informações da chefe do Executivo municipal ao Correio do Estado.

Adriane Lopes viajou a Brasília (DF) para pedir celeridade na apreciação do pedido e foi prontamente atendida pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. A reunião foi intermediada pelo deputado federal e candidato ao Senado, Vander Loubet (PT).

Também participaram do encontro os vereadores Beto Avelar (PP), líder da gestão municipal na Câmara Municipal de Campo Grande, e Landmark Rios (PT).

“Nosso pedido foi prontamente atendido. Conseguimos o reconhecimento de emergência e vamos trabalhar com a recuperação dos estragos causados pelo temporal”, afirmou a prefeita.

A estimativa inicial de Adriane Lopes é de que os prejuízos do vendaval cheguem a, pelo menos, R$ 40 milhões, número que pode subir à medida que a atuação da Defesa Civil e de outros órgãos municipais avançarem.

“Tivemos muitos estragos: 37 escolas destelhadas, dezenas de famílias desabrigadas, a UPA do Bairro Universitário e a Esplanada Ferroviária também foram destelhadas”, enumera Adriane Lopes.

Segundo ela, agora haverá um trabalho conjunto da Defesa Civil Nacional com o órgão homólogo do município. “Assim, conseguiremos dar uma resposta mais rápida e conseguir ajuda humanitária”, explica.

Na prática, o reconhecimento do decreto de emergência possibilita que o município faça a contratação emergencial de serviços e obras relacionadas ao evento que motivou a solicitação, no caso, o vendaval de quinta-feira, que registrou ventos de quase 90 km/h e deixou um rastro de destruição pela cidade.

O decreto também facilita o acesso do município a recursos federais destinados exclusivamente a mitigar os danos do vendaval.

Um dos maiores estragos ocorreu na Esplanada Ferroviária, que foi quase completamente destelhada com os ventos de quinta-feiraPrefeita Adriane Lopes se reuniu ontem com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães - Foto: Divulgação

Os efeitos do vendaval foram sentidos pela população de Campo Grande durante todo o fim de semana. Na manhã de segunda-feira, 36 horas após o temporal, ainda havia moradores sem energia elétrica, por exemplo.

ÁRVORES CAÍDAS

Segundo um levantamento feito pela Prefeitura e divulgado segunda-feira, a Capital registrou 450 ocorrências, sendo 423 envolvendo quedas de árvores e galhos. Na segunda-feira, 35 equipes continuavam mobilizadas em todas as regiões da cidade para fazer os reparos.

Conforme o Executivo Municipal, a região central concentrou o maior volume de chamados, com mais de 120 registros.

“Desde quinta-feira, nossas equipes estão nas ruas trabalhando de forma ininterrupta para minimizar os impactos causados pelas chuvas. Foram centenas de árvores caídas, e nossa prioridade, desde o primeiro momento, foi desobstruir as vias, garantir a segurança da população e restabelecer a normalidade na cidade”, disse a prefeita.

Para contar e reparar os danos, uma força-tarefa foi montada na semana passada, com equipes focadas em corte de árvores, recolhimento de entulhos e desobstrução de bueiros, além da atuação da Defesa Civil.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) também atua com desvios de rota, auxílio aos condutores e reparo de 213 semáforos. Sete grupos atuam no conserto dos equipamentos semafóricos, além do efetivo da Guarda Civil Metropolitana na ordenação do fluxo de veículos.

No âmbito operacional, foram concluídas 118 ações emergenciais pela Agência Municipal de Habitação (Emha).

A força-tarefa também inclui a área de assistência, com todos os 26 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) abertos para acolhimento da população.

A ação conta com o apoio do governo do Estado, por meio do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil Estadual e da Secretaria de Obras, além das concessionárias Energisa e Águas Guariroba.

* Saiba 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), de quinta-feira até segunda-feira, o acumulado de chuvas ultrapassou os 102 milímetros, quase 40% acima da média histórica para setembro.

Operação

Polícia já identificou 12 envolvidos em suicídio de adolescente em MS

Até agora, 11 jovens, de 14 anos a 17 anos, foram apreendidos e um adulto de 18 anos foi preso por atuarem na morte de Lívia

16/09/2026 07h50

Policiais cumpriram mandados em quatro estados e no DF

Policiais cumpriram mandados em quatro estados e no DF Foto: Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou, em um mês e meio de investigação, 11 adolescentes, de 14 anos a 17 anos, e um adulto de 18 anos que teriam participado diretamente da morte da menina Lívia, de 13 anos, encontrada sem vida em Naviraí, no fim de julho, após ser incitada ao suicídio por grupos extremistas durante transmissão ao vivo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir de apuração da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, deflagrou ontem a segunda fase da Operação Lívia, com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão domiciliar e seis medidas cautelares de busca e apreensão envolvendo adolescentes, em quatro estados e no Distrito Federal.

“A análise dos equipamentos eletrônicos, telefones celulares e demais mídias apreendidos permitiu avançar na identificação de outros suspeitos de integrar comunidades virtuais investigadas pela prática de crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais, coerção psicológica e indução à automutilação e ao suicídio, tendo crianças e adolescentes entre os principais alvos”, disse o Ministério.

Todos os alvos desta nova operação teriam participado do dia da morte da adolescente e acompanhado a transmissão da menina ao vivo.

“Entre as práticas investigadas está a chamada ‘escravidão digital’, termo técnico utilizado para descrever uma dinâmica de coerção, chantagem e controle exercida no ambiente virtual, na qual vítimas são submetidas a ameaças e pressões para cumprir determinações dos integrantes desses grupos, inclusive relacionadas à automutilação e a outros atos de violência”, explica o MJSP.

Além disso, o órgão federal afirma que, dentre os novos jovens apreendidos, há suspeitos de terem atuado na administração e moderação de comunidades virtuais utilizadas para abordar, coagir e chantagear vítimas em situação de vulnerabilidade, como se fosse uma espécie de rede de violência virtual.

Amanhã, às 10h, a delegada Anne Karine Sanches Trevisan Duarte, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), vai conceder coletiva de imprensa para apresentar mais detalhes desta segunda fase.

PRIMEIRA FASE

A primeira fase da Operação Lívia foi deflagrada no dia 4 de agosto, menos de duas semanas depois da morte da menina vir à tona. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seis locais distintos no Rio de Janeiro, no Ceará, em Minas Gerais, no Pará e em Mato Grosso do Sul contra jovens de 14 anos a 18 anos.

Conforme Anne Trevisan, a investigação dessa organização começou no dia 22 de julho, quando a polícia tomou conhecimento que o suicídio de uma adolescente havia sido transmitido ao vivo pela plataforma de comunicação Discord, muito popular entre os adolescentes.

“Durante a investigação, a gente verificou que não foi um suicídio, mas foi realmente um homicídio. Com isso, nós identificamos os alvos, os autores, ao todo cinco adolescentes e um adulto, em vários locais do País. Nós representamos pela prisão e apreensão deles e a busca domiciliar”, declarou a delegada.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” que a adolescente que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar. Durante o caso de MS, outro “evento”, como eles chamam esses episódios, era transmitido simultaneamente em outro estado.

DISCORD

No dia 12 de agosto, pouco tempo depois da primeira fase, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) expediu uma medida preventiva determinando que a plataforma Discord suspendesse a funcionalidade de transmissão ao vivo, no Brasil, em três dias úteis.

No dia 17 de agosto, a empresa anunciou que interrompeu, por tempo indeterminado, a possibilidade dos usuários transmitirem vídeos usando o aplicativo. 

Segundo a empresa, a suspensão das transmissões ao vivo e de compartilhamentos de vídeos não afeta as comunicações por texto e áudio e outros recursos da plataforma. Além disso, a companhia afirma que está “dialogando” com representantes da ANPD em busca de uma solução que lhe permita restabelecer as transmissões de vídeo para os usuários brasileiros.

“O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares”, acrescentou a empresa.

O Discord classificou a morte da adolescente de Naviraí como “um caso devastador”, resultado de uma “situação muito séria”, uma “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas” digitais.

* Saiba 

Conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), menores de 18 anos são penalmente inimputáveis.

Isso significa que eles não cometem crimes no sentido técnico da lei penal, mas sim atos infracionais.

Portanto, os 11 jovens, de 14 anos a 17 anos, apreendidos nas duas fases da operação vão responder a um procedimento especial e cumprir medidas socioeducativas, em vez de serem presos.

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