Cidades

O QUE DIZ A LEI

Entenda as consequências de "passar a perna" no poder público, ganhar um edital e não entregar nada

Sectur judicializa causa e Fundação de Cultura deve fazer o mesmo contra produtor que veio à MS e já ganhou mais de R$ 400 mil sem concluir projetos

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Por ganhar diversos editais, sem entregar os projetos prometidos, Gabriel Felipe Felix está sendo encarado como "sequestrador" de R$ 407.603,00 em valores recebidos da Cultura de Mato Grosso do Sul, por isso, entenda as consequências de "passar a perna" no poder público, ganhar um edital e não entregar nada. 

Atualmente existe dois processos, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), da Procuradoria Municipal cobrando os valores pegos por Gabriel, ambos com pedidos de tutela de urgência que foram indeferidos pelos juízes responsáveis. 

Como explica o advogado especializado em Direito do Consumidor, João Carneiro, ambos os magistrados tomaram a mesma decisão, uma vez que ainda não estão claros os motivos que levaram Gabriel a não entregar o devido combinado. 

Segundo detalha um material - que traçou recentemente o perfil e montantes embolsados por Gabriel -, o paulista acusado de ganhar os editais e não entregar projetos fez sua primeira proposição no Estado em 2018. 

Gabriel disponibiliza apenas um perfil, privado, para contato pessoal, pelo qual a equipe não obteve resposta até o fechamento da matéria.

Veja quantia recebida em editais

Sua intenção com a primeira proposta era realizar um filme ("Uó! Gritos do Silência), proposto ao Edital n° 003/2018 do Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul (MIS-MS). A obra teria intenção de detalhar o trabalho de Paulinha Martinelly, ativista que presidiu a Associação de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais de Três Lagoas. 

Cinco meses depois "Uó" foi um dos selecionados, em edital que pagava R$ 50 mil, para obras que deveriam ser entregues até 02 de março de 2021. 

Em 2020, Gabriel, com outra proposta, "Cancioneiro", pediu R$ 158.829 em recursos, no Edital n° 01/2019 do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), que foram pagos ao idealizador para a realização do longa, que semelhante à obra anterior ainda não foram entregues. 

Pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) ele também abocanhou recursos para a realização de "Sarobá, Sob a Cidade e Primavera", referência ao Teatro Imaginário Maracangalha, que tem espetáculo homônimo à posia de 1936 "Sarobá", do poeta corumbaense Lobivar Matos.

Foram R$ 166,775 mil faturados através do Fundo Municipal de Incentivo Cultural (FMIC) na época, com o dinheiro liberado em 29 de maio de 2020. 

Ainda pela Sectur, ele também teve a proposta "Sarrafo Um Ensaio Sobre a Vida", do qual fatourou quase 32 mil reais (R$ 31.999,00) para produzir o audiovisual, que não foi entregue mesmo com prorrogação por parte da Secretaria. 

É crime ou não

Conforme João Carneiro, por parte da Sectur já foi solicitada a devolução em tutela de urgência, para que futuros valores na conta do acusado sejam bloqueados, pedidos esses indeferidos por ambos os juízes responsáveis.

Conforme a opinião do advogado, por se tratar de dinheiro público, com data para entrega, por não apresentar justificativas para a demora, o pedido para que futuros valores na conta de Gabriel sejam bloqueados deveriam ser atendidos.

"Para falar em crime é preciso saber as motivações do Gabriel, se de fato teve dolo de pegar o dinheiro e viajar para Buenos Aires, aí tem um crime... agora, se aconceram coisas que fugiram do controle e ele não conseguiu entregar por conta disso, algum infortuito, aí não tem crime", comenta ele. 

Ainda, João esclarece que para a Procuradoria Municipal se movimentar é porquê trata-se de um caso sério, uma vez que há certa morosidade inclusive na cobrança de impostos; IPTU de grandes empresas. 

"Então para estarem fazendo isso o negócio é bem sério. Crime ainda é muito distante para se falar. As pessoas merecem o benefício da dúvida", esclarece João Carneiro. 

Entretanto, como as ações já cobram os valores, os juízes não deram tutela de urgência porquê querem que o rapaz se explique, uma vez que o rapaz ainda não sinalizou defesa ou sequer indicou advogados na ação. 

Caso ele não se explique, será obrigado a devolver o dinheiro, com atualização monetária e juros legais (de 1% ao mês).

"Se você não entregar o trabalho, vai ter que devolver o dinheiro, normalmente atualizado. Se é ação judicial, vai ter que pagar os honorários advocatícios e custas do processo também, dependendo do caso".

Para que sejam descritas as consequências, antes é preciso constatar a existência de crime, ou não, que vai depender da motivação da pessoa. 

"Se teve o dolo de sequestrar o dinheiro e fugir. Mas se só se desorganizou e não conseguiu entregar, as consequências são apenas a devolução do valor atualizado e com juros", finaliza o advogado. 
 

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Cigarros Paraguaios

Divisa entre MS, Paraguai e PR está no centro de esquema de contrabando

Operação da Polícia Federal cumpriu mandados nas cidades de Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina

10/06/2026 08h00

Divulgação/PF

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Apontada como a principal porta de entrada para os cigarros contrabandeados do Paraguai no Brasil, a cidade de Mundo Novo está envolvida em investigação da Polícia Federal (PF) sobre o contrabando transnacional do produto.

Localizado na divisa entre Mato Grosso do Sul e Paraná e também na fronteira com o país vizinho, o município está entre os locais onde foram cumpridos mandados da operação deflagrada ontem.

Conforme a PF, as Operações Sicarius I e Sicarius II tiveram como objetivo “desarticular uma organização criminosa transnacional especializada em contrabando de cigarros, em importação ilegal de agrotóxicos, em falsificação de documentos e de placas veiculares, em lavagem de dinheiro e em corrupção de servidores públicos”.

Foram cumpridos 44 mandados de prisão preventiva, 14 mandados de prisão temporária, 62 mandados de busca e apreensão, 45 mandados de sequestro e bloqueio de contas bancárias, 5 ordens judiciais de cancelamento de CPFs, 7 ordens judiciais de cancelamento de CNPJs e 67 ordens judiciais para instauração de procedimentos administrativos fiscais em desfavor de empresas localizadas nos estados do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Espírito Santo, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, de Goiás, de Alagoas e de Pernambuco. Todos os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra (PR).

Ao cumprir os mandados, a PF encontrou armas e munições - Foto: Divulgação/PF

Em Mato Grosso do Sul os alvos estavam nos municípios de Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina.

De acordo com as investigações, um dos pontos centrais da apuração passa pela figura de um doleiro que aturaria na região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

Conforme informações divulgadas pela Receita Federal, que também participou da operação, esse doleiro seria o operador financeiro do esquema e teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024, sendo mais de R$ 114 milhões movimentado apenas em suas contas bancárias pessoais.

A investigação aponta que o doleiro também controlava contas em nome de laranjas e de empresas de fachada.

“As investigações apontam que o grupo criminoso possuía uma estrutura com divisão de funções e com atuação em diversos estados da federação, mediante empresas de fachada, interpostas pessoas e mecanismos de ocultação patrimonial para dissimular a origem ilícita dos recursos obtidos com as atividades criminosas”, diz nota da PF.

A investigação começou, segundo a Receita, a partir do envolvimento da organização em diversos flagrantes, principalmente enquanto transportavam cigarros contrabandeados do Paraguai. 

“A partir das análises, foram identificadas infrações penais que poderiam ser enquadradas como antecedentes do crime de lavagem de dinheiro”, diz a nota.

“Segundo as investigações, a organização criminosa transnacional atuava no contrabando principalmente de cigarros provenientes do Paraguai e posteriormente ocultava ou dissimulava os recursos obtidos nessas atividades. 

Os investigados ocultavam os bens adquiridos em transações utilizando pessoas interpostas (laranjas) e empresas de fachada, sendo que as movimentações financeiras seriam realizadas por meio de um doleiro”, completa a Receita Federal.

PRF

Além do doleiro, a PF identificou que o grupo também atuou para corromper servidores públicos da segurança pública para que esses permitissem que cargas ilegais adentrassem ao País.

De acordo com a TV RPC, do Paraná, três policiais rodoviários federais daquele estado foram presos durante a operação de ontem, por isso, também houve a participação da Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na operação.

PORTA DE ENTRADA

Matéria do Correio do Estado publicada no mês passado mostrou que, conforme dados de apreensões da Receita Federal nos últimos 10 anos, a principal porta de entrada para os cigarros contrabandeados do Paraguai mudou de Ponta Porã para Mundo Novo.

A mudança ocorreu em 2019 e desde então o município no Cone Sul de Mato Grosso do Sul tem sido responsável pela maior parte dos cigarros contrabandeados que entram no País, já que entre 2020 e 2025 foram apreendidos mais de 103,3 milhões de maços, o que corresponde a uma quantia de R$ 526,6 milhões.

Para efeito de comparação, no mesmo período, em Campo Grande foi apreendido 34,4 milhões de maços e em Ponta Porã foram 55,4 milhões confiscados, pouco mais da metade do apreendido em Mundo Novo.

* Saiba 

As operações também buscaram a cooperação jurídica internacional “destinada ao aprofundamento das investigações e à identificação de ativos” de criminosos no Paraguai.

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SURPRESA

Com Éderson, Brasil reúne representantes de 78 clubes em Copas

O volane nascido em Campo Grande foi convocado no último domingo, depois da lesão do lateral direito Wesley

10/06/2026 07h41

Éderson continua com contrato na Atalanta, da Itália, mas está com a transferência acertada para o Manchester United, da Inglaterra

Éderson continua com contrato na Atalanta, da Itália, mas está com a transferência acertada para o Manchester United, da Inglaterra

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A convocação do volante Éderson para o lugar do lateral-direito Wesley, cortado por contusão, incluiu a Atalanta na história de participações da seleção brasileira em Mundiais. O clube italiano se tornou o 78º a ter um jogador representando o Brasil em Copa do Mundo. A lista completa reúne 23 equipes do país e 55 do exterior.

O elenco atual do técnico italiano Carlo Ancelotti inseriu seis novos clubes na estatística. A lista com os 26 nomes originalmente chamados pelo treinador já contava com representantes inéditos dos sauditas Al-Ahli (o zagueiro Ibañez) e Al-Ittihad (o volante Fabinho), dos ingleses Brentford (Igor Thiago) e Bournemouth (o também atacante Rayan) e do turco Fenerbahçe (o goleiro Ederson).

Se seguisse entre os convocados, Wesley seria o 11º atleta da Roma a vestir a camisa do Brasil em uma Copa. Entre os estrangeiros, o time italiano é o terceiro com mais representantes, ao lado do francês Paris Saint-Germain (PSG) e atrás somente dos espanhóis Real Madrid (14) e Barcelona (12). A Inter de Milão, também da Itália (nove), completa o top-5. 

Considerando as ligas do exterior que cederam jogadores à seleção brasileira, a troca de Wesley por Éderson não impacta a liderança, que segue com a Itália. São 44 convocados desde 1982, quando o ex-volante Paulo Roberto Falcão, à época na Roma, abriu a porteira.

Para 2026, porém, o Campeonato Inglês foi o que mais teve jogadores chamados para vestir a camisa do Brasil: oito. A liga chegou a 34 convocados mundialistas pela seleção verde e amarela e assumiu o segundo lugar, ultrapassando a Espanha (33), que teve somente os atacantes Raphinha (Barcelona) e Vinícius Júnior (Real Madrid) lembrados desta vez.

As presenças de Ibañez e Fabinho incluíram a liga saudita entre as que tiveram jogadores chamados para representar a seleção brasileira em Copas. São 17 países diferentes. Além da Arábia e do trio que lidera a estatística, aparecem França (18), Alemanha (14), Portugal (nove), Japão, Ucrânia, Rússia (três cada), Turquia (dois), China, Uruguai, Grécia, Holanda, México e Canadá (um cada).

Domínio glorioso

Entre os clubes brasileiros, o Botafogo segue como o que mais teve nomes defendendo a Amarelinha em Mundiais. O volante Danilo Santos se tornou a 48º convocação do Glorioso, que é seguido pelo São Paulo (46).

O Flamengo, com as presenças dos zagueiros Danilo e Léo Pereira, do lateral-esquerdo Alex Sandro e do meia Lucas Paquetá na edição deste ano, aparece em terceiro, com 39 representantes, abrindo vantagem para os rivais Vasco, com 35, e Fluminense, com 32.

Outras 19 equipes do país tiveram atletas defendendo o Brasil em Copas desde 1930. O Santos, graças ao atacante Neymar, chegou a 25 nomes e ultrapassou o Palmeiras (24).

Sem representantes no elenco de 2026, Corinthians (23), Atlético-MG (12) e Cruzeiro (11) completam o top-10. E a lista ainda reúne Grêmio (nove), Internacional (oito), Portuguesa (seis), Ponte Preta (cinco), Bangu, São Cristóvão (ambos quatro), América-RJ (três), Guarani, Ypiranga-RJ (dois), Americano-RJ, Americano-RS, Athletico-PR e Portuguesa Santista (um cada).

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