Concessionária Caminhos da Celulose fez solenidade para assinatura de parceria com telefônica, mas não fala sobre manutenção do asfalto na BR-267 e na MS-040
Em meio à onda de reclamações sobre a buraqueira na BR-267 e na MS-040, a concessionária Caminhos da Celulose anunciou nesta terça-feira (28) a assinatura de contrato com a TIM para implantação da cobertura 4G ao longo dos 870 quilômetros das rodovias concedidas à concessionária em Mato Grosso do Sul em fevereiro deste ano.
O comunicado não informa a partir de quando esta tecnologia estará disponível. Mas, a cobrança de pedágio, prevista a partir de fevereiro do próximo ano, só será possível se houver disponibilidade de sinal de dados.
E, embora a instalação das torres de retransmissão na BR-262, BR-267, MS-040, MS-338 e MS-395, fique sob responsabilidade da TIM, os celulares que utilizam o serviço das demais operadoras também vão funcionar ao longo de todos os percursos, segundo a assessoria da concessionária.
O anúncio foi feito em meio a uma cerimônia que teve a participação do presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, do Diretor Executivo da TIM Brasil, Paulo Humberto Gouvea, e o diretor-presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (AGEMS), Carlos Alberto de Assis.
Nem o presidente da concessionária nem o diretor da AGEMS, responsável pela fiscalização do serviço prestado pela concesssionária, fizeram menção sobre as más condições das rodovias sob responsabilidade da Caminhos da Celulose.
O contrato contempla a implantação de novas antenas 4G, além da modernização da infraestrutura existente, garantindo a disponibilidade contínua dos serviços ao longo dos trechos de rodovias que formam a Rota da Celulose.
A cobertura ainda vai beneficiar 22 municípios e 37 distritos, abrangendo 26 escolas públicas, oito unidades de saúde e mais de 6,3 mil propriedades rurais localizadas no entorno da malha rodoviária atendida, segundo a concessionária.
“A conectividade é essencial para tornar as vias mais seguras, eficientes e inteligentes, e beneficia não só os usuários, mas as comunidades ao redor, estimulando o desenvolvimento sustentável da região”, afirma Paulo Humberto Gouvea, Diretor Executivo da TIM Brasil.
A conectividade também será essencial para reduzir o tempo de resposta às ocorrências, integrar equipes operacionais e fortalecer a atuação conjunta com órgãos de segurança pública e serviços de emergência.
Além de ampliar a cobertura de internet móvel ao longo das rodovias, a nova rede servirá como base para a implantação e integração dos principais Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) previstos para a concessão. Entre eles estão os Painéis de Mensagens Variáveis (PMVs), o sistema automático de monitoramento de tráfego, a pesagem em movimento e o pedágio eletrônico Free Flow.
No começo de fevereiro, quando da assinatura do contrato, o Governo do Estado informou que a concessionária faria, somente primeiros cem dias, “mais de 2,1 milhões de metros quadrados de roçada, 22,5 mil metros quadrados de sinalização horizontal, 490 metros quadrados de sinalização vertical, mais de 5 mil unidades de taxas refletivas, 100 km de limpeza de drenagem, remoção de mais de 10 mil quilos de lixo e reparo emergencial de pavimento em mais de 150 km”.
Mas, passados quase 180 dias, o que se viu foram alguns serviços emergenciais de tapa buracos e roçada às margens das rodovias em algumas regiões. Nas últimas semanas, as redes sociais têm sido tomadas por reclamações relativas à buraqueira na BR-267, entre Nova Alvorada do Sul e Bataguassu.
Vergonha alheia
Uma das publicações mais recentes foi feita pelo deputado federal Rodolfo Nogueira, mais conhecido como Gordinho do Bolsonaro (PL). Nesta segunda-feira publicou vídeo ao lado de motoristas que perderam pneus culpando o Governo Lula pelos prejuízos, deixando claro que não tem conhecimento de que o trecho foi privatizado faz quase seis meses.
Situação semelhante enfrentam usuários da MS-040 em boa parte dos 230 quilômetros entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Serviços de tapa-buracos foram realizados em algumas regiões, mas por falta de compactação da massa asfáltica, eles ressurgem dias depois dos reparos emergenciais.
O Correio do Estado procurou a concessionária na quinta-feira da semana passada em busca de informações sobre um possível cronograma para investimentos na melhoria do asfalto, mas até esta terça-feira não obteve retorno.