Durante a manhã desta terça-feira (29) agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) retornaram às ruas de Campo Grande com um desdobramento da Operação Infiltrados, mirando mais um profissional da advocacia nesta segunda fase batizada de "Obstructio".
Conforme divulgado pelo Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS), a operação de hoje (29) compreendeu o cumprimento de um mandado de prisão e dois de busca e apreensão na Capital.
Ainda nas primeiras horas da manhã, agentes do Gaeco estiveram na altura do número 1.200 da rua 14 de julho, no Centro de Campo Grande, onde estão estabelecidos alguns escritórios de advocacia.
O próprio Ministério Público confirmou que o alvo de hoje (29) trata-se de um profissional da advocacia, motivo pelo qual a própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) esteve presente acompanhando as diligências.
Vazamento de informações
Ainda segundo o MPMS, as investigações se desdobraram para apurar um suposto vazamento de informações sigilosas ainda enquanto era deflagrada a Operação Infiltrados, no último dia 24.
O órgão frisou, em nota, que já existem evidências materializadas de que houve uma comunicação criminosa dessa ação policial, que por sua vez refletiu em um embaraço direto à investigação do Gaeco.
Justamente por isso foi empregado o termo latim "Obstructio" para batizar a ação de hoje (29), uma vez que esse advogado teria atrapalhado o cumprimento das medidas judiciais.
Infiltrados
Deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar na última quinta-feira, essa investigação passou a apurar suspeitas de tráfico de drogas e outros crimes que envolviam integrantes das forças de segurança pública.
Durante a primeira fase foram expedidos ao todo 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão para cumprimento em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Balanço divulgado pelo MPMS já indicou que, até então, já haviam sido cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
Essas investigações começaram em outubro de 2025, quando elementos relacionados ao caso foram localizados no decorrer das operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado.
O grupo é investigado por um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, especialmente cocaína, o que levou à prisão até de um ex-delegado que passou mais de cinco anos na titularidade da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil ainda na tarde de quinta-feira (24).
Uma das suspeitas é de que parte dos entorpecentes apreendidos não fosse incluída nos registros oficiais. A investigação também apura a retirada de drogas armazenadas em depósitos de delegacias.
Os entorpecentes desviados seriam posteriormente repassados a traficantes ligados ao grupo e recolocados no mercado ilegal.
**(Colaborou Alícia Miyashiro)





