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Garota negra sai das ruas de Naviraí e brilha nos tribunais

Adenir é filha de trabalhadores rurais e começou sua carreira profissional no interior de MS e já foi cotada para assumir vaga no STF

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Era uma vez uma linda princesa que nasceu em Santa Cruz do Monte Castelo no ano de 1965. A propósito, sua cidade paranaense até que tem castelo no nome, mas o que será narrado a seguir não é um daqueles clássicos contos de fadas.

É sim uma história real que às vezes se apresentou cruel, porém tem se sobressaído com capítulos incríveis! Tudo isso sobre uma menina julgada improvável que se tornou imparável. Para adiantar apenas a jornada profissional, de escrevente judicial em Naviraí, Adenir Alves da Silva Carruesco foi ser escrivã em Dourados, depois juíza do Trabalho no TRT23, onde figurou como a primeira mulher negra da carreira da magistratura, e onde também e além, é a primeira desembargadora negra de carreira a presidir o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso.

Realizações não só pessoal, mas coletivas, regidas por alguém que entendeu cedo que precisava comandar seu destino. “A vida determinou onde eu nasci, como é que eu nasci. Eu nasci pobre, eu nasci negra. Agora, o que é que eu vou fazer com tudo isso que a vida fez de mim? Isso que compete a mim. Assim, nada pode me parar”, explica esta protagonista de tamanha garra. E se for pensar na velocidade que ela imprimia nos 100 metros rasos nos jogos escolares em Naviraí...

Bem, dessa época vem uma contribuição colossal. Por isso, guarde esse nome, e no coração: Napoleão Teodoro de Souza. Ele era jovem quando dava aula na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Presidente Médici, e disse para Adenir, que até então era uma aluna excluída e considerada feia aos olhos torpes para ser uma princesa, que ela podia sim ser a rainha do baile, que tinha brilho próprio. E aí o jogo virou.

“Ele me colocou para treinar vôlei. Agora imagina jogar vôlei com 1,56 metro? Mas ele dizia que eu era capaz, me incentivava, dizia que eu era bonita e aquilo me deu forças. Depois do vôlei, descobri o atletismo, e ganhar medalhas me mostrou que eu poderia ir muito mais longe do que pensava”.

Adenir então se conectou com sua ancestralidade e suas raízes. Por falar nisso, chegou o momento de apresentar os pais, dona Geralda e seu Selvino, trabalhadores braçais de lavouras de café e analfabetos funcionais.

“A minha mãe, toda suja de terra, olhava e tinha uma moça que passava muito bem-vestida, na concepção dela. E ela via essa pessoa passar limpinha, que era a professora que ia dar aula na fazenda. E aí ela pensava o seguinte, mesmo sem ter namorado ainda: um dia eu vou me casar e eu quero ter uma filha e que ela seja professora. Que ela não tenha essa vida que eu tenho, tão difícil. E aí por isso que ela me deu o nome de Adenir, que era o nome daquela professora que ela via passar enquanto ia para a roça, às cinco da manhã, levando a enxada, a moringa de água, e tendo nos pés aquele chinelo surrado”.

A lembrança de infância de Adenir, que também chegou a ser professora (sua primeira formação para orgulho da mãe), é toda da roça. Doces memórias porque os Silva sabem desaforar as circunstâncias. E olha que o mundo para além do portão da casa deles era bastante hostil.

RACISMO

Para explicar melhor, em Naviraí, para onde se mudaram em busca de melhores oportunidades, a dona desta história passou por um dos episódios mais dolorosos e covardes de sua vida. Isso aos oito anos de idade.

Foi assim: uma colega de escola decidiu passar de bicicleta bem pertinho de Adenir. Tirando fina, expressão aqui usada para tornar clara a provocação. Adenir aguentou o máximo que pôde até se defender, empurrando a menina.

No desfecho totalmente inesperado, a garota contou para a irmã mais velha, que era professora da escola, que Adenir deliberadamente a derrubou da bicicleta. Logo que Adenir chegou no colégio, foi confrontada pela professora irada, no pátio da escola.

Sem ter a mínima chance de se defender ou explicar sua versão dos fatos, se viu atingida por uma avalanche de injúrias raciais. A autoridade escolar berrava coisas do tipo “negra suja, negra sebosa, negra ordinária, quem você pensa que é? Não conhece o seu lugar?”.

Para quem “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional” (frase de Carlos Drummond de Andrade apreciadíssima pelos budistas), seu lugar é muito bem por ela conhecido. Adenir definitivamente correu para o esporte e o pódio sempre sorriu para ela. Também assumiu a dianteira nos estudos e logo foi ser professora no maternal.

Mas para quem sabe se desafiar e gostaria de ganhar um pouco mais, “apareceu uma vaga em uma agência bancária. O banco só contratava pessoas com boa aparência. Não entrei e aí aquilo dali me deu um banho de água fria. Com essa aparência, eu vou ter que procurar trabalho onde só a minha competência e só o meu próprio esforço vão determinar. Eu não posso depender de qualquer outra coisa”.

Diante disso veio a reação e, para abrir a porta seguinte, prestou concurso público para escrevente judicial no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Completava agora 18 anos. “Eu fui muito bem nas provas escritas, mas tinha prova de datilografia. A máquina travou tudo. Não ia nem pra frente nem pra trás. Meu Deus do céu! Aí quem estava conduzindo o processo era o Dr. Alécio Antônio Tamiozzo. Ele olhou pra mim e pediu para eu fazer na próxima turma, e a máquina travou de novo. Fiz uma confusão e ele me deixou fazer de novo. Ele percebia que era nervosismo”. Bem desse modo ela conheceu mais um ser humano que teve um olhar diferenciado e bastante próspero sobre ela.

Adenir com medalha de campeã dos jogos escolares em Naviraí

Oportunidade devidamente confiada e Adenir passou em segundo lugar, mesmo em desarmonia com a máquina datilográfica. Quando lotada no Fórum em Naviraí, surgiu uma vaga na 3ª Vara Cível em Dourados. Mas assim como têm pessoas generosas, têm aqueles que insistem em desencorajar.

“Falei assim: não sei se eles vão estudar o tanto que eu vou estudar. Foi assim que eu fui para o Tribunal de Justiça em Dourados, onde fui escrivã de 1985 até 1994. E me apaixonei pela magistratura”. Fez vestibular e, ainda bem, foi aprovada para cursar Direito na Unigran. 

Encorajada que só, foi dessas admissões até a aprovação no concurso para juíza do Trabalho em Mato Grosso, e lá vem mais uma boa história. “Quando eu passei para magistrada, eu contei pra minha mãe. Ela falou ´nossa, filha, que bom! Você tá feliz?´. Só que ela não tinha noção do que é um cargo de juiz para a sociedade e lá em Naviraí ela foi no mercado, em algum lugar, e as mulheres estavam de bate-papo ali. Uma disse que o filho tinha se formado contador. A outra falou, minha filha é tal coisa. Nisso minha mãe falou a minha filha é juíza. Aí diz que o povo todo parou”. Imediatamente dona Geralda voltou pra casa e perguntou para Adenir: que negócio é esse de ser juíza? 

Nessa autoridade e responsabilidade públicas, atuou em Alta Floresta, Primavera do Leste e Rondonópolis, ficando no portal mato-grossense do agronegócio por 16 anos, já que tomou posse como desembargadora em dezembro de 2021 e foi morar em Cuiabá. Tão logo, em dezembro de 2023, se torna presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região para o biênio 2024/2025. “Mas a minha história no Mato Grosso do Sul é muito forte. O que me conduziu até aqui, onde eu estou hoje, é toda a história que eu vivi no Estado”.

Um ´era uma vez´ realmente encantado que contou com aliados como o professor Napoleão e o Dr. Alécio, amigos iluminados desta princesa.  “Alguém precisa dizer que você vale como ser humano. Então, no correr da vida a gente precisa ter pessoas em que a gente se espelha, pessoas que a gente admira e que dão essa validação para a gente. Essa energia, esse perceber, esse se importar com as pessoas. E nessas pessoas que passaram por mim é que percebi o perfume de humanidade”.

Se esse aroma tão valioso é sentido pelo admirar, o que dizer da fragrância que exala Adenir Alves da Silva Carruesco depois de você, leitor, chegar neste ponto da leitura? Só pelo frasco, sobram notas de presença, determinação e ousadia, tudo muito compatível à pele de gente que torce por um final feliz. Neste conto de nobreza, o príncipe é o marido Marcelo com quem a princesa tem dois filhos e uma neta. E fica fiável saber que tantas coisas melhores ainda virão.

Em 2023 chegou a ser indicada por diferentes instituições para ocupar a vaga deixada por Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula, porém, escolheu o ministro Flávio Dino para ser ministro do STF.

(Autor da notícia: Secretaria de Comunicação - [email protected])

ENTREVISTA

"A eleição é um momento passageiro, e a nossa gestão terá um período bem maior"

Apesar da disputa acirrada, o novo presidente fez questão de destacar que a conciliação é inerente a seu perfil e que vai procurar pacificar a federação no Estado

06/06/2026 09h00

Juliano Battistel Kamm Wertheimer - Presidente eleito da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS)

Juliano Battistel Kamm Wertheimer - Presidente eleito da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS) Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após uma eleição marcada pelo equilíbrio e decidida por apenas um voto, o empresário Juliano Wertheimer se prepara para assumir a presidência da Fecomércio-MS, com a promessa de ampliar a presença da entidade no interior do Estado, fortalecer a representatividade dos sindicatos e aproximar os empresários das oportunidades geradas pelo novo ciclo de investimentos em Mato Grosso do Sul.

A vitória dele encerra um período de 16 anos sob a mesma gestão e abre espaço para uma nova composição de forças dentro da federação.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o presidente eleito detalha as prioridades dos primeiros meses de mandato, fala sobre projetos voltados à saúde e à qualificação profissional e defende uma atuação mais próxima dos pequenos e médios empresários.

O senhor afirmou que a vitória representa a vontade de um grupo de sindicatos de diferentes setores e regiões. Como pretende transformar essa diversidade em unidade dentro da federação?

Essa diversidade de sindicatos, comércio varejista de várias regiões do Estado, despachantes, autoescolas, representantes comerciais, de asseio e conservação e de hotéis, bares e restaurantes, todos têm suas necessidades específicas, têm as demandas dos seus empresários e também a territorialidade de cada um.

Sendo assim, todos terão a responsabilidade e a incumbência de trazer as demandas do seu setor e da sua região.

Por exemplo, o sindicato de Corumbá ou de Naviraí ou de Nova Andrade tem a responsabilidade de trazer todas as necessidades, não só do comércio de varejo que ele representa, mas do setor de turismo, do setor de outros negócios da sua região.

Trazer para a federação a fim de nós fazermos um grande plano de desenvolvimento baseado nas necessidades, e não apenas no que nós pensamos, mas no que nós vamos ouvir lá na ponta.

O senhor acredita que a Fecomércio-MS precisa estar mais próxima dos pequenos e médios empresários do interior do Estado?

Nosso compromisso é com a interiorização da federação. Já existe essa meta internamente, de atingir os 79 municípios, mas nós vamos dar tração e tentar atingir com mais velocidade essa meta de estar presente de alguma maneira com o Sesc, o Senac, a federação e o instituto de pesquisa em todos os nossos municípios, trabalhando ativamente pelo desenvolvimento econômico, pelos nossos empresários, mas também pela saúde, o bem-estar e a educação da nossa população.

Quais serão as prioridades dos primeiros 100 dias da nova gestão?

Nos primeiros 100 dias, nós temos algumas frentes que vão ser desenvolvidas simultaneamente dentro de saúde e bem-estar.

Nós temos alguns projetos que nos primeiros 100 dias já vão ser colocados em andamento no nosso estado, de maneira itinerante, a fim de atender a população de baixa renda.

Nós temos outra frente, que é econômica, pensando na competitividade dos comerciantes de todo o Estado. E aí estamos falando de taxas, de linhas de crédito, de ensiná-los a acessar as linhas disponíveis, da bancarização dos pequenos e do acesso a novos mercados para as médias e as grandes empresas.

O senhor falou em fortalecer o lado social da entidade e melhorar as condições dos comerciários. Quais ações concretas pretende implementar nessa área?

De maneira concreta, falando da parte social, nós temos um projeto que se chama Sesc Visão. Ele consiste em uma unidade oftalmológica itinerante que vai andar pelo interior do Estado, levando consultas oftalmológicas e óculos de grau para crianças de escolas públicas e idosos de baixa renda.

O senhor disse que pretende ampliar o relacionamento institucional da Fecomércio-MS. Como imagina essa relação com o governo do Estado, as prefeituras e a bancada federal?

Falando do relacionamento institucional-governamental, nós vamos aprofundar os temas que são mais sensíveis, como benefício fiscal, incentivos, desburocratização, mais velocidade em certos licenciamentos de alguns setores do nosso ramo, de alguns setores representados por nós.

Temos um exemplo da construção que o Sindha-MS [Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul], nós como sindicato, fez com o governo do então governador Reinaldo Azambuja, durante a pandemia.

Ele concedeu um benefício fiscal para bares e restaurantes que, de lá para cá, foi renovado uma vez com o governador Reinaldo e duas vezes com o governador Riedel, se encerrando agora no fim de 2026.

Foram seis anos de benefício fiscal, que garantiu a sobrevida ou uma capacidade de investimento para bares e restaurantes de Mato Grosso Sul. Tivemos também um ano de IPVA grátis no auge da pandemia.

São ações muito fortes, muito potentes, que resultaram num impacto econômico positivo para o nosso setor e para os nossos trabalhadores, naturalmente.

É isso que nós pretendemos fazer, só que por todos os setores representados, aumentando a competitividade, pedindo auxílio do governo na interlocução com outros players que estão vindo para o Estado com investimento de bilhões, como as empresas de celulose, todas elas precisam de prestadores de serviço que fazem parte da base da Fecomércio-MS.

Nossa intenção é de aproximar os pequenos, médios e grandes empresários de Mato Grosso Sul desse ciclo virtuoso de investimentos que Mato Grosso vem vivendo, para também conseguir que os nossos empresários se beneficiem disso.

O que representa para o senhor vencer uma eleição tão disputada por apenas um voto, após 16 anos de uma mesma gestão à frente da Fecomércio-MS?

Eu penso que essa vitória representa a vontade de mudança da maioria de um grupo. A federação é formada por 15 sindicatos da base, e eles representam todo o comércio de bens, serviços e turismo de Mato Grosso do Sul em toda a sua territorialidade.

Dentro desse grupo, uma vez que esse sentimento de mudança prevaleceu, ele se materializou através do voto e da vitória da Chapa 2.

Mas no momento que acabou a eleição, inclusive, eu liguei para cada um dos presidentes que votaram na outra chapa e me coloquei à disposição, dizendo que o trabalho vai ser feito para todos e com olhos para desenvolver todos os sindicatos e as suas regiões representadas, independentemente da sua posição durante a eleição.

A eleição é um momento passageiro, e a nossa gestão terá um período bem maior do que isso, são quatro anos para trabalhar pelo nosso estado, pelos nossos sindicatos e, principalmente, pelos nossos empresários.

Como será conduzido o processo de transição com a atual diretoria?

No processo de transição, inicialmente, nós pensávamos numa transição pacífica, harmoniosa, construtiva, com o time da chapa vencedora e o time da atual gestão conversando e trabalhando juntos nos 34 dias entre a eleição e a posse.

Infelizmente, não foi possível, a atual administração não quis diálogo, não respondeu às nossas tentativas de construção de times de transição, inclusive, tem buscado na Justiça a anulação da eleição e sua perpetuação do poder.

Apesar da disputa eleitoral acirrada, há espaço para pacificação e diálogo com os grupos que apoiavam a antiga gestão?

A pacificação é inerente ao meu perfil. Eu sempre tive um perfil conciliador e harmonioso, e nosso trabalho vai ser assim, quando assumirmos, imediatamente, iremos reunir todos os entes, para conseguirmos construir um grupo coeso, superar esse momento eleitoral, que é passageiro, e concentrar todos os nossos esforços e energia no desenvolvimento do Estado e dos nossos sindicatos.

O senhor pretende manter projetos e programas considerados positivos da administração anterior?

Sobre a continuidade de projetos existentes, a gente tem que separar o que é continuísmo do que é dar continuidade a bons projetos. Continuísmo é fazermos a mesma coisa com as mesmas pessoas, e isso nós não faremos.

Nós somos um novo grupo, com uma nova mentalidade e com um projeto focado no desenvolvimento do nosso estado, cuidando da porta para fora da federação.

Todos os projetos bem-sucedidos nós vamos dar continuidade e potencializar, além de fazer uma escuta ativa com o time do Sesc e do Senac, para darmos tração aos projetos que eles enxergam como virtuosos.

Agora vai ser o momento dos bons projetos que ainda não saíram da gaveta virem à tona e ganharem tração e, com certeza, de dar continuidade aos projetos positivos que já estão funcionando.

Eu acho que essa é a maior virtude dos dirigentes de entidade que conseguem olhar para trás, reconhecer o que foi bem-feito, com respeito, e manter o trabalho com muita responsabilidade, mas olhando para a frente também e levando a entidade para o próximo [ciclo].

Quais setores de comércio e serviços o senhor acredita que terão maior potencial de crescimento em Mato Grosso do Sul nos próximos anos?

Eu acredito no potencial de todos os setores de comércio, serviços e turismo do nosso estado, 61% dos empregos formais gerados aqui são provenientes ou do comércio ou dos serviços.

Todos eles têm potencial para se qualificar, aumentar o faturamento, melhorar o resultado, gerar novos empregos e se expandir dentro do nosso estado. E por que não exportar empresas nossas também para outros estados? Já temos bons exemplos daqui e acho que podemos construir muitos outros.

De que forma a Fecomércio-MS pode contribuir para ampliar a geração de empregos no Estado?

Nós podemos contribuir com o aumento da geração de emprego, primeiramente, qualificando as pessoas e preparando-as para o mercado de trabalho. Isso faz parte do DNA do Senac, que é o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio.

Nós temos a responsabilidade de formar mão de obra qualificada para o mercado.

A segunda maneira é a captação de empresas de comércio, varejo e turismo de fora do Estado para investirem no nosso estado, cada empresa nova gera novos postos de trabalho.

E a terceira é aproximar os nossos empresários dos outros eixos econômicos do Estado, que são o agro e a indústria, que têm muita necessidade de prestação de serviço, de fornecimento de insumos, de materiais, de produtos de toda sorte, aí nós vemos uma grande oportunidade para os nossos empresários desenvolverem ainda mais sua atividade e, assim, aumentarem ainda mais os postos.

{Perfil}

Juliano Wertheimer

Empresário do ramo de alimentação fora do lar com mais de 20 anos de experiência no setor, atuando em 10 estados. É presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de MS (Sindha-MS) e esteve à frente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de MS (Abrasel-MS) por sete anos e hoje é vice-presidente. Foi eleito para presidir a Fecomércio-MS pelos próximos quatro anos.

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reforma agrária

Lula deve visitar pela 3ª vez assentamento de MS que virou símbolo nacional

Palco da visita será o assentamento Itamarati, onde ele passou em 2003 e em 2016. O mesmo assentamento também já recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro

06/06/2026 08h41

Em sua última visita, em 2016, Lula posou ao lado de produtor de hortaliças na fazenda que antes percentia ao rei da soja

Em sua última visita, em 2016, Lula posou ao lado de produtor de hortaliças na fazenda que antes percentia ao rei da soja

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Enquanto o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) faz uma espécie de peregrinação em feiras agropecuárias pelo Brasil, o presidente Lula, seu principal oponente na disputa pela presidência na eleição de outubro, deve visitar, pela terceira vez, o assentamento Itamarati, em Ponta Porã, no sul de Mato Grosso do Sul. O assentamento é uma espécie de símbolo daquilo que os petistas consideram sucesso dos programas de reforma agrária brasileira.

O mesmo assentamento, criado ainda durante o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também já recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de pré-campanha eleitoral de 2022. 

De acordo com o deputado federal e pré-candidato ao Senado Vander Loubet (PT), a visita de Lula está confirmada e possivelmente no começo da próxima semana serão definidos os detalhes. "Confirmou que vem e ainda está definindo a data. Muito provável que definam esta data na segunda-feira (8) e o tamanho da agenda", afirmou o deputado na noite desta sexta-feira.

A visita mais recente do presidente Lula a Mato Grosso do Sul ocorreu em 22 de março de 2026, quando participou da abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. Antes disso, participou, em dezembro de 2024, de um evento simbólico de inauguração da fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo. Meses antes, em 31 de julho de 2024, esteve em Corumbá.

Bem antes disso, porém, o presidente já visitou o assentamento Itamarati em duas épocas distintas. A primeira vez foi em 18 de março de 2003, logo depois da criação do assentamente e menos de três meses depois de sua posse para o primeiro mandato. 

Na época, ele chegou a pilotar uma colheitadeira de milho e recebeu a doação de 15 toneladas do grão, produzidas por pequenos agricultores, para o programa Fome Zero, que acabara de ser lançado e fora transformado em uma das principais marcas de seu primeiro mandato. 

Ele voltou a Ponta Porã em 24 de agosto de 2016, uma semana antes de o Senado confirmar a cassação do mandato da ex-presidente Dilma Roussef.  O encontro serviu como um palanque para Lula criticar o processo de impeachment que estava em andamento na época e mobilizar a base do Partido dos Trabalhadores e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em defesa do mandato da ex-presidente. No dia 31 de agosto ela acabou sendo afastada em definitovo.

Com cerca de 50 mil hectares, a fazenta Itamaraty, que pertencia ao chamado rei da soja, o empresário Olacir de Morais, chegou a ser a maior fazenda produtora de soja do país. Porém, o produtor entrou em decadência e as terras foram tomadas por uma série de movimentos de sem-terra, entre eles o MST. 

Em meio às invasões, em 2002, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, as terras começaram a ser divididas e quase três mil famílias acabaram sendo beneficiadas ao longo dos anos seguintes.

E, por conta do seu simbolismo nacional, em 29 de março de 2022, durante a pré-campanha para a reeleição, o assentamento também recebeu a visita do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentava se aproximar de um eleitorado que normalmente ele fazia questão de se mostrar distante.

Na data, foram entregues 2.667 títulos de propriedade rural aos antigos beneficiários da reforma agrária que moram no assentamento. Na ocasião, também foi anunciada a concessão de 8.330 documentos de titulação - entre provisórios e definitivos - em 164 áreas de reforma agrária de 51 municípios do Estado, num claro aceno para um público que antes recebia pouca atenção do então presidente, que meses depois acabaria perdendo a disputa justamento para Lula.

Conforme o depuado federal Vander Loubet, esta terceira visita do presidente Lula ao assentamente servirá para que seus aliados em Mato Grosso do Sul, principalmente o candidato a governador, Fábio Trad, consigam mais visibilidade e possam apresentar suas propostas de campanha. 

OPONENTE

O cenário escolhido pelo presidente em Mato Grosso do Sul é bem diferente ao de seu principal oponente. No último dia 9 de abril o senador Flávio Bolsonaro (PL) participou da abertura da 86ª Expogrande, uma feira promovida pelos representantes dos grandes produtores da pecuária e da agricultura.  

Um dos momentos altos do evento ocorreu quando fez um passeio a cavalo em meio a centenas de seguidores. Pouco mais de um mês depois, em 13 de maio, viria a público o escândalo sobre a liberação de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse (cavalo azarão), que conta a tragetório política do pai de Flávio. 

Além desta feira, o pré-candidato do PL já participou de eventos do mesmo gênero em Sinop (MT), Brasília, São Paulo, Minas Gerais e na próxima terça-feira (9) deve passar pela feira de Luiz Eduardo Magalhães, um grande polo do agronegócio no oeste da Bahia. 

 

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