Na tarde desta segunda-feira (7) o Governo do Estado publicou uma nota lamentando a morte da atriz campo-grandense Aracy Balabanian. No texto, a publicação exalta a atuação da artista nos palcos de teatro e da TV brasileira por mais de 50 anos.
“Dona de personagens inesquecíveis, teve que vencer a discriminação para viver para fazer teatro em uma época em que as mulheres eram criadas para serem donas de casa e cuidarem dos assuntos domésticos.
Mas foi com a ajuda da TV que o grande público conheceu a sua personagem mais famosa: a socialite decadente Cassandra, no humorístico Sai de Baixo, gravado ao vivo do Teatro Procópio Ferreira de 1996 a 2002 para a Rede Globo.
A atriz é filha de armênios que vieram para o Brasil, fugindo do genocídio promovido naquele país pelos turcos otomanos. Eles fixaram residência em Campo Grande, onde Aracy e os irmãos nasceram. O Governo do Estado lamenta e se solidariza com fãs, amigos e familiares.”, lamentou em nota.
Parlamentares também se manifestaram sobre a perda do ícone e ressaltaram os feitos da atriz campo-grandense.
A deputada federal Camila Jara (PT), publicou um vídeo no qual a atriz fala sobre a dificuldade de fazer teatro no período da ditadura militar no Brasil. Na legenda, Camila descreve Aracy como “uma das maiores artistas do país”.
O deputado federal Geraldo Resende (PSDB) afirmou que a classe artística brasileira fica mais pobre a partir desta segunda-feira. “Que Deus receba em seus braços essa querida sul-mato-grossense que levou seu talento, cultura e entretenimento para todo o Brasil”, finalizou.
Os deputados Beto Pereira (PSDB) e Dagoberto (PSDB) também destacaram a influência da atriz e a importância da artista para o Estado. “Nossa eterna conterrânea”, escreveu Dagoberto.
Deputados como Pedro Arlei Caravina (PSDB), Jamilson Name (PSDB), Lidio Lopes (Patriota), Mara Caseiro (PSDB), Lucas de Lima (PDT), Gleice Jane (PT), Gerson Claro (Progressistas), Renato Câmara (MDB), Pedrossian Neto (PSD), Junior Mochi (MDB), Pedro Kemp (PT), João César Matogrosso (PSDB), Marcio Fernandes (MDB) e Paulo Corrêa (PDSB), fizeram publicações exaltando a atriz. Confira:
Aracy Balabanian
Vítima de câncer no pulmão, a atriz campo-grandense Aracy Balabanian, que estava com 83 anos, morreu na manhã desta segunda-feira . Ela estava internada na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro.
Descendente de pais armênios que fugiram de conflitos regionais, Aracy e os sete irmãos nasceram em Campo Grande, e parte da família reside na cidade até hoje. Como homenagem, a atriz possui um teatro com seu nome, localizado na Rua 26 de agosto.
Carreira
Ainda adolescente, aos 15 anos, ela se mudou para São Paulo e entrou na vida artística, contrariando praticamente toda a família. Ela nunca casou e não teve filhos, pois optou por se dedicar integralmente ao teatro, televisão e cinema.
Ela estreou na TV ainda no começo da déca de 60 pela Tupi e seu pai só aceitou a opção profissional da filha mais de dez anos depois.
E por causa da sua dedicação total às artes, se tornou uma das maiores intérpretes do meio e criou personagens inesquecíveis como a idealista Violeta de O Casarão (1976), a sofrida Maria Faz-Favor, de Coração Alado (1980/81), a ardilosa Marta de Ti Ti Ti (1985/86) e a misteriosa Maria Fromet de Que Rei Sou Eu? (1989)
Deu vida ainda à excêntrica Dona Armênia das novelas Rainha da Sucata (1990) e Deus nos Acuda (1992/93), e aquela que talvez seja a sua mais marcante, a perversa e autoritária matriarca Filomena Ferreto, de A Próxima Vítima (1995).
Interpretou, em 2004, a personagem Germana, em Da Cor do Pecado, um dos personagens centrais da trama. Outro papel marcante é a Gemma Matoli, irmã do protagonista interpretado por Tony Ramos na novela Passione (2010/11).
Atuou poucas vezes no cinema e no teatro, pode-se ressaltar seus desempenhos em peças dirigidas por Ademar Guerra, como Hair, de 1968 e interpretando Clarice Lispector em Clarice Coração Selvagem, encenada em 1998.
SAI DE BAIXO
Sua personagem mais conhecida pelo grande público no teatro foi a socialite decadente Cassandra, no humorístico Sai de Baixo, gravado ao vivo do Teatro Procópio Ferreira de 1996 a 2002 para a Rede Globo.
Aracy declarou que no começo do programa, havia pedido para sair vendo que após extenso currículo de tragédias, não funcionava nesse papel cômico, acima de tudo por não segurar o riso diante dos colegas.
O diretor Daniel Filho então pediu para ela rir sempre que quisesse. O riso da atriz em cena se tornou marca registrada com o ator Miguel Falabella.
E foi justamente ele um dos primeios a lamentar morte. "E então você se foi, assim, nesse dia ensolarado, como são ensolaradas as lembranças que invadem a minha cabeça, num jorro incessante, ainda que meu coração esteja nublado. Minha amada Aracy, minha rainha, atriz de primeira grandeza, companheira irretocável, amor de muitas vidas. Obrigado pela honra de ter estado ao seu lado exercendo nosso ofício, obrigado pelo afeto, pelos conselhos, pelas gargalhadas e pela vida que você tão delicadamente me ofereceu. Consola-me saber que estaremos para sempre juntos em alguma reprise de uma futura sessão nostálgica. Te amo para sempre. Até um dia”, escreveu Falabella nas redes sociais.





Árvores foram arrancadas com força de vento e intensidade das chuvas - Foto: Reprodução

