Cidades

PERÍODO CRÍTICO

Governo proíbe queimadas controladas no Pantanal até o fim do ano

Proibição leva em conta condições climáticas do período, como tempo seco, temperaturas elevadas e ventos

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Queimas controladas estão proibidas na região do Pantanal sul-mato-grossense desta quarta-feira (38) até o fim do ano, dia 31 de dezembro.

Portaria do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, publicada no Diário Oficial do Estado de hoje, suspende as autorizações ambientais para as queimas controladas durante o período.

Conforme a portaria, ficam suspensos os efeitos de todas as autorizações de queima, incluindo as destinadas à profilaxia de palhada da cana pós colheita, as de profilaxia em florestas plantadas e as de queima de restos de culturas, bem como, a sapecagem vinculada a projetos de supressão devidamente autorizados.

A suspensão não se aplica às práticas de prevenção e combate a incêndios, com uso de fogo, realizadas ou supervisionadas pelas instituições públicas responsáveis pela prevenção e pelo combate aos incêndios florestais.

Durante o período,também fica suspensa a emissão de novas permissões para queimas autorizadas na região.

A portaria afirma que a medida foi tomada considerando os graves riscos ambientais referentes à perda de controle do fogo em decorrência das condições climáticas extremas.

Junho costuma ser o mês onde aumentam as incidências de focos de calor no Pantanal.

Segundo o Imasul, estas condições críticas vinculas à combinação de temperaturas acima de 30°C, ventos acima de 30 km/h e umidade relativa do ar abaixo de 30% podem agravar os riscos de perda de controle do fogo e trazer graves riscos ambientais e à saúde.

A decisão também considera os efeitos de portaria do Ministério do Meio Ambiente, de março deste ano, que declarou situação de emergência ambiental em Mato Grosso do Sul de maio a dezembro de 2022.

Outro decreto levado em conta foi o estadual, que seguiu a portaria nacional e declarou estado de emergência ambiental para todo o Estado, afetado por condições climáticas que favorecem a propagação de focos de incêndios florestais sem controle, sobre qualquer tipo de vegetação, acarretando queda drástica na qualidade do ar;

Pantanal em alerta

O Pantanal sul-mato-grossense enfrenta uma estiagem prolongada há 4 anos e, aliados ao período de altas temperaturas e tempo seco, aumentam os perigos para que incêndios se proliferem no bioma.

Há risco de incêndios recordes para este ano.

Monitoramento do Instituto SOS Pantanal constatou que, de outubro de 2021 a fevereiro de 2022, a chuva tradicional não ocorreu, enquanto matéria orgânica que serve de combustível para o fogo ficar descontrolado está concentrada no Pantanal Sul, abrangendo principalmente os municípios de Aquidauana, Miranda e parte de Corumbá.

Apesar do prognóstico alarmante, a entidade apontou que, com medidas de prevenção, é possível evitar incêndios.

De acordo com estudos desenvolvidos pelo SOS Pantanal, a partir desse período de seca longo no bioma, iniciado em 2019, os fatores que contribuíram para os incêndios foram o acúmulo de combustível orgânico (que antes ficava submerso) e a ocorrência de incêndios criminosos.  

Em mais dados apontados no relatório, em 2018 o fogo atingiu 8.610 hectares. Essa área só aumentou a partir dos próximos anos.  

Em 2019, chegou a 240.656 ha; depois, em 2020, foram 151.059 ha; e no ano passado 263.232 ha foram queimados. 

SEGURANÇA PÚBLICA

Mortes por intervenção policial e violência contra mulher crescem em MS

De acordo com os dados Sejusp, 2026 já tem 74 vítimas decorrentes de mortes por intervenção legal de agentes do Estado e 15 casos de feminicídios

23/07/2026 10h10

Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM)

Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) Foto: Divulgação/PCMS

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Em 2025, as mortes por intervenção policial e os casos de feminicídios subiram no Brasil. Estas duas subcategorias foram as únicas com alta, de acordo com a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Todas as demais relacionadas com Mortes Violentas Intencionais (MVI) caíram, reforçando uma tendência iniciada em 2018.

Mato Grosso do Sul teve destaque justamente nestas duas subcategorias que tiveram crescimento nos casos em 2025. 

Crescimento da Letalidade Policial

Nos últimos meses, Mato Grosso do Sul teve confrontos de policiais contra os criminosos, principalmente após o assassinato do PM Marcelo Pimenta, em Corumbá, no dia 30 de junho. O ano de 2026 já tem 74 vítimas decorrentes de mortes por intervenção legal de agentes do Estado, de acordo com os dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP).

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2025, foram registradas 67 mortes decorrentes de intervenções policiais em 2024 e 75 em 2025, o que representa uma variação de 11,1%.

Além disso, no ano passado, 12,7% de todas as mortes violentas intencionais ocorridas no MS foram decorrentes de intervenção policial, indicando que mais de 1 em cada 8 MVIs no Estado envolveu a força pública. 

Mortes decorrentes de intervenções policiais (civis e militares) em 2025

  • Policiais Civis em serviço - 24 
  • Policiais Militares em serviço -  49
  • Policiais Militares fora de serviço - 2
  • Policiais civis fora de serviço não teve registro de morte

Violência contra mulheres

O estudo também revela que, em Mato Grosso do Sul, os crimes contra mulheres aumentaram, seja em feminicídios ou lesão corporal em contexto de violência doméstica. Em 2025, teve 63 vítimas de homícidios contra elas, com uma altade 10,2% em relação ao ano anterior. O número de feminicídio também subiu, de 35 em 2024 para 39 em 2025. Neste ano, 15 mulheres já foram vítimas deste crime.

Um outro delito que aumentou significamente em MS foi o de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica. Em 2025, foram registrados 2.871 casos, alta de 19,4% em comparação com 2024, quando teve 2.385 casos.

Mato Grosso do Sul esteve muito acima de média nacional em casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica e ocupou a segunda colocação em crescimento. O Brasil teve alta de 2,6% em relação ao ano anterior, o que significa uma taxa de 261,7 registros por grupo de 100 mil mulheres. Isto é pelo menos 1 agressão a mulher a cada 2 minutos.

Acre teve o maior crescimento do país (21,1%), seguido por Mato Grosso do Sul (19,4%) e Amazonas (17,4%). As principais quedas foram observadas em Roraima (40,5%), Ceará (23,2%) e Amapá (19,3%).

Medida protetiva de urgência 

As mais altas taxas de medida protetiva de urgência  em 2025 foram registradas no Paraná (195,3 por 100 mil, taxa mais de três vezes acima da nacional), Rio Grande do Sul (123,7) e Rondônia (108,7). Mato Grosso do Sul teve uma taxa de 96,0. A variação foi de 21,5% em relação ao ano anterior, quando registrou uma taxa de 79,1 a cada 100 mil habitantes.

Violência psicológica

No caso do crime de violência psicológica, o crescimento à nível nacional foi de 16,9%, fechando o ano com uma taxa de 55,6 registros por 100 mil mulheres. Em números absolutos, foram 60.830 mulheres registrando esse crime.

Roraima é o estado que, em mais um ano, chama atenção, com uma taxa de 1.173,5 por 100 mil mulheres - mais de vinte vezes a média nacional - e que ainda assim teve uma queda de 27,6% dos registros em relação ao ano anterior. Mato Grosso teve a segunda pior taxa do país (192,3) e um crescimento de 70,3% dos
registros.

Mortes violentas intencionais

O Brasil registrou 40.775 casos de MVI em 2025, o que equivale a uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, queda de 8,2% em relação ao ano de 2024 e de 31,0% em relação a 2012, primeiro ano da série histórica publicada pelo FBSP. E essa expressiva redução é puxada, sobretudo, pela diminuição dos homicídios dolosos.

Porém, a redução observada não foi geral, sendo que sete Estados tiveram um aumento nos casos de MVI, comparado com os dados de 2024. Em termos gerais, as unidades federativas que tiveram um aumento na variação de um ano foram: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%). 

Os casos de homicídio doloso em MS somaram 486 vítimas em 439 ocorrências no ano de 2025, o que representa uma alta de 6,2% em comparação com o ano anterior.

O crime de lesão corporal seguida de morte fez 17 vítimas em 17 ocorrências no ano de 2025. Neste caso, a variação foi pequena, já que em 2024 houve 16 mortes em 15 ocorrências.

Os casos de latrocínio, roubo seguido de morte, tiveram 13 vítimas em 13 ocorrências em 2025. Número menor que as 22 vítimas e 17 ocorrências em 2024. A variação neste crime foi de -41,4%.

JUSTIÇA

Homem que matou companheira na frente dos filhos é condenado a 36 anos de prisão

Crime ocorreu em fevereiro de 2025, na Aldeia Nhu Porã; além da prisão, Justiça fixou indenização de R$ 20 mil aos filhos da vítima

23/07/2026 09h00

O homicídio aconteceu na noite do dia 18 de fevereiro de 2025, na Aldeia Nhu Porã, em Dourados

O homicídio aconteceu na noite do dia 18 de fevereiro de 2025, na Aldeia Nhu Porã, em Dourados Divulgação

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O Tribunal do Júri de Dourados condenou um homem a 36 anos, 10 meses e 13 dias de prisão pelo assassinato da companheira, cometido na frente dos dois filhos da vítima. O julgamento foi realizado nesta terça-feira (21) e a pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. 

Durante a sessão, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sustentou a condenação por feminicídio, argumento acolhido integralmente pelo Conselho de Sentença. Os jurados reconheceram ainda as circunstâncias que aumentam a pena, entre elas o fato do crime ter sido realizado na presença dos filhos que impossibilitou a defesa da mulher.

O homicídio aconteceu na noite do dia 18 de fevereiro de 2025, na Aldeia Nhu Porã, em Dourados. Conforme a denúncia, o casal mantinha um relacionamento há cerca de oito anos e tinha um filho de 7 anos. Na residência também vivia outro filho da vítima, de 11 anos. 

Segundo o MPMS, um desentendimento entre as crianças terminou em violência. Armado com uma foice, o homem atacou a companheira diante dos filhos. Após o crime, o autor fugiu e se escondeu na casa dos pais, na Aldeia Te’ýikue, em Caarapó. Ele foi localizado e preso em flagrante após buscas realizadas pelas forças de segurança.

Na sentença, a Justiça considerou a gravidade do feminicídio e os impactos causados às crianças, que perderam a mãe dentro do ambiente familiar. Além da pena de prisão, foi fixada indenização mínima de R$ 20 mil por danos morais aos sucessores da vítima.

O magistrado também determinou o cumprimento imediato da pena em regime fechado e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, com base no entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a execução imediata das condenações proferidas pelo Tribunal do Júri.

Os dois filhos da vítima passaram a ser acompanhados pelo Projeto Acolhida, iniciativa voltada ao atendimento de vítimas indiretas da violência, oferecendo suporte especializado e acolhimento a crianças e adolescentes que perderam familiares em crimes dessa natureza.

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