Cidades

Preocupação

Incêndios florestais devastam o Chaco paraguaio e mobilizam autoridades

A região tem uma das maiores florestas tropicais secas da América do Sul. O presidente do país, Santiago Peña, reuniu-se com o ministro do Meio Ambiente para definir estratégias de combate às chamas.

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Além do Brasil, os incêndios florestais que se estendem entre Brasil, Bolívia e Paraguai devastaram 84 mil hectares no norte do Chaco paraguaio, conhecida como a principal floresta tropical seca da América do Sul.

O presidente do país, Santiago Peña, se mostrou preocupado e reuniu-se com brigadistas e com o diretor de Áreas Selvagens do Ministério do Meio Ambiente, Rafael Sosa, para estudar as próximas ações de combate aos incêndios, nos dias em que a situação deve piorar com o calor e a umidade relativa do ar abaixo de 10%.

A região do Chaco paraguaio é formada por fazendas e áreas de preservação; por isso, poucos moradores que habitam na região do Cerro Chovoreca relataram cenas de filmes de terror causadas pelos incêndios e reclamaram do pequeno número de equipes que vêm trabalhando para combater as chamas.

"Estamos vivendo um filme de terror. Os incêndios estão acontecendo mais ao norte do país, na divisa com a Bolívia, mas os ventos trouxeram essa fumaça intensa para a nossa cidade", relatou um morador do município paraguaio de Mariscal Estigarribia ao jornal ABC Color.

Investigações 

Segundo informações de Rafael Sosa, a imprensa paraguaia relatou que 90% dos incêndios no país começaram por causa de bitucas de cigarro ou galhos de árvores secas, que podem gerar o início de um incêndio. Ele afirmou que as autoridades do país aplicarão regras rigorosas para quem cometer crimes ambientais.

De acordo com o ministro da Defesa Nacional, Óscar González, o governo paraguaio já descobriu onde os incêndios na região do Chaco paraguaio começaram e se reuniu com autoridades para abrir uma investigação. 

Investigações do Ministério do Meio Ambiente do Paraguai suspeitam que o incêndio que atingiu o Chaco paraguaio tenha sido iniciado na fazenda de um brasileiro, que realizou uma queima controlada.

Aproximadamente 100 pessoas, entre bombeiros e brigadistas, estão a caminho da região para combater o fogo. Aviões da Força Aérea paraguaia também foram acionados para auxiliar as equipes na área.

Lembrando que, no Paraguai, não há equipes fixas do Corpo de Bombeiros. Os militares são voluntários, o que dificulta ainda mais o trabalho de proteção ao bioma do país.

*Informações do site ABC Color/ Assunción (PAR) 

 

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BOPE

Em meio à polêmica com os EUA, MS endurece combate a facções

Bope prendeu integrantes do PCC em cidades do Estado; organização foi classificada como terrorista pelo governo americano

02/06/2026 08h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) de Mato Grosso do Sul fez uma ofensiva contra as facções criminosas e prendeu cinco membros de “alta periculosidade” do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Campo Grande, quase uma semana depois de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, classificar a organização como terrorista.

Ontem as equipes da Polícia Militar e do Bope atuaram em conjunto para deflagrar a Operação Malleus em três municípios, Campo Grande, Água Clara e Corumbá.

De acordo com informações repassadas pelo tenente-coronel Rigoberto Rocha Silva durante coletiva de imprensa, a ação resultou em cinco prisões, todos os alvos com reincidência de crimes hediondos.

Tenente-coronel Rigoberto Rocha Silva, comandante do Bope, explicou em coletiva a operação contra membros do PCC no Estado - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Erasmo Venâncio Barbosa é o preso com maior acúmulo de crimes. Nas suas “costas” estão passagens como estupro de vulnerável, violência doméstica, tráfico de drogas e associação de duas ou mais pessoas com o tráfico.

Na sequência, Rafael Henrique Ruiz de Souza é suspeito de homicídio simples, lesão corporal dolosa, roubo, tráfico de drogas e promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa, único crime cometido por outro alvo, Rafael Macedo de Souza.

Por fim, aparecem duas mulheres entre os mandados de prisão. Rafaela Costa dos Santos é suspeita de vender, fornecer (ainda que de graça), servir, ministrar ou entregar bebidas alcoólicas ou produtos que podem causar dependência química ou psíquica a crianças ou adolescentes, além de integrar o PCC. 

Já Kethleen Novaes de Souza esteve envolvida com o tráfico de drogas.

“Lógico que a gente dá uma atenção a esse integrante que se diz de organização criminosa, mas o que a gente apura, na realidade, é que são desorganizados, descapitalizados, e que aqui o Estado não impera, e se depender da polícia militar e do Bope, não vão imperar”, afirma o comandante da instituição.

O tenente-coronel não detalhou qual era a função de cada alvo dentro da facção criminosa, mas afirmou que os presos vão “desde esposa de criminoso, que de uma forma ou outra se envolveu, até elemento que realmente fazia parte de alguma função-chave dessa organização”.

Rocha disse que os passos seguintes da operação devem acontecer nos próximos dias, com mandados de prisão sendo cumpridos até em outros estados, em cooperação com outras forças policiais. 

Ainda de acordo com o comandante, o Bope cumpriu 1.837 mandados de prisão somente este ano em Mato Grosso do Sul.

“É importante ressaltar que essa operação do Bope é uma ação que acontece de tempos em tempos, é algo da nossa rotina. Nós estamos empenhados no combate dessas facções. Ainda continuamos com alguns pontos e alguns autos em andamento”, afirmou o tenente-coronel.

Esta é a segunda operação de forças policiais do Estado contra facções, em abril o Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assalto e Sequestro (Garras) realizou uma ação em Coxim.

TERRORISTAS?

Na quinta-feira, a Secretaria de Estado do governo dos Estados Unidos emitiu um comunicado em que informa a designação dos grupos criminosos PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A medida será efetivada na sexta-feira.

Apesar da designação um dia após o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o secretário de Estado, Marco Rubio, a gestão Trump já estudava há meses o enquadramento dos dois grupos e mantinha diálogo com o governo brasileiro sobre a intenção de efetivar esse plano.

O objetivo da designação pelos EUA é facilitar o congelamento de ativos do narcotráfico, a investigação e o monitoramento de membros das facções, a troca de informações de inteligência, a aplicação de sanções financeiras, o banimento de vistos e a criminalização do apoio material, com armas, dinheiro ou treinamento, entre outros.

Vale lembrar que ambas as facções têm forte atuação em Mato Grosso do Sul, especialmente na região fronteiriça do Estado, que faz divisa com a Bolívia e com o Paraguai.

Tanto que, na semana passada, a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) prendeu, em Campo Grande, uma mulher suspeita de participação no Comando Vermelho voltada à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

No mesmo dia dessa operação, empresas em Iguatemi foram apontadas como tentáculos do PCC em Mato Grosso do Sul durante a Operação Fluxo Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto. 

Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, estiveram na mira dos mandados de busca e apreensão por envolvimento com a organização criminosa.

* Saiba

O fim da trégua entre PCC e Comando Vermelho já havia sido noticiado pelo Correio do Estado em maio do ano passado. Desde então, crimes de execução entre grupos rivais têm sido mais frequentes na fronteira.

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Lotesul

Licitação da "jogatina" no Estado fica para o mês que vem

Certame está "empacado" e empresas Dodmax e PayBrokers só devem ser confirmadas como operadoras da loteria estadual após fim do prazo de recursos

02/06/2026 08h00

Foto: Gerson Oliveira

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O governo do Estado deve assinar o contrato com o operador da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul) até o fim de julho deste ano. A demora na confirmação do consórcio formado pelas empresas Dodmax Tecnologia S.A. e PayBrokers Loterias Ltda. se deve ao fato de as outras concorrentes terem apresentado recursos contra o resultado, que só será homologado após as respostas a essas reclamações.

De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), responsável pela licitação, atualmente o processo está paralisado para que sejam respondidos os recursos e a previsão é de que esta semana esta fase seja encerrada. “O recurso será analisado pela Sefaz e pela SAD [Secretaria de Estado de Administração]”.

Após esse período é que as empresas devem ser confirmadas como operadoras da Lotesul, em licitação que se arrasta desde o ano passado. Da confirmação até a efetiva assinatura do contrato, porém, ainda deve demorar mais um mês.

“Superada a fase recursal, caso não haja novos impedimentos, o processo seguirá para a publicação do resultado final e, posteriormente, para a assinatura do contrato com a empresa vencedora do certame. A estimativa é que a assinatura aconteça até o fim de julho ou início de agosto”, informou a Sefaz, em nota.

“Somente após a conclusão dessa etapa contratual será possível avançar para o edital de credenciamento dos operadores lotéricos, que são as empresas responsáveis pela oferta efetiva dos jogos”, completou a secretaria ao Correio do Estado.

Os recursos aconteceram porque em chamadas anteriores a administração estadual desclassificou três empresas.

A primeira foi a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda. (atuante no Paraná, Maranhão, Paraíba, Tocantins, Rio de Janeiro e Mato Grosso), que havia oferecido ao Estado 43,36% da arrecadação.

Outras desclassificadas foram a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação Ltda., controlada pela família Baungartner, tradicional no mercado de jogos em vários estados, com proposta de 36,11%, e a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria, que tem sede em São Paulo e tinha oferecido 35,33%.

A Dodmax, que depois acrescentou a PayBrokers à licitação, e propôs ficar com 69% da arrecadação para operar a Lotesul.

Em outras palavras, isso significa que o Estado deve receber R$ 31 milhões a cada R$ 100 milhões arrecadados, e a empresa ficar com R$ 69 milhões.

NOVELA

A licitação foi publicada pelo governo do Estado em janeiro do ano passado e deveria ter sido disputada em março do ano passado, mas foi paralisada por problemas no edital.

Segundo denúncia feita por supostos interessados no certame, entre eles Jamil Name Filho, que está preso na Penitenciária Federal de Mossoró (RN), o primeiro edital estaria com vícios e favoreceria apenas uma empresa a vencer.

Como todos os pedidos de impugnação foram rejeitados pelo governo, os interessados recorreram ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), que iniciou avaliação sobre o edital.

Antes mesmo que o TCE-MS desse um retorno, o governo decidiu paralisar a licitação. Logo depois, em abril do ano passado, o tribunal suspendeu a licitação para os pedidos de impugnação.

O certame foi destravado apenas em janeiro deste ano, quando houve a concorrência da Lotesul.

“FAVORITA”

A empresa paranaense PayBrokers, que comanda a Loteria do Estado do Paraná (Lottopar) e acumula polêmicas policiais nos últimos anos, juntou-se à Dodmax apenas após todas as etapas terem sido cumpridas pela empresa.

Conforme consta no site de compras estadual, a empresa sul-mato-grossense oficializou um pedido para constituir um consórcio com a PayBrokers. 

Depois de consulta no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), o pregoeiro confirmou que não teriam sido “encontradas sanções que pudessem impedir a participação no certame ou a futura contratação”, e habilitou as empresas.

Matérias do Correio do Estado do ano passado já mostravam que a PayBrokers acumula algumas polêmicas em seu histórico. 

A empresa paranaense foi alvo de operação da Polícia Civil do Pernambuco em 2024, em investigação sobre a atuação de jogos de azar por meio de bets legalizadas no Brasil, que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, em setembro do mesmo ano.

Segundo informações veiculadas na época, a PayBrokers estaria atuando como meio de pagamentos para jogos de azar no exterior do Brasil.

A investigação, segundo o G1 Paraná, ainda mostra que, entre 2022 e 2023, a Sports Entretenimento e Promoção de Eventos Esportivos Ltda. recebeu mais de R$ 19 milhões e repassou o dinheiro a outras três empresas, entre elas a PayBrokers.

A PayBrokers tem entre as empresas parceiras a Blaze, que chegou a ser investigada por estelionato. A plataforma tem entre os seus jogos o Fortune Tiger – o “jogo do tigrinho” –, que levou influenciadores digitais para a prisão em 2023, e o Crash – ambos no estilo de um cassino.

O contrato dela com a loteria paranaense também foi alvo de investigação por parte do TCE do Paraná.

Apesar de relatório apontar problemas no edital, que teria favorecido a empresa, o resultado do certame foi mantido.

* Saiba 

O termo de referência do edital feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) mostra que a estimativa de ganhos da empresa vencedora pode ser de até 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a projeção do PIB de Mato Grosso do Sul para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano para a empresa vencedora.

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