Cidades

BIOMA

Lagoas quase secas são refúgio de animais que fogem das queimadas no Pantanal

Voluntários que estão na região contam como tem sido os dias de trabalho para resgatar os animais que ainda estão vivos

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Silvio Andrade

 

O resgate de animais da seca e do fogo no Pantanal revela o impacto das mudanças climáticas e altas temperaturas na fauna do bioma. 

Cervos, capivaras, macacos, antas, tatus e espécies de anfíbios e repteis fogem das queimadas e se refugiam em lagoas com pouca água, porém poucos sobrevivem. 

Técnicos que estão na área iniciaram levantamento da movimentação desses animais e contam os que não suportaram as condições extremas atuais que a região vive.

No domingo (27), funcionários do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), ONG que gerencia várias unidades de conservação na região da Serra do Amolar – onde se concentra a maioria dos focos de calor em Mato Grosso do Sul -, realizaram o resgate de uma sucuri de dois metros na Baía do Morro do Campo, a 3 quilômetros da sede da reserva Eliezer Batista. 

A baia, ao fundo de uma área devastada pelo fogo, secou. Três sucuris morreram fugindo das chamas e dois jacarés ainda sobrevivem.

Bombeiros e brigadistas contam que dezenas de animais cruzam as linhas de fogo, que se espalham pela região. 

Voluntários da ONG Gaiola Aberta, de São Paulo, resgataram peixes que agonizavam em uma lagoa próxima à comunidade ribeirinha da Barra do São Lourenço, Norte de Corumbá. 

Também encontraram sucuris, lagartos e jacarés cercados pelo fogo. Na região de morraria, foi encontrada uma anta com queimaduras pelo corpo.

 

PRONTO-SOCORRO

O resgate de uma capivara fêmea adulta frustrou o pessoal do IHP. Com queimaduras de terceiro grau, nas patas e no focinho, o animal, debilitado após dois dias sem conseguir andar, chegou a ser socorrida, mas não resistiu.  

O veterinário Diego Viana, da ONG, disse que encontrou um tatu-canastra, espécie em extinção, morto na Baía do Morro do Campo, onde tentou resgatar uma capivara também ferida. O animal, estressado, refugiou-se na mata. 

“O impacto na fauna é muito grande, o fogo atinge a área de habitat desses animais e muitos não conseguem fugir a tempo”, explica Viana.  

“Mesmo a capivara, um animal rápido, está sendo cercada pelo fogo, que se alastra rapidamente”, completa. 

O técnico cobra a criação de um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) em Corumbá para evitar grandes deslocamentos dos bichos para Campo Grande ou Cuiabá.

O IHP, que gerencia as Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs) Eliezer Batista, Acurizal e Serra Negra, lançou uma campanha para captar recursos na iniciativa privada para o projeto de um Centro Emergencial de Atendimento à Fauna (CEAF) na região da Serra do Amolar. 

A unidade seria um pronto-socorro para atender a fauna em situações extremas.

tempo

Projeções indicam até 127 dias de calor extremo por ano até 2075

Temperatura máxima média do Brasil vai subir 1,7ºC, diz estudo

14/07/2026 21h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Projeções climáticas da i4sea indicam que o Brasil terá até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, frente aos 6 dias atuais. 

Para chegar ao resultado a i4sea aplicou ao território brasileiro mais de 26 modelos climáticos globais — entre eles o MPI-ESM1-2-HR, do Instituto Max Planck de Meteorologia — e hiperlocalizou os resultados para um horizonte até 2075.A i4sea é uma plataforma de inteligência climática que apoia empresas com ativos e operações impactados pelo clima em decisões estratégicas e operacionais. A ii

Segundo o estudo, a temperatura máxima média do país sobe 1,7 graus Celsius (°C), com aquecimento que chega a 7°C em algumas regiões.

O recorte regional do levantamento aponta a Região Norte como a mais exposta em 2075, com aumento médio de 2,8°C na temperatura máxima e projeção de 193 dias de calor extremo por ano.

Rondônia lidera o ranking estadual, com alta projetada de 3,95°C. “Em paralelo, o estudo indica uma tendência de até 13 ondas de calor anuais no país o que muda a forma como setores como energia, infraestrutura, saúde e logística precisam pensar continuidade operacional”, diz a i4sea.

O Centro-Oeste aparece em seguida, com aumento projetado de 2°C e salto de 5 para 107 dias de calor extremo por ano. Já no Sul, onde o aumento médio é mais contido (1,1°C), os dias de calor extremo passam de 4 para 38 por ano.

Acre e Roraima aparecem logo atrás de Rondônia no ranking estadual, com aumentos projetados de 3,36 °C e 3,16 °C, respectivamente. Em Roraima, a projeção indica até 250 dias de calor extremo por ano até 2075, ou seja, cerca de dois terços do ano sob essa condição.

O diretor presidente da empresa, Mateus Lima, afirma que o papel da plataforma é entregar para o tomador de decisão um cenário climático tão claro quanto qualquer outro indicador de planejamento estratégico como receita, câmbio, mão de obra.

"O que os dados mostram é que o calor deixará de ser um evento sazonal para virar uma variável permanente do plano de negócios. Quem incorpora isso agora ganha tempo para adaptar infraestrutura, processos e proteger as pessoas que fazem a operação acontecer", afirmou Lima.

Falsa Vaquinha

Imagem de criança com câncer usada em golpe motiva operação policial em MS

Operação Sophia cumpre mandados em cinco estados contra organização criminosa suspeita de criar falsas campanhas de arrecadação na internet; esquema teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão.

14/07/2026 19h15

Campanha busca arrecadar R$ 120 mil para custear o tratamento de Sophia, criança diagnosticada com câncer.

Campanha busca arrecadar R$ 120 mil para custear o tratamento de Sophia, criança diagnosticada com câncer. Foto: Divulgação Polícia Civil RS

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A exploração da solidariedade de milhares de brasileiros se transformou em um sofisticado esquema criminoso que mobilizou uma das maiores operações recentes de combate às fraudes eletrônicas no país.

Na manhã desta terça-feira (14), a Polícia Civil deflagrou a Operação Sophia, voltada ao desmantelamento de uma organização criminosa suspeita de criar falsas campanhas de arrecadação na internet utilizando imagens de crianças em tratamento contra doenças graves para enganar doadores.

Coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC), sob comando do delegado João Vitor Herédia, a ofensiva resultou no cumprimento de 19 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.

A operação contou com o apoio das Polícias Civis dos estados envolvidos e de equipes especializadas na preservação de provas digitais, diante da complexidade da estrutura tecnológica utilizada pelo grupo investigado.

Mato Grosso do Sul integra a lista de estados onde a Operação Sophia foi deflagrada nesta terça-feira (14). No Estado, equipes da Polícia Civil deram cumprimento a ordens judiciais expedidas durante a investigação, em apoio à ofensiva coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

Até a publicação desta reportagem, porém, as autoridades não haviam divulgado quantos investigados foram presos ou tiveram mandados cumpridos em território sul-mato-grossense, nem as cidades envolvidas na ação.

Criança com câncer teve imagem usada sem autorização

As investigações começaram após a denúncia feita pela mãe de uma criança em tratamento contra câncer.

Ela procurou a Polícia Civil ao descobrir que fotos e vídeos da filha estavam sendo utilizados em anúncios patrocinados nas redes sociais para divulgar uma suposta campanha de arrecadação destinada ao custeio do tratamento.

Segundo a investigação, a família jamais autorizou a divulgação da campanha e nunca recebeu qualquer valor arrecadado.

A partir dessa denúncia, os policiais identificaram que o caso fazia parte de uma estrutura criminosa muito maior, especializada em explorar histórias reais de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade para sensibilizar internautas e convencê-los a realizar transferências via Pix.

Organização possuía divisão de funções

Conforme a Polícia Civil, o grupo operava de forma altamente organizada, com funções bem definidas entre seus integrantes.

As investigações apontam que havia responsáveis pela criação e hospedagem de sites falsos, registro de domínios, configuração de servidores, desenvolvimento de páginas de pagamento e geração de QR Codes Pix utilizados nas falsas campanhas.

Outros integrantes eram encarregados da produção de vídeos, áudios e peças publicitárias fraudulentas, além da administração de contas em plataformas como Facebook e Instagram, utilizadas para impulsionar anúncios e ampliar o alcance das campanhas falsas.

Também foram identificados investigados responsáveis pela movimentação financeira do esquema, incluindo a pulverização dos recursos obtidos e a posterior lavagem do dinheiro.

Inteligência artificial ampliava a credibilidade dos golpes

Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos investigadores foi o elevado grau de sofisticação tecnológica empregado pela organização.

Durante as apurações foram identificadas ferramentas de inteligência artificial utilizadas para produção de deepfakes, clonagem de voz, sincronização labial, criação de avatares digitais, remoção de metadados de arquivos e sistemas destinados a ocultar a verdadeira origem das páginas fraudulentas.

Os investigadores também localizaram indícios de pesquisas voltadas à identificação de novas vítimas, principalmente crianças diagnosticadas com doenças graves, indicando que o grupo mantinha um processo contínuo de seleção de histórias capazes de gerar maior comoção pública.

Movimentação financeira ultrapassa R$ 1,7 milhão

Somente na campanha fraudulenta que originou o inquérito policial, a investigação conseguiu rastrear aproximadamente R$ 294,5 mil movimentados por meio de chaves Pix e plataformas de pagamento.

Entretanto, a análise financeira revelou cifras ainda mais expressivas.

Uma empresa apontada como o principal centro financeiro da organização teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado, reforçando a suspeita de que o grupo atuava em larga escala e mantinha uma estrutura profissional voltada exclusivamente à prática de fraudes eletrônicas.

Mandados buscam ampliar produção de provas

Além das prisões preventivas, as equipes policiais cumpriram mandados de busca em residências e empresas ligadas aos investigados.

Campanha busca arrecadar R$ 120 mil para custear o tratamento de Sophia, criança diagnosticada com câncer.Dinheiro em espécie, arma de fogo, documentos e outros objetos foram apreendidos durante o cumprimento de mandados da Operação Sophia, que investiga um esquema de falsas campanhas de arrecadação na internet. Foto: Policia Civil RS

Os alvos incluem aparelhos celulares, computadores, mídias digitais, documentos, dispositivos de armazenamento, cartões bancários, contratos sociais, registros de acesso, credenciais de plataformas digitais, arquivos relacionados aos sites fraudulentos e outros materiais que poderão fortalecer as investigações.

Todo o conteúdo apreendido será submetido à perícia especializada para identificar a extensão da atuação da organização e a possível existência de novas vítimas.

Nome da operação homenageia vítima do golpe

A operação recebeu o nome de Sophia em referência à criança cuja imagem foi utilizada sem autorização pelos criminosos para dar aparência de legitimidade à falsa campanha beneficente.

Segundo a Polícia Civil, a denominação simboliza o ponto de partida da investigação e representa a exploração criminosa da dor, da vulnerabilidade e da solidariedade da população como mecanismo para obtenção de vantagens financeiras ilícitas.

Polícia faz alerta sobre doações pela internet

Com a deflagração da operação, a Polícia Civil reforçou o alerta para que a população redobre os cuidados antes de contribuir com campanhas de arrecadação divulgadas nas redes sociais.

A orientação é verificar a autenticidade da campanha, confirmar diretamente com familiares ou instituições responsáveis, desconfiar de anúncios patrocinados com forte apelo emocional e conferir se a chave Pix pertence efetivamente à pessoa ou entidade beneficiária.

De acordo com a corporação, medidas simples de verificação podem evitar prejuízos financeiros e impedir que organizações criminosas utilizem a solidariedade da população como fonte de lucro ilícito.

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