Um homem de 72 anos foi preso em flagrante pela Polícia Civil, suspeito de extorquir o proprietário de uma madeireira em Campo Grande.
A prisão ocorreu durante uma operação de monitoramento realizada pelo Grupo de Operações e Investigações (GOI), com apoio da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Centro), após a corporação receber informações de que o investigado retornaria ao estabelecimento para dar continuidade às supostas exigências ilegais feitas contra o empresário.
Identificado pelas iniciais H.G.P., o suspeito é investigado por, supostamente, utilizar ameaças, constrangimentos e pressão psicológica para obter vantagens financeiras e ampliar o controle sobre a empresa da vítima.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou após o empresário procurar a Depac Centro e registrar um boletim de ocorrência relatando que vinha sofrendo sucessivas intimidações desde uma negociação comercial envolvendo a compra de madeira.
Segundo o relato apresentado à polícia, embora a dívida decorrente da negociação já tivesse sido quitada, o suspeito continuou exigindo novos pagamentos, alegando a incidência de juros e cobrando valores que a vítima considerava indevidos.
Ameaças e intimidação
Ainda conforme a denúncia, as cobranças eram acompanhadas de ameaças. Em uma das ocasiões, segundo o boletim de ocorrência, o investigado teria afirmado que, caso a situação não fosse resolvida "da maneira dele", "iria passear com um terceiro dentro do carro".
A frase foi interpretada pelo empresário como uma ameaça grave, levando-o a procurar ajuda das autoridades.
As investigações também apontam que o suspeito teria imposto uma série de exigências para manter o controle financeiro da empresa.
Segundo a Polícia Civil, o empresário relatou ter sido coagido a permitir a instalação de uma máquina de cartões vinculada ao investigado dentro da madeireira.
Com isso, parte dos pagamentos realizados pelos clientes passaria a ser direcionada diretamente para contas controladas pelo suspeito.
Além disso, a vítima afirmou que também foi pressionada a assinar uma procuração concedendo amplos poderes de administração sobre a empresa e a emitir notas fiscais em favor de uma empresa pertencente ao investigado.
Todo esse conjunto de fatos passou a ser apurado pela Polícia Civil como possível prática de extorsão.
Operação de monitoramento
Após o registro da ocorrência, equipes do GOI iniciaram diligências para verificar as informações apresentadas pelo empresário e acompanhar a movimentação do investigado.
Na terça-feira (15), os policiais receberam a informação de que o suspeito retornaria à madeireira para, supostamente, dar continuidade às cobranças e exigências.
Com base nessa informação, os investigadores organizaram uma operação de vigilância nas proximidades do estabelecimento comercial.
Os policiais permaneceram em monitoramento até o momento em que o veículo utilizado pelo investigado chegou ao local.
Diante dos elementos já reunidos durante a investigação e da situação considerada de flagrância, a equipe realizou a abordagem.
Segundo a Polícia Civil, o homem resistiu inicialmente às ordens dos agentes, sendo necessário o uso de algemas para garantir a segurança da ação.
Após ser contido e passar a colaborar com a equipe, as algemas foram retiradas. Na sequência, ele foi conduzido à unidade policial para os procedimentos legais.
Documentos e máquina de cartões apreendidos
Durante a formalização da ocorrência, o empresário entregou aos investigadores diversos documentos relacionados ao caso, além de comprovantes de pagamentos e uma máquina de cartões da operadora Cielo.
Segundo a Polícia Civil, o equipamento seria justamente o terminal utilizado para direcionar valores recebidos pela madeireira diretamente ao suspeito, reforçando uma das principais linhas investigativas do caso.
Todo o material foi apreendido e passará por análise durante o inquérito policial.
Investigação continua
A Polícia Civil informou que a Depac Centro foi responsável pelo atendimento inicial da vítima e pela formalização da ocorrência, enquanto o Grupo de Operações e Investigações conduziu as diligências, o monitoramento estratégico e a operação que resultou na prisão em flagrante.
Os documentos apreendidos, os comprovantes de pagamento e demais elementos reunidos durante a investigação serão incorporados ao inquérito policial, que seguirá para esclarecer a extensão dos fatos, identificar eventual participação de outras pessoas e subsidiar as próximas etapas da persecução penal.
Até o momento, a defesa do investigado não havia se manifestado sobre as acusações.

