Pouco mais de duas semanas depois de receber autorização para reajustar em 12,11% a tarifa dos consumidores em 74 municípios de Mato Grosso do Sul, a Energisa divulgou seu balanço relativo ao primeiro trimestre de 2026 e reportou queda de 24% no lucro líquido na comparação com igual período de 2025.
Mesmo assim, de acordo com os dados oficiais da concessionária que em 8 de maio conseguiu o direito de explorar o serviço público por mais 30 anos, ainda contabilizou lucro de R$ 115,5 milhões, o que equivale a R$ 1,28 milhão por dia. No ano passado, o lucro líquido no primeiro trimestre havia sido maior, de R$ 151,9 milhões.
Em um ano, o número de clientes da Energisa aumentou em 1,8%, chegando 1.173.955. Mas, apesar deste aumento, a receita operacional bruta teve recuo, passando de R$ 1,096 bilhão para R$ 1,011 bilhão. A explicação para isso foi o calor menos intenso que no ano anterior e o aumento do uso da energia solar.
Esse recuo também cusou reflexo nos cofres públicos, já que o ICMS sobre a energia é uma das importantes fontes de arrecadação do Governo do Estado. No primeiro trimestre do ano passado, segundo a Energisa, foram R$ 218,1 milhões, ou R$ 2,42 milhões por dia. Neste ano, no montante recuou para R$ 210 milhões.
O serviço de distribuição de energia foi privatizado em Mato Grosso do Sul em dezembro de 1997. Porém, a Energisa chegou somente em 2014, depois de incorporar a Rede Energia. desde então, segundo a empresa, foram destinados R$ 5,4 bilhões à modernização e expansão da rede, à construção de subestações e à melhoria do fornecimento.
Investimentos
No dia 8 de maio, quando da assinatura da ampliação do contrato de concessão até dezembro de 2057, a direção da empresa prometeu investir R$ 4,4 bilhões noos próximos cinco anos. O valor representa um aumento de cerca de 20% na média anual na comparação com os anos anteriores.
Do total de investimentos previstos para os próximos cinco anos, R$ 2,2 bilhões devem ser destinados à expansão das redes, viabilizando 125 mil novas ligações para que mais famílias e novos empreendimentos tenham acesso ao serviço de energia elétrica. Outros R$ 2 bilhões serão investidos em obras de melhoria e modernização das redes, propiciando maior qualidade, eficiência e segurança para todos os clientes.
Em 2025, ob teve lucro líquido de R$ 407 milhões, conforme o balanço da concessionária. No ano anterior este montante havia sido de R$ 603,7 milhões. Uma das explicações para este recuo foi a queda no consumo, o que foi resultado da expansão dos sistemas de energia solar e da queda nas temperaturas, explicou a empresa.
"A maioria das classes teve recuo do consumo, sobretudo a classe comercial (-7,2%), seguida pela residencial (2,5%), principalmente pelas temperaturas mais amenas, e rural (-7,3%)", informou trecho do balanço anual.

