Durante o lançamento da campanha de combate ao feminicídio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, na tarde desta quinta-feira (1°), a promotora de justiça Lìvia Carla Guadanhim Bariani, destacou que vítimas de violência doméstica não precisam de um boletim de ocorrência para terem acesso às medida protetiva. Participou do evento, o ator Raul Gazolla, que foi casado com a atriz Daniela Perez, assassinada brutalmente por seu colega de cena, Guilherme de Pádua.
Em sua fala, Bariani afirmou que as medidas protetivas desempenham importante papel no combate à violência de gênero, já que muitas vezes o homem não acaba por matar a mulher porque está proibido de se aproximar dela. De acordo com os números apresentados hoje, 80% das vezes em que a vítima foi assassinada, ela não tinha uma medida de restrição contra o agressor.
Por outro lado, a promotora reforça que há casos em que a medida não é expedida porque a mulher fica com medo ou com vergonha de registrar um boletim de ocorrência contra o agressor, que muitas vezes, pode ser o pai dos filhos dela.
“Uma das frases da nossa campanha é que ‘a medida protetiva salva vidas’ e temos isso em dados, que mostram que 80% das mulheres que morreram ou sofreram tentativas de feminicídio não tinham medidas protetivas”, afirmou.
Ainda de acordo com ela, é importante lembrar que não existe necessidade de um boletim de ocorrência e isso visa facilitar para que a vítima tenha mais coragem para que essas mulheres possam sair do ciclo de violência.
A promotora também lembra que, além de leis efetivas, mulheres que permanecem em um ciclo de violência gerado por um relacionamento precisam também de uma mão estendida e apoio e menos julgamento por parte da sociedade.
“As mulheres permanecem em um relacionamento abusivo porque elas vivem no ciclo de violência, que só vai ser quebrado quando ela tiver uma rede de apoio forte, com um mão estendida para acolher essa mulher, alguém que não fique julgando”, afirmou.
Por outro lado, Bariani também destacou que a situação deve ser encarada de uma forma que seja possível encontrar uma solução para o problema, já que nem a Lei do Feminicídio, de 2015, foi suficiente para diminuir ou zerar o número de casos. Pelo contrário, os índices são cada vez mais alarmantes.
“Colocamos como uma qualificadora, como crime hediondo, pena para começar com 12 anos de prisão, e nem assim conseguimos diminuir o número de crimes. Essa é uma situação que nos preocupa muito e devia preocupar nossos legisladores para ver de que forma isso pode ser modificado”, pontuou.
A abertura da campanha contou com a participação do ator Raul Gazolla, que foi casado com a atriz Daniella Perez, morta brutalmente em um crime de feminicídio, cometido pelo também ator Guilherme de Pádua.
Cmo bem lembrado por Gazolla, na época do crime, em 1992, o termo feminicídio não existia, mas não o deixa de ser, já que a atriz foi morta por um homem possessivo que estava com medo de que sua carreira de ator não crescesse.
No evento, Gazolla disse que, na sua concepção, o crime de feminicídio é incompreensível e é preciso conscientizar os homens, especialmente os jovens, porque quando uma mulher é morta isso afeta toda família e amigos.
“Quando você mata uma pessoa, está matando a irmã de alguém, a filha de alguém, a mãe de alguém. Você não está matando apenas uma pessoa, você está destruindo uma inteira, fora os amigos daquela pessoa. Para mim, o feminicídio é incompreensível”, afirmou.
Por outro lado, o Gazzola também pontuou que em uma relação abusiva, que a mulher é agredida ou até mesmo morta, ambos os lados estão em desequilíbrio porque, de acordo com ele, a mulher pensa que o homem pode melhorar a atitude descontrolada por amor à ela.
“Os dois estão têm um desequilíbrio muito grande porque ela acredita naquele amor, que o ciúmes é amor por ela, e ele, por sua vez, não entendeu que existe início, meio e fim de um relacionamento”, afirmou.
E completou: “Se você quer que seu fim não seja logo, trate com muito carinho a pessoa que você ama”, concluiu.




