Cidades

Cidades

Motorista que matou estudante foi condenado por traficar cocaína em ambulância

Servidor público de Coxim que estava com a CNH vencida foi condenado, em 2022, por tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo; a defesa recorreu

Continue lendo...

O servidor Cleyton Matos Campos, que atropelou e matou a estudante de enfermagem Letícia Camargo, foi condenado por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo - com uso de ambulância do município. 

Cleyton, que estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida há um ano, é concursado pela prefeitura de Coxim e, mesmo condenado, trabalhava como motorista de transporte escolar quando atropelou a estudante, que se formaria no fim do ano.

Consta no processo que, no dia 3 de dezembro de 2019, Cleyton residia no município de Sonora e trabalhava como motorista de ambulância.

Esquema

Durante a “Operação Desintoxicação”, a polícia cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão.

Na casa de Cleyton, os policiais encontraram cartuchos de munição calibre 32, dois carregados e um deflagrado, e um invólucro com pólvora.

Também localizaram duas porções de cocaína que, conforme consta nos autos, “seriam postos à venda”. No veículo dele, um Fox prata, encontraram um tablete de cocaína pesando 52 gramas e uma trouxinha da mesma substância embaixo do banco.

“As circunstâncias da apreensão, a quantidade e natureza das drogas encontradas e as informações anteriores que ensejaram a medida de busca e apreensão, indicando que o denunciado estava comercializando drogas nesta cidade, juntamente com outras pessoas, denotam a traficância de drogas por parte de Cleyton”, consta no processo.

Responder ao processo em liberdade

Na ocasião, Cleyton foi preso em flagrante, e o advogado de defesa ingressou com pedido de habeas corpus solicitando a revogação da prisão preventiva.

O pedido foi acatado, e ele conseguiu responder ao processo em liberdade.

A decisão, à época, levou em conta que Cleyton era réu primário, tinha residência fixa e trabalho. Dessa forma, a prisão preventiva foi substituída pelas seguintes cautelares:

  • comparecimento mensal ao juízo de sua residência, para comprovar o endereço e informar suas atividades;
  • proibição de ausentar-se da comarca sem autorização judicial, enquanto não houver trânsito em julgado da ação penal;
  • proibição de frequência a bares, boates, restaurantes e similares;
  • recolhimento domiciliar nos finais de semana e feriados;
  • submissão a outras medidas que o juízo considerasse necessárias, sob pena de decretação de nova prisão preventiva.

Denúncia

No dia 9 de fevereiro de 2021 ocorreu a audiência de instrução e julgamento.

O Ministério Público Estadual (MPE) decidiu pela total procedência da denúncia, após ouvir as testemunhas, e pediu que a Justiça considerasse o tipo de droga apreendida, cocaína, e a conduta do acusado pelo fato de usar sua posição como servidor público (motorista de ambulância) para facilitar o transporte e o tráfico de entorpecentes.

“No tocante à aplicação da pena, requereu a valoração negativa da natureza do entorpecente apreendido (cocaína) na primeira fase da dosimetria penal, bem como da culpabilidade do agente, uma vez que valia-se de sua qualidade de servidor público (motorista de ambulância) para facilitar a traficância e o transporte de entorpecentes.”

Testemunhas

Um policial civil ouvido em juízo contou que participou da investigação e confirmou que o réu usava a ambulância para trazer entorpecentes de Campo Grande e Coxim para Sonora.

Relatou, inclusive, a existência de um vídeo em que um usuário de drogas vai até o hospital pegar entorpecentes com o réu no dia em que ele estava escalado para trabalhar.

Reprodução Processo

Pena

Após analisar todos os fatores legais, calcular a pena (dosimetria) e aplicar a redução pedida pela defesa, a Justiça concluiu que, como o réu cometeu dois crimes diferentes, pela regra do concurso material,  que determina que as penas sejam somadas.

Portanto, ele foi condenado a 5 anos, 8 meses e 15 dias de reclusão, mais 1 ano de detenção, além do pagamento de 531 dias-multa, correspondentes a 1/30 do salário mínimo da época do crime, corrigidos pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM).

O regime inicial foi o semiaberto, e ficou estabelecido que Cleyton arcasse com as despesas do processo, já que não tinha direito à justiça gratuita. O juiz ainda permitiu que o réu recorresse em liberdade.

Apelo da defesa

A defesa entrou com recurso pedindo a absolvição pelos dois crimes, com o argumento de que as munições não representavam perigo real e que não havia provas de que a droga seria comercializada.

O Ministério Público e a Procuradoria-Geral defenderam pela manutenção da condenação.

A última atualização, pelan ocorreu em 30 de outubro de 2025.

Mesmo condenado, Cleyton continuou com o concurso ativo com a Prefeitura Municipal de Coxim, até que, no dia 12 de novembro, atropelou a estudante Letícia Camargo, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

Assine o Correio do Estado

 

 

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).