Cidades

EDUCAÇÃO

MP cobra concurso após temporários chegarem a 54,6% dos professores em Nova Alvorada do Sul

Promotoria aponta 327 servidores temporários no município, 289 deles na Educação, e dá prazo para prefeitura apresentar cronograma de concurso público

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou que a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul deixe de contratar temporariamente profissionais da Educação para ocupar vagas permanentes e apresente, no prazo de 30 dias, um cronograma para a realização de concurso público.

A medida foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Nova Alvorada do Sul após procedimento administrativo instaurado para acompanhar a regularização do quadro de servidores municipais.

Atualmente, o município mantém 327 servidores contratados temporariamente. Desse total, 289 trabalham na área da Educação.

O documento aponta ainda que os professores temporários representam 54,6% do quadro docente. Para o Ministério Público, o porcentual elevado, aliado à existência de contratos sucessivamente renovados, indica que vínculos criados para atender situações excepcionais estariam sendo utilizados para suprir necessidades permanentes da rede municipal.

A Constituição Federal estabelece que o ingresso em cargo ou emprego público deve ocorrer, como regra, mediante aprovação em concurso. As contratações por prazo determinado são permitidas para atender necessidade temporária de excepcional interesse público.

Na recomendação, o MP afirma que contratos temporários não podem ser utilizados de forma continuada para preencher postos decorrentes, por exemplo, de aposentadorias, exonerações, falecimentos ou da criação de novas turmas.

Contratações 

A Promotoria recomendou ao prefeito e à secretária municipal de Educação que se abstenham de realizar novas contratações temporárias para o preenchimento dessas vagas consideradas permanentes.

Pela orientação do Ministério Público, esse tipo de contratação deve ficar restrito às situações efetivamente transitórias, como substituições de servidores em licença médica, licença-maternidade e outros afastamentos temporários.

Além disso, a administração municipal deverá apresentar, em até 30 dias, um cronograma detalhado para realização de concurso público de provas e títulos destinado ao preenchimento de cargos efetivos.

Segundo o MP, o concurso já está autorizado e deverá permitir a substituição gradativa dos contratos temporários considerados irregulares pela Promotoria.

Antes disso, porém, prefeito e secretária têm prazo de dez dias úteis para informar à Promotoria se acatam ou não a recomendação e apresentar documentação sobre as providências adotadas.

Caso as medidas recomendadas não sejam atendidas, o Ministério Público advertiu que poderá recorrer à Justiça para exigir a regularização do quadro de pessoal.

Entre as providências mencionadas está o ajuizamento de ação civil pública com obrigações de fazer e de não fazer relacionadas às contratações da Secretaria Municipal de Educação.

O documento também menciona a possibilidade de apuração de eventual ato de improbidade administrativa, caso sejam identificados elementos que justifiquem a medida.

A Promotoria fundamenta a recomendação no artigo 37 da Constituição Federal e em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas às contratações temporárias.

Entre elas está o Tema 916 da repercussão geral, que trata dos efeitos jurídicos de contratações temporárias realizadas em desacordo com as exigências constitucionais.

O MP também cita decisão do Supremo no Tema 1.308, julgada em abril deste ano, sobre professores temporários da educação básica. No julgamento, a Corte tratou do direito ao piso salarial nacional do magistério para temporários e dos limites constitucionais dessa modalidade de contratação.

Qualidade do ensino

Além da questão jurídica, a Promotoria sustenta que a utilização excessiva de vínculos temporários pode trazer consequências para a própria rede municipal.

Conforme a recomendação, a precarização do vínculo dos professores pode afetar a continuidade pedagógica, a qualidade do ensino e a valorização da carreira do magistério.

A determinação ocorre no âmbito do Procedimento Administrativo nº 09.2026.00011319-0, instaurado especificamente para fiscalizar as medidas adotadas pelo município na regularização do quadro funcional e na substituição de temporários que desempenham atividades de caráter permanente por servidores concursados.

O Município também deverá dar ampla publicidade à recomendação, com publicação do documento no site oficial da prefeitura e no Diário Oficial. Cópia do ato ainda será encaminhada ao presidente da Câmara Municipal de Nova Alvorada do Sul.

A recomendação foi assinada pela promotora Fernanda Rottili Dias em 23 de setembro.
 

Justiça

Moraes determina emissão de mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro

Pena foi definida no processo do tarifaço contra exportações do Brasil

08/10/2026 20h00

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (8) a expedição de um mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

A medida foi determinada após o ministro mandar executar a condenação de Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A pena foi definida no processo que trata do tarifaço do governo de Donald Trump contra as exportações brasileiras.

Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do ex-parlamentar.

Na prática, Eduardo não deve cumprir a pena enquanto estiver no exterior. O ex-deputado é aliado de Trump, e um eventual pedido de extradição dificilmente será cumprido pelo governo norte-americano.

Ao determinar as medidas, Moraes decretou o trânsito em julgado da ação penal em que Eduardo foi condenado pelo STF, ou seja, o fim da possibilidade de apresentação de recursos.

No mês passado, a Primeira Turma do Supremo rejeitou o recurso protocolado pela Defensoria Pública da União (DPU) para anular a condenação.

O ex-deputado não apresentou defesa particular e foi defendido pelo órgão.

Em junho deste ano, o colegiado concordou com a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e entendeu que há provas para concluir que o ex-deputado articulou o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras para tentar evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

Além disso, outras medidas, como a revogação dos vistos de ministros da Corte e do governo federal e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, também tiveram o mesmo objetivo, conforme o entendimento da Corte. 

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Abandono e perda do cargo de escrivão 

Em setembro deste ano, o Ministério da Justiça e Segurança Pública demitiu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal, por abandono de cargo. 

A decisão, publicada na edição de 21 de setembro do Diário Oficial da União, tem como base processo administrativo disciplinar que concluiu pela ocorrência de faltas injustificadas por período superior a 30 dias consecutivos.

Segundo a portaria, a demissão teve por base a Lei nº 15.047, de 2024, que prevê a penalidade para casos de abandono de cargo. 

Eduardo Bolsonaro integrava o quadro de pessoal da Polícia Federal e estava afastado da função para exercer mandato eletivo na Câmara dos Deputados.
 

Violência na Capital

Homem é morto a tiros dentro de piscina durante festa em Campo Grande

Dois homens em uma motocicleta invadiram espaço de eventos no Jardim Tarumã e abriram fogo contra as vítimas; outra pessoa foi baleada e socorrida pelo Samu.

08/10/2026 19h03

Imagens de câmera de segurança mostram a área da piscina onde um homem foi morto a tiros durante uma confraternização no Jardim Tarumã, em Campo Grande, nesta quinta-feira (8).

Imagens de câmera de segurança mostram a área da piscina onde um homem foi morto a tiros durante uma confraternização no Jardim Tarumã, em Campo Grande, nesta quinta-feira (8). Foto: Reprodução/Câmera de segurança do local.

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Uma festa terminou com um homem morto e outro ferido a tiros na tarde desta quinta-feira (8), no Jardim Tarumã, em Campo Grande. O crime aconteceu por volta das 16h, em um imóvel alugado para uma confraternização.

Dois homens chegaram de motocicleta, entraram no local e começaram a atirar contra as vítimas. Um dos participantes estava dentro da piscina quando foi baleado e morreu no local.

A vítima fatal, que ainda não teve a identidade divulgada, estava na piscina quando foi baleada. Apesar da gravidade da ocorrência, não foram informados, até o momento, quantos disparos atingiram o homem nem se ele era o principal alvo dos criminosos.

Outra pessoa que participava da confraternização também foi atingida pelos tiros. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para prestar socorro e encaminharam a vítima à Santa Casa de Campo Grande. O estado de saúde da pessoa ferida não foi informado.

Policiais são mobilizados após ataque

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, incluindo agentes do Batalhão de Choque, além de integrantes do Grupo de Operações e Investigações (GOI) da Polícia Civil.

Os policiais estiveram no imóvel onde aconteceu o ataque para realizar os primeiros levantamentos sobre as circunstâncias do crime.

Uma equipe funerária também foi acionada para realizar a remoção do corpo da vítima fatal.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a identificação dos dois homens que chegaram ao estabelecimento na motocicleta.

Polícia investiga motivação do crime

A Polícia Civil ficou responsável pela investigação do homicídio e das circunstâncias em que a segunda vítima foi baleada.

Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a motivação dos disparos, a identidade dos envolvidos e a possível relação entre os autores e as vítimas.

Também não foi informado se os suspeitos conheciam as pessoas que participavam da confraternização ou se o ataque foi direcionado a um dos presentes.

Até a divulgação das primeiras informações, não havia confirmação de prisões relacionadas ao caso. As circunstâncias do crime seguem sob investigação.

 

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